King Otto voltou!
A primeira passagem de Otto Rehhagel pelo Werder Bremen foi em 1976, mas por lá permaneceu pouco tempo, só uma temporada. Em 1981, ele retornava para a sua velha casa, mas desta vez, para ficar. Rehhagel ficou catorze anos em Bremen, tendo conquistado dois títulos da Bundesliga e mais dois da DFB Pokal, além de uma Cup Winners’ Cup. Tais conquistas lhe deixaram popular entre os torcedores, que passaram a lhe chamar de “King Otto”.
Em 13 de fevereiro de 1995, Rehhagel anunciou que deixaria o comando do Bremen no término da temporada, pois queria “novos desafios”. Este desafio foi no todo poderoso Bayern, mas com problemas de relacionamento com alguns “figurões” do time, não durou mais de uma temporada. O então técnico bávaro pregava que “a estrela do time era o grupo” e nomes consagrados, como Jean-Pierre Papin e Mehmet Scholl não gostaram muito disso e reclamaram em público da insatisfação com os métodos de treinamento de Rehhagel.
Em 1996, King Otto renascia. No comando técnico do Kaiserslautern, ele levou os vermelhos a seu quarto – e último – título alemão, isso em 1998. E o apelido de “Rei” se tornava algo mais fixo no currículo do treinador.
Otto Rehhagel ainda conseguiria em 2004, o enorme feito de levar a Grécia ao título europeu. Após o término da campanha grega na Copa do Mundo de 2010 – onde a seleção conseguiria marcar seus primeiros gols em mundiais, além da primeira vitória em sua história na competição -, o treinador, na época com 72 anos, decidiu deixar a seleção.
Após um pequeno tempo de inatividade, King Otto ressurge e assumirá o Hertha Berlin na segunda metade da temporada alemã.
Rehhagel é o nome certo para o clube da capital. Na verdade, é o nome certo para a diretoria do clube, que acha que atualmente, o Hertha ocupa um status que não possui, de time que luta por títulos. Em outras palavras, eles acham que o time está no mesmo patamar de Bayern e Dortmund. No quesito técnico, as decisões do diretor esportivo, Michael Preetz mostram bem isso.
O Hertha tinha um treinador jovem e muito promissor, Markus Babbel, que aceitou o desafio de tirar o clube da segundona e assim o fez. O time começou bem a temporada – nas vésperas do duelo diante do Bayern, se falava até em vencê-los, coisa que não aconteceu -, mas após uma série de maus resultados, a pressão aumentou e o clima entre Babel e Preetz esquentou. A corda arrebentou no lado mais fraco e o treinador caiu.
Em seguida, veio Michael Skibbe. Tava na cara que era uma bola fora da diretoria. Skibbe foi rebaixado com o Eintracht Frankfurt e não durou mais que cinco jogos. Foram cinco derrotas em seus míseros cinco jogos e ele foi mandado embora.
A diretoria do Hertha se sente por cima da carne seca, acham que um time que tem Ebert, Kobiashvilli e Mijatovic pode ir longe. Então, trouxeram um treinador que julgam ser da altura atual do clube.
Soberba berlinense à parte, não deixa de ser um bom nome. Rehhagel tem tudo pra botar ordem nos conturbados ares de Berlin. Experiente – 73 anos – e com títulos na bagagem, King Otto pode salvar o Hertha de um vexatório novo rebaixamento. Tem um time razoável em mãos – mesmo com os três citados anteriormente – e com respaldo da diretoria, tem tudo para colocar o Hertha numa posição mais honrosa.
Citei no parágrafo anterior o “respaldo da diretoria” berlinense, acredito que ele virá pelo que Otto Rehhagel representa no futebol alemão. Tem nome forte e história no país. Vai ser complicado passar por cima de sua autoridade. Skibbe e Babbel, dois técnicos que ainda não tem a “cancha” de um King Otto e não sobreviveram aos duelos internos.
Só para exemplificar essa experiência de Rehhagel: ele será o segundo técnico mais velho da Bundesliga, com 73 anos e seis meses. O mais velho foi Fred Schulz, que com 74 anos de idade, treinou o Werder Bremen em 1978. Porém, Otto é o mais “calejado”, tendo participado de 820 partidas como treinador, nenhum outro técnico tem números iguais ou superiores.
King Otto chega pra ser muito mais do que um treinador do Hertha Berlin, ele chega pra botar ordem na casa… Doze anos depois de sua saída da Bundesliga!
Opostos… mas não tanto
Mais uma semana, mais jogos da Champions League. Assim como na última semana, volto aqui para mais uma prévia dos duelos que virão nesta semana. Leia abaixo o que espero dos quatro confrontos da semana.
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Um dos duelos mais equilibrados desta fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League é entre Olympique de Marseille e Internazionale. Porém, a fase de ambas as equipes não traduz muito essa igualdade.
O time francês, que iniciou mal a temporada – o Marseille chegou a ficar na lanterna da Ligue 1 -, se ajeitou dentro das quatro linhas e não perde desde novembro. Já a esquadra italiana está com seu segundo comandante. Após os fracasso com Gasperini, Claudio Ranieri assumiu e parece tomar o mesmo caminho de seu antecessor. A Inter não vence a seis partidas e tem acumulado vexames, como as derrotas por 4×0 diante da Roma, 1×0 diante do Novara e 3×0 contra o Bologna – estes dois últimos em casa, com times da parte inferior da tabela da Série A. No momento, os Nerazzurris não iriam nem para a Liga Europa!
Não enxergo nenhuma hipótese que coloque a Inter como favorita no duelo. O momento ruim e o péssimo futebol das últimas rodadas me fazem pensar assim. Em contrapartida, não considero o Marseille favorito.
O OM vem de dois decepcionantes empates na Ligue 1 e ainda perdeu Loic Rémy pro confronto. Um desfalque tremendo, já que o #11 do Marseille é o grande jogador do time na atual temporada.
Os últimos resultados e a lesão de Rémy podem não deixar o Marseille no mesmo patamar da Inter, mas não lhe dão uma vantagem considerável, algo que pelo menos pra mim, estava de acordo com a presença do artilheiro da equipe.
Mesmo assim, aposto em um 2×1 pro time francês e o duelo ficaria aberto para Milão.
FRANCOS FAVORITOS
O Real Madrid tem mais time, tem o brilhante José Mourinho, um craque como Cristiano Ronaldo… Enfim, há uma enorme lista de motivos que coloquem o time merengue como francos favoritos no duelo contra o CSKA.
A aposta do time russo, certamente é o frio. O CSKA tem até um time ajustado e contam com Doumbia em grande temporada, mas o fato é que o Campeonato Russo só irá reiniciar em março. Este importantíssimo duelo diante do Real Madrid será o primeiro do time em 2012.
A boa nova do time russo fica por conta do retorno de Keisuke Honda. O japonês estava fora, contundido e ainda recebeu algumas propostas de transferência no final de janeiro, porém, permaneceu em Moscow.
Outro problema pode ser o ritmo de jogo. O Zenit, diante do Benfica, mostrou um pouco deste problema. Não atrapalhou tanto – até porque o time venceu por 3×2 -, mas claramente faltaram momentos de regularidade dentro da partida, o time de Spalletti declinou de ritmo várias vezes durante a partida. Isso deve ocorrer com o CSKA, e contra o Real Madrid tem tudo pra ser letal.
Detalhe: Malafeev, titular absoluto do Zenit, não pegou o Benfica por estar lesionado e Zhevnov, seu subtituto, falhou nos dois gols portugueses. Igor Akinfeev, titular do CSKA e da Seleção Russa, teve problemas no joelho ainda em agosto do ano passado e segue fora. Será que a história se repete?
Acho que os Merengues já definem o duelo na ida, 3×0.
TRADIÇÃO vs. OBSESSÃO
Napoli e Chelsea é outro duelo enroscado. Os italianos carregam nas costas a tradição vinda dos tempos de Maradona e Careca, além de terem eliminado na fase anterior, nada mais, nada menos que o poderoso Manchester City. Já o Chelsea se classificou na bacia das almas e com o momento não sendo dos melhores, a obsessão por conquistar a Champions League deve se tornar mais forte e eloquente na cabeça de atletas e torcedores.
O Napoli vem crescendo na Série A. Não perde e não sofre gols a quatro partidas. A última derrota dos comandados de Mazzarri em San Paolo foi na metade de dezembro, quando tomou 3×1 da Roma. De lá pra cá, foram seis partidas, com quatro vitórias e dois empates. Honestamente, sempre gostei deste time do Napoli. Mazzarri coloca o time num esquema diferente – 3-4-3 – e dá certo, eles quase sempre jogam bem. E me chamam mais a atenção os três homens de frente: Edinson Cavani – autor de 16 gols nos últimos 18 jogos -, Ezequiel Lavezzi e Marek Hamsik. Se não é o melhor, está entre os cinco melhores trios da Itália!
Já o momento do Chelsea não é legal. Os Blues ainda não venceram em fevereiro e estão a quatro jogos sem vencer. Outro problema do time londrino são os empates. São sete em toda Premier League e seis deles vindo de dezembro pra cá. Menos mal que Drogba volta ao time – após Fernando Torres quebrar a marca dos 1000 minutos sem marcar gols -, mas não custa lembrar que o marfinense perdeu o pênalti mais importante de sua carreira na final da CAN, talvez ainda esteja abalado, vide o seu ótimo relacionamento com seu país.
Pobre Villas-Boas! Topou entrar em um desafio ambicioso e pode cair se o Chelsea não vingar na Champions. Roman Abramovic não tem paciência com os técnicos dos Blues e se não ver John Terry – que não deve jogar, assim como Cole – erguer a orelhuda, vai mandando “pofexô por pofexô” – aliás, Luxa está aí – embora!
Eu aposto em vitória do Napoli por 3×1.
CRÍTICAS COMO ADVERSÁRIO
O Bayern vive num turbilhão de emoções. Dos 15 pontos disputados em 2012, os bávaros conquistaram 8 e ainda eliminaram o Stuttgart da DFB Pokal. Números bons, concordam? Mas não para um time como o Bayern. Soberba? Talvez sim, mas se formos ver o contexto, o time bávaro foi ultrapassado por Dortmund e Gladbach na tabela de classificação da Bundesliga. Ou seja, os 8 pontos não foram tão bons assim…
Para completar, o time está jogando mal. Robben, criticado por todos os lados – inclusive por Beckembauer – agora é reserva. Müller segue sendo titular indiscutível, mas jogando uma bolinha murcha, enquanto Kroos e Ribéry não voltaram ao ritmo do final de 2011. As críticas são justas, mas estão pressionando demais o time, coisa que anda muito nítida nas últimas rodadas.
Já o Basel foi uma das grandes supresas da fase de grupos. A eliminação do Manchester United não foi mera sorte dos suíços. Thorsten Fink e mais tarde Heiko Vogel armaram um time consistente e tiveram méritos na classificação. Basta ver que em jogos oficiais, o Basel não perde desde agosto! Mas em contrapartida, vem de três empates consecutivos…
Mas todos os olhos estarão em cima de Xherdan Shaqiri, contratado pelo Bayern para a disputa da próxima temporada, mas que defende o Basel atualmente. É dificil saber qual será a reação do garoto de 20 anos, mas todos estarão de olho!
Após em Bayern 2×1.
Uns aprendem, outros desaprendem
Para se conquistar um campeonato, não basta jogar bem. Jogar bem não é sinônimo de vitórias. Por isso, de vez em quando, é muito bom “jogar feio”, alçar bolas na área, ir pra “empurrança”, enfim, vencer de uma maneira não tão “plástica”.
O Bayern de Munich cansou de fazer isso em temporadas anteriores. Os bávaros muitas vezes só incomodavam os adversários que estavam na sua frente na tabela de classificação após conquistarem vitórias truculentas e de placares magros. Já o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp nunca foi disso. Sempre jogou bem, bonito e vistosamente. Não à toa, o momento de maior instabilidade na vitoriosa última temporada foi quando o time passou a jogar mal e por isso, os resultados não chegavam.
Mas este início de 2012 tem sido diferente!
O Borussia Dortmund ainda não perdeu em 2012 e embora tenha mostrado um futebol vistoso e muito bom em alguns jogos – como na vitória sobre o Hamburgo na Nordbank Arena -, o time caiu de produção nas últimas rodadas e bateu Nüremberg, Bayer Leverkusen e Hertha Berlin jogando abaixo do esperado e obtendo placares apertados.
Já o Bayern de Munich vive uma pequena crise. Robben é criticado por todos os lados, Müller segue sendo titular indiscutível, mesmo jogando muito mal e as lesões vão dando enormes dores de cabeça a Jupp Heynckes. O resultado disso tudo estão nos resultados, que não tem sido positivos e vão derrubando o time bávaro na tabela de classificação da Bundesliga.
Jurgen Klopp conseguiu fazer o Borussia Dortmund jogar mal e vencer. O grande exemplo é Kevin Grosskreutz. Tecnicamente, o camisa 19 nunca encheu os olhos, mas talvez seja o jogador mais tático do futebol alemão. E é justamente Grosskreutz, que dentre nomes como Kagawa, Barrios e Lewandowski, tem decidido jogos como o do último sábado, diante do Hertha Berlin.
Esse aprendizado – se é que podemos chamar de “aprendizado” jogar mal e vencer – pode ser o caminho para transformar o Dortmund de Klopp é um verdadeiro time campeão. A equipe precisa superar as adversidades e perceber que nem sempre dará pra jogar o máximo, tendo enfim, que vencer de forma truculenta.
Já o Bayern se perdeu deste caminho. No último sábado, encarou um agora organizado Freiburg – méritos para o novo técnico do time, Christian Streich – e não mostrou nenhuma alternativa eficaz para furar a defesa adversária. Ribéry agiu em lances esporádicos, Müller foi a velha peça nula, enquanto Robben – que atuou apenas no 2º tempo – desperdiçou a maioria das chances que teve.
Falta de Schweinsteiger? Talvez sim, mas não creditaria o mau futebol bávaro à ausência de Schweini. Não custa lembrar que a cria bávara já terminou 2011 machucado, voltou neste ano, mas jogando muito mal e novamente se contundiu. O Bayern já está acostumado a jogar sem ele.
Muitos fatores podem ser creditados a esta má fase. Um destes fatores é a enorme pressão que o time vem sofrendo, outro fator é o fato de alguns times já terem pegado a manha de jogar contra o time de Heynckes – qualquer time com uma marcação adiantada e relativamente forte, já pára o Bayern -, além, é claro, das intermináveis más fases de Robben e Müller.
O resultado disto tudo é a ausência do bom futebol e dos resultados também. Dortmund e Mönchengladbach, outrora abaixo dos bávaros na tabela de classificação, hoje estão acima e ainda tem o Schalke logo abaixo.
Chega a ser cômica a situação das duas equipes. O BVB acostumado a jogar bem e de forma vistosa nos últimos anos, agora vence seus duelos jogando mal, enquanto o Bayern, outrora time que na “hora H” sabia o que fazer para se virar, hoje desconhece o caminho das pedras.
Mas fica a pergunta: o Bayern, com um elenco recheado de estrelas, voltará a mostrar o futebol eficiente? E o Dortmund? Tem consciência de que “jogar mal e vencer” geralmente tem prazo de validade? Bom, só o tempo dirá!










