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Le Podcast du Foot #32

20 de maio de 2013
Beckham no PSG: 10 jogos e duas assistências

Beckham no PSG: 10 jogos e duas assistências

O inglês David Beckham abandonou o futebol neste sábado. Homenageado por todo elenco do Paris Saint-Germain e pela torcida que lotou o estádio Parque dos Príncipes na partida contra o Stade Brestois, o Spice Boy deixou sua marca na vitória por 3×1 com uma assistência para o gol de Blaise Matuidi.

A vitória do Saint-Étienne sobre o Marseille e o empate entre Nice e Lyon, concorrentes diretos à vaga na Liga dos Campeões, foram outros destaques da rodada. Além disso, o Nancy foi derrota pelo Bastia e foi rebaixado para a Ligue 2.

Esses e outros assuntos estiveram na pauta de discussões de Le Podcast du Foot #32. Ouça o programa com Eduardo Junior, Filipe Papini e Vinícius Ramos no player abaixo ou no MixCloud:

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Bayern x Dortmund – Perfil dos elencos

20 de maio de 2013

A grande semana da temporada 2012/13 na Europa chegou. No próximo sábado (25), Bayern de Munique e Borussia Dortmund irão se enfrentar no estádio Wembley, em Londres, valendo o título máximo de clubes do continente.

Como não poderia deixar de ser, o Futebol Europeu Online preparou uma série de posts especiais para a grande decisão do sábado. Para dar o pontapé inicial, você confere o perfil dos prováveis 22 jogadores titulares da partida com a análise deste blogueiro que vos escreve.

Confira:

Bayern x BVB - Goleiros

“Todo bom time começa com um bom goleiro”, essa frase antiga deve ser usada para descrever Bayern e Dortmund – e para a maioria dos times alemães. No lado bávaro, Manuel Neuer veste a camisa 1 e também é o titular da seleção alemã, no lado borussiano, quem ocupa o mesmo status é Roman Weidenfeller, dois goleiros de alto nível.

Neuer é o tão esperado substituto de Oliver Kahn. Os bávaros apostavam suas fichas em Rensing, que hoje é reserva do Bayer Leverkusen, depois em Thomas Kraft, titular do Hertha Berlin, mas nenhum dos dois vingou. A alternativa foi Neuer, goleiro do Schalke, que finalmente trouxe segurança a meta bávara quebrando vários recordes e justificando o alto investimento.

Já Weidenfeller foi ensinado na tradicional escola de goleiros do Kaiserslautern e já está há mais de dez anos no Borussia Dortmund. Ele já disputou mais de 250 partidas pelo clube e é sinônimo de segurança na meta. Com um time muito ofensivo, muitas vezes a bomba explode na defesa e sua participação tem sido muito importante.

Não ouso dizer quem é melhor, não escondo meu gosto pela técnica e segurança de Weidenfeller, apesar de não ser goleiro de seleção como Neuer. Os dois times estão bem servidos na função, isso é fato.

Bayern x BVB - LD

Em minha visão, a final da Uefa Champions League colocará frente-a-frente os dois melhores laterais-direito do mundo. Philipp Lahm é mais completo, marca e ataca com extrema eficiência, apesar de ter vivido momento de instabilidade na temporada passada, já o polonês Piszczek não é tão firme defensivamente, mas é uma flecha no ataque, se tornando uma ótima opção ofensiva ao lado do compatriota Kuba.

Geralmente as laterais dos dois times servem como “válvulas de escape”, mas essa final será muito estudada e de poucos espaços. Lahm deverá estar ocupado com Reus e Götze que deverão agir em seu lado, assim como Piszczek terá enormes preocupações com a dupla Ribéry e Alaba. Creio que suas participações mais efetivas serão defensivas.

Bayern x BVB - Z1

Nessa disputa, não há dúvidas que Subotić leva vantagem. O sérvio é mais técnico, mas não teme em dar chutões quando necessário. É um ponto de equilíbrio na defesa do Borussia Dortmund e se completa com Hummels.

Daniel van Buyten não é o zagueiro dos sonhos, mas não o considero tão ruim como muitos pregam. Apesar da altura, o belga tem alguma desenvoltura com a bola no pé e amadureceu com o tempo, comprometendo menos. Além disso, seus quase dois metros de altura lhe dão muita vantagem na bola aérea. O que pode pesar é o trauma da final de 2010, onde ficou marcado por ser entortado pelo argentino Diego Milito na final do Santiago Bernabéu. Até por isso, não seria nenhuma surpresa a entrada de Jérôme Boateng em seu lugar.

Bayern x BVB - Z2

Dante e Hummels são os principais jogadores da defesa de seus times. O brasileiro mostrou enorme personalidade ao vestir a camisa do Bayern após vários anos em clubes que até possuíam tradição, mas que não almejavam do status bávaro. Ele é titular absoluto e conseguiu seu espaço na seleção brasileira.

Já Hummels é cria do próprio Bayern, mas não foi aproveitado. O Dortmund sentiu a oportunidade e, hoje, conta com o principal zagueiro do país. Apesar disso, sua temporada não foi das melhores. Além de algumas lesões que o tiraram de diversos jogos, o jovem defensor cometeu algumas falhas grotescas durante a temporada, o que só reforça a minha teoria de que Hummels não comete erros isolados, se ele falhar, pode ter certeza que ele irá repetir o erro durante a partida.

Por esse fator, creio que Dante leva ligeira vantagem. É óbvio que Hummels é um zagueiro de maior qualidade, mas o brasileiro parece ter mais sangue frio e isso pesa.

Bayern x BVB - LE

Outra disputa boa, mas de jogadores com características diferentes. David Alaba, apesar de ter surgido mesmo como lateral, já foi aproveitado no meio campo e sempre mostrou ótimas qualidades ofensivas. O austríaco possui mais técnica e consegue “casar” bem seu estilo com o francês Franck Ribéry que atua em seu lado.

Marcel Schmelzer é um lateral à moda antiga. Seus avanços ao ataque são mais eficazes e menos cadenciados. O alemão tem bom chute de esquerda e faz valer também em seus cruzamentos. Nesta temporada, cresceu de rendimento defensivamente porque Grosskreutz perdeu espaço para Reus, diminuindo o auxílio que vinha do camisa 19.

Nesta final, nenhum dos dois leva vantagem em minha visão. Alaba terá que parar a forte dupla Kuba e Piszczek, enquanto Schmelzer terá de segurar Robben – querendo tirar a fama de pipoqueiro – e o eficiente Lahm. Missão dura para ambos.

Bayern x BVB - V1

Tudo que você já ouviu de “volante moderno” pode ser integrado nas duas duplas de volantes. Começando pelos responsáveis pelo trabalho sujo no meio-campo. No Bayern, esse cara é Javí Martínez, contratação cara e que desbancou Luiz Gustavo na cabeça de área. Apesar de jogar mais avançado que Schweinsteiger, o espanhol acaba pegando mais firme na marcação, não à toa tem quatro cartões amarelos na Liga dos Campeões. Isso não o impede de chegar forte no ataque, demonstrar eficiência na bola aérea e nos chutes de média distância.

Sven Bender assumiu a titularidade no Dortmund apenas na reta final de temporada. O experiente Sebastian Kehl era o titular na função e o camisa 6 só conseguiu tomar a posição nos jogos decisivos da Liga dos Campeões. Bender é dinâmico e tem excelente passe, não desempenha a liderança de Kehl, mas tem mais vigor.

Bayern x BVB - V2

Chegamos agora em Schweinsteiger e Gündoğan, dois volantes de características semelhantes: dois meias que aos poucos adequaram seus estilos às funções defensivas. Schweini chegou a atuar como ponteiro no início da carreira, hoje é o volante mais recuado do Bayern, armando o jogo da cabeça de área. Já Gündoğan sempre atuou pela faixa mais central, ora como meia, ora como volante. O jogador de origens turcas sempre se incorpora a linha de três meias do Dortmund e demonstra várias qualidades na distribuição de jogo e na condução de bola.

Schweinsteiger talvez seja o principal jogador da Liga dos Campeões e nisso leva vantagem, mas sendo um dos jogadores que passou pelos dramas dos vices recentes do clube, pode sentir a partida, coisa que tem sido rotineira em jogadores de sua geração.

Bayern x BVB - MD

A faixa direita do gramado dos dois times possui jogadores de qualidades e características diferentes. Robben é mais habilidoso, técnico e tem um preciso chute de perna esquerda, enquanto Kuba é muito voluntarioso, tem bom controle de bola, finaliza bem e pode desempenhar mais de uma função.

Nesse caso, apesar da vantagem técnica do holandês, atribuo a vantagem no confronto ao polonês. Para começo de conversa, Robben só ganhou a posição de titular com a lesão de Toni Kroos, além disso, ficou marcado por erros em momentos decisivos por Bayern e seleção holandesa. Não creio que sejam casos isolados, Robben tem um lado pipoqueiro e muitas vezes ele fala mais alto.

Bayern x BVB - ME

Disputa altamente equilibrada entre Ribéry e Reus. O francês está há um bom tempo no Bayern e sempre foi um jogador decisivo, porém, baterá de frente com a dupla Kuba e Piszczek que tem lhe causado inúmeros problemas nos embates recentes.

Marco Reus chegou nesta temporada ao Dortmund, mas parece estar há anos no clube. Apesar da idade, o meia nunca tremeu nas horas decisivas e marcou em partidas importantes da Liga dos Campeões como contra o Manchester City e o Málaga.

Difícil apontar quem leva vantagem neste duelo, a única coisa certa é que os laterais adversários terão dificuldades na marcação, principalmente quando tiveram que subir ao ataque.

Bayern x BVB - MA

Junto com Reus, citado anteriormente, Müller e Götze formam o trio de ouro do futebol alemão. Além de atuarem juntos na seleção alemã, os dois estarão juntos em 2013/14 no Bayern, já que o borussiano reforçará o time bávaro. A situação de enfrentar um futuro clube pode não pesar – isso é normal na Alemanha – mas a pressão em cima de um rapaz que tem apenas 20 anos pode complicar. É nesse ponto que Jürgen Klopp deve se concentrar no trabalho psicológico com Götze.

É por isso que considero Müller como uma peça mais decisiva na partida. Ele pode não ter a habilidade e nem a técnica do adversário, mas possui uma estrela enorme. Além dos gols contra o Barcelona na semifinal, o meia-atacante fez o gol bávaro na última final europeia.

Bayern x BVB - CA

Mandžukić e Lewandowski possuem características semelhantes, mas elas são exploradas de formas diferentes em seus times. Ambos podem atuar fora da área como armadores, mas são empurrados para o ataque. Essa função é explorada no croata com a troca de posição com Müller, movimentação essa que provoca confusão nas defesas adversárias. Já Lewandowski não sai tanto da área, mas quando a deixa é para fazer tabelas rápidas que deixam os três meias próximos do gol.

Difícil apontar uma vantagem nessa situação. Lewandowski é mais atacante, seus dez gols contra dois do croata mostram isso, mas suas funções táticas são de extrema importância para a participação dos meias no ataque. Dou um voto de confiança para o polonês pela sua capacidade técnica.

Bayern x BVB - DT

Duelo antagônico entre os técnicos. Josef “Jupp” Heynckes já está em sua terceira passagem pelo Bayern, nono clube de seu currículo, e busca também o nono título de sua carreira, segundo de Liga dos Campeões da Europa. Klopp é 22 anos mais novo, mas já é um dos técnicos mais reconhecidos na Europa.

O título passa pelos dois. Bayern e Dortmund se conhecem muito bem, assim como os treinadores sabem das possíveis cartas nas mangas que o oponente pode ter. Nisso Heynckes leva vantagem. Além de ter um elenco maior, ele já demonstrou saber alterar melhor durante os jogos. Klopp até consegue explorar ao máximo seu plantel, mas nunca fui um grande “alterador”.

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PSG x Mônaco – O duelo milionário em números

18 de maio de 2013

Sempre que um milionário compra um clube de futebol a primeira expectativa criada por mídia e, principalmente, pela torcida é a de que os resultados sejam imediatos. Na maioria das vezes não é isso que acontece.

O chefão acaba injetando tanto dinheiro e provocando inúmeras mudanças que leva algumas temporadas para o clube se assentar com um elenco e staff técnico, o que faz com que os resultados também demorem a aparecer.

Paris Saint-Germain e AS Mônaco são exemplos recentes de clubes que possuem donos milionários e precisaram de uma curta espera para conseguir concluir o objetivo inicial.

O clube da capital é comandado por Nasser Al-Khelaifi e é sustentado pela QSI (Qatar Sports Investiments). Após perder o título francês de 2012 para o pequeno Montpellier, o xeique reforçou o time com nomes do calibre de Lucas Moura, Thiago Silva e Zlatan Ibrahimović e levou o caneco em 2013.

Já a equipe do Principado amargava a lanterna da segunda divisão francesa quando o magnata russo Dmitry Rybolovlev comprou o clube e pouco mais de um ano depois, retorna a elite com o título da Ligue 2.

Mas nos números, como tem sido o desempenho dos dois clubes? É o que analisaremos abaixo:

Números gerais de PSG e Mônaco

Números gerais de PSG e Mônaco

Nos dados gerais, nota-se um relativo equilíbrio entre os dois times. Claro, deduzo isso pelo fato do Mônaco ter um número inferior de jogos como milionário. São 29 vitórias de diferença entre os times, é verdade, mas 39 jogos de diferença também, ou seja, os números poderiam estar mais iguais.

Também devemos relativizar o fato de um time estar na elite do futebol francês e outro só agora ter obtido o acesso para a primeira divisão.

A quantidade de gols também é algo a se destacar. Tanto PSG quanto Mônaco ultrapassaram a marca centenária e possuem média de gols superior a um por jogo – PSG com 1,88 e Mônaco com 1,59.

Confira análises estatísticas mais direcionadas aos desempenhos dos dois times nas duas temporadas:

Números do PSG nas últimas duas temporadas

Números do PSG nas últimas duas temporadas

Esses dados retratam bem o porquê do PSG ter conquistado o título em 2013: menos derrotas. Foram nove na última temporada e apenas meia dúzia nesta que se aproxima do fim.

Parte desse rendimento deve-se ao fortalecimento do sistema defensivo. Os 55 gols sofridos em 2011/12 caíram para apenas 34 na atual temporada. O número de gols marcados diminuiu, mas ainda resta um jogo na Ligue 1 e o time da capital tem tudo para bater esse recorde.

Observação: se formos levar em conta apenas a Ligue 1, o PSG dificilmente baterá o número de gols da temporada passada: foram 75 no campeonato todo e 66 na atual edição.

Números do Mônaco na última temporada e meia

Números do Mônaco na última temporada e meia

Desde que Rybolovlev se tornou dono do clube monegasco, a campanha do time melhorou e o Mônaco teve o segundo melhor desempenho do segundo turno da Ligue 2. O acesso só não veio por causa do péssimo início de temporada.

Entre as duas temporadas, notam-se as poucas derrotas, 11 no total, porém, o alto número de gols sofridos: 63, quase um gol tomado por jogo. Além disso, o Mônaco empatou 18 vezes, número alto comparado com o PSG que empatou 24 partidas jogando quase 40 partidas há mais.

MANDANTES E VISITANTES

Balanço das campanhas do PSG em casa e fora

Balanço da campanha do PSG em casa e fora

Note também como o PSG tem uma campanha muito sólida em casa. Juntando as duas temporadas, a equipe da capital perdeu cinco jogos no Parque dos Príncipes, enquanto houve o dobro de tropeços como visitante. Além disso, o Paris fez 18 gols há mais em casa e sofreu 15 há menos.

Não custa salientar que o PSG perdeu apenas um jogo em casa em copas desde que foi comprado pela QSI. Foi na Copa da França 2011/12 diante do Lyon. Clubes como Marseille, Porto e até mesmo Barcelona passaram pelo Parque dos Príncipes e não venceram o time parisiense, o que explica o aproveitamento próximo dos 80%.

Desempenho do Mônaco em casa e fora

Desempenho do Mônaco em casa e fora

Já o Mônaco tem uma campanha mais espelhada entre visitante e mandante, alternando supremacia em alguns tópicos que não confirmam onde é mais forte. Por exemplo, foram 19 vitórias fora contra 16 em casa, mas o time monegasco marcou mais gols em seu estádio.

Na próxima temporada poderemos ter uma noção maior do quão representativo está sendo o dinheiro pro Mônaco. A equipe disputará a Ligue 1 e já almeja investimentos do porte de Falcao Garcia, João Moutinho e Antônio Cassano. Os monegascos terão desafios semelhantes aos do PSG e poderemos ver se esses números realmente são traduzidos em campo.

*Rybolovlev comprou o Mônaco no dia 23 de dezembro de 2011, logo, o clube só jogou o segundo turno da Ligue 2 2011/12 com novo presidente. Na ocasião, já estava eliminado da Copa da Liga Francesa;
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Europeus e a Copa das Confederações: 2003 – A Copa de Foé

14 de maio de 2013
A Copa das Confederações de 2003 ficou marcada pela morte de Foé (Foto: Jean-Philippe Ksiazek/Getty Images)

A Copa das Confederações de 2003 ficou marcada pela morte de Foé
(Foto: Jean-Philippe Ksiazek/Getty Images)

A Copa das Confederações de 2003 ficou marcada como a primeira realizada na Europa e, também, primeira com dois representantes do citado continente. A França, palco da Copa do Mundo de 1998, sediou a competição que guarda uma lembrança trágica.

Durante a semifinal entre Camarões e Colômbia, o meio-campista africano Marc-Vivien Foé desabou em campo aos 27 minutos da etapa final. Ele sofreu um problema cardíaco e morreu ao chegar ao hospital. Tragicamente, Foé passou por esse problema no estádio Gerland do Lyon, clube que defendeu por duas temporadas.

Além da França, país-sede e campeã europeia, a seleção turca foi a outra representante do Velho Continente no torneio. Porém, há de se destacar que o time do técnico Şenol Güneş só chegou à Copa das Confederações após declínios de Alemanha (vice-campeã do mundo), Itália (vice-campeã europeia) e Espanha (melhor país do continente colocada no ranking da FIFA).

Confira nos próximos parágrafos como foi a Copa das Confederações 2003:

A EDIÇÃO

Jacques Santini substituiu Roger Lemerre na França (Foto: Pierre Andrieu/Getty Images)

Jacques Santini substituiu Roger Lemerre na França
(Foto: Pierre Andrieu/Getty Images)

As edições iniciais da Copa das Confederações mostravam repetição entre as seleções participantes. Com a chegada da FIFA e a expansão do número de equipes, houve uma mistura maior de times entre uma edição e outra. Das oito seleções participantes da edição de 2003, quatro haviam viajado até a Ásia na edição de 2001.

Uma dessas equipes era a França, país sede do evento, vencedora da Euro 2000 e campeã da Copa das Confederações anterior. Os Bleus agora seriam comandados por Jacques Santini – que substituiu Roger Lemerre – e contariam com muitos atletas campeões em 2001, mas sem Zinedine Zidane e com Thierry Henry.

Os outros três participantes repetidos eram Brasil, campeão do mundo em 2002, Japão, campeão asiático em 2000 e vice-campeão da Copa das Confederações em 2001, e Camarões, campeão africano em 2002.

No bloco dos times que não estiveram presentes em 2001, mas que jogariam em 2003, estavam os norte-americanos campeões da Copa Ouro de 2002, os neozelandeses vencedores da Copa da Oceania do mesmo ano e os estreantes vindos da Colômbia e da Turquia.

Os turcos, aliás, foram os únicos a ingressar na competição sem vencer algo. Itália e Alemanha, vice-campeãs da Europa e do Mundo, respectivamente, teriam direito a essa vaga, mas ambas rejeitaram, assim como a Espanha que era a melhor seleção do continente no ranking da FIFA.

Era um cenário até engraçado. Estavam reunidos os campeões da América do Sul, América do Norte, Europa, Ásia, Oceania, África e do Mundo contra a Turquia, terceira colocada do Mundial de 2002.

CLASSIFICAÇÃO – FRANÇA

Os franceses poderiam lamentar a ausência de Zinedine Zidane, mas não poderiam, de jeito nenhum, reclamar da chave que caíram na Copa das Confederações. Japão, Colômbia e Nova Zelândia não eram adversários que colocavam medo, nem no elenco, nem na torcida que compareceria em peso nos jogos do time.

Apesar da ausência de Zidane, Jacques Santini levou uma equipe forte para o torneio. Fabien Barthez, Bixente Lizarazu, Robert Pirès, Marcel Desailly e Thierry Henry eram alguns dos remanescentes do título mundial de 1998. Junto deles estavam Sylvain Wiltord, peça importante do Arsenal, a dupla valiosa do Monaco, futuro vice-campeão europeu, Rothên e Giuly, além de Mexès, Cissé e outros jovens que começavam a despontar.

Apesar dessa volúpia de jogadores conhecidos, a França penou para vencer pelo marcador mínimo em sua estreia contra a debutante Colômbia. A vitória no estádio Gerland veio após pênalti duvidoso – suposto toque de mão de Ruben Velasquez – convertido por Thierry Henry.

Na segunda rodada, reedição da final anterior contra o Japão. Santini, assim como Lemerre em 2001, mexeu bastante no time entre a primeira e a segunda rodada e o volante Olivier Dacourt foi o único titular nas duas partidas. Mas diferente do que foi visto dois anos antes, desta vez a França não sofreu grandes problemas com as mexidas e venceu por 2×1, gols de Pirès e Govou – Nakamura fez o gol japonês.

Com o triunfo sobre a seleção nipônica, os franceses foram para o duelo contra a Nova Zelândia na última rodada com a classificação garantida. Santini voltou a mesclar o time titular e saiu com o resultado mais largo de toda competição: 5×0 com show de Ludovic Giuly, homem responsável por vestir a camisa 10 na competição.

CLASSIFICAÇÃO – TURQUIA

Após chamar a atenção do mundo na Copa de 2002, a Turquia chegou à França para a disputa da Copa das Confederações toda remendada. Hakan Sukür, grande ídolo do país, se lesionou antes da disputa do torneio. O mesmo aconteceu com Hasan Sas e İlhan Mansız. A responsabilidade caiu sobre os ombros de Nihat, vice-artilheiro do Campeonato Espanhol vestindo a camisa do vice-campeão Real Sociedad.

Em sua chave, os turcos bateriam de frente com Brasil, Camarões e Estados Unidos e seriam justamente os estadunidenses os adversários da estreia. Na tensa partida realizada no Geoffrey-Guichard em Saint-Étienne, o atacante Tuncay Sanli, na época, com 21 anos, foi decisivo na vitória de virada por 2×1. Ele sofreu o pênalti convertido Okan Yilmaz e ainda marcou o gol que selou o triunfo turco na estreia.

Curiosamente, no ano anterior a Turquia havia perdido na estreia na Copa do Mundo para o Brasil pelo mesmo placar e com circunstâncias semelhantes.

Na segunda rodada veio o primeiro tropeço turco. A vitória camaronesa pelo marcador mínimo, gol de Geremi cobrando pênalti nos acréscimos, significava que a seleção africana se qualificaria com uma rodada de antecedência. Além disso, a vitória do Brasil sobre os EUA tornava o duelo da rodada final decisiva para turcos e brasileiros. O empate classificava a Turquia, mas uma nova derrota os deixaria fora do torneio.

Na saída para o intervalo a eliminação parecia iminente. Os turcos tomaram sufoco do Brasil e levaram sorte de ter sofrido apenas um gol. Na etapa final, o gol de Karadeniz, com menos de dez minutos, foi o divisor de águas na partida. O Brasil teve de se expor e conseguiu ceder um contra-ataque aos 36 minutos com pelo menos nove jogadores no campo de ataque. Não deu outra, gol de Yilmaz. Alex até empatou nos acréscimos, mas era tarde para evitar a eliminação brasileira.

SEMIFINAL

Jogadores franceses homenagearam Foé após gol (Foto: Martin Bureau/Getty Images)

Jogadores franceses homenagearam Foé após gol
(Foto: Martin Bureau/Getty Images)

Quisera eu dizer que as semifinais da Copa das Confederações de 2003 foram marcadas pelo primeiro duelo europeu na história do torneio. Horas antes de a bola rolar para França e Turquia no Stade de France, Camarões derrotava a Colômbia na outra semifinal. Apesar de ganhar a vaga para a decisão, os africanos perderam uma vida: Marc-Vivien Foé faleceu dentro de campo, vítima de um problema cardíaco.

O jogo entre turcos e franceses começou com outro clima. Não parecia um ambiente esportivo, afinal, horas antes alguém havia falecido fazendo o que eles estariam fazendo nos 90 minutos seguintes: jogando futebol.

Mesmo assim, houve jogo… Embora não parecesse isso para a defesa turca. O ataque francês deitou e rolou e fez diversas linhas de passe dentro da grande área adversária. Não à toa, no primeiro gol, a bola passou pelos pés de dois jogadores antes de chegar a Henry, quase embaixo da trave, para marcar.

Durante a comemoração, Henry ergueu o dedo ao céu em homenagem a Foé. Outros jogadores repetiram o gesto no momento.

No segundo gol, a dificuldade defensiva foi novamente notada e Robert Pirès, melhor jogador da Copa das Confederações de 2001, anotou seu segundo gol na edição de 2003.

A Turquia esboçou uma reação e descontou com Karadeniz, mas a defesa voltou a falhar e com dificuldades de afastar a bola da própria área, veio o terceiro gol marcado por Sylvain Wiltord.

Na etapa final, os turcos tiveram tudo para empatar e forçar o inesperado tempo extra. Tuncay deixou o placar em 3×2 antes dos cinco minutos. Mais tarde, Ibrahim Uzulmez foi puxado por Dacourt dentro da área e o pênalti foi marcado. Okan Yilmaz, artilheiro do Campeonato Turco daquela temporada, jogou para fora e a França ficou com a vaga na final da Copa das Confederações.

DISPUTA DO 3º LUGAR

Assim como na Ásia em 2002, a Turquia teve de se contentar com a disputa do terceiro lugar. O adversário em questão seria a Colômbia que fazia boa campanha, perdedora de apenas dois jogos: para França e Camarões, seleções que fariam a final da competição.

Como aconteceu em boa parte da Copa das Confederações, Tuncay Sanli foi decisivo e contribuiu demais no triunfo turco. Ele foi o autor do primeiro gol, que saiu antes dos dois minutos, e deu o passe para Yilmaz anotar o segundo tento aos 40 do 2º tempo, quando o marcador ainda apontava 1×1.

Aquela foi a primeira e única participação turca na Copa das Confederações, mas eles fecharam o torneio em grande estilo. Como se não bastassem as boas exibições perante Brasil e França, últimos campeões mundiais, a Turquia levou o terceiro lugar nas costas.

A FINAL

Song se juntou a Desailly na entrega do troféu (Foto: Jean-Philippe Kziazek/Getty Images)

Song se juntou a Desailly na entrega do troféu
(Foto: Jean-Philippe Kziazek/Getty Images)

O cenário se repetiria para os Bleus: final de Copa das Confederações, franceses com maior poderio ofensivo e adversário com extrema força defensiva. A única coisa em comum que mudava de lado era o palco da partida. Em 2001, a França deu de cara com Yokohama parada para apoiar o Japão, desta vez, os camaroneses teriam de passar por essa situação no Stade de France.

As duas seleções estavam invictas no torneio com o “porém” dos franceses estarem com 100% de aproveitamento. A diferença, como citado anteriormente, era visto nos setores de cada equipe. A França havia balançado as redes 11 vezes em quatro jogos, enquanto Camarões foi mais econômico e fez três gols com a mesma quantidade de partidas do adversário.

Antes do início da partida, várias homenagens a Foé. As duas equipes entraram com uma foto do jogador e o treinador da seleção camaronesa, Winnie Schäfer, vestiu a camisa 17 que era ostentada por Foé durante o torneio.

Com a bola rolando, a França foi superior durante boa parte da etapa inicial. Thierry Henry era o mais acionado, principalmente pelo lado esquerdo ofensivo onde encontrava muito espaço. Sem aproveitar suas chances, os franceses passaram sustos no final do primeiro tempo, quando Barthez foi obrigado a trabalhar em duas bolas cruzadas.

Os passes longos atravessando a grande área voltaram a causar grandes sustos na França e Samuel Eto’o chegou a perder um gol inacreditável no princípio da etapa final. Com 22 anos na época, parecia que o camaronês ainda não conhecia muito bem o caminho das redes.

Com as duas seleções desperdiçando diversas chances claras, fomos obrigados a acompanhar mais alguns minutos de jogo na prorrogação. Com pouco mais de dez minutos e algumas chances francesas, veio o gol de ouro. Henry deu uma joelhada na bola e tirou Kameni do lance, dando o gol do bicampeonato.

Na festa do título, Desailly convidou o capitão camaronês, Rigobert Song, para erguer o troféu. Com essa cena tocante, fechamos a Copa das Confederações de 2003 marcada pela perda de Marc Vivien Foé.

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Le Podcast du Foot #31

13 de maio de 2013
Nasser Al-Khelaifi satisfeito com a temporada parisiense

Nasser Al-Khelaifi satisfeito com a temporada parisiense

Com duas rodadas de antecedência – e uma temporada de atraso, diria o cara da foto acima – o Paris Saint-Germain confirmou o título francês. O time da capital venceu o Lyon no Stade Gerland e abriu sete pontos para o Olympique de Marseille com apenas seis em disputa.

Falando no OM, a equipe de André Ayew venceu o Toulouse por 2×1 com dois gols do ganês e assegurou sua vaga na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões da Europa. A terceira e última vaga é disputada por Lyon, Nice, Lille e Saint-Étienne e todos prometem uma dura briga pela posição.

Para comentar disso e de todos os demais destaques da 36ª rodada do Campeonato Francês, reuniram-se Eduardo Junior, Filipe Papini e Vinícius Ramos em mais uma edição de Le Podcast du Foot. Ouça no player abaixo!

Ouça também no MixCloud:

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Lisandro López precisa se reinventar

9 de maio de 2013
Lisandro faz temporada abaixo do esperado (Foto: Fred Tanneau/AFP-Getty Images)

Lisandro faz temporada abaixo do esperado
(Foto: Fred Tanneau/AFP-Getty Images)

O atacante do Lyon, Lisandro López, dispensa grandes apresentações e é, reconhecidamente, um jogador de muita qualidade. Mas, apesar de seus 10 gols marcados no Campeonato Francês, a impressão que o argentino passa nessa reta final de temporada é que necessita se reinventar na carreira.

O esquema tático que o técnico Rémi Garde adota é o 4-2-3-1 – variando para o 4-1-4-1 – e Lisandro é encaixado como um meia-atacante de lado de campo. O motivo disso é a insistência de Garde em tentar manter o argentino com Bafetimbi Gomis, artilheiro do elenco, no time titular. Como o Predador não é tão versátil sobra para Lisandro a dura tarefa de cumprir uma função que não exerce com maestria.

Porém, o desempenho do argentino como jogador de lado de campo tem sido muito ruim e a justificativa é lógica: ele não sabe desempenhar tal função no sistema tático do Lyon. Garde, vendo que essa maneira de jogar estava refletindo no restante da equipe, parou com a teimosia e começou a revezar Gomis com Lisandro na função de centroavante.

No último fim de semana, por exemplo, o argentino iniciou como titular na partida contra o Nancy, mas após pouco tocar na bola na etapa inicial, foi trocado por Gomis e o francês foi decisivo ao marcar dois dos três gols do Lyon.

Mal comparando, suas características táticas lembram as de Kléber “Gladiador”, atacante que defendeu o Dynamo de Kiev na Ucrânia e hoje veste a camisa do Grêmio. Não enxergo nos dois atletas aquele típico centroavante de área, trombador e empurrador de bola para as redes – como é ‘Bafé’ Gomis – assim como não os vejo cumprindo funções de lado de campo. Basicamente, Kléber e Lisandro são segundo-atacantes, são auxiliares do centroavante, não jogam dentro da área, mas não se afastam dela. Logo, o esquema ideal para ambos seria o 4-4-2 ou o 4-3-1-2 que os possibilitaria uma movimentação mais ampla e sem deixar a grande área vazia.

No caso de Lisandro, onde Rémi Garde não parece querer abrir mão do 4-2-3-1, o ideal seria se encaixar como o homem centralizado da linha de três que se posiciona atrás do centroavante. Porém, Clément Grenier vem despontando como um dos grandes jogadores do Lyon para as próximas temporadas. Desbanca-lo é uma missão árdua, pra não dizer impossível de ser concretizada.

A reinvenção de Lisandro pode passar por uma transferência. A Juventus já demonstrou interesse em seu futebol na metade da atual temporada, mas será que a Vecchia Senhora permanece com essa disposição em contratá-lo? Acredito que não.

O argentino ainda tem lenha para queimar no próprio Lyon, mas essa permanência só será efetivada – entenda-se jogando bem mesmo – se ele colocar a mão na própria consciência e notar o que está fazendo de errado e onde pode evoluir. A função que cumpre dentro de campo é muito específica e poucos times podem fazer com ela faça valer, mas Lisandro não é nenhum craque que possa obrigar técnicos e dirigentes a abrir mão de suas convicções para trazê-lo e montar um novo time.

Caso queira mesmo permanecer no Lyon, clube onde tem uma torcida que o adora, Lisandro López precisa sair da mesmice, trocar experiências até mesmo com os jovens jogadores do elenco e tentar se fixar no time titular da melhor maneira possível, onde não só contribua para o conjunto, mas cresça individualmente também. Essa deve ser a busca do argentino para se reinventar no Lyon.

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Le Podcast du Foot #30

7 de maio de 2013
Alex salvou o PSG nesta rodada

Alex salvou o PSG nesta rodada

O Paris Saint-Germain poderia ter confirmado o título francês no último fim de semana, mas a equipe de Carlo Ancelotti parou no Valenciennes e ainda viu o Olympique de Marseille vencer, adiando a festa.

Quem também está estragando os festejos dos adversários é o Lyon. Com o artilheiro Bafetimbi Gomis inspirado, o OL bateu o Nancy por 3-0 e deixou Nice, Lille e Saint-Étienne para trás na briga pela terceira vaga na Liga dos Campeões.

Esses e outros jogos da 35ª rodada do Campeonato Francês estiveram na lista de destaques de Eduardo Junior, Filipe Papini e Vinícius Ramos na 30ª edição de Le Podcast du Foot.

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