Incontestable
Após uma semana de espera, finalmente rolou o duelo entre Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain. O time comandado por Didier Deschamps venceu por 3×0 e como diz o título acima, a vitória foi “incontestável”.
Pela primeira etapa, daria até pra dizer que a vitória foi um exagero. O PSG teve mais posse de bola, mesmo criando pouco. O Marseille percebia a fragilidade dos laterais adversários, mas não forçava tanto o jogo por lá. Outro ponto que decidiu o jogo à favor do time dono da casa foi a má atuação da dupla Matuidi e Sissoko. Além de pecarem na saida de bola e marcarem mal, ambos davam pouco apoio aos laterais na marcação.
Essa falta de apoio resultou no primeiro gol do Marseille. O lateral-direito Azpilicueta subiu sozinho. Sylvain Armand, ocupado com Ayew que caia em suas costas, não pôde avançar para marcar o espanhol. Pelo menos um dos volantes deveria ir para a faixa lateral e marcá-lo, mas tanto Sissoko, quanto Matuidi seguiram correndo vagarosamente na intermediária e deram todo o espaço para Azpilicueta cruzar na cabeça de Rémy, que abriu o placar com uma impiedosa cabeçada no contrapé de Sirigu.
O gol anotado por Loic Rémy foi o 100º gol do Olympique de Marseille em Le Classique.
O Paris Saint-Germain, outrora dono da partida e da bola, não conseguia mais controlar o jogo e seu trio ofensivo formado por Nenê, Ménez e Pastore era sumariamente eliminado por Diarra e M’Bia. Tá certo que na maioria das vezes, a dupla do Marseille chegava duro – Diarra, por exemplo, cometeu algumas faltas desleais e saiu sem nenhum amarelo – mas ambos fizeram um trabalho muito mais eficiente que a dupla de volantes parisiense.
Mas na etapa final… nessa sim deu pra dizer que a vitória do Marseille foi justa. Há tempos que eu não via um Paris Saint-Germain tão desorganizado.
Jallet virou mesmo um meio-campista, estava totalmente perdido na lateral-direita. Diego Lugano foi outro a ter atuação ruim. Parte da imprensa francesa questiona o motivo de sua contratação, vide a sua inexperiência em ligas maiores. Sylvain Armand, aos 31 anos, não tem mais pernas para jogar na lateral. Cansei de ver Nenê o cobrindo em lances desnecessários. Na cabeça de área, como já destacado, Sissoko e Matuidi foram muito mal em todos os sentidos.
Matuidi, aliás, que vinha fazendo partidas corretas, foi o grande responsável pelo segundo gol do Olympique de Marseille. Ele perdeu a bola para Amalfitano no meio-campo, que acabou tabelando com André Ayew e em um tiro cruzado, fez o gol de número 101 do Marseille em clássicos contra o Paris Saint-Germain.
O grande quarteto parisiense não fez absolutamente nada. Pastore não produziu nada e errou tudo que tentou. Nenê esteve completamente alheio a partida. Na frente, Gameiro não recebeu nenhuma “bola redonda”. Ménez foi o único que tentou alguma coisa. Ele correu, buscou jogo e apanhou um bocado.
Ah, não podemos esquecer da cereja do bolo: Antoine Kombouaré. Uma verdadeira tragédia!
Ele já escalou o time errado. Jallet já é muito mais um meio-campista do que um lateral, assim como Armand, que é um zagueiro praticamente. E eles foram os laterais do Paris Saint-Germain na partida. Foram dois pontos fracos do time. Sem Tiéné, era plausível a entrada de Armand… mas eu ainda assim improvisaria Ceará na lateral-esquerda.
Só que as alterações foram piores ainda. Pastore estava errando tudo que tentava, até por isso Kombouaré o sacou para colocar Bodmer. O time piorou. O camiseta número 12 é mais um apoiador do que armador. Resultado, jogou praticamente junto aos volantes e a criatividade, que já era pouco, se apagou. E tem outra: os diretores do Paris Saint-Germain não devem ter gastado mais de 40 milhões de euros para trazer Pastore e vê-lo sair no meio de um clássico. Estava mal? Estava! Mas poderia decidir o jogo.
Kévin Gameiro, que não recebeu nenhum bom passe, foi substituído pelo fraquíssimo Mevlut Erding. O turco, obviamente, nada fez além de ficar em impedimento.
Minutos mais tarde, Kombouaré fechou com chave de lata a sua jornada com a colocação de Ceará no lugar de Matuidi…
Antoine Kombouaré está ameaçado no cargo do Paris Saint-Germain, mas não me estenderei muito no assunto, até porque tudo que eu tinha para falar pode ser visto em meu último texto no site Os Geraldinos.
Já o Olympique de Marseille teve uma partida muito correta. Na defesa, muita segurança. Steve Mandanda nem precisou trabalhar. Tanto a dupla de zaga, Diawara e Nkoulou, quanto a dupla de volantes, M’Bia e Diarra, se manteram firmes durante o jogo inteiro. Morel não deu sustos e Azpilicueta sempre subiu na boa, tendo sido um dos melhores em campo. Lucho González teve atuação discreta, mas quando preciso, soube cadenciar bem a pelota.
Do trio de frente, nenhum grande destaque, mas os irmãos André e Jordan Ayew foram bem. Podem jogar mais, só que contra um bagunçado Paris Saint-Germain, não precisaram de mais. André foi premiado com o gol no final da partida, completando cruzamento de Amalfitano.
O Marseille não foi brilhante, mas o Paris foi terrível. Não dá para contestar a vitória.
Os 3 pontos conquistados no clássico de certa forma escondem o momento de turbulência que vivia o Marseille. Tudo por causa da discussão entre André-Pierre Gignac e Didier Deschamps. O treinador falou pouco sobre o assunto na coletiva, enquanto os jogadores foram vetados de dar entrevistas, tudo para evitar o tema. A vitória esconde um pouquinho esse problema…
Já no Paris Saint-Germain, críticas atrás de críticas. Ninguém tem sido aliviado e a coisa vai ficando feia para Antoine Kombouaré. Se Nasser Al-Khelaifi for como a maioria dos trilionários donos de clubes europeus, certamente Kombouaré cairá. Leonardo terá de contornar tudo isso…




