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Euro 96 – O futebol volta para casa

Colorado, analista de TI na RBS/RS e fanático por futebol inglês, Alexandre Perín é mais um a contribuir com o “Futebol Europeu Online” em mais um “Conto da Euro”. Em seu blog, o “Almanaque Esportivo”, Perín mudou um pouco o seu estilo de escrever sobre regulamentos, regras e fatos curiosos que cercam o mundo dos esportes, para destacar um dos eventos futebolísticos que mais marcaram sua vida, a Euro de 96.

Meses atrás, também destaquei a competição, mas abrangendo a disputa de pênaltis. Naquela edição da Eurocopa, a Inglaterra conquistou sua primeira e única vitória em uma série de cobranças da marca fatal. Um contexto histórico que envolvia o English Team foi destacado.

Perín escreveu de um modo diferente. A pedido deste blogueiro que vos escrever, o colorado escreveu sobre o torneio que mais o agradou e o porque tal agrado. Confira abaixo as impressões de Alexandre Perín.

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Surpresa, drama, glória, dominação. Sentimentos diversos ecoam em minha mente ao recordar a Eurocopa de 1996. Confesso que, depois da minha euforia com a conquista da Dinamarca em 92 contra todas as expectativas, a ansiedade estava alta. Seria a chance de ver o renascido futebol inglês. Naquela época, sem globalização da mídia, apenas ouvíamos falar do que ocorria nos gramados britânicos. Foram os ingleses os primeiros a tratarem os torcedores como verdadeiros clientes, promovendo o conforto e reformando seus centenários estádios a um nível ainda não visto neste esporte. Uma mudança que, gradualmente, atingiria todo o planeta…

A expectativa com relação aos times era bastante alta. Cinco times europeus estavam entre os oito melhores do Mundial de 1994: Itália, Bulgária, Alemanha, Romênia e Holanda. A anfitriã Inglaterra, ausente do Mundial anterior, merecia a condição de favorita com uma equipe jovem e qualificada. Já a “Nova Europa”, sem o bloco comunista, se mostrava presente com a República Tcheca – da outrora unida Tchecoslováquia – e a Croácia – saída da guerra civil que dissolveu a Iugoslávia -, times que chamavam a atenção pela técnica apurada.

Embalado pela trilha do Lightning Seeds, “Football is Going Home”, os ingleses faziam um revival do Mundial de 1966, seu grande momento. Na base do time, tínhamos a segurança de David Seaman e Paul Ince ao lado da juventude de Alan Shearer, Jamie Redknapp e Steve McManaman. Depois da dramática semifinal de 1990 em Turim, os ingleses precisavam ganhar confiança sob a tutela de Terry Venables. É verdade que um decepcionante empate em 1×1 contra a Suíça não ajudou a sempre instável autoconfiança local. Principalmente porque o adversário seguinte seria a rival Escócia em um Wembley angustiado…

Gascoigne e sua marcante comemoração diante da Escócia (Getty Images)

O 0×0 do 1º tempo se transformou em uma vantagem mínima, gol de Shearer. Gary McAllister teve a chance do empate escocês, mas Seaman pegou o pênalti. Sessenta segundos depois, Gascoigne marcaria um gol antológico, dando um balãozinho em Colin Hendry e desferindo um petardo sem deixar a bola cair. O 2×0 embalou o time, que atropelou a fortíssima Holanda – cuja base era o campeão europeu Ajax – por 4×1. Aliás, o solitário gol de Patrick Kluivert seria crucial para a classificação holandesa, para desespero da Escócia, de novo eliminada no saldo de gols.

No Grupo B, franceses e espanhóis atropelaram romenos e búlgaros e se classificaram com facilidade. A França, treinada por Aimée Jacquet, tinha praticamente todo o time que seria campeão mundial em dois anos. Enquanto isto, na chave C ocorreu à primeira zebra. Após uma decisão bizarra de poupar jogadores, o técnico Arrigo Sacchi selou seu destino quando viu a Itália levar 2×1 da República Tcheca. Na rodada posterior, um jogo maluco no qual os tchecos levaram 3×2 de virada e arrancaram o empate nos acréscimos contra a eliminada Rússia. Agonizante, o time italiano empatou em 0×0 com a Alemanha, campeã do grupo, e ficou fora das quartas. Finalizando, a campeã Dinamarca e a fraca Turquia não jogaram nada e foram eliminadas facilmente no grupo D pelas surpresas Croácia e Portugal, no primeiro brilho da geração de Luís Figo e Rui Costa.

Nas quartas, a Inglaterra sofreu com a Espanha, mas venceu nos pênaltis após um 0×0 arrastado. Vale lembrar a emoção de Stuart “Psycho” Pearce após converter sua cobrança, ele que havia errado nas semis de 90 contra os alemães. A França superou a Holanda nos pênaltis, também depois de um 0×0 bem ruim. Em um jogo superior, a Alemanha bateu a Croácia por 2×1, gols de suas estrelas: Klinsmann e Sammer pela Alemanha, Davor Suker pelos croatas. Que, aliás, reclamariam muito da arbitragem, e teriam vingança em dois anos… Finalmente, a República Tcheca bateu Portugal por 1×0 com um gol espetacular de Karel Poborsky e se classificou para as semifinais. Poborsky, aliás, ofuscava a estrela Patrik Berger e era o maestro de sua equipe, na qual brilhava também o atacante Vladmir Smicer.

No primeiro jogo das semifinais, um novo 0×0 muito ruim e decidido nos pênaltis entre França e República Tcheca, um confronto de duas ótimas defesas. Nas penalidades, vitória dos tchecos, que chegavam a uma surpreendente decisão. Eles aguardariam o vencedor daquele que seria um dos mais dramáticos jogos da história da Eurocopa.

‘Andi’ Möller comemorou ao estilo Gascoigne na eliminação inglesa

Ecos de 1966, com Bobby Charlton na arquibancada de um Wembley eletrizante. No campo, com dois timaços de cada lado, os ingleses saíram na frente com mais um gol de Shearer, mas o reserva Stefan Kuntz empatou para os alemães. Na prorrogação, Darren Anderton e Paul Gascoigne erram gols inacreditáveis e o jogo foi para os pênaltis. Depois de 10 cobranças perfeitas, Southgate bateu e Andreas Kopke defendeu. O capitão Andreas Möller, suspenso da final pelo 2º amarelo, converteu e destroçou os corações ingleses. O sonho acabou. Era hora de voltar para casa.

A decisão seria vista como uma espécie de anticlímax. A Alemanha era absolutamente favorita, inclusive, tendo vencido a República Tcheca na estréia da Euro por 2×0. Entretanto, o drama da final de 1992 voltou a ocorrer: nervosos, os alemães não conseguiam mostrar seu melhor futebol e experiência, e acabaram sendo envolvidos. Em uma penalidade discutível de Mathias Sammer, Patrik Berger fez 1×0 aos 25 do 2º tempo. Seria o fim?

Não. A salvação germânica viria de um nome improvável, escolhido do banco de reservas pelo treinador Berti Vogts. O atacante Oliver Bierhoff entrou e logo em seu primeiro toque na bola empatou em 1×1, conferindo de cabeça. “Morte Súbita”, quem fizesse primeiro na prorrogação seria o campeão. Quis o destino que o reserva e nada cotado Bierhoff, em um chute desviado na zaga tcheca e que contou com a falha do goleiro tcheco Petr Kouba, desse o tricampeonato europeu para a Alemanha logo a cinco minutos.

Klinsmann ergueu a Eurocopa diante da rainha Elizabeth (Getty Images)

A Alemanha dominava a Europa novamente!

Seria esta a última conquista internacional dos alemães.

Eles bateram na trave em 2002 no Mundial (Brasil) e 2008 na Eurocopa (Espanha).

Até hoje…

Não existem palavras

Atletas bávaros não acreditam no resultado (Getty Images)

O Bayern perdeu a UEFA Champions League em casa e o que eu posso dizer sobre isso? Lamento amigos, quase nada!

Como fã do futebol alemão, admito que torcia pelo time bávaro. Mesmo tendo uma simpatia maior com o rival amarelo de Dortmund, sempre gosto de ver os times germânicos nas posições mais altas nas competições internacionais. Pouco valor tem se é rival ou não, o importante é torcer e ver estes times representando bem o futebol do país.

Diferente de 2010, onde nem cheguei a acompanhar a partida contra a Inter, a peleja disputada no último sábado, diante do Chelsea, me teve como espectador e como ser perplexo após o término da citada disputa. Como pode o futebol ser tão injusto assim? Como pode transformar pessoas confiantes em fracassadas num mero chute desperdiçado? Não parece certo! Talvez por isso sejamos apaixonados pelo esporte, nem sempre o que é legítimo, é justo. O Bayern jogou melhor, mas quem levou a “orelhuda” pra casa foram os Blues. A conquista perde legitimidade? Não!

Por isso que Uli Hoeness, presidente do Bayern, usou a melhor frase após o jogo: “Não existem palavras. É inacreditável!”. Para nós, fãs do fussball, faltam substantivos, verbos, adjetivos, artigos, preposições, xingamentos, emoticons… Falta tudo! É indescritível, mais até do que um eventual título bávaro. Pelas circunstâncias de jogo e ambiente, o vice-campeonato europeu foi uma das maiores decepções da história do clube.

O Bayern jogou melhor, tinha a cidade a seu lado e ouso dizer que aqueles que odeiam o “futebol moderno” também torciam contra o milionário Chelsea. Os bávaros tiveram o jogo nas mãos no tempo normal e também no tempo extra, quando Robben perdeu um pênalti. Na disputa da marca fatal, não deu! E quiseram os “Deuses do Futebol” que o responsável pela perda do pênalti alemão fosse Bastian Schweinsteiger, cria do clube e com extrema identificação com a torcida, além de melhor jogador em campo.

O futebol propicia essas coisas!

Sim, presenciamos a história sendo escrita. Foi o primeiro título europeu do Chelsea, mas também fomos viventes de umas das derrotas mais doloridas da história do Bayern, derrota essa que talvez tenha sido até mais chocante do que a de 1999, contra o Manchester United no Camp Nou. O fato de jogar em casa, de ter desperdiçado um pênalti no tempo extra e ainda cair na disputa de penais com o principal atleta do time perdendo uma cobrança, pode doer mais do que tomar dois gols nos acréscimos em uma final.

O “Maracanazo Azul” representou o ápice do sonho de Roman Abramovic, que desde que comprou os Blues sonhava com este título. Bateu na trave em 2008, mas este ano a bola entrou e, com um time bem mais enfraquecido que outros e ainda com as histórias de má vontade dos atletas com um ex-treinador se repetindo, o caneco chegou.

Não existem motivos para desmerecer o título do clube londrino. O futebol não perdeu, ele sempre ganha, mesmo se apresentando de forma pior, só se defendendo e jogando rudemente, essa é a graça do esporte. O Chelsea parou times como Barcelona e Bayern. Não é pouca coisa. Lembrem-se, outras equipes tentaram retrancas parecidas e até mais fechadas, mas não obtiveram sucesso contra as agremiações citadas. Há algum mérito nisso!

O marfinense Didier Drogba também poderá encerrar sua carreira tendo conquistado o maior troféu de clubes da Europa. “Ah, mas ele fez corpo mole pra derrubar Scolari e Villas-Boas”. Bom, dizem que sim, mas como eu costumo dizer, futebol é um jogo sujo, é desonesto. Muitos gênios do futebol têm histórias podres para contar, mas não perdem a alcunha de craques e revolucionários do esporte. Drogba não é um monstro sagrado, é sim um grande atacante, um dos melhores da nossa geração. Junto com Samuel Eto’o, talvez tenham sido os principais jogadores africanos em campos europeus nos últimos vinte anos. Faltava um grande título pro marfinense e ele conseguiu!

Frank Lampard, John Terry e Petr Cech foram outros jogadores que, por baterem na trave diversas vezes, também merecem esse prêmio pela insistência e de certa forma, por amor ao clube. As atitudes destes jogadores com alguns ex-comandantes podem não transparecer isso, mas esses caras têm uma grande identificação com o Chelsea. Não foi o dinheiro que apenas os seduziu, mas sim a paixão que a torcida tem com clube.

Schweini lamentou seu erro (Getty Images)

Para os jogadores do Bayern, essa sensação de ser campeão europeu vai demorar mais um pouco a chegar ou talvez nem chegue. O time bávaro conseguiu participar de duas finais de UEFA Champions League e perder as duas. A geração de Phillip Lahm, Bastian Schweinsteiger e Franck Ribéry vai ficando marcada como uma das mais talentosas da história do clube, mas que fracassou nas horas decisivas.

A derrota foi tão dura que pode haver um reflexo na Seleção Alemã que estará presente na UEFA Euro 2012. Sete jogadores bávaros que disputaram a final da UEFA Champions League deverão desfilar nos campos ucranianos e poloneses no próximo mês. O Bayern é a base da Nationalelf, mas esta é a hora certa que os jogadores precisam demonstrar a fama “fria” dos alemães, dando a volta por cima após esta dura derrota.

Tudo ou nada

18 de maio de 2012 1 comentário

Não existe termo melhor para definir a final da UEFA Champions League entre Bayern x Chelsea do que “tudo ou nada”. O time alemão fez uma temporada ótima, mas acabou sendo dominado em território nacional pelo Borussia Dortmund, já a equipe inglesa, mesmo com a conquista da FA Cup, não teve uma temporada brilhante e só poderá voltar a disputar a próxima Liga dos Campeões se conquistá-la neste sábado.

A declaração final de fracasso ou glória dos dois times será definida na Allianz Arena e no blog, você acompanhará abaixo uma “pequena” análise do que as duas equipes podem apresentar no jogo decisivo:

BAYERN

A Allianz Arena está pronta para receber bávaros e londrinos (Reuters)

Finalista na temporada 2009/2010, o Bayern volta a disputar uma final de UEFA Champions League, podendo se tornar o primeiro time a conquistar o torneio jogando em seu estádio. Munich vive este jogo e, a expectativa de ver o time local na grande decisão surgiu desde a estreia bávara, ainda na fase prévia do torneio, diante do Zurich. Porém, dizer que jogar em casa é uma grande vantagem pro clube alemão beira a inocência. A UEFA distribuiu os ingressos para os dois clubes em quantias iguais, sem falar dos convidados da entidade. Isso não impede que um torcedor do Chelsea venda sua entrada para um alemão e vice-versa, mas o estádio não estará todo vermelho como num jogo normal.

Mas a vantagem de jogar em casa está no conhecimento do gramado. Parece besteira, mas os “atalhos do campo” podem ser uma arma pro Bayern. Seus atletas estão acostumados com a Allianz Arena, sabem os melhores caminhos e essa é a grande, talvez, única vantagem de jogar em casa nesta grande final.

Para a partida deste sábado, o experiente treinador Jupp Heynckes terá alguns desfalques importantes. Holger Badstuber, David Alaba e Luiz Gustavo estão todos suspensos e a escassez de nomes do elenco bávaro veio à tona. O comandante do barco alemão provavelmente improvisará jogadores nas funções dos atletas impedidos de jogar a partida.

Na zaga, Tymoshchuk, volante, pode ser o substituto de Badstuber, enquanto Philipp Lahm, que retornou a lateral-direita, pode ser deslocado para o lado oposto e substituir Alaba, fazendo com que o brasileiro Rafinha entre no time. A entrada de Contento é outra possibilidade, com isso, Lahm não seria deslocado para a esquerda. Na cabeça-de-área, a tendência é que Heynckes coloque Toni Kroos e Bastian Schweinsteiger lado a lado, e não como meia e volante – respectivamente. Isso não chega a ser um problema, já que Joachim Löw já utilizou, em algumas oportunidades, esta formação na Seleção Alemã.

Dos três desfalques, talvez, Luiz Gustavo seja o mais sentido, mas pelo conjunto da obra, não dá para dizer que um fará mais falta que outros. A subestimada zaga do Bayern vinha bem, com Boateng e Badstuber se entendendo no miolo de zaga, com Lahm voltando à velha eficiência e Alaba mostrando que, mesmo tendo jogado por algum tempo no meio campo, pode atuar bem na lateral-esquerda, sua posição de origem. Veremos como se sairá remendada.

No setor ofensivo, tudo 100%. Franck Ribéry, Arjen Robben e Mario Gomez, principais nomes do time na temporada ao lado de Toni Kroos, chegam inteiros fisicamente para a final e são alguns dos grandes trunfos de Heynckes para superar a desfalcada defesa do Chelsea.

O COMANDANTE

Jupp Heynckes pode ganhar a Champions League pelo segundo time diferente (FCBayern.de)

O experiente Jupp Heynckes estará novamente presente a uma final da UEFA Champions League. Sua última havia sido em 1998, quando treinava o Real Madrid e bateu o Valencia na grande decisão. Desde então, o alemão rodou por alguns clubes que não haviam chegado ao maior torneio de clubes da Europa, retornando agora, com o Bayern, e voltando em grande estilo.

Sua missão, ao retornar para o clube bávaro, era consertar a defesa do time. Com Louis van Gaal não tinha jeito. Diversos atletas passaram pelo setor e ninguém se firmou. Mas com Heynckes, a defesa ganhou uma cara desde o princípio. Boateng e Badstuber foram os nomes de confiança desde o começo e mesmo com o deslocamento do primeiro citado para a lateral-direita, a entrada de van Buyten não comprometia.

Porém, o que falta a zaga bávara são nomes de peso. A melhor defesa da Bundesliga é simplesmente menosprezada mundo afora, sendo tratada como lixo e muito ruim, sendo que não é bem assim. É claro que dos quatro titulares, apenas Lahm enche os olhos com sua classe em campo, mas isso não significa que seja impossível armar uma defesa sólida e capaz de segurar o ímpeto adversário. Heynckes conseguiu construir isso.

No ataque, o técnico duas vezes campeão alemão apenas seguiu utilizando a fórmula que vinha dando certo, com o acréscimo de Toni Kroos, mais efetivo, tanto na faixa central da linha de três meias, quanto na cabeça de área.

Caso conquiste a UEFA Champions League desta temporada, Jupp Heynckes poderá igualar os feitos de José Mourinho, Ottmar Hitzfeld e Ernst Happel ao conquistar o torneio por mais de um clube.

O CARA

Ribéry foi um dos grandes nomes da temporada (Witters)

Apesar do ótimo conjunto adquirido, parte atualmente, parte com o tempo, a torcida do Bayern deposita suas esperanças em Franck Ribéry. O francês, que não disputou a final de 2010 por estar suspenso, fez grande temporada e ainda esteve livre das lesões, podendo ter uma seqüência maior de jogos.

Posso estar sendo exagerado, mas colocaria Ribéry entre os cinco melhores do mundo nesta temporada. Não foi o melhor jogador da Bundesliga, o que faz eu me contradizer um pouco, mas em jogos decisivos ele apareceu e participou ativamente dos jogos, foi o melhor atleta bávaro na temporada.

Ribéry costuma atuar na ponta esquerda e joga visando o gol, seu bom controle de bola facilita isso. O francês atua com classe dentro de campo, busca o drible, a finalização, é um jogador incisivo e pode, por linhas tortas, reescrever a final de 2010, onde o Bayern, sem tê-lo em campo, se viu muito dependente de Robben, que muito bem marcado pela Inter, não conseguiu atuar bem.

Desde sua chegada ao Bayern, Ribéry se tem se destacado mais nas assistências do que nos gols. Só para tomar de exemplo, o francês deu o passe final para 63 gols, sendo que ele marcou vinte há menos, isso em toda sua carreira na Alemanha. Nesta temporada, a história foi a mesma. O camisa 7 marcou 12 gols e deu 20 assistências.

Isto não significa que o francês seja a estrela absoluta do time e que só ele pode decidir. Toni Kroos e Bastian Schweinsteiger são dois meio-campistas clássicos, de bom toque de bola e finalização de média e longa distância, podendo decidir também com suas assistências. Arjen Robben é outro atleta decisivo, porém, precisa perder a estigma de bobear em jogos gigantes. Não custa lembrar que o holandês perdeu um gol feito na final da Copa do Mundo e ainda desperdiçou um pênalti no confronto contra o Borussia Dortmund, no Campeonato Alemão. No comando de ataque, Mário Gomez. Pra ele, não existe tempo ruim, a bola passa perto dele e já vai pra direção da meta. Sua função é fazer gols e desde os tempos de Stuttgart, ele vem mostrando que sabe fazer.

TIME BASE

Com os desfalques de Luiz Gustavo, Alaba e Badstuber, Jupp Heynckes terá de rebolar para escalar seu time pro jogo decisivo. Confira abaixo a possível escalação do Bayern:

(4-2-3-1): Neuer – Lahm, Tymoshchuk, Boateng e Contento (Rafinha) – Kroos, Schweinsteiger – Robben, Müller e Ribéry – Gomez

NÚMEROS

Temp. Jgs. Vit. Emp. Der. GM GS
Bayern na UCL 28 260 144 60 56 493 257
Bayern contra ingleses 39 14 13 12 59 50
Bayern v Chelsea – Competições UEFA 2 1 0 1 5 6

CHELSEA

Quando o milionário Roman Abramovic comprou o Chelsea, seu grande sonho era tornar o clube londrino um dos maiores do mundo, e para conseguir este feito, obviamente, seu time precisaria conquistar a UEFA Champions League. Desde que os Blues se firmaram como uma potência inglesa, esse título se tornou prioridade para o russo, para não dizer obsessão.

O Chelsea só volta a Champions League se vencê-la (Reuters)

O responsável inicial para saciar a sede de títulos de Abramovic nesta temporada foi André Villas-Boas, mas o português se tornou mais um a ser “queimado” por Drogba, Terry, Lampard e Cia., acabou sendo demitido após uma série ruins de resultados no início de 2012. Roberto Di Matteo foi efetivado ao cargo de treinador e colocou as coisas no lugar. O Chelsea se tornou uma equipe mais aguerrida em campo e assim conseguiu bater o poderoso Barcelona antes de chegar à final.

Assim como Jupp Heynckes, o bem menos experiente Di Matteo terá importantes desfalques na defesa. Branislav Ivanovic, um dos grandes nomes da campanha londrina está suspenso. O capitão John Terry foi expulso no jogo de volta das semifinais e também não estará em campo na decisão. O treinador italiano vai ter de apostar nos jovens David Luiz e Gary Cahill, que mesmo acumulando boas atuações na temporada, ainda não possuem uma “largura” prum jogo deste tamanho. Na frente da zaga, Raúl Meireles também estará de fora.

Além dos desfalques do setor defensivo, o Chelsea não poderá contar com o brasileiro Ramires, um dos grandes nomes da semifinal diante do Barcelona. O meio-campista foi reposicionado por Di Matteo, que o tirou da cabeça de área e o colocou na ponta direita. Sua correria, às vezes insana, foi mais bem explorada e o camisa 7 passou a decidir jogos. Com o Bayern tendo de atuar com um lateral-esquerdo reserva – ou não da posição, caso jogue Lahm -, as investidas de Ramires pelo setor seriam de grande utilidade.

O jogo do Chelsea também passa a mudar se a bola chegar aos pés de Frank Lampard e Juan Mata. Enquanto o primeiro ainda tem lá sua utilidade defensiva, o segundo se torna peça nula em campo se não trabalhar com a bola. Canhoto de qualidade, Mata se adaptou bem ao futebol inglês, foi titular incontestável durante a temporada inteira e precisa da bola no pé para funcionar. Já Lampard, passou por uma má fase interminável – de duas ou três temporadas seguidas -, mas após ser reserva com Villas-Boas, tem reencontrado a melhor forma com Di Matteo. Para defender o ídolo do Chelsea, não acho que esse crescimento técnico tenha sido ocasionado por um eventual “corpo mole”. Desde os tempos de Ancelotti e no English Team, Lampard tem jogado mal.

No ataque, Didier Drogba, que mesmo mais técnico e inteligente que Gomez, também sabe transformar uma bola quadrada em gol. Foi outra peça importante nas semifinais.

O COMANDANTE

Di Matteo poderá, logo de cara, ganhar a Champions League (Chelseafc.com)

De um lado, Jupp Heynckes, técnico veterano, de vários títulos e diversas histórias a contar; do outro lado, Roberto Di Matteo, jovem ainda e apenas com a FA Cup, conquistada há algumas semanas, no currículo. O italiano caiu de pára-quedas no comando técnico do Chelsea, mas enxerga a conquista da UEFA Champions League como a oportunidade certa de deixar de ser um treinador “tampão” para ser de vez o efetivo do cargo.

Mesmo chegando num momento de turbulência, seria errado dizer que Roberto Di Matteo não tinha experiência nenhuma como treinador. Em seu período no West Bromwich, levou o clube a uma boa posição na tabela da Premier League, mas com a queda natural de rendimento, sofreu com a impaciência dos dirigentes e foi demitido.

No Chelsea, sua grande sacada foi deslocar Ramires da faixa mais disputada do campo para a mais livre, dando carta-branca para o brasileiro dar suas arrancadas. No resto, apenas algumas mexidas opcionais, como as entradas de Mikel e Kalou, para as saídas de Romeu e Sturridge.

Vindo do Chelsea, não ouso dizer que Di Matteo tem o elenco em mãos, já que todos sabem do histórico de confusões de alguns jogadores, mas o fato é que os atletas confiam no italiano. Os motivos, só eles sabem, mas confiam e como foi dito anteriormente, a conquista da UEFA Champions League colocaria o treinador num patamar alto do conceito de Roman Abramovic, aumentando suas chances de permanecer como treinador dos Blues.

O CARA

Decisivo nas semifinais, Drogba é a esperança londrina para a final (chelseafc.com)

Os ingleses adoram idolatrar um jogador local. No caso do Chelsea, Frank Lampard e John Terry eram os grandes ídolos da torcida, mas nos últimos anos, a dupla tem caído de rendimento e o marfinense Didier Drogba, que têm se mantido regular desde que chegou à Terra da Rainha, ocupou o posto de “cara” do time.

O atacante consegue mesclar virtudes de um centro-avante moderno, como a movimentação e agilidade ao sair da área, com qualidades de um jogador mais antigo, como a força física e presença de área. Por essas e outras, Didier Drogba, mesmo não vivendo a melhor de suas temporadas, pode ser colocado como um dos melhores de sua posição no mundo.

Como foi dito no parágrafo anterior, Drogba não está no melhor de sua carreira, mas um jogador de alto nível pode, e deve, brilhar nos jogos onde esse lampejo é necessário. Foi o que aconteceu com o marfinense nas semifinais diante do Barcelona, onde anotou um gol e foi peça chave ao incomodar bastante os defensores adversários, seja na catimba, seja com a bola no pé.

Na atual temporada, Didier Drogba anotou 12 gols em 24 jogos, o que só ajuda a reforçar a tese de que mesmo não estando no auge, pode ser decisivo e contribuir para um possível título europeu.

Além do marfinense, Di Matteo poderá contar com o apoio de Juan Mata, que tomou conta da camisa 10 do Chelsea, assim como Lampard, autor do gol londrino na final de 2008. Caso o banco de reservas precise ser acionado, Fernando Torres é a melhor opção. Embora não justifique o astronômico valor da transferência que o levou para Londres, o espanhol já tem 11 gols na temporada e tem estrela, como provou no jogo de volta diante do Barcelona e na final da última Eurocopa.

TIME BASE

Com quatro desfalques, mas com um elenco mais recheado de opções, Roberto Di Matteo não precisará se revirar como Heynckes e deverá ter substitutos da posição para substituir Ivanovic, Terry, Ramires e Raúl Meireles.

(4-3-1-2): Cech – Bosingwa, Cahill, David Luiz e Cole – Mikel, Essien, Lampard – Mata – Kalou e Drogba

NÚMEROS

Temp. Jgs Vit. Emp. Der. GM GS
Chelsea na UCL 10 113 57 33 23 178 96
Chelsea contra alemães 15 8 3 4 21 12
Chelsea v Bayern – Competições UEFA 2 1 0 1 6 5

DECLARAÇÕES

Por muitos anos Drogba tem sido um dos melhores atacantes do Campeonato Inglês e é definitivamente perigoso. Ele pode marcar a qualquer momento. Mas às vezes ele exagera um pouco. Às vezes ele é um ator fantástico em campo (Jupp Heynckes)

Nós queremos jogar o nosso jogo e nós podemos fazer isso. Nós já mostramos isso nesta competição, contra o Manchester City, por exemplo. Eu também penso que o Chelsea será mais agressivo amanhã do que foi contra o Barcelona (Bastian Schweinsteiger)

Eu não posso dizer qual foi a última vez em que estive em uma final. Talvez tenha sido como juvenil. Eu conquistei alguns troféus quando era pequeno, mas essa pode ser minha primeira medalha como profissional (Gary Cahill)

A atmosfera aqui já está maravilhosa. Ser azarão não é ruim se você tem confiança em você mesmo (Frank Lampard)

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