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TOP 7: Feitos brasileiros na Copa da Liga Francesa

22 de abril de 2013
Brandão já conquistou três Copas da Liga

Brandão já conquistou três Copas da Liga

Com a rodada do Campeonato Francês toda dividida semana afora, deixamos o pessoal do Le Podcast du Foot de folga nesta semana e abrimos espaço para o grande jogo do último fim de semana do país da Torre Eiffel: Saint-Étienne e Rennes, final da Copa da Liga Francesa.

Pelo segundo ano seguido, Brandão, atacante do ASSE, voltou a escrever seu nome na história da competição ao anotar o gol do título de seu time. O troféu foi o primeiro erguido pelo clube em 32 anos.

A Copa da Liga, que é realizada desde os anos 90, já possuía uma história marcante com jogadores brasileiros, apesar de ser uma competição relativamente nova. Nas 19 decisões do torneio, 17 atletas nascidos no Brasil tiveram a oportunidade de vencer o jogo final do torneio – sem contar jogadores reservas – com outros cinco podendo fazer isso mais de uma vez.

Aproveitando a deixa, confira sete momentos decisivos de brasileiros em finais de Copa da Liga Francesa:

7 – Caçapa e Wendel abrem contagem

Sonny Anderson fez a festa no jogo que teve participação decisiva de Caçapa

Sonny Anderson fez a festa no jogo que teve participação decisiva de Caçapa

Muitos jogadores e técnicos afirmam que o importante em uma final é abrir o placar para trazer tranquilidade para o time e transportar o nervosismo para a equipe adversária. Cláudio Caçapa e Wendel representaram bem esse tipo de pensamento em decisões de Copa da Liga.

Na final da temporada 2001/01, Monaco e Lyon se enfrentaram no Stade de France e Cláudio Caçapa colocou o OL em vantagem no marcador antes dos quinze minutos ao aparecer como centroavante na área adversária. A partida, porém, foi nervosa e só decidiu-se na prorrogação, quando Müller deu o título ao Lyon. O caso de Wendel, em contrapartida, foi oposto. Defendendo o Bordeaux na temporada 2008/09, o brasileiro abriu o placar contra o pequeno Vannes com três minutos de jogo. Antes de ir para o intervalo, os Girondins já haviam definido a partida em 4×0.

6 – Marcelo Djian e Gralak cometem erros fatais

Se Raí – como vocês verão à frente – guarda boas lembranças da disputa por pênaltis que participou em uma final de Copa da Liga, o mesmo não pode ser dito por Marcelo Djian e Gralak que, não só perderam o jogo decisivo, como contribuíram negativamente para a derrota de seus times.

Djian era zagueiro do Lyon na final da temporada 1995/96 quando a polêmica partida contra o Metz – durante a prorrogação, dois gols controversos foram anulados – terminou sem gols. Na disputa por pênaltis, Djian teve sua cobrança defendida por Jacques Songo’o, já na série das alternadas, e o troféu parou nas mãos do Metz com a conversão do pênalti cobrado por Cyrille Pouget. Já Gralak, na mesma ocasião em que Raí ganhou seu segundo título de Copa da Liga, em 1998, errou a primeira cobrança do Bordeaux na disputa por pênaltis vencida pelo PSG por 4×2.

5 – Kim e Henrique decidem o campeonato

Nesta cabeçada, Henrique deu o título para o Bordeaux

Nesta cabeçada, Henrique deu o título para o Bordeaux

Em contrapartida ao gol inicial que traz calma ao time, descrito no tópico sete, o tento anotado no final do jogo entrega ao torcedor todo sentimento de alegria escondido durante diversos minutos de pura tensão e nervosismo. Os torcedores de Nancy e Bordeaux vivenciaram sentimentos como esse em finais de Copa da Liga.

Na temporada 2005/06, Nancy e Nice empatavam por 1×1 no Stade de France, até que o atacante Kim surgiu aos 30 minutos da etapa complementar para marcar de cabeça o gol do título da equipe da Lorena. Na temporada seguinte, a tensão foi ainda maior. Lyon e Bordeaux protagonizaram partida nervosa e marcada pela imprevisibilidade, até que aos 44 minutos do segundo tempo, o zagueiro Henrique venceu disputa no alto contra toda zaga adversária e deu o título aos Girondins.

4 – O bicampeão Raí

Um dos principais ídolos da história do Paris Saint-Germain, o meia Raí ergueu o caneco duas vezes e foi decisivo nas duas ocasiões. Na primeira decisão de todas, realizada na temporada 1994/95, o PSG encarou o Bastia na final e Raí fez o gol que sacramentou a vitória parisiense por 2×0, confirmando a equipe da capital como primeira campeã da Copa da Liga.

Três temporadas depois, o PSG retornou a decisão do torneio para novamente sair como campeão. No empate em 2×2 com o Bordeaux, Raí fez o segundo tento parisiense já na prorrogação. A partida foi para os pênaltis e o brasileiro não desperdiçou sua cobrança na primeira final realizada no Stade de France – antes, a partida decisiva era disputada no Parque dos Príncipes – colaborando com o triunfo do Paris Saint-Germain.

3 – Brandão, o vencedor

O atacante brasileiro Brandão está invicto em finais de Copa da Liga. Sua conta não é como, por exemplo, a de espanhóis e finais de Copa do Mundo. Participaram de uma só e venceram, logo, estão invictos, mas Brandão já acumula uma trinca de canecos.

Suas duas primeiras decisões foram em seus tempos de Marseille quando derrotou Bordeaux e Lyon em 2010 e 2012 – na primeira, encerrando uma série de 18 anos sem títulos do OM. Seu terceiro e mais recente título foi no último sábado, já vestindo a camisa do Saint-Étienne no triunfo sobre o Rennes. Com isso, Brandão ultrapassou Raí na lista de brasileiros que mais venceram a Copa da Liga como jogador.

2 – Ricardo Gomes também é tri

Entre todos os brasileiros vencedores de Copa da Liga, apenas Ricardo Gomes foi capaz de conquistar a competição como jogador e técnico. Além disso, se contabilizarmos o total de suas conquistas, ele iguala o número de Brandão, embora leve desvantagem nos títulos como jogador. Ricardo foi campeão da primeira edição do torneio, junto com Raí, na vitória do PSG sobre o Bastia em 1995.

Em 1998, o brasileiro já treinava a equipe da capital francesa e a vitória sobre o Bordeaux nos pênaltis se caracterizou como o primeiro título de sua carreira como treinador. Nove anos depois, comandando justamente o time que foi seu adversário em 98, Ricardo Gomes derrotou o Lyon com gol de Henrique e se tornou bicampeão da Copa da Liga Francesa.

1 – Brandão, o decisivo

Brandão levou a bola do jogo embora

Brandão levou a bola do jogo embora

Brandão nunca foi unanimidade no mundo do futebol, em parte por ser um atacante à moda antiga – trombador, físico, de pouca técnica, um legítimo empurrador de bola pra rede – e também por não ter dado certo em suas passagens recentes pelo futebol brasileiro.

Mas na França ele conseguiu gravar seu nome na história da Copa da Liga. Na final de 2012, quando Marseille e Lyon estavam na prorrogação de um jogo horroroso tecnicamente, Brandão apareceu para fazer o que sabe: botar a bola nas redes. No ano seguinte, bastou uma única jogada do astro Aubameyang para consagrar o brasileiro com o gol e também confirmar o primeiro título do Saint-Étienne em 32 anos.

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Um domingo como nenhum outro

7 de janeiro de 2013
Épinal fazendo história(Foto: Getty Images)

Épinal fazendo história
(Foto: Getty Images)

Não foi um domingo normal. Eu deveria ter percebido isso logo após acordar. Também pudera, pulei da cama antes das nove horas, coisa rara se tratando de um ser preguiçoso somado há um dia em que, geralmente, “fazer nada” é a obrigação principal. Mas nem percebi e segui o domingo como se fosse qualquer outro.

Mero engano, não era um domingo qualquer.

Rodeado pelo tédio da manhã, me deparei com uma partida que, assim como todo o domingo, seria previsível. De um lado, o Épinal, clube da Lorena, escondido atrás do sofá do maior time da região, o Nancy. Como grandes feitos, o Épinal tem dez participações na segunda divisão. No outro canto, estava o imponente e multicampeão Lyon, que ainda vinha com a fama de ser o grande perseguidor do milionário Paris Saint-Germain em solo nacional – porque, convenhamos, o Olympique de Marseille não tem bola pra brigar pelo caneco. Não restavam dúvidas, eu iria assistir ao uma partida de um único time. Bastava ver o primeiro tempo, almoçar e tirar o merecido cochilo da digestão.

Os indícios de uma vitória do Lyon tão tranquila como devorar aquela macarronada do domingo – é nisso que dá falar de um jogo da hora do almoço – estavam tão claros que o Épinal nem usava seu uniforme. A Federação Francesa de Futebol não é tão organizada quanto a Liga de Futebol Profissional da França, mas eles levam suas frescuras ao ponto de ebulição para tudo dar certo. Na Copa da França, os times não usam a numeração fixa dos campeonatos que disputam semanalmente e, sim, a tradicional numeração de 1 a 11. Além disso, as marcas estampadas na camisa de cada time são de patrocinadores do torneio, ou seja, a camisa usada na Copa da França é totalmente diferente da usada nos jogos de campeonato. Diversos clubes não têm condições financeiras de atender a todas essas frescuras exigências e recebem uma mão da FFF, ganhando o uniforme da federação. Era essa a situação vivida pelo Épinal.

Mas voltando ao jogo, quem, em sã consciência, apostaria que um time, pelo menos no momento, rebaixado à quarta divisão francesa e sem uniforme próprio, bateria o vice-líder do Campeonato Francês? Não me venham com o papo de “é copa, é jogo único”, quem diz isso só está tentando mostrar alguma imparcialidade, mas, no fundo, sabe (?) qual vai ser o resultado final do jogo.

Mas então, voltamos às primeiras palavras do texto: “não foi um domingo normal”. Não fazia nem quinze minutos que a bola estava rolando no Estádio de la Colombière e o placar apontava 2×0 para o Épinal. Na hora, fiquei sem saber se estava tendo ilusões causadas pela fome gerada pelo fantástico cheiro de comida que vinha da cozinha ou se era real mesmo. Precisei entrar em alguns sites especializados para confirmar e sim, o pequeno time da Lorena batia o gigante Lyon com dois tentos de vantagem.

A história parecia tão absurda que os gols foram marcados por Tristan Boubaya, um rapaz de 23 anos que ainda não havia marcado pelo clube da Lorena. O conto foi se tornando ainda mais absurdo! Aquele inexplicável triunfo do Épinal sobre o Lyon era o primeiro em casa desde agosto de 2012.

Mas “quem avisa amigo é”, diria aquele amigo imaginário que sempre surge na hora em que é tomada uma atitude contrária a pensada por esse cidadão. Antes mesmo de saborear meu almoço, a partida já estava empatada em 2×2. Era óbvio que voltaríamos ao tradicional marasmo dominical e acompanharíamos a mais uma vitória do Lyon. Mas os visitantes estavam com calma. Eles até esperaram eu almoçar para dar o rumo normal de meu dia. O tento da virada saiu aos 18 minutos da etapa final em um pênalti cobrado por Lisandro López.

Acabou. Era só deitar, relaxar e cochilar na frente da TV, afinal, o Lyon confirmou a vitória…

Mas o Épinal empatou. Sim! Os mandantes conseguiram igualar o marcador com Valentin Focki. E eu voltava a questionar se realmente estava acordado, já que, assim como Boubaya, Focki não marcava há um bom tempo, desde fevereiro de 2012, mais precisamente. Alguma coisa estava errada!

Rémi Garde, técnico do Lyon, talvez estivesse dizendo o mesmo quando via seu zagueiro, Bakary Koné, ter atuação terrível. Possivelmente, um daqueles indiscretos bonecos de posto, se remexendo de um lado para o outro na defesa, teria uma participação mais segura que o burquinense.

Mas não era um domingo normal (seria mais anormal se um boneco de posto estivesse jogando mesmo)…

Fomos para o tempo extra e o Épinal, por incrível que pareça, encontrou a fraqueza de seu oponente: a bola aérea. Bastava jogar a redondinha na grande área que era perigo na certa. Já havia saído dois gols assim, por que não o terceiro? Talvez o boneco de posto, citado no parágrafo anterior, ganhasse mais bolas no alto do que Koné.

O Épinal cansou. Fazer três gols no Lyon é um trabalho árduo, ainda mais quando se é um dos fortes candidatos a disputar a quarta divisão do país. No outro lado, Garde fez uma mísera alteração, mas os dez guerreiros que correram por mais de 100 minutos pareciam crianças em um parque de diversões, corriam como nunca. Corriam para vencer, corriam para evitar o vexame.

Correram em vão.

Ter de passar de fase contra o Épinal na disputa de pênaltis já era vexatório o bastante para o Lyon. Poderiam, tranquilamente, pegar suas coisas e voltar para casa sem nem passar pela marca fatal. Não fariam, ficaria mais feio ainda.

Àquela altura, já era torcedor desde criança do Épinal. Não fazia ideia se era sonho ou se estava acontecendo mesmo, mas queria muito que o time da terceira divisão passasse de fase e escrevesse seu nome na história das zebras da Copa da França.

Olivier Robin: Nome de herói, agindo como herói(Foto: Getty Images)

Olivier Robin: Nome de herói, atitude de herói
(Foto: Getty Images)

Todo o feito dependeria de um herói. Para o goleiro do Épinal, isso já era meio caminho andado, pois, nome de herói ele já tem. Olivier Robin criou carreira própria, deixou Gothan City de lado e se aventurou como goleiro na França. Era o momento ideal para mostrar a Batman e ao mundo todo que fez a escolha certa ao se mudar para a Europa e largar a carreira de super-herói.

Ele, mais do que ninguém, sabe o que é mais perigoso: ser herói ou goleiro.

O heroísmo de Robin começou logo na segunda cobrança, quando defendeu o tiro de Fofana. Em seguida, pressionado pelo erro do companheiro Do, o goleiro do Épinal bateu de frente com o Coringa. Durante a partida, Koné fez todos rirem com suas pixotadas para dar o golpe de misericórdia na disputa de pênaltis. “Daria”, eu quis dizer. Os vilões nunca vencem, contam as histórias, e Koné mandou a bola na lua e voltou a dar alegrias a Robin.

Nas duas cobranças seguintes do Épinal, somente acertos. Isso significava que o nanico time da Lorena, vice-lanterna da terceira divisão e que nem tinha condições de organizar o uniforme para a peleja, estava eliminando o Lyon, um dos grandes postulantes ao título da Ligue 1.

Isso seria um sonho (pesadelo para os torcedores do Lyon)? Acredito que sim. Há mais indícios. Na mesma Copa da França, o SC Bastia foi eliminado por um adversário local, o CA Bastia, também da terceira divisão. Sem falar do PSG, que quase se complicou diante do Arras da quinta divisão.

Bom, se essa ladainha toda não foi em momento algum real, talvez ninguém esteja lendo esse texto. Talvez passemos a acreditar que o nosso querido esporte bretão “não é uma caixinha de surpresas” e que “tem muito bobo no futebol”. Talvez devamos extinguir todas as copas, afinal, não tem como um time praticamente amador bater um grande clube do país.

Mas é viagem minha, ignorem tudo isso. Aconteceu, não foi um domingo qualquer. Ainda bem que existe o futebol para imortalizar dias como esse.

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A ascensão e queda do Quevilly

27 de dezembro de 2012
Após vice da Copa da França, Quevilly se vê próximo do rebaixamento(Foto: Getty Images)

Após vice da Copa da França, Quevilly se vê próximo do rebaixamento
(Foto: Getty Images)

Um time encantou a França em 2012. Não foi o milionário Paris Saint-Germain, nem o renovado Lyon, muito menos alguma das surpresas da atual edição do Campeonato Francês, como Valenciennes e Stade Rennais. Esse time foi o pequenino Union Sportive Quevilly, clube amador das divisões inferiores do país. A equipe da Alta Normandia chegou a final da última edição da Copa da França, sendo que, na época, disputava a quarta divisão francesa.

Durante o trajeto para o Stade de France, o Quevilly deixou times do cacife de Rennes e Olympique de Marseille pelo caminho e deu novo rumo à história que tentou escrever dois anos antes, quando parou no Paris Saint-Germain na fase semifinal. Na decisão, o adversário foi o poderoso Lyon e desta vez não deu para a zebra. Les Gones venceram pelo placar mínimo e deixaram o Quevilly sem o troféu.

Mas nem todo o caminho percorrido no ano foi traçado em vão. O time treinado por Régis Brouard liderou sua chave na quarta divisão e obteve o acesso a terceira divisão do Campeonato Francês. O vice da Copa da França não foi uma mera lágrima no meio de um mar e sim um reflexo de um ótimo trabalho que já vinha tendo resultados satisfatórios em anos anteriores.

Além da semifinal da copa citada anteriormente, o Quevilly sempre havia terminado entre os cinco primeiros da quarta divisão com Brouard no comando técnico. O único ponto negativo era que apenas o líder subia. Quando os canários pararam de bater na trave e finalmente alcançaram seu objetivo, uma debandada aconteceu, a começar pelo próprio Régis Brouard, que se transferiu para o Clermont, time da segunda divisão francesa. Como se perder o mentor já não fosse o bastante, dos onze titulares da final contra o Lyon, apenas Weis, Beaugard – conhecido por ter levantado a taça junto com Cris –, Vanoukia e Diarra permanecem no elenco atual. O detalhe é que poucos se mudaram para clubes de divisões superiores – o que daria a entender que jogar em um clube profissional era uma tentação –, só retratando a dura realidade vivida pelos times amadores.

Agora na terceira divisão, o Quevilly teve um turno para ser esquecido, marcado por difícil adaptação e péssimos resultados. Das 18 partidas disputadas pelos Canários no primeiro turno, nenhuma vitória foi conquistada. Foram 12 derrotas, seis empates e a lanterna do campeonato, sendo que o time mais próximo, o Epinal, está oito pontos na frente.

Régis Brouard deixou o Quevilly e se aventura na Ligue 2(Foto: Getty Images)

Régis Brouard deixou o Quevilly e se aventura na Ligue 2
(Foto: Getty Images)

Além disso, falta comando técnico ao time. O substituto de Brouard foi Laurent Hatton, técnico que conseguiu levar o Pacy Ménilles Racing Club, outra equipe pequena da Alta Normandia, para a terceira divisão. Em quatro meses, Hatton treinou o Quevilly em doze jogos, sendo oito derrotas e quatro empates. Com um início tão ruim, a troca no comando foi inevitável e Farid Fouzari, um treinador de primeira viagem, foi chamado. Antes dessa aventura, ele havia sido auxiliar técnico no Sedan e no Paris FC. Por fim, a mudança não surtiu grande efeito e só piorou a situação do time. Com Fouzari no comando, foram quatro derrotas e dois empates.

Além disso, o Quevilly tem o quarto pior ataque da competição, com apenas 15 gols e a pior defesa, com 32 tentos sofridos. É muito difícil imaginar que saiam desta situação. Boa parte do elenco é formado por atletas amadores da Alta Normandia. Está certo que a terceira divisão não é 100% profissional, mas quem não é capaz de fazer investimentos decentes para sobreviver no campeonato, sofre e é o caso do Quevilly, que além de ter um grupo de jogadores amadores, tenta se virar com um técnico sem experiência.

É triste. Meio ano atrás, nos encantávamos ao ver aquele aguerrido time em campo, o mesmo time que fora de seu estádio – nas fases agudas, precisou jogar no Michel-d’Ornano, estádio do Caen – levava grande público e via seu torcedor empurrá-lo até os últimos respiros. Vale a pena torcer para que o Quevilly permaneça, milagrosamente, na terceira divisão? Será? Será que é certo esperar que se mantenha e sofra mais tempo por lá? Espero que me convençam que seu lugar não é na quarta divisão.

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