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PSG x Mônaco – O duelo milionário em números

18 de maio de 2013

Sempre que um milionário compra um clube de futebol a primeira expectativa criada por mídia e, principalmente, pela torcida é a de que os resultados sejam imediatos. Na maioria das vezes não é isso que acontece.

O chefão acaba injetando tanto dinheiro e provocando inúmeras mudanças que leva algumas temporadas para o clube se assentar com um elenco e staff técnico, o que faz com que os resultados também demorem a aparecer.

Paris Saint-Germain e AS Mônaco são exemplos recentes de clubes que possuem donos milionários e precisaram de uma curta espera para conseguir concluir o objetivo inicial.

O clube da capital é comandado por Nasser Al-Khelaifi e é sustentado pela QSI (Qatar Sports Investiments). Após perder o título francês de 2012 para o pequeno Montpellier, o xeique reforçou o time com nomes do calibre de Lucas Moura, Thiago Silva e Zlatan Ibrahimović e levou o caneco em 2013.

Já a equipe do Principado amargava a lanterna da segunda divisão francesa quando o magnata russo Dmitry Rybolovlev comprou o clube e pouco mais de um ano depois, retorna a elite com o título da Ligue 2.

Mas nos números, como tem sido o desempenho dos dois clubes? É o que analisaremos abaixo:

Números gerais de PSG e Mônaco

Números gerais de PSG e Mônaco

Nos dados gerais, nota-se um relativo equilíbrio entre os dois times. Claro, deduzo isso pelo fato do Mônaco ter um número inferior de jogos como milionário. São 29 vitórias de diferença entre os times, é verdade, mas 39 jogos de diferença também, ou seja, os números poderiam estar mais iguais.

Também devemos relativizar o fato de um time estar na elite do futebol francês e outro só agora ter obtido o acesso para a primeira divisão.

A quantidade de gols também é algo a se destacar. Tanto PSG quanto Mônaco ultrapassaram a marca centenária e possuem média de gols superior a um por jogo – PSG com 1,88 e Mônaco com 1,59.

Confira análises estatísticas mais direcionadas aos desempenhos dos dois times nas duas temporadas:

Números do PSG nas últimas duas temporadas

Números do PSG nas últimas duas temporadas

Esses dados retratam bem o porquê do PSG ter conquistado o título em 2013: menos derrotas. Foram nove na última temporada e apenas meia dúzia nesta que se aproxima do fim.

Parte desse rendimento deve-se ao fortalecimento do sistema defensivo. Os 55 gols sofridos em 2011/12 caíram para apenas 34 na atual temporada. O número de gols marcados diminuiu, mas ainda resta um jogo na Ligue 1 e o time da capital tem tudo para bater esse recorde.

Observação: se formos levar em conta apenas a Ligue 1, o PSG dificilmente baterá o número de gols da temporada passada: foram 75 no campeonato todo e 66 na atual edição.

Números do Mônaco na última temporada e meia

Números do Mônaco na última temporada e meia

Desde que Rybolovlev se tornou dono do clube monegasco, a campanha do time melhorou e o Mônaco teve o segundo melhor desempenho do segundo turno da Ligue 2. O acesso só não veio por causa do péssimo início de temporada.

Entre as duas temporadas, notam-se as poucas derrotas, 11 no total, porém, o alto número de gols sofridos: 63, quase um gol tomado por jogo. Além disso, o Mônaco empatou 18 vezes, número alto comparado com o PSG que empatou 24 partidas jogando quase 40 partidas há mais.

MANDANTES E VISITANTES

Balanço das campanhas do PSG em casa e fora

Balanço da campanha do PSG em casa e fora

Note também como o PSG tem uma campanha muito sólida em casa. Juntando as duas temporadas, a equipe da capital perdeu cinco jogos no Parque dos Príncipes, enquanto houve o dobro de tropeços como visitante. Além disso, o Paris fez 18 gols há mais em casa e sofreu 15 há menos.

Não custa salientar que o PSG perdeu apenas um jogo em casa em copas desde que foi comprado pela QSI. Foi na Copa da França 2011/12 diante do Lyon. Clubes como Marseille, Porto e até mesmo Barcelona passaram pelo Parque dos Príncipes e não venceram o time parisiense, o que explica o aproveitamento próximo dos 80%.

Desempenho do Mônaco em casa e fora

Desempenho do Mônaco em casa e fora

Já o Mônaco tem uma campanha mais espelhada entre visitante e mandante, alternando supremacia em alguns tópicos que não confirmam onde é mais forte. Por exemplo, foram 19 vitórias fora contra 16 em casa, mas o time monegasco marcou mais gols em seu estádio.

Na próxima temporada poderemos ter uma noção maior do quão representativo está sendo o dinheiro pro Mônaco. A equipe disputará a Ligue 1 e já almeja investimentos do porte de Falcao Garcia, João Moutinho e Antônio Cassano. Os monegascos terão desafios semelhantes aos do PSG e poderemos ver se esses números realmente são traduzidos em campo.

*Rybolovlev comprou o Mônaco no dia 23 de dezembro de 2011, logo, o clube só jogou o segundo turno da Ligue 2 2011/12 com novo presidente. Na ocasião, já estava eliminado da Copa da Liga Francesa;
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A ascensão e queda do Quevilly

27 de dezembro de 2012
Após vice da Copa da França, Quevilly se vê próximo do rebaixamento(Foto: Getty Images)

Após vice da Copa da França, Quevilly se vê próximo do rebaixamento
(Foto: Getty Images)

Um time encantou a França em 2012. Não foi o milionário Paris Saint-Germain, nem o renovado Lyon, muito menos alguma das surpresas da atual edição do Campeonato Francês, como Valenciennes e Stade Rennais. Esse time foi o pequenino Union Sportive Quevilly, clube amador das divisões inferiores do país. A equipe da Alta Normandia chegou a final da última edição da Copa da França, sendo que, na época, disputava a quarta divisão francesa.

Durante o trajeto para o Stade de France, o Quevilly deixou times do cacife de Rennes e Olympique de Marseille pelo caminho e deu novo rumo à história que tentou escrever dois anos antes, quando parou no Paris Saint-Germain na fase semifinal. Na decisão, o adversário foi o poderoso Lyon e desta vez não deu para a zebra. Les Gones venceram pelo placar mínimo e deixaram o Quevilly sem o troféu.

Mas nem todo o caminho percorrido no ano foi traçado em vão. O time treinado por Régis Brouard liderou sua chave na quarta divisão e obteve o acesso a terceira divisão do Campeonato Francês. O vice da Copa da França não foi uma mera lágrima no meio de um mar e sim um reflexo de um ótimo trabalho que já vinha tendo resultados satisfatórios em anos anteriores.

Além da semifinal da copa citada anteriormente, o Quevilly sempre havia terminado entre os cinco primeiros da quarta divisão com Brouard no comando técnico. O único ponto negativo era que apenas o líder subia. Quando os canários pararam de bater na trave e finalmente alcançaram seu objetivo, uma debandada aconteceu, a começar pelo próprio Régis Brouard, que se transferiu para o Clermont, time da segunda divisão francesa. Como se perder o mentor já não fosse o bastante, dos onze titulares da final contra o Lyon, apenas Weis, Beaugard – conhecido por ter levantado a taça junto com Cris –, Vanoukia e Diarra permanecem no elenco atual. O detalhe é que poucos se mudaram para clubes de divisões superiores – o que daria a entender que jogar em um clube profissional era uma tentação –, só retratando a dura realidade vivida pelos times amadores.

Agora na terceira divisão, o Quevilly teve um turno para ser esquecido, marcado por difícil adaptação e péssimos resultados. Das 18 partidas disputadas pelos Canários no primeiro turno, nenhuma vitória foi conquistada. Foram 12 derrotas, seis empates e a lanterna do campeonato, sendo que o time mais próximo, o Epinal, está oito pontos na frente.

Régis Brouard deixou o Quevilly e se aventura na Ligue 2(Foto: Getty Images)

Régis Brouard deixou o Quevilly e se aventura na Ligue 2
(Foto: Getty Images)

Além disso, falta comando técnico ao time. O substituto de Brouard foi Laurent Hatton, técnico que conseguiu levar o Pacy Ménilles Racing Club, outra equipe pequena da Alta Normandia, para a terceira divisão. Em quatro meses, Hatton treinou o Quevilly em doze jogos, sendo oito derrotas e quatro empates. Com um início tão ruim, a troca no comando foi inevitável e Farid Fouzari, um treinador de primeira viagem, foi chamado. Antes dessa aventura, ele havia sido auxiliar técnico no Sedan e no Paris FC. Por fim, a mudança não surtiu grande efeito e só piorou a situação do time. Com Fouzari no comando, foram quatro derrotas e dois empates.

Além disso, o Quevilly tem o quarto pior ataque da competição, com apenas 15 gols e a pior defesa, com 32 tentos sofridos. É muito difícil imaginar que saiam desta situação. Boa parte do elenco é formado por atletas amadores da Alta Normandia. Está certo que a terceira divisão não é 100% profissional, mas quem não é capaz de fazer investimentos decentes para sobreviver no campeonato, sofre e é o caso do Quevilly, que além de ter um grupo de jogadores amadores, tenta se virar com um técnico sem experiência.

É triste. Meio ano atrás, nos encantávamos ao ver aquele aguerrido time em campo, o mesmo time que fora de seu estádio – nas fases agudas, precisou jogar no Michel-d’Ornano, estádio do Caen – levava grande público e via seu torcedor empurrá-lo até os últimos respiros. Vale a pena torcer para que o Quevilly permaneça, milagrosamente, na terceira divisão? Será? Será que é certo esperar que se mantenha e sofra mais tempo por lá? Espero que me convençam que seu lugar não é na quarta divisão.

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Um trio de segunda

2 de fevereiro de 2012

Mesmo tendo atuações muito ruins na Ligue 2 – segunda divisão francesa -, o Monaco tem conseguido revelar alguns bons jogadores. Não que seja um grande mérito, já que boa parte dos veteranos que estavam no grupo quando o time do Principado estava na primeira divisão decidiram pular fora e só sobraram os novatos, mas não são só “tranqueiras” que estão por lá.

Valère Germain participou de todos os jogos do Monaco na Ligue 2

Nos jogos do Monaco que consegui acompanhar, dois jogadores em especial me chamaram bastante a atenção. O primeiro deles já é mais conhecido, Valère Germain, de 21 anos, que já teve passagens pelas seleções de base da França, além de ter chamado a atenção por anotar 30 gols em 97 jogos entre 2007 e 2011 com a camisa do time B do Monaco. O jovem nascido em Marseille tem características ofensivas, podendo ser o centro-avante ou o segundo atacante do time. O outro é Valentin Eysseric, que realmente surpreendeu. Poucos o conheciam e obviamente, quase ninguém sabia o que poderia render. Porém, o garoto de apenas 19 anos não sentiu a pressão de tentar tirar o tradicional Monaco da segundona e até agora tem mostrado um bom futebol, com a técnica e a habilidade típica de um francês.

Como Ludovic Giuly dificilmente voltará a apresentar o futebol de sua primeira passagem pelo Monaco, a diretoria do clube, agora “abastecida” financeiramente pelo russo Dmitri Rybolovlev, decidiu reforçar o elenco. Foram nada mais, nada menos do que 10 contratações na janela de inverno! Além de Wolf, a contratação que mais me chamou a atenção foi a de Vladimir Koman.

O meia húngaro é cria do possante Szombathelyi Haladás, pequeno clube local, mas logo chamou a atenção da Sampdoria e migrou para o futebol italiano. Mas Koman se destacou mesmo em 2009, no Mundial Sub-20 realizado no Egito. A Hungria foi muito longe, tendo terminado na terceira colocação do torneio vencido por Gana e ainda por cima tendo o vice-artilheiro da competição, justamente Koman.

Em 2009, Koman chamou atenção no Mundial Sub-20

Se Marco Simone trabalhar bem com estes jovens, ele tem tudo pra armar um ataque interessante neste time do Monaco. Jovens, talentosos e o melhor, com contratos relativamente longos. Germain, Eysseric e Koman tem contratos válidos até 2014, 2015 e 2016, respectivamente. Não custa lembrar que a multa rescisória desses três atletas não é lá muito alta – a mais cara é de Koman, um milhão e meio de euros – mas se “der samba”, certamente acontecerão mudanças contratuais.

O trio formado por Koman, Eysseric e Germain – mesmo não sendo jogadores com qualidades pra formar uma linha de três meias firme, já que Germain é um homem de área ou arredores – pode ser o gás necessário para o Monaco não só escapar da zona de rebaixamento, como também, quem sabe conquistar uma improvável vaga na Ligue 1. A distância pros líderes é de mais de 15 pontos, é grande, mas o time do Principado tem história, tem camisa e agora tem bons jogadores.

Mas repito, é muito complicado pro Monaco subir. O time está se ajeitando, mas o péssimo início deu uma minada nas chances do ASM, que no momento tem de se preocupar em sair da parte debaixo da tabela e não em subir.

Eu espero mesmo que Koman, juntamente com Eysseric e Germain dê certo. São bons de bola e ainda estão em início de carreira. Seria exagero achar que podem formar um trio de sucesso na França, mesmo estando na segunda divisão?

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