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Contos da Euro – A Terra do Espetáculo: Donetsk e Kharkiv

6 de abril de 2012 1 comentário

Vamos continuar com nosso passeio pelas sedes da UEFA Euro 2012. Depois de destacarmos as quatro sedes da Polônia, chegamos agora à Ucrânia, terra onde será realizada a grande final da competição neste ano. Começamos por Donetsk e Kharkiv

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DONETSK

Por volta de 1869, o empresário de Gales, John Hughes encontrou uma região na Ucrânia e por lá decidiu levantar uma siderúrgica e várias minas de carvão. A cidade passou a se chamar de Donetsk – isso nos anos 40 – e ainda mantém as características trazidas por seu fundador. O ambiente e a vista do local são marcados pelas siderúrgicas e pelas minas. Mesmo com a tendência a ter problemas de poluição por causa do carvão, a capital de Donbass foi considerada pela UNESCO como a cidade industrial mais limpa do planeta.

Nos dias atuais, encontram-se 17 minas de carvão e outras cinco siderúrgicas. Com o fim da União Soviética, Donetsk passou a “conhecer” outras formas de economia e vem evoluindo com esse ecletismo na produção.

Donetsk receberá cinco jogos da UEFA Euro 2012 (Reuters)

Ao visitar Donetsk, um local bom para iniciar o turismo é com a Avenida Artyoma, que tem 10 km de distância e divide a cidade em dois. Ao caminhar por esta avenida, você encontrará centros históricos, como o parque Lenin Komsomol e a Donbass Arena – falaremos sobre ela a seguir.

Ao dar uma explorada maior pela cidade, você com certeza ouvirá falar sobre alguns nobres esportistas que são filhos de Donetsk. Oleg Tverdovsky, atualmente no hóquei russo, jogou durante um bom tempo na NHL – liga norte-americana -, chegou a ser um All-Star e foi campeão da Stanley Cup em duas oportunidades. Já Lilia Podkopayeva foi uma ginasta que se sagrou campeã mundial e olímpica em 1996. Lilia também foi a única ginasta que fez um duplo mortal de frente em um exercício de solo.

Mas sem dúvida alguma, o grande nome esportivo da cidade é Sergiy Bubka, seis vezes campeão do mundo no salto com vara. Seus feitos foram imortalizados em uma estátua que fica em frente ao RSC Olimpiyskyi.

O mesmo John Hughes que fundou a cidade foi o responsável por trazer o futebol para a região. Em 1911, foi fundada uma equipe formada pelos metalúrgicos da região. O esporte foi crescendo no local, até o ano de 1936, quando foi fundado o principal clube da cidade, o FC Shakhtar Donetsk.

O time se tornou uma potência na União Soviética, sempre brigando por títulos e conquistando a Copa Soviética em quatro oportunidades. O Shakhtar criou enorme rivalidade com clubes da Rússia, mas após a independência da Ucrânia, se viu a mercê do Dynamo de Kiev, que conquistou o Campeonato Ucraniano em nove dos dez primeiros títulos disputados – com o Shakhtar vice em seis oportunidades.

A fanática torcida do Shakhtar viu seu time se agigantar na última década (Reuters)

Na temporada 2001/2002, o time de Donetsk se reforçou economicamente e voltou a ser a velha força de antes. Daquele ano para cá, foram seis conquistas do Campeonato Ucraniano e quatro da Copa Ucraniana – somando sete ao total -, além da grande conquista da UEFA Cup em 2009, onde o time de Jádson, Fernandinho e companhia bateu o Werder Bremen de Diego na final e ergueu o troféu.

Os grandes feitos do Shakhtar deixam times menores, como Matalurh Donetsk e Olimpik Donetsk na sombra dos Mineiros.

Outra característica do maior time de Donetsk é a de formar grandes jogadores. Por exemplo, o maior artilheiro da história do Shakhtar, Andriy Vorobey, é da cidade, assim como Oleksiy Byelik, Valeriy Kriventsov, Serhiy Scherbakov e Dmytro Shutkov, todos atletas que freqüentavam a seleção ucraniana.

DONBASS ARENA

Casa do Shakhtar, a Donbass Arena receberá cinco jogos na UEFA Euro (Getty Images)

A casa do Shakhtar Donetsk será a responsável por abrigar os jogos da UEFA Euro em Donetsk. A Donbass Arena custou 320 milhões de euros e foi pago de forma totalitária pelo proprietário do clube, Rinat Akhmetov. Qualquer semelhança com a Alianz Arena – estádio que vai abrigar a final do outro grande evento da UEFA, a Champions League – não é mera coincidência, já que a empresa que desenhou o estádio dos bávaros fez o mesmo em Donetsk.

Em partidas com chancela UEFA, o estádio pode receber 40 mil pessoas, mas o público recorde ultrapassou os 50 mil espectadores.

Não é segredo para ninguém que o Shakhtar gosta de um jogador brasileiro e como não poderia deixar de ser, o primeiro gol da Donbass Arena foi de um atleta tupiniquim. Jádson, cobrando pênalti em um duelo contra o Dynamo de Kiev foi o autor do tento derradeiro do estádio.

A Arena da cidade de Donetsk irá receber cinco jogos na UEFA Euro. O primeiro será simplesmente França x Inglaterra no dia 11 de junho, reedição do fantástico confronto de 2004, decidido por Zidane nos acréscimos. Depois, a anfitriã Ucrânia jogará suas duas últimas partidas na competição por lá, enfrentando justamente franceses e ingleses – 15 e 19 de junho respectivamente. No momento mais decisivo da competição, dois duelos: um confronto das quartas de final e outro da semifinal.

KHARKIV

Chegamos agora à cidade que tem em seu brasão um caduceu e uma cornucópia por baixo de quatro espigas de centeio e uma roda dentada, sobrepostos por um livro aberto com um símbolo atômico, Kharkiv.

O local foi estabelecido na união dos rios Lopan, Kharkiv e Udy e durante muito tempo foi à força da região, construindo diversas máquinas. A cidade também é conhecida como a capital do nordeste agrícola da Ucrânia.

Existem registros que mostram a presença populacional na região a mais de 4000 anos, mas apenas em 1654 a cidade foi fundada. Uma milícia russa comandada por Ivan Karkach foram os responsáveis por isso. Por conseqüência, a cultura da Rússia foi adquirida pelo povo local e logo após Kiev se tornar capital da República da Ucrânia, Kharkiv virou capital da faixa soviética da Ucrânia.

Após um período de invasões nazistas, miséria e muita fome, a cidade conseguiu se libertar em agosto de 1943 e foi necessária uma reconstrução, já que mais da metade da população havia morrido no período da guerra.

Em Kharkiv, o clima é de Eurocopa! (Reuters)

Em seus tempos de União Soviética, Kharkiv era uma região que tinha destaque nos equipamentos militares e mais tarde, na fabricação de turbinas e de aviões multifuncionais. Atualmente, podemos dizer que Kharkiv é uma “cidade universitária”, já que se encontram por lá muitas universidades e instituições técnicas. Cerca de 10 mil estudantes procuram a região a cada ano.

O local de maior orgulho da população de Kharkiv é a Ploshcha Svobody – ou Praça da Liberdade – que tem em sua estética pouca semelhança com uma praça convencional, parecendo mais uma lâmpada de três filamentos alinhados com a universidade e alguns edifícios governamentais. Um destes edifícios é o Derzhprom, que durante um bom tempo foi o mais alto da Europa. Mas em sua história, carrega o fato de ter sido o primeiro arranha-céu soviético.

Outro local de destaque em Kharkiv é o parque Shevchenko. Por lá, podemos encontrar estátuas de poetas da região, além do mosteiro Pokrovskyi, da catedral em estilo turco Blahovishchenskyi e o Tsentralny Rynok, uma espécie de mercado público.

No mundo do futebol, poderemos encontrar alguns times que representem a cidade de Kharkiv, mas apenas o FC Metalist Kharkiv atua na elite ucraniana. O ponto alto da história do clube foi em 1988, com a conquista da Copa da União Soviética.

O título citado acima foi o único do Metalist – além de duas conquistas da segundona -, que mudou de fama após o término da URSS. O clube acostumado a ficar na parte inferior da tabela no campeonato soviético se tornou uma espécie de terceira força do futebol ucraniano. De 2007 para cá, os azuis e amarelos só ficaram abaixo de Shakhtar e Dynamo na classificação do campeonato nacional.

Outro clube de destaque da cidade era o FC Arsenal Kharkiv. Fundado em 1998, o time saiu da terceira divisão nacional para a primeira em menos de dez anos. Na temporada 2004/05, o Arsenal terminou em segundo lugar e obteve o acesso. Depois disso, o clube passou a se chamar FC Kharkiv e o Arsenal só voltaria à ativa anos mais tarde, jogando a terceirona.

O FC Kharkiv nunca foi bem na primeira divisão ucraniana, sempre ficou nas últimas colocações e após dois rebaixamentos seguidos – em 2009 e 2010 -, o clube perdeu sua licença profissional.

OBLAST SPORTS COMPLEX METALIST

O estádio do Metalist será a casa holandesa na Eurocopa (Getty Images)

O estádio do Metalist foi fundado em 1926 e reformado para a UEFA Euro deste ano. Nesta última mudança, foi investido algo que se aproxima dos 60 milhões de euros. Algumas autoridades locais e o proprietário do clube, Olexander Yaroslavskiy foram os responsáveis pelo pagamento de tudo. Além disto, o estádio recebeu um novo gramado com aquecimento – algo muito importante se tratando de Ucrânia – e placares eletrônicos em LED.

Este estádio também já recebeu uma série nomes: Estádio Traktor, Dzerzhynets e Avangard antes do nome atual.

O Oblast Sports Complex Metalist será a casa da Holanda no torneio. Serão apenas três jogos no campo do Metalist, mas a trinca de pelejas é bem interessante. Começando pelo confronto do dia 9, onde os holandeses enfrentam os nórdicos da Dinamarca. Quatro dias depois, a Laranja Mecânica protagoniza o clássico diante dos alemães. No dia 17, Holanda e Portugal completam a série de jogos em Kharkiv.

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O Mal do Goleiro Moderno

25 de março de 2012 Deixe um comentário

Goleiros e suas "inteligentes" saídas de gols (Getty Images)

44 minutos do 2º tempo. Seu time vai vencendo um dos jogos mais importantes da temporada pelo placar mínimo. O empate seria trágico. A equipe não só deixaria de vencer a peleja, como também perderia algumas colocações na tabela de classificação e ficaria distante de conquistar objetivos maiores.

Eis que o time adversário joga a bola na área de seu time. A gorduchinha vai em direção da marca do pênalti, onde se encontra um bolo de jogadores dos dois times. Até que um herói surge do nada: o goleiro. Ele vai de encontro à bola, porém, de encontro também a ‘muvuca’. Como era de se esperar, ele perde a disputa. O objeto mais cobiçado do espetáculo cai nos pés do centro-avante adversário, que com a trave aberta não perdoa e anota o gol da discórdia.

Cena normal, não?

Mas a pergunta é: o que passa na cabeça do goleiro quando alguém joga a bola em sua área, em um local distante de sua meta e lhe faz sair de lá para catá-la? Desconfiança nos companheiros de time? Vontade de se tornar o nome do jogo? Ou seria simples despreparo?

Para mim, é uma mistura disto tudo.

Comecei a abrir meus olhos para este tipo de lance ao ver uma entrevista do ex-goleiro Emerson Leão para o excelente jornalista Mauro Beting em seu programa no “Band Sports”. Segundo o atual treinador do São Paulo, os goleiros da atualidade saem em bolas desnecessárias, se arriscam demais, quando poderiam muito bem ficarem posicionados em suas metas esperando a bola chegar para poder tomar uma atitude.

Mauro até deu uma humorada retrucada, ao dizer que o entrevistado nunca saia do gol em jogadas aéreas quando ainda era jogador, porém, Leão disse que só saia em bolas que achava necessário e que se havia um zagueiro por perto, por que sair da meta?

Eu já considerava um tanto quanto exageradas as saídas de alguns goleiros, mas nunca havia tido tanta atenção nesses lances como passei a ter após a entrevista de Leão. E ele tem total razão! Atualmente, os goleiros decidem jogos com defesas de primeira classe, salvando pênaltis e algumas vezes fazendo um papel que um jogador de linha faria – sendo um líbero e até um atacante -, mas fugiram do “frango” na hora de decidir uma partida contra o seu time.

Em algumas partidas de futebol que assisto, noto o lance descrito nos primeiros parágrafos se repetir. Há momentos que o goleiro se dá bem e pega a bola. Também há o caso do juiz que acha o arqueiro intocável e assinala a falta, quando no caso, foi justamente o goleiro que partiu pra cima do adversário. Mas, qual é a vantagem do atleta ao fazer isso? Qual o intuito? Pra quê partir pra cima de um bolo enorme de jogadores pra tentar pegar uma bola que nitidamente não é sua, e pior, de uma bola que está distante de seu posicionamento no campo?

Não sou daqueles que acha que o goleiro tem de ficar os 90 minutos embaixo da trave – já vi muitos gols de longe, onde pra muitos, o arqueiro estava “adiantado” -, mas ele tem de ter a percepção e a leitura do lance, para assim notar que é uma ocasião em que ele tem tudo a perder se for disputar a bola.

De cabeça, consigo fazer uma pequena lista de goleiros jovens e muito promissores, que tem na saída de gol um grande defeito:

No Bayern de Munich, Neuer encontrou uma zaga alta e boa em lances aéreos, mas em seus tempos de Schalke 04, fazia a torcida Azul Real ter calafrios com suas saídas da meta.

A jóia, Marc-André ter Stegen mostra até algo pior, que é o posicionamento antes da bola chegar. Nos escanteios contra o Borussia Mönchengladbach, Stegen se coloca no meio da pequena área e na maioria dos lances fica sem tempo de voltar pro gol e sair novamente para evitar o tento adversário.

Hugo Lloris também se arriscou jogando pelos Bleus

Hugo Lloris do Lyon tem reflexos muito apurados. Embaixo dos três paus é com certeza um dos melhores goleiros do mundo, mas joguem uma bola em sua área pra ver o que acontece! A revelação do Nice fica em dúvida em boa parte dos lances. Sai, não sai, marca, posiciona… Enfim, ele fica sem saber o que fazer.

Um goleiro que quase teve sua carreira “queimada” por esse defeito foi David de Gea. O espanhol assumiu a bronca desde cedo no Atlético de Madrid e com muita personalidade se tornou titular incontestável nos Colchoneros. Nesta temporada, ele se transferiu para o Manchester United da Inglaterra, país que mesmo com futebol evoluído, ainda pratica a forma mais rude e antiga do esporte na Grã-Bretanha, o famoso “chuveirinho”. Isso pra um goleiro que tem problemas de saída de gol complica demais. Não à toa, De Gea falhou em jogadas aéreas em alguns jogos seguidos. O resultado disto tudo foi à reserva.

E eu poderia gastar muitos mais caracteres para destacar outros goleiros com problemas de saída de gol, mas que mesmo assim, se arriscam e tentam se tornar heróis. Só que estes poucos exemplos já demonstram como esse trauma atravessa os países.

Mas o que fazer para acabar com este problema?

Creio eu que assim como em jogadores de linha – que muitas vezes finalizam mal ou só com uma perna, que não cabeceiam bem e não têm noções táticas – isso vem da base. Depois que o atleta pega a mania – em casos citados acima, “não pega a mania” -, fica difícil fazê-lo perder.

Mas é claro que com muito treinamento, uma boa orientação e bastante foco no que está fazendo, o goleiro pode parar de sair desnecessariamente do gol em bolas aéreas.

Só que para isso acontecer, os treinadores – em “treinadores”, englobo as comissões técnicas em geral, não só o “professor” – precisam mudar a forma de treinar seus goleiros. Não ficando apenas no campo e nas ações possíveis de se ter em um jogo, mas partir pro psicológico. De algum modo deve entrar na cabeça do goleiro que em lances onde já existem companheiros lutando pela bola, ele não deve sair de sua meta. E isso não vem só com o dia-a-dia no CT do clube, vem com trabalho psicológico, algo que em muitos aspectos é necessário em um time de futebol, mas ignorado por cartolas e treinadores.

Para o bem do futebol, precisa-se trabalhar isso com os jovens goleiros. Isso é também pro bem das futuras gerações de arqueiros. Muito mais do que simples jogos, grandes campeonatos estão sendo decididos em saídas descabidas e impensadas de goleiros. A culpa, obviamente, cai sobre o atleta, que já tem essa característica de tentar ser o herói desde a sua formação na base, porém, devemos jogar um pouco desta culpa sobre os preparadores de goleiros e quem os cerca que não os prepara corretamente para este tipo de situação.

Até quando os goleiros irão comprometer os jogos com saídas como essa?

Batalha III: Deu pena de Wolfgang Stark

27 de abril de 2011 1 comentário

Tamú junto, Wolfgang (AFP)

É difícil eu ter pena de alguém. Principalmente de árbitro. Não que eu ache que eles não mereçam isso, é por um motivo bem simples, porém idiota. É difícil eu gravar nome dos homens do apito.

Mas como não canso de dizer, sou fã da Bundesliga e acabo gravando mais nomes de árbitros, como o de Wolfgang Stark.

Com 42 anos, o árbitro da Baviera apita há treze anos na Bundesliga. Ele apitou 18 jogos na atual temporada, deu 5 cartões vermelhos diretos, 2 por duplo cartão amarelo e ainda distribuiu 48 cartões amarelos. Sua média no site da revista Kicker é de 3,19, nada mau, até porque a média do site é feita de modo decrescente.

Mas hoje ele teve o talvez maior desafio de sua carreira: apitar um Real Madrid x Barcelona, na semifinal da Champions League, terceiro jogo da série de quatro que estão sendo realizados este mês. Jogo cercado de farpas disparadas por todos os lados e Stark teria de controlar essa partida.

Mas após o término da partida de hoje, só se falou em Wolfgang Stark pra cá e pra lá. O jogo foi deixado de lado e o chororo veio a tona. O Real, se sentindo prejudicado, reclamou demais e até apelou para o famoso papo de torcedor – como aquele “contra dez é fácil” ou “eles sempre são ajudados”. O Barcelona, em vantagem no placar, preferiu ficar calado.

Perdido, Stark deixou isso acontecer (DPAD)

Mas o fato é que a arbitragem de Wolfgang Stark agradou poucos. Para mim, não foi horrorosa como muitos falaram. Disciplinarmente, ele manteve o mesmo ritmo dos jogos em que apita na Bundesliga – como a maioria dos árbitros alemães apitam -: Não marcam qualquer falta, não ficam distribuindo cartões à vera e o principal, porém, que lhe atrapalhou nessa partida, levam alguns lances no papo. Os árbitros alemães tem o costume de fazer aquele joguinho de “a primeira vai, a segunda é cartão”. Stark tentou levar o jogo assim, mas acabou deixando os jogadores na obrigação de pensar que podiam bater.

Na confusa e tensa etapa inicial, Stark se perdeu. Não soube conduzir o jogo no papo, estava inseguro, não confiava no que marcava e deixou o jogo duro estrapolar os limites. A impressão que os últimos 15 minutos do primeiro tempo deixaram é que o pau ia comer a qualquer momento. Após algumas rodinhas de confusão, Wolfgang Stark apitou pela última vez na primeira etapa. Alívio? Nada disso. Ainda deu tempo de uma confusão na saída pros vestiários e Pinto, goleiro reserva do Barcelona, acabou sendo expulso.

Disputa light!

Na etapa final, mais polêmica. Quando o Real Madrid estava melhor em campo, Pepe cometeu a burrice de dar uma solada criminosa em Dani Alves e foi corretamente expulso. Aliás, até agora não entendi como há gente que diz que é lance pra amarelo. Tá certo que devemos respeitar as opiniões contrárias, mas todos esses que disseram que foi exagero do árbitro, não apresentaram um argumento do porque de ser exagero. É medo de ser chamado de torcedor do Barcelona? É medo de disserem que tu pega no pé do lenhador Pepe? Solada com pé alto é lance de expulsão. Wolfgang Stark foi perfeito no lance!

Há quem diga que Stark só expulsou Pepe após pressão de todos do Barcelona. Ora, após a falta, o luso-brasileiro foi se esconder, enquanto jogadores dos dois times cercaram o árbitro alemão. Esse foi o motivo da “demora” da expulsão. Como se os árbitros não demorassem alguns segundos para expulsar jogadores…

Logo em seguida, Stark expulsou José Mourinho. Vi gente também dizendo que foi “injusta”. Mas calma lá! Alguém além do 4º árbitro ouviu o que o português disse? Não dá pra dizer que foi injusta…assim como não dá pra dizer que foi justa.

A impressão que muitos tinham era que após perder Pepe, o objetivo do Real Madrid não era fazer um gol ou então se resguardar, mas sim forçar uma expulsão no lado catalão. Durante algum tempo, foi essa a impressão que ficou, mas Wolfgang Stark não é um árbitro fraco como muitos passaram a dizer à partir de hoje. Teve pulso firme, não caiu durante algumas pressões contrárias e manteve-se firme durante o restante da peleja.

Após o jogo, tiroteio. Calma, não houveram tiros de verdade e sim tiros de palavras. Principalmente do lado do expulso Mourinho. Veja abaixo algumas pérolas do português:

Sim. Iremos pro Camp Nou com todo o orgulho, todo o respeito por nosso mundo, que é o futebol. Algumas vezes me dá um pouco de asco viver nesse mundo e ganhar minha vida nesse mundo, mas é nosso mundo. Vamos com todo orgulho, sem Pepe, que não fez nada, sem Sergio Ramos que não fez nada, sem o técnico no banco e com um resultado que é difícil virar

Se digo ao juiz e à Uefa o que penso e o que sinto, minha carreira acaba hoje. Como não posso dizer, só tem uma pergunta que um dia espero ter a resposta: por quê? Por quê? Estamos falando de uma equipe fantástica, digo isso várias vezes. Mas por que o Chelsea não pôde ir à final há três anos? Por que no ano passado a Inter teve que fazer um milagre? Por que este ano acabar com a eliminatória logo no primeiro jogo? Não sei se é a publicidade da Unicef, se são muitos simpáticos… Não sei, não entendo. É um time fantástico, mas tem muito poder. Os outros não têm possibilidade. O futebol é para se jogar de igual para igual, com regras para todos. Depois, ganha o melhor.
Ganhei duas Champions, as duas no campo. Com dois times que não eram o Barcelona. Josep Guardiola é um técnico fantástico, mas ganhou só uma Champions. E me daria vergonha ter vencido daquele jeito, com o escândalo do Stamford Bridge. Se ganhar a segunda agora, terá o escândalo do Santiago Bernabéu.

Mourinho foi expulso (Getty Images)

Chorou bonito o tal do Mourinho. Escondeu o fato de seu time não ter jogado absolutamente nada, de não ter tido nem 30% de posse de bola e de simplesmente esquecer de jogar, pois só marcou e não sabia o que fazer quando tinha a bola, além de jogar toda a responsabilidade de uma derrota em cima de Wolfgang Stark, esquecendo da estupidez que Pepe cometeu. Uma pena o melhor técnico do mundo ser tão chorão e não saber reconhecer a superioridade do time adversário e jogar a torcida – e a imprensa também – contra o árbitro.

Mas enfim, sobre o tema central, repito: Wolfgang Stark não foi tal mal quanto Mourinho e os madridistas estão querendo fazer parecer. Ele só se perdeu na primeira etapa, mas expulsou Pepe corretamente, distribuiu a maioria dos cartões corretamente. Mas como disse, o grande erro dele foi se perder no início e tentar levar o jogo na fala. Mas diferentemente dos jogadores, o árbitro fica marcado pelas más arbitragens. É difícil tu falar que “o fulano conduziu bem a partida” ou “que o fulano distribuiu bem os cartões”, mas é muito fácil ouvir falar que “o fulano deixou de marcar pênaltis” ou “que ele esqueceu os cartões no vestiário”.

O escândalo

Messi colocando o Barça com os pés na final (AFP)

José Mourinho falou tanto no “escândalo” que foi – pelo menos pra ele – a arbitragem de Wolfgang Stark, que entendo eu que ele se confundiu. O escândalo foi o que Messi fez.

Não foi uma atuação magistral, de encher os olhos, mas o pouco que Lionel Messi fez, destruiu o jogo.

No primeiro gol, ele estava marcado, escapou da marcação e teve velocidade pra se antecipar ao zagueiro e mandar para as redes. Destaque também para Afellay. Entrou no lugar de Pedro e fez o que o garoto das canteras não conseguiu: passar por Marcelo. O holandês passou pelo brasileiro e cruzou pra Messi marcar. Minutos depois, o argentino passou por quatro marcadores e deu um toquinho de pé direito, na saída de Casillas. Um gol de placa!

Se a atuação de Messi hoje tivesse sido mais constante, me arriscaria dizer que igualava/superava a de Ronaldinho em 2006, quando foi aplaudido de pé pela torcida do Real Madrid.

Bom histórico

A zaga remendada não tem comprometido

Essa história de “zaga remendada” tem dado certo pro Barcelona. Na partida de hoje, a zaga catalã era formada por Dani Alves e Piqué em suas posições originais – lateral direito e zagueiro, respectivamente -, o zagueiro Puyol na lateral esquerda e ora Mascherano, ora Busquets, ambos volantes, jogando de zagueiros.

Deu no que deu, o Barça venceu o Real Madrid por 2×0.

Na final da Uefa Champions League da temporada 2008/2009, a situação também era feia. Sem Daniel Alves, Rafa Márquez e Abidal, Guardiola teve de remendar sua zaga. Piqué foi o único que manteve sua posição, mas o zagueiro Puyol foi o lateral direito, o volante Yaya Touré foi zagueiro também – e hoje é quase um atacante no Manchester City – e Sylvinho até manteve sua posição original, mas havia jogado pouco a temporada inteira e entrou na lateral esquerda mesmo assim. Resultado: o Barcelona venceu o Manchester United por 2×0.

Além de bom treinador, Pep Guardiola é um bom costureiro!

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