Ruim com um, pior com outro
Antoine Kombouaré foi demitido do Paris Saint-Germain no final de 2011, quando o time parisiense liderava o Campeonato Francês. Na época, a vantagem pro vice-líder Montpellier era de três pontos, por isso a demissão soava estranho pra quem via a Ligue 1 à distância. Quem acompanhava o torneio sabia que o temperamental Kombouaré não tinha condições de cumprir todas as metas ambicionadas pelos novos donos.
O tempo passou, Carlo Ancelotti assumiu o cargo e o PSG chegou há ficar três meses sem perder, mas agora a história tem nova cara e o mundo está vendo o nanico Montpellier se encaminhar ao primeiro título de sua história.
Justamente agora, surgem na França pessoas questionando a demissão de Antoine Kombouaré em dezembro. Não existe outro nome para esses cidadãos a não ser oportunistas. Os mesmos que agora fazem o antigo treinador do PSG um rei, antes atiravam pedras e espinhos em qualquer respiro dele. Na ocasião da mudança de técnico, chegaram a considerá-la justa. É certo isso?
Admito que nunca gostei de Kombouaré. Técnico previsível, às vezes cauteloso demais e com pecado de não fazer boas alterações. Sempre entendi que Nasser Al-Khelaifi e Leonardo deveriam ter iniciado seu milionário projeto no PSG com um comandante novo, de mais experiência e pulso firme, pra evitar a gastança. Só que quando Kombouaré foi demitido e Ancelotti chegou, todos jogaram confetes e serpentinas, agora que o título vai se aproximando do Montpellier, o ex-treinador parisiense virou Deus!
O fato é que o Paris Saint-Germain piorou com o comandante italiano. Sirigu, Alex, Nenê e Ménez são os únicos que tem se salvado neste atual PSG. A grande característica do time tem sido a marcação frouxa no meio campo e laterais, além da imprecisão ofensiva. Mas não chega a ser motivo para se aproveitar do momento e expor uma opinião completamente contrária a emitida em dezembro.
Acredito que se o treinador ainda fosse Kombouaré, o Paris teria tantos problemas como está tendo atualmente com Ancelotti. Talvez não as mesmas dificuldades, mas as teria da mesma maneira. A grande diferença é que agora, com um comandante renomado, percebeu-se que as contratações parisienses não foram lá essas coisas. Isso proporciona uma espécie de blindagem ao treinador italiano, que vem errando jogo após jogo, seja com escalações estranhas ou mexidas equivocadas.
A impressão de momento é que o Paris Saint-Germain contratou Ancelotti só para criar uma imagem de clube vencedor e não para realmente se tornar um clube vitorioso. O comandante italiano me parece perdido, faz sempre as mesmas coisas, não busca novas alternativas e vai sendo engolido pelos adversários.
Caso o Paris termine a temporada de mãos abanando, a saída mais simples seria a demissão de Ancelotti, que até mesmo na época invicta parisiense não fez o time jogar bem. A outra opção é mantê-lo, mas essa alternativa pode guiar o clube para dois caminhos:
1) Com tempo para arrumar a casa, o italiano pode organizar a gastança desenfreada e fazer os dirigentes do PSG a gastar de forma mais racional, para aí sim formar um elenco sólido;
2) Porém, Ancelotti tem o costume de trazer jogadores de idade elevada e o PSG, que já tem um elenco com média de idade alta, pode ter na próxima temporada um time mais envelhecido ainda;
Cabe ao brasileiro Leonardo tomar a melhor atitude e saber contornar este percurso árduo. Ele está no lado dos bastidores atualmente, mas já esteve na posição de Ancelotti e tem ciência dos problemas e dificuldades que um treinador passa. Mais do que ninguém, Leonardo sabe – ou deveria saber – o que fazer!
Já cheguei a dizer anteriormente que não é nenhuma vergonha o Paris Saint-Germain não conquistar a Ligue 1, mas é a imposição do time nas partidas que beira o vergonhoso. O PSG tem de mostrar nas rodadas finais que aqueles que colocaram Kombouaré no lixo e agora lhe dão o status de rei não tem nenhuma razão.
Bombardeando os anos 70
Ser campeão europeu já é um enorme feito para qualquer seleção, vide o fato de termos oito campeões diferentes, representando que a seqüência de conquistas é um feito difícil de conseguir. Mas levar os troféus da Europa e do Mundo em seguida é muito mais complicado ainda. Conheça agora a história de um dos times que conseguiu isto.
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Após a Copa do Mundo de 1970 o planeta ficou encantado com o Brasil de Pelé, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Rivelino e outros. Sem boa parte desta trupe após o tri-campeonato, a vaga de “melhor seleção do mundo” parecia estar em aberto.
A grande favorita a tomar esse espaço era a Alemanha Ocidental de Helmut Schön. Eliminados na Copa de 70 no “Jogo do Século” – Itália 4×3 Alemanha, na semifinal -, os alemães vinham anos férteis na Bundesliga. Bayern de Munich e Borussia Mönchengladbach viviam grandes momentos e duelavam ponto a ponto pelos títulos nacionais.
Como não poderia deixar de ser, a base da seleção era justamente a dupla que dominava o futebol do país. Apenas Michael Bella, Horst-Dieter Hötges, Horst Köppel, Jürgen Grabowski, Erwin Kremers e Hannes Löhr não jogavam no Gladbach ou no Bayern. Vindo da dupla, tínhamos nomes como Franz Beckenbauer, Paul Breitner, Uli Hoeness, Jupp Heynckes e Gerd Müller. Helmut Schön possuía um grande time em mãos!
A UEFA Euro de 1972 seria disputada na Bélgica e dava para dizer que isto era um problema para as outras três seleções da fase final – sempre lembrando que na época havia uma fase de qualificação que resultava em quatro times, desse quarteto era escolhido o país sede. Os belgas fizeram uma fase de classificação quase impecável.
Atuando no mesmo grupo de escoceses, dinamarqueses e portugueses, os belgas venceram seus quatro primeiros jogos sem nem ter sofrido gols nos três duelos iniciais. A derrota para a Escócia e o empate diante de Portugal nem prejudicou tanto a Bélgica, que venceu o grupo 5 e partiu para o confronto contra a Itália no mata-mata, definindo a vaga para a fase final. Os belgas seguraram o 0×0 no San Siro lotado – mais de 63 mil pessoas – e mataram a Azzurra no Émile Versé, 2×1.
Conter a Bélgica empolgada e com apoio do torcedor seria a primeira tarefa alemã na Euro de 72. Com treze gols marcados e três sofridos na fase de classificação, o favoritismo era todo da Alemanha Ocidental, mas jogar contra uma seleção em ótima forma e atuando em casa seria um duro desafio.
A partida chamou a atenção de toda a Europa e parou a Bélgica. Cerca de 55 mil pessoas foram ao Bosuilstadion – atualmente, o estádio não acomoda nem 17 mil espectadores – acompanhar belgas e alemães, já em Hungria e União Soviética, outra semifinal e que era realizada no mesmo horário, menos de 18 mil pessoas foram acompanhar a peleja.
A Bélgica parou para acompanhar a partida, mas principalmente, parou para ver e admirar “O Bombardeiro” Gerd Müller. O artilheiro do Bayern balançou as redes em seis oportunidades na fase classificatória e mais uma vez no mata-mata contra a Inglaterra. Müller vivia o auge de sua carreira e decidiu provar isto na semifinal, balançando as redes em duas oportunidades. O gol de Odilon Polleunis não foi o suficiente para colocar a Bélgica em uma final de Eurocopa.
Teríamos um campeão invicto! A União Soviética chegou à final da competição sem ser derrotada. Foram cinco vitórias e três empates na fase qualificatória – contando com o mata-mata – e no duelo eliminatório contra a rival Iugoslávia, veio uma sonora vitória por 3×0 no placar agregado. Nas semifinais, os soviéticos bateram a Hungria de Flórián Albert por 1×0, gol de Konkov.
A Europa inteira tinha a impressão de que a União Soviética era a única seleção capaz de parar a Alemanha Ocidental em uma partida de futebol. Sem a mesma qualidade técnica, experiência e conjunto, mas com muita dedicação e com algo já explicado no nome do país, a “União” das potências locais. Se hoje Dynamo de Kiev, Shakhtar Donetsk, Dynamo e Spartak Moscow se enfrentam raramente, naquela época faziam parte da mesma nação e sempre se confrontavam. Estes times formavam a base da seleção soviética.
Só que assim como no confronto diante da Bélgica, a Alemanha jogou todas as esperanças adversárias ralo abaixo. Foi uma partida de um time só e uma das maiores atuações da seleção considerada por muitos como a maior da história do país.
O Kaiser Beckenbauer mostrou como um líbero deve jogar e ocupou os espaços como poucos, na lateral, Paul Breitner era rígido na marcação e eficiente no ataque, enquanto Uli Hoeness e Günter Netzer davam solidez ao meio-campo.
Para tornar tudo perfeito, Gerd Müller estava no ataque para seguir mandando bolas pra dentro. Depois de dois gols na semifinal, “O Bombardeiro” anotou mais dois tentos na decisão e se tornou o grande destaque da competição. Ainda na mesma temporada, Müller recebeu o “European Golden Shoe”, prêmio entregue ao maior artilheiro da Europa e na ocasião, o alemão havia marcado 40 gols. Até hoje, Gerd Müller é o único alemão a ganhar o prêmio e também o único atuando na Bundesliga.
Era o auge da carreira do atacante bávaro e também da seleção alemã, que dois anos depois receberia a Copa do Mundo e mostraria que realmente era uma das maiores seleções da história. Na grande final contra a Laranja Mecânica Holandesa de Cruyff e Rinus Michels, a Alemanha Ocidental venceu por 2×1 e Gerd Müller novamente marcou no jogo decisivo. No caso, o gol do artilheiro foi o da virada.
O feito dos alemães é tão grande que somente em 2008-2010 uma seleção foi repetir tal conquista. A Espanha curou a fama de amarelona e venceu de forma consecutiva a Eurocopa e a Copa do Mundo.
Este talvez tenha sido um dos últimos “Contos da Euro” originalmente meus. A partir da próxima semana, teremos novidades na série. Aguardem!
O Bayern não é o Sevilla!
Bayern de Munich, clube vinte e duas vezes campeão alemão, quinze vezes campeão da Copa da Alemanha e quatro vezes campeão europeu. Este é um currículo pra lá de invejável e digno de respeito mútuo. Mas os dias que envolveram o confronto dos bávaros contra o Real Madrid mostraram que muitos não tratam o time alemão assim.
No início, até davam ao Bayern o respeito que lhe era merecido, não só pela história, mas pelo time atual. Manuel Neuer, Arjen Robben, Franck Ribéry, Bastian Schweinsteiger e Mário Gomez são jogadores world class. Isso que nem citei alguns coadjuvantes que vira e mexe decidem algumas partidas. Não era um time milionário que seria capaz de desmerecer um elenco destes!
A única discordância que eu tinha da maioria das pessoas estava em relação à defesa do time bávaro. Claro que não é um setor que encha os olhos, mas foram apenas 21 gols sofridos nos 32 jogos da Bundesliga, a melhor defesa da temporada alemã.
Só que após o jogo de ida a história mudou. O gol de Mesut Özil transformou o Real Madrid em franco favorito e o Bayern em um Sevilla. O time da Andaluzia é visto nos últimos anos como um adversário forte, com bons valores individuais, mas que não tem capacidade de fazer frente à madridistas e blaugranas. É assim que trataram os bávaros que tinham 2×1 de vantagem.
Vi, li e ouvi coisas como “o Bayern vai ter de jogar muito mais no Bernabéu” – sempre levando em conta que os alemães foram superiores no jogo de ida – ou “o gol fora deixou o Real Madrid com enorme vantagem”. Calma aí, os bávaros possuem tanta tradição quanto os espanhóis, eles só não estão em uma liga enormemente badalada pela mídia. Não estou comparando a qualidade da Liga BBVA com a Bundesliga, mas o fato é que o Campeonato Alemão é mais “fechado”, não tem tantas estrelas e valoriza bastante os jogadores locais, coisa que não é muito normal na Espanha. Isso não quer dizer que na Alemanha não tenham bons times e que na Península Ibérica só existam equipes espetaculares..
Passam os dias e o Barcelona vive duas desilusões. No sábado, a derrota que provavelmente renderá o título nacional ao rival de Madrid, e na terça-feira o empate diante do Chelsea, que resultou na sua eliminação da UEFA Champions League. Esses tropeços só serviram para “derrubar” mais ainda o Bayern.
O que mais vi após a eliminação catalã foi gente colocando o Real Madrid como franco favorito ao título (!!!), Cristiano Ronaldo com enormes chances de ganhar a Bola de Ouro pelo fato de Messi não jogar mais a Liga e coisas do tipo. Vi até pessoas da mídia esportiva destacando que “Mourinho é tão sortudo que pegará o Chelsea na final sem Meireles, Terry e Ramires”. E não foi um Rica Perrone da vida que falou isso e sim um cara que acompanha o futebol europeu. Pelo jeito, não acompanha tanto assim…
Mero engano – estou sendo bonzinho – do amigo, pois o “Sevilla alemão” ou a “zebra” mostrou para o mundo que não é bem assim que se deve tratar o poderoso time da Baviera. Jogando de igual pra igual, o Bayern provou que tem todo o peso do Real Madrid. O 2×1 madridista forçou o tempo extra e posteriormente as disputas de pênaltis, vencida pelos bávaros, em grande atuação do outrora odiado Manuel Neuer.
Depois desta série de atos desrespeitosos de torcedores e mídia, vieram novas injúrias ao Bayern. Claro que tivemos elogios e críticas cabíveis aos bávaros, essas sim devemos levar em conta, mas sempre surgem aqueles que dizem “a zebra passeou em Madrid” ou “teremos uma final fraca em Munich”. Uns até apelaram pra ignorância e atacaram diretamente o próprio Real, como se eles tivessem perdido uma semifinal da UEFA Champions League para o Sevilla. Em outras palavras, tiraram todos os méritos do time alemão.
Onde está a tradição do Bayern? No lixo? Não sabem que ela existe? Então fazem o que acompanhando futebol? Bayern tem camisa, tem história, tem time, tem torcida e tem tudo que julgavam não ter nos últimos dias. Não precisa ser um maluco por futebol internacional para saber que o time bávaro é gigante. É muito mais que um clube, é uma marca. É como Flamengo e Corinthians, por exemplo. Não importa a fase que vive, sempre terá alguém fora do Brasil que conhecerá a dupla e saberá de suas forças.
É vergonhoso classificarem a final da Champions League como fraca, decepcionante e com adjetivos do tipo. A tradição está no lado bávaro e a força econômica no lado londrino. Será uma grande final, claro, sem o apelo que teria um Real x Barça, mas com dois times capazes de deixarem sua marca na história das finais de UEFA Champions League.
Assim espero!
TOP 7: Dortmund bicampeão!
Após bater o Borussia Mönchengladbach por 2×0 neste sábado, o Borussia Dortmund se sagrou bi-campeão alemão. Foi à oitava vez que o time aurinegro conquistou o maior torneio da Alemanha. Se no último ano eu levantei os sete jogos chave para aquela conquista, desta vez falarei dos sete motivos que resultaram neste novo título.
- Aprendendo a jogar feio
Quem se acostumou a ver o Borussia Dortmund da temporada passada, notou um time de toque de bola envolvente, jogo intenso e muita técnica. Não foi o caso do atual time ter perdido todas essas características, mas em alguns jogos o BVB precisou jogar feio para vencer, como nos duelos contra Hertha Berlin, Bayer Leverkusen e Werder Bremen, onde o futebol apresentando pelos comandados de Klopp foi abaixo do esperado. Na temporada anterior, qualquer jogo em que o Dortmund não conseguisse encaixar seu estilo técnico ia pro buraco.
- Götze
Quando Mário Götze se machucou no final de 2011, tudo parecia acabar para o Borussia Dortmund. Na época da lesão, o time estava jogando muito mal e só o garoto de 19 anos ia se sobressaindo, mas quando ele foi para no estaleiro, justamente o contrário começou a acontecer. O BVB passou a jogar bem sem o camisa 11 e acabou se tornando “independente” dele. Kuba, seu substituto, entrou e arrebentou. Kagawa – tema de um tópico seguinte – também se achou na temporada. Não que a saída de Götze tenha feito bem ao Dortmund, mas a sua ausência pôde mostrar aos demais
- Bons reservas
Um dos problemas da temporada passada do Borussia Dortmund era justamente o banco de reservas. Existiam poucas opções que realmente poderiam decidir jogos vindos da suplência. Isto mudou nos dias atuais. Kevin Grosskreutz e Ivan Perisic se revezavam na meia-esquerda, dependendo da ocasião e proposta de jogo, Jürgen Klopp escolhia um ou outro. Na zaga, Felipe Santana sempre entrou bem e chegou a marcar no clássico diante do Schalke. No 2º turno, Ilkay Gündogan finalmente justificou o investimento e proporcionou uma boa disputa de posição com Sven Bender. Essa variação só ajudou Klopp, que conseguiu ter uma base forte, mas podendo fazer mexidas objetivas!
- Poloneses
Na temporada passada, o polonês Lukasz Piszczek já havia sido um dos destaques do Borussia Dortmund na lateral-direita, atuando sempre com regularidade e surgindo bem como uma válvula de escape, mas no bicampeonato ele viu dois conterrâneos lhe darem uma forcinha: Jakub Blaszczykowski e Robert Lewandowski. O primeiro está há muito tempo em Dortmund e sempre foi um reserva atuante, mas com a lesão de Götze, Kuba, como é carinhosamente chamado, ganhou mais oportunidades e foi muito bem. Podemos dizer que ele vive o melhor momento da carreira! Já Lewandowski usou a primeira temporada como adaptação e a segunda para deslanchar. Com Barrios contundido e demorando a voltar à velha forma, Lewangoalski tomou conta da posição e anotou 20 gols na Bundesliga, se tornando o artilheiro da equipe.
- Crescendo nos grandes jogos
Claro que nos torneios de pontos corridos deve-se vencer a maior quantidade de times possíveis, só que às vezes é mais importante derrotar os concorrentes diretos do que os times de meio de tabela. O Borussia Dortmund de Jürgen Klopp passou com êxito nesse quesito. Diante de Bayern, Schalke e Gladbach – 2º, 3º e 4º colocados, respectivamente -, o BVB somou 16 dos 18 pontos possíveis. Apenas um empate com os Potros mudou essa seqüência, que não deixa de ser ótima e mostrando ser um dos grandes fatores para esta conquista.
- Kagawa
Shinji Kagawa perdeu quase todo o 2º turno da temporada passada, mas não fez tanta falta como no início desta edição da Bundesliga, quando curiosamente estava inteiro fisicamente. O japonês iniciou a competição jogando muito mal e amargando até o banco de reservas. Chegou 2012 e com o ano novo veio o “futebol velho” de Kagawa, que passou a ser “O Cara” do Dortmund. A evolução do japonês foi tão grande que não é exagero algum dizer que ele é o melhor jogador da Bundesliga. Nove dos treze gols do japonês foram no 2º turno da competição!
- Jürgen Klopp
Grande mentor deste novo momento do clube, Jürgen Klopp merece boa parte dos méritos possíveis desta nova conquista do Borussia Dortmund. Paizão, o treinador de 44 anos foi quem se livrou de veteranos inúteis, trouxe jovens de valor e soube mesclar com experientes bons de bola, como Roman Weidenfeller e Sebastian Kehl. Não tem como não dar méritos ao e toda sua comissão técnica e diretoria. É difícil imaginar, na Europa inteira, talvez até no planeta todo, um treinador que tenha uma relação tão afetiva com elenco e torcida como Jürgen Klopp.
Parabéns ao Borussia Dortmund e sua imensa torcida pelo bicampeonato alemão!
Contos da Euro – A Terra do Espetáculo: Lviv e Kiev
Encerraremos por hoje a série de posts que mostram um pouco de Polônia e Ucrânia, países sede da maior competição entre seleções do continente europeu, a UEFA Euro. Para podermos dar seqüência a nossos contos e causos do torneio, contarei um pouco de Lviv e Kiev, as duas últimas cidades do nosso cartel turístico.
LVIV
A cidade de Lviv se destaca por ter uma proximidade com povos externos, mas por se manter fiel as culturas de tradições ucranianas. A fronteira com a Polônia fica localizada a apenas 70 quilômetros, há também a cultura cafeeira existente com austríacos e húngaros. Além disso, a paisagem tem toques da União Soviética. Até um Patrimônio Mundial da UNESCO, a Zamkova Hora tem o apelido de “Florença do Leste”. Porém, a cultura, a língua e os costumes do povo ucraniano sobrepuseram-se a tudo isso e se tornaram característica marcante de Lviv.
Antes de ter este nome curto, porém, complicado de se pronunciar devido à existência de uma única vogal na palavra, a cidade teve outras nomeações. Primeiro, “Lev”, por causa do filho do rei Danylo Halytskyi, com o domínio polaco, a mudança foi para “Lwow” e com os austríacos no poder, “Lemberg”. Com o controle russo, a cidade foi anexada na Polônia e passou a receber o atual nome, Lviv.
Na II Guerra Mundial, os nazistas da Alemanha invadiram a cidade e quando os soviéticos conseguiram expulsá-los de lá, a tragédia já havia sido feita: meio milhão de pessoas havia morrido.
A Conferência de Ialta acabou definindo que Lviv seria território da República Socialista Soviética da Ucrânia e em 1991, com o surgimento de um sentimento nacionalista somado a queda da URSS, o país se tornou independente e a cidade de Lviv teve enorme importância nessa revolução pelo cunho político da população.
Quando você for conhecer o local, não deixe de visitar a Ploshcha Rynok, que é uma enorme praça que tem em sua história uma reconstrução após trágico incêndio no século XVI. Ainda existe um chão em pedra que vai até a Câmara Municipal.
Ao conhecer Lviv, será impossível não notar o enorme número de igrejas existentes. A que mais chama a atenção é a catedral católica, que tem uma bala de canhão que não pôde ultrapassar as paredes durante uma antiga e violenta batalha.
Como vimos em posts anteriores, uma semelhança entre quase todas as cidades – sejam elas ucranianas ou polonesas – são as estátuas a grandes poetas do país. Em Lviv não é diferente! Taras Shevchenko e Adam Michiewicz são dois exemplos de artistas que receberam essa homenagem que os imortaliza na história ucraniana.
No mundo esportivo, Lviv se destaca como precursora de atividades como hóquei, basquete, pólo aquático, rúgbi e o nosso futebol. Em 1894, tivemos a documentação da primeira peleja futebolística na Ucrânia, justamente em Lviv, cidade também que recebeu os primeiros jogos da seleção polonesa na história.
No geral, a cidade tem muitos clubes, alguns até com história – como o Slavia Lwów, primeiro clube profissional da Polônia -, mas todos sem grande destaque. O Slavia, mais tarde Czarni Lwów ajudou a criar a liga polonesa, Lechia, Pogon e Hasmonea tentaram alçar vôo, mas apenas o Pogon conseguiu se destacar, ao ganhar o campeonato polonês em quatro oportunidades nos anos 20. Após o término da II Guerra Mundial, o cenário mudou e clubes como Czarni, Lechia e Pogon foram desmembrados.
Atualmente, o clube de maior destaque da cidade é o Karpaty Lviv, que tem como grande marco na história a conquista da Copa Soviética em 1969. De resto, é um time que faz bem seu papel na Ucrânia e que poucas vezes incomoda. O FC Lviv foi outra equipe que “renasceu” nos anos recentes, mas disputou apenas uma temporada na primeira divisão.
ARENA LVIV
Esse foi um dos estádios que teve pequenos atrasos em sua construção. Ora não sabiam que construiriam, ora não sabiam como construir. Por fim, ergueram uma arena que pode receber 30 mil pessoas em jogos UEFA e um pouquinho mais em outros jogos. Só para tomar de exemplo, a partida que abriu a Arena Lviv, envolvendo Ucrânia x Polônia, recebeu 34 mil pessoas e esses espectadores viram Mievskiy anotar o primeiro tento do estádio.
A Arena Lviv combina a arquitetura tradicional da cidade com um toque de modernismo. O posicionamento das arquibancadas deixam todos os torcedores em ótimas condições de acompanhar os times no gramado, além de serem protegidos por telas transparentes, que não prejudicam em nada a sua visão do jogo.
A cidade de Lviv receberá três jogos da UEFA Euro 2012. O primeiro, no dia 9 de junho, Alemanha x Portugal. Quatro dias depois, os gajos voltam a campo para encarar a Dinamarca. Os dois adversários de Cristiano Ronaldo e companhia se enfrentarão no dia 17, fechando a série de jogos da Arena Lviv.
KIEV
Em Kiev, você deve encontrar na margem do rio Dniepre, o retrato de um barco transportando, com os quatro gêmeos eslavos que acreditam terem fundado Kiev. A irmã, Lybid, está na proa, em posição de liderança e erguida frente à tempestade. Schek e Khoryv estão atrás dela, orgulhosos e vigilantes, de lanças em riste. O terceiro irmão, Kyj, que dá o nome à cidade, repele o passado com o seu arco. Esta imagem represente bem a capital da Ucrânia, que desde sua fundação no século V vive muitas conturbações, mas segue com o esplendor de sempre.
Kiev foi a primeira grande civilização eslava do leste e teve em sua história algumas mudanças, como a invasão dos mongóis em 1240, a cidade chegou a fazer parte do território lituano, além de ter sido ocupada por russos e fazer parte da União Soviética.
Assim como na maior parte da Ucrânia, o período pós-guerra trouxe novos ares a Kiev. Não eram ares de alívio de término de combate, e sim de reconstrução, nova vida e o reinício do zero. A capital ucraniana pôde se industrializar, até se tornar o que é hoje, a maior cidade do país – seja em área, seja em habitantes -, além de ter grandes valores científicos e educacionais.
Se você tiver o prazer de conhecer a cidade de Kiev, saiba que opções de laser não lhe faltarão. A cidade honra a alcunha de ser conhecida como “cidade cultural”. São mais de 100 museus, 30 salas de espetáculos e 140 bibliotecas. Além disto tudo, as maiores universidades da Ucrânia estão exatamente situadas em Kiev.
A rua Khreshchatyk é exemplo de imponência. Após sua destruição na II Guerra Mundial, a sua remontada com mosaicos no estilo soviético mostram como o local se renovou.
Diferentemente de Lviv, Kiev tem muito mais destaque no mundo do futebol. Ao citar o nome da cidade, logo lhe vem à mente o Dynamo de Kiev. O clube foi fundado em 1927 e é o único do país que nunca caiu para a segunda divisão, seja em tempos soviéticos ou em tempos ucranianos.
Como tradição, o Dynamo formava muitos atletas, mas também trazia alguns jogadores de seu “patrocinador”, a polícia secreta soviética, logo obteve força e apoio dos torcedores. Não à toa, são 26 títulos nacionais – 13 soviéticos e 13 ucranianos -, 18 em copas do país – nove soviéticas e nove ucranianas -, além de dois títulos da UEFA Cup Winners’ Cup.
Kiev ainda é representada pelo FC Arsenal Kiev – antes, CSKA Kiev, que era conhecido como “o clube do exército” -, que se limita a atuações intermediárias na primeira divisão nacional, assim como o FC Obolon Kiev, que mesmo apoiado pela cervejaria Obolon desde 1999, também acumula campanhas medianas.
Mas Kiev não se resume ao Dynamo quando o assunto é futebol. Não custa dizer que desta cidade saíram dois “bolas de ouro”, Oleh Blokhin e Andriy Shevchenko. Mas o grande nome futebolístico da cidade é Valeriy Lobanovskyi, que como técnico conquistou trinta taças pelo Dynamo de Kiev, destacando os 13 títulos do campeonato nacional – oito soviéticos e cinco ucranianos.
E olha que ainda podíamos falar do handebol, da ginástica, do atletismo e do hóquei, que são outros esportes que mostraram ao mundo um pouquinho mais de Kiev,
OLIMPIYSKY NATIONAL SPORTS COMPLEX
Inaugurado nos anos 20, o Estádio Olímpico de Kiev já passou por três reformas e a última, em 2009, envolveu a reconstrução da camada inferior do local, a adição de um novo telhado que cobre todos os assentos, além da criação de novas cabines de imprensa.
A capacidade do estádio em jogos UEFA é de 60 mil pessoas, mas como frisei várias vezes nestes últimos “Contos”, em partidas nacionais, algumas cadeiras são retiradas para os torcedores mais fanáticos acompanharem seu time de pé. Até por isso, 70 mil pessoas viram Yarmolenko anotar o primeiro gol do novo estádio em 2011. Há quem diga também que a partida entre Dynamo de Kiev x Bayern em 1977 teve mais de 100 mil pessoas!
O Olímpico será a casa sueca na Euro. O time de Zlatan Ibrahimovic pegará logo de cara os donos da casa no dia 11 de junho. Quatro dias depois, o English Team baterá de frente com a Suécia. No dia 19, o confronto contra a França fecha a fase de grupos no estádio. No dia 24, o vencedor do grupo D irá enfrentar o segundo colocado do grupo C em uma das quartas-de-final. Depois deste duelo, tudo será armado para a grande decisão no dia 1º de julho. A final do torneio será realizada em Kiev!

















