Ruim com um, pior com outro

Demitido enquanto líder, Kombouaré é tratado como injustiçado, meses após sua saída (Reuters)

Antoine Kombouaré foi demitido do Paris Saint-Germain no final de 2011, quando o time parisiense liderava o Campeonato Francês. Na época, a vantagem pro vice-líder Montpellier era de três pontos, por isso a demissão soava estranho pra quem via a Ligue 1 à distância. Quem acompanhava o torneio sabia que o temperamental Kombouaré não tinha condições de cumprir todas as metas ambicionadas pelos novos donos.

O tempo passou, Carlo Ancelotti assumiu o cargo e o PSG chegou há ficar três meses sem perder, mas agora a história tem nova cara e o mundo está vendo o nanico Montpellier se encaminhar ao primeiro título de sua história.

Justamente agora, surgem na França pessoas questionando a demissão de Antoine Kombouaré em dezembro. Não existe outro nome para esses cidadãos a não ser oportunistas. Os mesmos que agora fazem o antigo treinador do PSG um rei, antes atiravam pedras e espinhos em qualquer respiro dele. Na ocasião da mudança de técnico, chegaram a considerá-la justa. É certo isso?

Admito que nunca gostei de Kombouaré. Técnico previsível, às vezes cauteloso demais e com pecado de não fazer boas alterações. Sempre entendi que Nasser Al-Khelaifi e Leonardo deveriam ter iniciado seu milionário projeto no PSG com um comandante novo, de mais experiência e pulso firme, pra evitar a gastança. Só que quando Kombouaré foi demitido e Ancelotti chegou, todos jogaram confetes e serpentinas, agora que o título vai se aproximando do Montpellier, o ex-treinador parisiense virou Deus!

O fato é que o Paris Saint-Germain piorou com o comandante italiano. Sirigu, Alex, Nenê e Ménez são os únicos que tem se salvado neste atual PSG. A grande característica do time tem sido a marcação frouxa no meio campo e laterais, além da imprecisão ofensiva. Mas não chega a ser motivo para se aproveitar do momento e expor uma opinião completamente contrária a emitida em dezembro.

Experiente, Ancelotti não tem obtido os resultados em Paris (PSG.fr)

Acredito que se o treinador ainda fosse Kombouaré, o Paris teria tantos problemas como está tendo atualmente com Ancelotti. Talvez não as mesmas dificuldades, mas as teria da mesma maneira. A grande diferença é que agora, com um comandante renomado, percebeu-se que as contratações parisienses não foram lá essas coisas. Isso proporciona uma espécie de blindagem ao treinador italiano, que vem errando jogo após jogo, seja com escalações estranhas ou mexidas equivocadas.

A impressão de momento é que o Paris Saint-Germain contratou Ancelotti só para criar uma imagem de clube vencedor e não para realmente se tornar um clube vitorioso. O comandante italiano me parece perdido, faz sempre as mesmas coisas, não busca novas alternativas e vai sendo engolido pelos adversários.

Caso o Paris termine a temporada de mãos abanando, a saída mais simples seria a demissão de Ancelotti, que até mesmo na época invicta parisiense não fez o time jogar bem. A outra opção é mantê-lo, mas essa alternativa pode guiar o clube para dois caminhos:

1)    Com tempo para arrumar a casa, o italiano pode organizar a gastança desenfreada e fazer os dirigentes do PSG a gastar de forma mais racional, para aí sim formar um elenco sólido;

2)    Porém, Ancelotti tem o costume de trazer jogadores de idade elevada e o PSG, que já tem um elenco com média de idade alta, pode ter na próxima temporada um time mais envelhecido ainda;

Cabe ao brasileiro Leonardo tomar a melhor atitude e saber contornar este percurso árduo. Ele está no lado dos bastidores atualmente, mas já esteve na posição de Ancelotti e tem ciência dos problemas e dificuldades que um treinador passa. Mais do que ninguém, Leonardo sabe – ou deveria saber – o que fazer!

Já cheguei a dizer anteriormente que não é nenhuma vergonha o Paris Saint-Germain não conquistar a Ligue 1, mas é a imposição do time nas partidas que beira o vergonhoso. O PSG tem de mostrar nas rodadas finais que aqueles que colocaram Kombouaré no lixo e agora lhe dão o status de rei não tem nenhuma razão.

Bombardeando os anos 70

28 de abril de 2012 Deixe um comentário

Ser campeão europeu já é um enorme feito para qualquer seleção, vide o fato de termos oito campeões diferentes, representando que a seqüência de conquistas é um feito difícil de conseguir. Mas levar os troféus da Europa e do Mundo em seguida é muito mais complicado ainda. Conheça agora a história de um dos times que conseguiu isto.

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Após a Copa do Mundo de 1970 o planeta ficou encantado com o Brasil de Pelé, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Rivelino e outros. Sem boa parte desta trupe após o tri-campeonato, a vaga de “melhor seleção do mundo” parecia estar em aberto.

A grande favorita a tomar esse espaço era a Alemanha Ocidental de Helmut Schön. Eliminados na Copa de 70 no “Jogo do Século” – Itália 4×3 Alemanha, na semifinal -, os alemães vinham anos férteis na Bundesliga. Bayern de Munich e Borussia Mönchengladbach viviam grandes momentos e duelavam ponto a ponto pelos títulos nacionais.

Grande mentor daquele time, Helmut Schön conversa com Beckenbauer

Como não poderia deixar de ser, a base da seleção era justamente a dupla que dominava o futebol do país. Apenas Michael Bella, Horst-Dieter Hötges, Horst Köppel, Jürgen Grabowski, Erwin Kremers e Hannes Löhr não jogavam no Gladbach ou no Bayern. Vindo da dupla, tínhamos nomes como Franz Beckenbauer, Paul Breitner, Uli Hoeness, Jupp Heynckes e Gerd Müller. Helmut Schön possuía um grande time em mãos!

A UEFA Euro de 1972 seria disputada na Bélgica e dava para dizer que isto era um problema para as outras três seleções da fase final – sempre lembrando que na época havia uma fase de qualificação que resultava em quatro times, desse quarteto era escolhido o país sede. Os belgas fizeram uma fase de classificação quase impecável.

Atuando no mesmo grupo de escoceses, dinamarqueses e portugueses, os belgas venceram seus quatro primeiros jogos sem nem ter sofrido gols nos três duelos iniciais. A derrota para a Escócia e o empate diante de Portugal nem prejudicou tanto a Bélgica, que venceu o grupo 5 e partiu para o confronto contra a Itália no mata-mata, definindo a vaga para a fase final. Os belgas seguraram o 0×0 no San Siro lotado – mais de 63 mil pessoas – e mataram a Azzurra no Émile Versé, 2×1.

Conter a Bélgica empolgada e com apoio do torcedor seria a primeira tarefa alemã na Euro de 72. Com treze gols marcados e três sofridos na fase de classificação, o favoritismo era todo da Alemanha Ocidental, mas jogar contra uma seleção em ótima forma e atuando em casa seria um duro desafio.

A partida chamou a atenção de toda a Europa e parou a Bélgica. Cerca de 55 mil pessoas foram ao Bosuilstadion – atualmente, o estádio não acomoda nem 17 mil espectadores – acompanhar belgas e alemães, já em Hungria e União Soviética, outra semifinal e que era realizada no mesmo horário, menos de 18 mil pessoas foram acompanhar a peleja.

A Bélgica parou para acompanhar a partida, mas principalmente, parou para ver e admirar “O Bombardeiro” Gerd Müller. O artilheiro do Bayern balançou as redes em seis oportunidades na fase classificatória e mais uma vez no mata-mata contra a Inglaterra. Müller vivia o auge de sua carreira e decidiu provar isto na semifinal, balançando as redes em duas oportunidades. O gol de Odilon Polleunis não foi o suficiente para colocar a Bélgica em uma final de Eurocopa.

Teríamos um campeão invicto! A União Soviética chegou à final da competição sem ser derrotada. Foram cinco vitórias e três empates na fase qualificatória – contando com o mata-mata – e no duelo eliminatório contra a rival Iugoslávia, veio uma sonora vitória por 3×0 no placar agregado. Nas semifinais, os soviéticos bateram a Hungria de Flórián Albert por 1×0, gol de Konkov.

A Europa inteira tinha a impressão de que a União Soviética era a única seleção capaz de parar a Alemanha Ocidental em uma partida de futebol. Sem a mesma qualidade técnica, experiência e conjunto, mas com muita dedicação e com algo já explicado no nome do país, a “União” das potências locais. Se hoje Dynamo de Kiev, Shakhtar Donetsk, Dynamo e Spartak Moscow se enfrentam raramente, naquela época faziam parte da mesma nação e sempre se confrontavam. Estes times formavam a base da seleção soviética.

Só que assim como no confronto diante da Bélgica, a Alemanha jogou todas as esperanças adversárias ralo abaixo. Foi uma partida de um time só e uma das maiores atuações da seleção considerada por muitos como a maior da história do país.

O Kaiser Beckenbauer mostrou como um líbero deve jogar e ocupou os espaços como poucos, na lateral, Paul Breitner era rígido na marcação e eficiente no ataque, enquanto Uli Hoeness e Günter Netzer davam solidez ao meio-campo.

Com quatro gols, Müller foi o artilheiro da Eurocopa de 1972

Para tornar tudo perfeito, Gerd Müller estava no ataque para seguir mandando bolas pra dentro. Depois de dois gols na semifinal, “O Bombardeiro” anotou mais dois tentos na decisão e se tornou o grande destaque da competição. Ainda na mesma temporada, Müller recebeu o “European Golden Shoe”, prêmio entregue ao maior artilheiro da Europa e na ocasião, o alemão havia marcado 40 gols. Até hoje, Gerd Müller é o único alemão a ganhar o prêmio e também o único atuando na Bundesliga.

Era o auge da carreira do atacante bávaro e também da seleção alemã, que dois anos depois receberia a Copa do Mundo e mostraria que realmente era uma das maiores seleções da história. Na grande final contra a Laranja Mecânica Holandesa de Cruyff e Rinus Michels, a Alemanha Ocidental venceu por 2×1 e Gerd Müller novamente marcou no jogo decisivo. No caso, o gol do artilheiro foi o da virada.

O feito dos alemães é tão grande que somente em 2008-2010 uma seleção foi repetir tal conquista. A Espanha curou a fama de amarelona e venceu de forma consecutiva a Eurocopa e a Copa do Mundo.

Este talvez tenha sido um dos últimos “Contos da Euro” originalmente meus. A partir da próxima semana, teremos novidades na série. Aguardem!

O Bayern não é o Sevilla!

25 de abril de 2012 3 comentários

Schweinsteiger mostra toda a força bávara (AFP)

Bayern de Munich, clube vinte e duas vezes campeão alemão, quinze vezes campeão da Copa da Alemanha e quatro vezes campeão europeu. Este é um currículo pra lá de invejável e digno de respeito mútuo. Mas os dias que envolveram o confronto dos bávaros contra o Real Madrid mostraram que muitos não tratam o time alemão assim.

No início, até davam ao Bayern o respeito que lhe era merecido, não só pela história, mas pelo time atual. Manuel Neuer, Arjen Robben, Franck Ribéry, Bastian Schweinsteiger e Mário Gomez são jogadores world class. Isso que nem citei alguns coadjuvantes que vira e mexe decidem algumas partidas. Não era um time milionário que seria capaz de desmerecer um elenco destes!

A única discordância que eu tinha da maioria das pessoas estava em relação à defesa do time bávaro. Claro que não é um setor que encha os olhos, mas foram apenas 21 gols sofridos nos 32 jogos da Bundesliga, a melhor defesa da temporada alemã.

Só que após o jogo de ida a história mudou. O gol de Mesut Özil transformou o Real Madrid em franco favorito e o Bayern em um Sevilla. O time da Andaluzia é visto nos últimos anos como um adversário forte, com bons valores individuais, mas que não tem capacidade de fazer frente à madridistas e blaugranas. É assim que trataram os bávaros que tinham 2×1 de vantagem.

Vi, li e ouvi coisas como “o Bayern vai ter de jogar muito mais no Bernabéu” – sempre levando em conta que os alemães foram superiores no jogo de ida – ou “o gol fora deixou o Real Madrid com enorme vantagem”. Calma aí, os bávaros possuem tanta tradição quanto os espanhóis, eles só não estão em uma liga enormemente badalada pela mídia. Não estou comparando a qualidade da Liga BBVA com a Bundesliga, mas o fato é que o Campeonato Alemão é mais “fechado”, não tem tantas estrelas e valoriza bastante os jogadores locais, coisa que não é muito normal na Espanha. Isso não quer dizer que na Alemanha não tenham bons times e que na Península Ibérica só existam equipes espetaculares..

Passam os dias e o Barcelona vive duas desilusões. No sábado, a derrota que provavelmente renderá o título nacional ao rival de Madrid, e na terça-feira o empate diante do Chelsea, que resultou na sua eliminação da UEFA Champions League. Esses tropeços só serviram para “derrubar” mais ainda o Bayern.

O que mais vi após a eliminação catalã foi gente colocando o Real Madrid como franco favorito ao título (!!!), Cristiano Ronaldo com enormes chances de ganhar a Bola de Ouro pelo fato de Messi não jogar mais a Liga e coisas do tipo. Vi até pessoas da mídia esportiva destacando que “Mourinho é tão sortudo que pegará o Chelsea na final sem Meireles, Terry e Ramires”. E não foi um Rica Perrone da vida que falou isso e sim um cara que acompanha o futebol europeu. Pelo jeito, não acompanha tanto assim…

Mero engano – estou sendo bonzinho – do amigo, pois o “Sevilla alemão” ou a “zebra” mostrou para o mundo que não é bem assim que se deve tratar o poderoso time da Baviera. Jogando de igual pra igual, o Bayern provou que tem todo o peso do Real Madrid. O 2×1 madridista forçou o tempo extra e posteriormente as disputas de pênaltis, vencida pelos bávaros, em grande atuação do outrora odiado Manuel Neuer.

Casillas nada pôde fazer na cobrança de Schweinsteiger (Reuters)

Depois desta série de atos desrespeitosos de torcedores e mídia, vieram novas injúrias ao Bayern. Claro que tivemos elogios e críticas cabíveis aos bávaros, essas sim devemos levar em conta, mas sempre surgem aqueles que dizem “a zebra passeou em Madrid” ou “teremos uma final fraca em Munich”. Uns até apelaram pra ignorância e atacaram diretamente o próprio Real, como se eles tivessem perdido uma semifinal da UEFA Champions League para o Sevilla. Em outras palavras, tiraram todos os méritos do time alemão.

Onde está a tradição do Bayern? No lixo? Não sabem que ela existe? Então fazem o que acompanhando futebol? Bayern tem camisa, tem história, tem time, tem torcida e tem tudo que julgavam não ter nos últimos dias. Não precisa ser um maluco por futebol internacional para saber que o time bávaro é gigante. É muito mais que um clube, é uma marca. É como Flamengo e Corinthians, por exemplo. Não importa a fase que vive, sempre terá alguém fora do Brasil que conhecerá a dupla e saberá de suas forças.

É vergonhoso classificarem a final da Champions League como fraca, decepcionante e com adjetivos do tipo. A tradição está no lado bávaro e a força econômica no lado londrino. Será uma grande final, claro, sem o apelo que teria um Real x Barça, mas com dois times capazes de deixarem sua marca na história das finais de UEFA Champions League.

Assim espero!

TOP 7: Dortmund bicampeão!

22 de abril de 2012 Deixe um comentário

Após bater o Borussia Mönchengladbach por 2×0 neste sábado, o Borussia Dortmund se sagrou bi-campeão alemão. Foi à oitava vez que o time aurinegro conquistou o maior torneio da Alemanha. Se no último ano eu levantei os sete jogos chave para aquela conquista, desta vez falarei dos sete motivos que resultaram neste novo título.

- Aprendendo a jogar feio

Mesmo jogando mal, o BVB conquistou algumas vitórias (Reuters)

Quem se acostumou a ver o Borussia Dortmund da temporada passada, notou um time de toque de bola envolvente, jogo intenso e muita técnica. Não foi o caso do atual time ter perdido todas essas características, mas em alguns jogos o BVB precisou jogar feio para vencer, como nos duelos contra Hertha Berlin, Bayer Leverkusen e Werder Bremen, onde o futebol apresentando pelos comandados de Klopp foi abaixo do esperado. Na temporada anterior, qualquer jogo em que o Dortmund não conseguisse encaixar seu estilo técnico ia pro buraco.

- Götze

Quando Mário Götze se machucou no final de 2011, tudo parecia acabar para o Borussia Dortmund. Na época da lesão, o time estava jogando muito mal e só o garoto de 19 anos ia se sobressaindo, mas quando ele foi para no estaleiro, justamente o contrário começou a acontecer. O BVB passou a jogar bem sem o camisa 11 e acabou se tornando “independente” dele. Kuba, seu substituto, entrou e arrebentou. Kagawa – tema de um tópico seguinte – também se achou na temporada. Não que a saída de Götze tenha feito bem ao Dortmund, mas a sua ausência pôde mostrar aos demais

- Bons reservas

Um dos problemas da temporada passada do Borussia Dortmund era justamente o banco de reservas. Existiam poucas opções que realmente poderiam decidir jogos vindos da suplência. Isto mudou nos dias atuais. Kevin Grosskreutz e Ivan Perisic se revezavam na meia-esquerda, dependendo da ocasião e proposta de jogo, Jürgen Klopp escolhia um ou outro. Na zaga, Felipe Santana sempre entrou bem e chegou a marcar no clássico diante do Schalke. No 2º turno, Ilkay Gündogan finalmente justificou o investimento e proporcionou uma boa disputa de posição com Sven Bender. Essa variação só ajudou Klopp, que conseguiu ter uma base forte, mas podendo fazer mexidas objetivas!

- Poloneses

Piszczek, Lewandowski e Kuba tiveram boa dose de importância na conquista da Salva de Prata

Na temporada passada, o polonês Lukasz Piszczek já havia sido um dos destaques do Borussia Dortmund na lateral-direita, atuando sempre com regularidade e surgindo bem como uma válvula de escape, mas no bicampeonato ele viu dois conterrâneos lhe darem uma forcinha: Jakub Blaszczykowski e Robert Lewandowski. O primeiro está há muito tempo em Dortmund e sempre foi um reserva atuante, mas com a lesão de Götze, Kuba, como é carinhosamente chamado, ganhou mais oportunidades e foi muito bem. Podemos dizer que ele vive o melhor momento da carreira! Já Lewandowski usou a primeira temporada como adaptação e a segunda para deslanchar. Com Barrios contundido e demorando a voltar à velha forma, Lewangoalski tomou conta da posição e anotou 20 gols na Bundesliga, se tornando o artilheiro da equipe.

- Crescendo nos grandes jogos

Claro que nos torneios de pontos corridos deve-se vencer a maior quantidade de times possíveis, só que às vezes é mais importante derrotar os concorrentes diretos do que os times de meio de tabela. O Borussia Dortmund de Jürgen Klopp passou com êxito nesse quesito. Diante de Bayern, Schalke e Gladbach – 2º, 3º e 4º colocados, respectivamente -, o BVB somou 16 dos 18 pontos possíveis. Apenas um empate com os Potros mudou essa seqüência, que não deixa de ser ótima e mostrando ser um dos grandes fatores para esta conquista.

- Kagawa

Shinji Kagawa perdeu quase todo o 2º turno da temporada passada, mas não fez tanta falta como no início desta edição da Bundesliga, quando curiosamente estava inteiro fisicamente. O japonês iniciou a competição jogando muito mal e amargando até o banco de reservas. Chegou 2012 e com o ano novo veio o “futebol velho” de Kagawa, que passou a ser “O Cara” do Dortmund. A evolução do japonês foi tão grande que não é exagero algum dizer que ele é o melhor jogador da Bundesliga. Nove dos treze gols do japonês foram no 2º turno da competição!

- Jürgen Klopp

Klopp recebeu o tradicional banho de cerveja dos campeões (BVB.de)

Grande mentor deste novo momento do clube, Jürgen Klopp merece boa parte dos méritos possíveis desta nova conquista do Borussia Dortmund. Paizão, o treinador de 44 anos foi quem se livrou de veteranos inúteis, trouxe jovens de valor e soube mesclar com experientes bons de bola, como Roman Weidenfeller e Sebastian Kehl. Não tem como não dar méritos ao e toda sua comissão técnica e diretoria. É difícil imaginar, na Europa inteira, talvez até no planeta todo, um treinador que tenha uma relação tão afetiva com elenco e torcida como Jürgen Klopp.

Parabéns ao Borussia Dortmund e sua imensa torcida pelo bicampeonato alemão!

Bom senso londrino

19 de abril de 2012 Deixe um comentário

Certa vez, em uma aula de filosofia, meu professor disse: “Bom senso é a consciência que temos do lugar e espaço que estamos ocupando, sabendo exatamente que papeis devemos exercer”. A partir deste dia, penso que quem enfrenta o Barcelona deveria ter esse bom senso dentro das quatro linhas.

É rotineiro ouvir: “Ah, por que não ataca?” ou “por que essa retranca?” dos times que confrontam os catalães. Eu, pelo menos, nunca fui desses. Ora, se o Barcelona tem em quase todo jogo pelo menos 70% de posse de bola, como atacá-los? É preciso ter a bola para atacar, sem ela é quase impossível. Até por isso muitos times acabam jogando numa aparente retranca, quando na verdade são engolidos pela troca de passes adversária.

Só que ao enfrentar um time que tem uma posse de bola que beira o anormal, o adversário tem de ser letal e marcar gols no seu restrito tempo com a bola. Só que poucos times conseguem ter um “faro assassino” quando enfrentam o Barcelona e pecam ao desperdiçar as poucas chances que tem em cada partida.

Drogba fez o único gol de Chelsea v Barcelona (Chelseafc.com)

O Chelsea de Roberto Di Matteo, como um legítimo bandido de cela solitária na prisão, conseguiu cometer a primeira de duas partes do crime que é evitar o bi-campeonato do Barcelona e acabou batendo o time catalão no jogo de ida da semifinal da UEFA Champions League.

O bloqueio defensivo armado pela equipe inglesa foi impecável. Na defesa, John Terry e principalmente Gary Cahill tiveram atuações exuberantes. No meio-campo, havia um aparente 4-1-4-1, mas que por vários momentos pareceu ser um 4-5-1 tradicional, com uma linha de cinco jogadores no meio-campo. Com essa tranca na faixa central, o Barcelona não tinha espaços para trocar passes onde mais gosta, a intermediária ofensiva. Existiam algumas brechas nos flancos, mas o time catalão não conseguia impor seu envolvente toque de bola.

Pelo menos pra mim, os espanhóis não tiveram grandes defeitos na partida, isso valoriza ainda mais a vitória dos Blues. Claro que em alguns lances os atacantes do Barça – principalmente Sánchez – foram um pouco preciosos nas finalizações, mas eles são assim em todos os jogos. Aqueles golaços que podemos ver todas as semanas em jogos do time de Guardiola saem principalmente em lances de extremo capricho blaugrana. Dizer que o Barcelona derrotado na quarta-feira é o mesmo de sempre não chega a ser um erro até porque há certa razão nisso, já que os catalães tiveram a posse da bola, controle territorial e muitas finalizações.

Fàbregas foi um dos que perdeu gols na partida de quarta (Chelseafc.com)

Diferente do time adversário, o Chelsea mostrou enorme inteligência na eficaz jogada que resultou no gol da vitória. A cada bola roubada do Barcelona, você tem de ser veloz e procurar o lado mais frágil da defesa catalã, as laterais. No tento do jogo desta semana, Lampard roubou a bola de Messi (!!!!) e imediatamente lançou Ramires, que disparou nas costas de Daniel Alves. O resto da história você já sabe, gol de Didier Drogba.

Até as estatísticas comprovam o quanto o Chelsea foi letal nesta partida. Segundo o site da UEFA, o Barcelona teve 19 ataques e oito chances claras de gol, sendo duas bolas na trave, enquanto o time de Londres teve três ataques, sendo duas chances claras. Olhando só os números, 50% das grandes oportunidades azuis foram gols. Claro que devemos relativizar isso, já que foram apenas duas chances claras de gol, por conseqüência, um “mísero” gol.

Os ingleses têm chances de se classificar no Camp Nou, mas será um duelo complicado, principalmente porque o Barcelona precisa inicialmente de um gol para forçar o tempo extra. Evitar que os catalães façam um gol em uma partida foi provado por Milan e Chelsea que é possível, mas em dois jogos é uma parada muito complexa.

O bom senso que os adversários do Barcelona devem ter é que eles devem defender-se, diminuir os espaços e tentar ao máximo não ser envolvidos pelo toque de bola adversário, e no ataque, converter em gols as raras chances de gol que tem. Não é anti-jogo, é bom senso, é saber que o estilo do jogo catalão é imponente.

Isso é óbvio, sempre esteve na cara de todos e poucos treinadores percebem, só acabam se lembrando de defender-se. Se o Chelsea for capaz de manter o bom senso, chegará pela segunda vez na história a uma final de UEFA Champions League.

Não pode agarrar

15 de abril de 2012 1 comentário

"Barça com ajuda", diz o Gazzetta dello Sport

Há alguns dias atrás, um lance chamou a atenção do Brasil inteiro – colocaria Mundo, mas pra mim ficou nítido que debateram a jogada mais aqui do que no resto do planeta -, o pênalti de Alessandro Nesta em Sergio Busquets no duelo de volta das quartas-de-final da UEFA Champions League, entre Barcelona x Milan. No caso, houve uma cobrança de escanteio na grande área, Busquets foi segurado por Nesta e o árbitro assinalou pênalti. Messi cobrou e deu seqüencia a vitória catalã por 3×1.

Debate à parte, uma coisa pôde ser notada daquele dia em diante: todo e qualquer agarrão na grande área virou falta e/ou pênalti, não só para analistas e torcedores, mas também pros homens do apito. Obviamente, esses lances estão causando polêmica mundo afora.

Tornou-se rotineiro ver o árbitro alertar os atletas sobre os puxões e agarrões, mas também virou normal ver um corneteiro falar: “Pra quê avisar? Vai e marca o pênalti!”. Desta “tese” eu discordo totalmente. Ao mesmo tempo em que o defensor do time A derruba o atacante do time B, há um jogador do time B que está puxando um adversário. Ou seja, existem faltas de ataque e de defesa num mesmo lance. Não adianta o árbitro simplesmente escolher um lado e marcar, ele estará prejudicando alguém do mesmo jeito. Sem falar da dificuldade humana de notar todos os puxões. Então o bom é nem marcar nada, no fundo é o melhor a se fazer.

Mas também não sou daqueles que acha que os jogadores podem se matar na área e quem fizer o gol que saia feliz. Se for algo acintoso, o árbitro tem de marcar, não tem jeito. E esse não foi o caso do lance de Nesta em Busquets. O puxão só se “consumou” quando Puyol colocou seu corpo na frente do zagueiro italiano, impedindo sua movimentação.

A questão é: como chegar a uma solução dos problemas de levantamentos na área? Pode apostar que marcar tudo não vai adiantar. O caso citado acima de ter faltas pros dois lados em todos os lances vai gerar reclamação sempre. Ou será que alguém acha que o time com um pênalti contra si ficará satisfeito ao saber que um de seus jogadores também foi puxado na grande área? Óbvio que não! E eu acredito que mesmo marcando todo e qualquer tipo de puxão esse “estilo de jogo” não será extinto. Os jogadores continuarão se agarrando nas bolas aéreas, não tem jeito.

Sem o auxílio necessário, os árbitros ficam expostos aos erros primários

Para mim, deve existir uma espécie de orientação aos árbitros, seja ela da FIFA ou das confederações ao quais os árbitros pertencem. Assim como no caso dos goleiros que se adiantam em pênaltis, tem de haver certa tolerância, não pode sair por aí achando que tudo é irregular, assim como não deve liberar geral. Repito o que foi escrito anteriormente, o puxão acintoso tem sim de ser marcado, mas todos não, porque são vários que existem na área e para todos os lados.

O problema é, parece que os grandes executivos do futebol não estão interessados em melhorar a arbitragem. Sou a favor da tecnologia no esporte, mas também sou favorável a uma qualificação dos juízes, principalmente porque para mim, a tecnologia deve ser usada em poucos lances – se a bola entrou, por exemplo -, já que boa parte das ações do jogo necessita da intervenção humana imediata.

O tal auxiliar que se posiciona no lado da trave poderia ajudar o árbitro nesses lances, só que ninguém sabe a função daquele ser humano. Poucas vezes os vi agindo em partidas de futebol, seja assinalando um pênalti, um impedimento ou qualquer tipo de irregularidade. São meros espectadores!

Mas são lances complicados. Os homens do apito precisam ter pulso firme e saberem a hora que devem ou não anotar a infração. Não são todos os lances que a falta deve ser marcada, também não se deve ignorar tudo. O critério é que tem importância! O grande problema é que o meu critério não é o seu critério, ou seja, vale tudo para uns, não vale nada para outros.

Esse é só um dos vários defeitos da arbitragem mundial. Por isso, acredito eu, que antes do auxílio tecnológico, os árbitros têm de ser aperfeiçoados na questão técnica para evitar erros primários – como impedimentos, por exemplo – e interpretativos – embora as interpretações mudem de pessoa para pessoa, no futebol, existem várias ocasiões em que o entendimento da jogada seja unânime -, aí sim eles poderiam receber o apoio de computadores e câmeras.

Admito que peguei um mero assunto para puxar um tema mais amplo, mas eu realmente não gosto de ver um juiz estragando uma partida de futebol, principalmente nestes puxa-puxa dos escanteios, onde o juiz geralmente fecha os olhos e escolhe um lado para anotar a infração. Pode soar estranho para você, mas para mim, no caso supracitado, marcar tudo é burrice e não marcar nada tem um ponto de inteligência.

Contos da Euro – A Terra do Espetáculo: Lviv e Kiev

13 de abril de 2012 1 comentário

Encerraremos por hoje a série de posts que mostram um pouco de Polônia e Ucrânia, países sede da maior competição entre seleções do continente europeu, a UEFA Euro. Para podermos dar seqüência a nossos contos e causos do torneio, contarei um pouco de Lviv e Kiev, as duas últimas cidades do nosso cartel turístico.

LVIV

A cidade de Lviv se destaca por ter uma proximidade com povos externos, mas por se manter fiel as culturas de tradições ucranianas. A fronteira com a Polônia fica localizada a apenas 70 quilômetros, há também a cultura cafeeira existente com austríacos e húngaros. Além disso, a paisagem tem toques da União Soviética. Até um Patrimônio Mundial da UNESCO, a Zamkova Hora tem o apelido de “Florença do Leste”. Porém, a cultura, a língua e os costumes do povo ucraniano sobrepuseram-se a tudo isso e se tornaram característica marcante de Lviv.

Antes de ter este nome curto, porém, complicado de se pronunciar devido à existência de uma única vogal na palavra, a cidade teve outras nomeações. Primeiro, “Lev”, por causa do filho do rei Danylo Halytskyi, com o domínio polaco, a mudança foi para “Lwow” e com os austríacos no poder, “Lemberg”. Com o controle russo, a cidade foi anexada na Polônia e passou a receber o atual nome, Lviv.

Na II Guerra Mundial, os nazistas da Alemanha invadiram a cidade e quando os soviéticos conseguiram expulsá-los de lá, a tragédia já havia sido feita: meio milhão de pessoas havia morrido.

A Conferência de Ialta acabou definindo que Lviv seria território da República Socialista Soviética da Ucrânia e em 1991, com o surgimento de um sentimento nacionalista somado a queda da URSS, o país se tornou independente e a cidade de Lviv teve enorme importância nessa revolução pelo cunho político da população.

Este é o centro da cidade de Lviv (Reuters)

Quando você for conhecer o local, não deixe de visitar a Ploshcha Rynok, que é uma enorme praça que tem em sua história uma reconstrução após trágico incêndio no século XVI. Ainda existe um chão em pedra que vai até a Câmara Municipal.

Ao conhecer Lviv, será impossível não notar o enorme número de igrejas existentes. A que mais chama a atenção é a catedral católica, que tem uma bala de canhão que não pôde ultrapassar as paredes durante uma antiga e violenta batalha.

Como vimos em posts anteriores, uma semelhança entre quase todas as cidades – sejam elas ucranianas ou polonesas – são as estátuas a grandes poetas do país. Em Lviv não é diferente! Taras Shevchenko e Adam Michiewicz são dois exemplos de artistas que receberam essa homenagem que os imortaliza na história ucraniana.

No mundo esportivo, Lviv se destaca como precursora de atividades como hóquei, basquete, pólo aquático, rúgbi e o nosso futebol. Em 1894, tivemos a documentação da primeira peleja futebolística na Ucrânia, justamente em Lviv, cidade também que recebeu os primeiros jogos da seleção polonesa na história.

No geral, a cidade tem muitos clubes, alguns até com história – como o Slavia Lwów, primeiro clube profissional da Polônia -, mas todos sem grande destaque. O Slavia, mais tarde Czarni Lwów ajudou a criar a liga polonesa, Lechia, Pogon e Hasmonea tentaram alçar vôo, mas apenas o Pogon conseguiu se destacar, ao ganhar o campeonato polonês em quatro oportunidades nos anos 20. Após o término da II Guerra Mundial, o cenário mudou e clubes como Czarni, Lechia e Pogon foram desmembrados.

Atualmente, o clube de maior destaque da cidade é o Karpaty Lviv, que tem como grande marco na história a conquista da Copa Soviética em 1969. De resto, é um time que faz bem seu papel na Ucrânia e que poucas vezes incomoda. O FC Lviv foi outra equipe que “renasceu” nos anos recentes, mas disputou apenas uma temporada na primeira divisão.

ARENA LVIV

30 mil pessoas poderão assistir aos jogos da Euro na Arena Lviv (Yevhen Kraws)

Esse foi um dos estádios que teve pequenos atrasos em sua construção. Ora não sabiam que construiriam, ora não sabiam como construir. Por fim, ergueram uma arena que pode receber 30 mil pessoas em jogos UEFA e um pouquinho mais em outros jogos. Só para tomar de exemplo, a partida que abriu a Arena Lviv, envolvendo Ucrânia x Polônia, recebeu 34 mil pessoas e esses espectadores viram Mievskiy anotar o primeiro tento do estádio.

A Arena Lviv combina a arquitetura tradicional da cidade com um toque de modernismo. O posicionamento das arquibancadas deixam todos os torcedores em ótimas condições de acompanhar os times no gramado, além de serem protegidos por telas transparentes, que não prejudicam em nada a sua visão do jogo.

A cidade de Lviv receberá três jogos da UEFA Euro 2012. O primeiro, no dia 9 de junho, Alemanha x Portugal. Quatro dias depois, os gajos voltam a campo para encarar a Dinamarca. Os dois adversários de Cristiano Ronaldo e companhia se enfrentarão no dia 17, fechando a série de jogos da Arena Lviv.

KIEV

Em Kiev, você deve encontrar na margem do rio Dniepre, o retrato de um barco transportando, com os quatro gêmeos eslavos que acreditam terem fundado Kiev. A irmã, Lybid, está na proa, em posição de liderança e erguida frente à tempestade. Schek e Khoryv estão atrás dela, orgulhosos e vigilantes, de lanças em riste. O terceiro irmão, Kyj, que dá o nome à cidade, repele o passado com o seu arco. Esta imagem represente bem a capital da Ucrânia, que desde sua fundação no século V vive muitas conturbações, mas segue com o esplendor de sempre.

Kiev foi a primeira grande civilização eslava do leste e teve em sua história algumas mudanças, como a invasão dos mongóis em 1240, a cidade chegou a fazer parte do território lituano, além de ter sido ocupada por russos e fazer parte da União Soviética.

Capital ucraniana, Kiev receberá a final da UEFA Euro 2012 (Reuters)

Assim como na maior parte da Ucrânia, o período pós-guerra trouxe novos ares a Kiev. Não eram ares de alívio de término de combate, e sim de reconstrução, nova vida e o reinício do zero. A capital ucraniana pôde se industrializar, até se tornar o que é hoje, a maior cidade do país – seja em área, seja em habitantes -, além de ter grandes valores científicos e educacionais.

Se você tiver o prazer de conhecer a cidade de Kiev, saiba que opções de laser não lhe faltarão. A cidade honra a alcunha de ser conhecida como “cidade cultural”. São mais de 100 museus, 30 salas de espetáculos e 140 bibliotecas. Além disto tudo, as maiores universidades da Ucrânia estão exatamente situadas em Kiev.

A rua Khreshchatyk é exemplo de imponência. Após sua destruição na II Guerra Mundial, a sua remontada com mosaicos no estilo soviético mostram como o local se renovou.

Diferentemente de Lviv, Kiev tem muito mais destaque no mundo do futebol. Ao citar o nome da cidade, logo lhe vem à mente o Dynamo de Kiev. O clube foi fundado em 1927 e é o único do país que nunca caiu para a segunda divisão, seja em tempos soviéticos ou em tempos ucranianos.

Como tradição, o Dynamo formava muitos atletas, mas também trazia alguns jogadores de seu “patrocinador”, a polícia secreta soviética, logo obteve força e apoio dos torcedores. Não à toa, são 26 títulos nacionais – 13 soviéticos e 13 ucranianos -, 18 em copas do país – nove soviéticas e nove ucranianas -, além de dois títulos da UEFA Cup Winners’ Cup.

Kiev ainda é representada pelo FC Arsenal Kiev – antes, CSKA Kiev, que era conhecido como “o clube do exército” -, que se limita a atuações intermediárias na primeira divisão nacional, assim como o FC Obolon Kiev, que mesmo apoiado pela cervejaria Obolon desde 1999, também acumula campanhas medianas.

Mas Kiev não se resume ao Dynamo quando o assunto é futebol. Não custa dizer que desta cidade saíram dois “bolas de ouro”, Oleh Blokhin e Andriy Shevchenko. Mas o grande nome futebolístico da cidade é Valeriy Lobanovskyi, que como técnico conquistou trinta taças pelo Dynamo de Kiev, destacando os 13 títulos do campeonato nacional – oito soviéticos e cinco ucranianos.

E olha que ainda podíamos falar do handebol, da ginástica, do atletismo e do hóquei, que são outros esportes que mostraram ao mundo um pouquinho mais de Kiev,

OLIMPIYSKY NATIONAL SPORTS COMPLEX

O Olímpico de Kiev recebeu novo telhado (uefa.com)

Inaugurado nos anos 20, o Estádio Olímpico de Kiev já passou por três reformas e a última, em 2009, envolveu a reconstrução da camada inferior do local, a adição de um novo telhado que cobre todos os assentos, além da criação de novas cabines de imprensa.

A capacidade do estádio em jogos UEFA é de 60 mil pessoas, mas como frisei várias vezes nestes últimos “Contos”, em partidas nacionais, algumas cadeiras são retiradas para os torcedores mais fanáticos acompanharem seu time de pé. Até por isso, 70 mil pessoas viram Yarmolenko anotar o primeiro gol do novo estádio em 2011. Há quem diga também que a partida entre Dynamo de Kiev x Bayern em 1977 teve mais de 100 mil pessoas!

O Olímpico será a casa sueca na Euro. O time de Zlatan Ibrahimovic pegará logo de cara os donos da casa no dia 11 de junho. Quatro dias depois, o English Team baterá de frente com a Suécia. No dia 19, o confronto contra a França fecha a fase de grupos no estádio. No dia 24, o vencedor do grupo D irá enfrentar o segundo colocado do grupo C em uma das quartas-de-final. Depois deste duelo, tudo será armado para a grande decisão no dia 1º de julho. A final do torneio será realizada em Kiev!

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