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Bom senso londrino

19 de abril de 2012 Deixe um comentário

Certa vez, em uma aula de filosofia, meu professor disse: “Bom senso é a consciência que temos do lugar e espaço que estamos ocupando, sabendo exatamente que papeis devemos exercer”. A partir deste dia, penso que quem enfrenta o Barcelona deveria ter esse bom senso dentro das quatro linhas.

É rotineiro ouvir: “Ah, por que não ataca?” ou “por que essa retranca?” dos times que confrontam os catalães. Eu, pelo menos, nunca fui desses. Ora, se o Barcelona tem em quase todo jogo pelo menos 70% de posse de bola, como atacá-los? É preciso ter a bola para atacar, sem ela é quase impossível. Até por isso muitos times acabam jogando numa aparente retranca, quando na verdade são engolidos pela troca de passes adversária.

Só que ao enfrentar um time que tem uma posse de bola que beira o anormal, o adversário tem de ser letal e marcar gols no seu restrito tempo com a bola. Só que poucos times conseguem ter um “faro assassino” quando enfrentam o Barcelona e pecam ao desperdiçar as poucas chances que tem em cada partida.

Drogba fez o único gol de Chelsea v Barcelona (Chelseafc.com)

O Chelsea de Roberto Di Matteo, como um legítimo bandido de cela solitária na prisão, conseguiu cometer a primeira de duas partes do crime que é evitar o bi-campeonato do Barcelona e acabou batendo o time catalão no jogo de ida da semifinal da UEFA Champions League.

O bloqueio defensivo armado pela equipe inglesa foi impecável. Na defesa, John Terry e principalmente Gary Cahill tiveram atuações exuberantes. No meio-campo, havia um aparente 4-1-4-1, mas que por vários momentos pareceu ser um 4-5-1 tradicional, com uma linha de cinco jogadores no meio-campo. Com essa tranca na faixa central, o Barcelona não tinha espaços para trocar passes onde mais gosta, a intermediária ofensiva. Existiam algumas brechas nos flancos, mas o time catalão não conseguia impor seu envolvente toque de bola.

Pelo menos pra mim, os espanhóis não tiveram grandes defeitos na partida, isso valoriza ainda mais a vitória dos Blues. Claro que em alguns lances os atacantes do Barça – principalmente Sánchez – foram um pouco preciosos nas finalizações, mas eles são assim em todos os jogos. Aqueles golaços que podemos ver todas as semanas em jogos do time de Guardiola saem principalmente em lances de extremo capricho blaugrana. Dizer que o Barcelona derrotado na quarta-feira é o mesmo de sempre não chega a ser um erro até porque há certa razão nisso, já que os catalães tiveram a posse da bola, controle territorial e muitas finalizações.

Fàbregas foi um dos que perdeu gols na partida de quarta (Chelseafc.com)

Diferente do time adversário, o Chelsea mostrou enorme inteligência na eficaz jogada que resultou no gol da vitória. A cada bola roubada do Barcelona, você tem de ser veloz e procurar o lado mais frágil da defesa catalã, as laterais. No tento do jogo desta semana, Lampard roubou a bola de Messi (!!!!) e imediatamente lançou Ramires, que disparou nas costas de Daniel Alves. O resto da história você já sabe, gol de Didier Drogba.

Até as estatísticas comprovam o quanto o Chelsea foi letal nesta partida. Segundo o site da UEFA, o Barcelona teve 19 ataques e oito chances claras de gol, sendo duas bolas na trave, enquanto o time de Londres teve três ataques, sendo duas chances claras. Olhando só os números, 50% das grandes oportunidades azuis foram gols. Claro que devemos relativizar isso, já que foram apenas duas chances claras de gol, por conseqüência, um “mísero” gol.

Os ingleses têm chances de se classificar no Camp Nou, mas será um duelo complicado, principalmente porque o Barcelona precisa inicialmente de um gol para forçar o tempo extra. Evitar que os catalães façam um gol em uma partida foi provado por Milan e Chelsea que é possível, mas em dois jogos é uma parada muito complexa.

O bom senso que os adversários do Barcelona devem ter é que eles devem defender-se, diminuir os espaços e tentar ao máximo não ser envolvidos pelo toque de bola adversário, e no ataque, converter em gols as raras chances de gol que tem. Não é anti-jogo, é bom senso, é saber que o estilo do jogo catalão é imponente.

Isso é óbvio, sempre esteve na cara de todos e poucos treinadores percebem, só acabam se lembrando de defender-se. Se o Chelsea for capaz de manter o bom senso, chegará pela segunda vez na história a uma final de UEFA Champions League.

Não pode agarrar

15 de abril de 2012 1 comentário

"Barça com ajuda", diz o Gazzetta dello Sport

Há alguns dias atrás, um lance chamou a atenção do Brasil inteiro – colocaria Mundo, mas pra mim ficou nítido que debateram a jogada mais aqui do que no resto do planeta -, o pênalti de Alessandro Nesta em Sergio Busquets no duelo de volta das quartas-de-final da UEFA Champions League, entre Barcelona x Milan. No caso, houve uma cobrança de escanteio na grande área, Busquets foi segurado por Nesta e o árbitro assinalou pênalti. Messi cobrou e deu seqüencia a vitória catalã por 3×1.

Debate à parte, uma coisa pôde ser notada daquele dia em diante: todo e qualquer agarrão na grande área virou falta e/ou pênalti, não só para analistas e torcedores, mas também pros homens do apito. Obviamente, esses lances estão causando polêmica mundo afora.

Tornou-se rotineiro ver o árbitro alertar os atletas sobre os puxões e agarrões, mas também virou normal ver um corneteiro falar: “Pra quê avisar? Vai e marca o pênalti!”. Desta “tese” eu discordo totalmente. Ao mesmo tempo em que o defensor do time A derruba o atacante do time B, há um jogador do time B que está puxando um adversário. Ou seja, existem faltas de ataque e de defesa num mesmo lance. Não adianta o árbitro simplesmente escolher um lado e marcar, ele estará prejudicando alguém do mesmo jeito. Sem falar da dificuldade humana de notar todos os puxões. Então o bom é nem marcar nada, no fundo é o melhor a se fazer.

Mas também não sou daqueles que acha que os jogadores podem se matar na área e quem fizer o gol que saia feliz. Se for algo acintoso, o árbitro tem de marcar, não tem jeito. E esse não foi o caso do lance de Nesta em Busquets. O puxão só se “consumou” quando Puyol colocou seu corpo na frente do zagueiro italiano, impedindo sua movimentação.

A questão é: como chegar a uma solução dos problemas de levantamentos na área? Pode apostar que marcar tudo não vai adiantar. O caso citado acima de ter faltas pros dois lados em todos os lances vai gerar reclamação sempre. Ou será que alguém acha que o time com um pênalti contra si ficará satisfeito ao saber que um de seus jogadores também foi puxado na grande área? Óbvio que não! E eu acredito que mesmo marcando todo e qualquer tipo de puxão esse “estilo de jogo” não será extinto. Os jogadores continuarão se agarrando nas bolas aéreas, não tem jeito.

Sem o auxílio necessário, os árbitros ficam expostos aos erros primários

Para mim, deve existir uma espécie de orientação aos árbitros, seja ela da FIFA ou das confederações ao quais os árbitros pertencem. Assim como no caso dos goleiros que se adiantam em pênaltis, tem de haver certa tolerância, não pode sair por aí achando que tudo é irregular, assim como não deve liberar geral. Repito o que foi escrito anteriormente, o puxão acintoso tem sim de ser marcado, mas todos não, porque são vários que existem na área e para todos os lados.

O problema é, parece que os grandes executivos do futebol não estão interessados em melhorar a arbitragem. Sou a favor da tecnologia no esporte, mas também sou favorável a uma qualificação dos juízes, principalmente porque para mim, a tecnologia deve ser usada em poucos lances – se a bola entrou, por exemplo -, já que boa parte das ações do jogo necessita da intervenção humana imediata.

O tal auxiliar que se posiciona no lado da trave poderia ajudar o árbitro nesses lances, só que ninguém sabe a função daquele ser humano. Poucas vezes os vi agindo em partidas de futebol, seja assinalando um pênalti, um impedimento ou qualquer tipo de irregularidade. São meros espectadores!

Mas são lances complicados. Os homens do apito precisam ter pulso firme e saberem a hora que devem ou não anotar a infração. Não são todos os lances que a falta deve ser marcada, também não se deve ignorar tudo. O critério é que tem importância! O grande problema é que o meu critério não é o seu critério, ou seja, vale tudo para uns, não vale nada para outros.

Esse é só um dos vários defeitos da arbitragem mundial. Por isso, acredito eu, que antes do auxílio tecnológico, os árbitros têm de ser aperfeiçoados na questão técnica para evitar erros primários – como impedimentos, por exemplo – e interpretativos – embora as interpretações mudem de pessoa para pessoa, no futebol, existem várias ocasiões em que o entendimento da jogada seja unânime -, aí sim eles poderiam receber o apoio de computadores e câmeras.

Admito que peguei um mero assunto para puxar um tema mais amplo, mas eu realmente não gosto de ver um juiz estragando uma partida de futebol, principalmente nestes puxa-puxa dos escanteios, onde o juiz geralmente fecha os olhos e escolhe um lado para anotar a infração. Pode soar estranho para você, mas para mim, no caso supracitado, marcar tudo é burrice e não marcar nada tem um ponto de inteligência.

Trauma superado… pelo menos por uma noite

15 de fevereiro de 2012 Deixe um comentário

Ibra e Robinho deixam o Milan com os dois pés na próxima fase (Dpa)

Zlatan Ibrahimovic e Robinho: estão aí dois jogadores que nós poderíamos chamar de “pipoqueiros” em disputas de UEFA Champions League.

O sueco é campeão das ligas nacionais que disputa desde 2004. E isso não é mero acaso, já que Ibracadabra foi peça chave na maioria destas conquistas. Porém, quando o assunto se expandia para o continente, ele se tornava um mero coadjuvante, quando um “algo mais” era esperado.

Robinho é outro. Postulante a craque, o brasileiro veio cedo para o futebol europeu e mostrou não estar pronto para tal desafio. Fez figuração em Real Madrid e Manchester City quando era apontado como estrela. Pelos Merengues, disputou a Champions League por mais de uma oportunidade e não vingou. Após passagem pelo futebol brasileiro, o “pequeno Róbson” retornou ao velho continente, desta vez para o Milan, mas em sua primeira temporada na Bota, também fracassou na UCL.

Como citei no post onde analisei os confrontos das oitavas-de-final da Champions, era a hora de Ibrahimovic mostrar para que veio ao mundo do futebol e mostrar no torneio de maior importância o motivo de receber tanta fama e elogios. Não englobei Robinho nesta lista. É fato que no Milan ele cresceu demais. O brasileiro achou seu posicionamento ideal – segundo atacante, no máximo um meia e não como um winger, como jogava na Inglaterra, muito distante da área -, passou a ser peça de confiança de Massimiliano Allegri, mas como ajudante e não como estrela, algo que seu início fantástico no Santos sugeria, por isso não o citei na então relação.

No jogo de ida contra o Arsenal pelas oitavas-de-final da Champions League, Ibra e Robinho parecem ter superado o trauma de disputar a estrelada competição. A esmagadora goleada por 4×0 sobre os londrinos deve ser colocada muito na conta da dupla, que soube aproveitar muito bem a fraca marcação no meio campo e a desajustada defesa Gunner.

Será que agora, Ibra justifica na UCL toda sua fama? (acmilan.com)

Zlatan Ibrahimovic também comprovou hoje não merecer mais a fama de “egoísta” que adquiriu através de sua carreira. O sueco, conhecido pelos vários gols e algumas obras primas, tem se notabilizado na atual temporada pelas assistências. Seja seu parceiro de ataque Pato ou Robinho, ele tem se entendido bem com o companheiro, seja quem for. A prova disso foi o segundo gol contra o Arsenal, quando Ibra criou a jogada na ponta direita e fez o passe para Robinho completar em gol como um centro-avante.

O sueco ainda distribuiu bem o jogo, criou algumas chances de gol, construiu a jogada do terceiro tento milanista – o segundo de Robinho -, conseguiu um pênalti e o converteu. Ibracadabra deu um show! Comandou o Milan nesta estupenda vitória sobre o Arsenal e mostrou que talvez tenha superado o trauma da Champions.

Agora falamos de Robinho…

O brasileiro não teve uma brilhante atuação como Ibrahimovic. Na primeira etapa, por exemplo, o camisa 70 abusava de errar passes. No 2º tempo, esses números diminuíram, graças a exposição dos ingleses, que precisavam de qualquer maneira diminuir a desvantagem.

Só que Robinho foi decisivo. É isso que se espera de um craque! Ele não é isso, mas quando surgiu para o futebol, esperava ser craque e demonstrou que poderia ser sim! Hoje, como um simples “operário”, o brasileiro vai encontrando seu caminho e mostrou que pode ser mais ao mostrar sua capacidade de decisão. Robinho anotou dois gols e por isso foi um dos grandes jogadores em campo.

Se os dois superaram o trauma da Champions definitivamente é outra história, mas que tanto Ibrahimovic quanto Robinho, deram uma demonstração de que esse problema pode ser passageiro, isso é inegável.

NÃO PENSEM QUE FORAM SÓ OS DOIS

Anteriormente, disse que a categórica vitória milanista – usei quantos adjetivos diferentes para descrever este resultado? – teve grande responsabilidade dos dois jogadores supracitados nos parágrafos anteriores. Mas não pensem que Ibra e Robinho carregaram o Milan nas costas, porque não foi bem assim.

Na defesa, muita solidez e o principal, Thiago Silva monstrando o porque de ser chamado de “Monstro”. O brasileiro teve um momento de instabilidade no 2º tempo, porém, foi perfeito em 90% da partida. Abbiati não foi muito acionado, mas quando precisou trabalhar, foi impecável. O arqueiro de 34 anos vai me provando que “goleiro bom é goleiro velho”. Incrível como jogadores desta posição acabam se tornando mais seguros com o passar dos anos!

Boateng abriu o placar com este petardo de direita (Dpa)

No meio-campo, a marcação não era das mais fortes, mas bem encaixada, o que dificultou o desenvolvimento do jogo do Arsenal. E o Milan ainda teve Prince Boateng em uma boa jornada, tendo marcado um belo gol. Admito que o ganês tem me surpreendido a cada partida que passa. Sempre achei ele voluntarioso, esforçado, mas que não era nada disso. Porém, nesta temporada, Prince tem sido decisivo, vem marcando golaços e tem grande entrosamento com os atacantes.

Allegri, outro cobrado por mim para tomar uma atitude e tentar achar novas alternativas para o imutável 4-3-1-2, chegou a deixar o Milan atuando com duas linhas de quatro, tudo para marcar bem as investidas de Chamberlain pela direita.

Sobre o Arsenal, pouco a se dizer. Um primeiro tempo completamente desligado, os Gunners pareciam em uma sintonia diferente do Milan. Na etapa final, com a vaca se dirigindo pro brejo, a coisa foi mais desanimadora. Até Henry, que entrara para fazer sua última partida em seu retorno ao futebol inglês, pouco fez.

A nota negativa vai pra Wenger, que a meu ver, errou ao não colocar Chamberlain desde o início ou então no intervalo. O garoto vive fase muito melhor do que Theo Walcott, que pouco tocou na bola.

NOS OUTROS JOGOS

Na terça-feira, o Barcelona demonstrou sua força, mas também a instabilidade que tem sido característico em jogos recentes. Com 1×0 de vantagem, os catalães chegaram a ceder o empate e  quase sofreram a virada do Leverkusen. O 3×1 representou bem o jogo, embora o time alemão tenha feito um jogo corajoso e explorando bastante uma das fraquezas do Barça, as bolas longas. Tanto defesa-ataque quanto bolas alçadas na área, é duro dos comandados de Guardiola vencerem uma.

Menção honrosa para Robin Dutt, que outrora criticado por este blogueiro de “medroso” e coisas do tipo, ousou contra o time blaugrana e mesmo com poucas peças ofensivas no banco – vide aos inúmeros desfalques – fez um jogo corajoso. Dutt ganhou pontos comigo depois deste duelo.

Já o Lyon decepcionou. Não consegui acompanhar a peleja, mas relatos de alguns amigos que assistiram era de que o jogo foi horrível. Na etapa inicial, o OL teve o famoso “domínio estéril”, mas mesmo finalizando bastante – foram 13 tiros -, não conseguia ameaçar a meta do APOEL. O gol de Lacazette foi de méritos totais do jovem, que vinha sendo o grande nome do Lyon na peleja.

Placar magro, hein Garde! (olweb.fr)

Assim como previ no último post, Garde foi medroso. Começou com Gomis no banco e não colocou o atacante durante a partida. Para completar, fez somente duas alterações, todas “seis por meia dúzia”. Segundo o site da UEFA, o APOEL teve 37% de posse de bola e finalizou somente uma vez. Custava soltar o time e ir pra cima, Garde? O Lyon pode pagar um preço caro por isso!

Para fechar, falo do disputado jogo na gelada St. Petersburgo. A partida não primou pela técnica e por isso venceu quem menos errou. A zaga do Benfica falhou em três oportunidades cruciais – posicionamento, afobação, erros técnicos e por aí vai – e tomou três gols do Zenit. Já os russos erraram somente duas vezes… Deixa eu corrigir a frase: o goleiro Zhevnov errou duas vezes. O substituto do contundido e titular absoluto Malafeev largou bolas fáceis nos dois gols portugueses.

Assim como nos dois tópicos anteriores, destacarei um técnico, desta vez, Luciano Spalletti. O italiano colocou Semak e Bystrov. Pois é, Bystrov deu a assistência para Semak marcar um gol de calcanhar. Mandou bem ou não? Não há dúvidas da resposta correta!

Até!

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