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Top 10 da Euro 2000

Engana-se quem pensa que a Eurocopa apenas se joga, é um torneio que se vive! Não só pelos atletas profissionais envolvidos na disputa, mas também por quem cobre e quem assiste. Para dar uma incrementada na série “Contos da Euro”, o blogueiro que vos transmite este texto convidou alguns jornalistas e amigos para falar um pouco de suas experiências em Eurocopas, sejam elas vividas in loco ou daqui do Brasil mesmo.

O convidado desta semana é Dassler Marques, repórter do Portal Terra e editor do site Olheiros, especializado na cobertura do futebol de base. Dassler contará nos próximos parágrafos a história da Euro 2000, torneio que ficou marcado em sua vida.

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Por: Dassler Marques

 

#1 – Les Bleus

A Euro 2000 foi a consagração da França de Deschamps (Getty Images)

A consagração definitiva para a França de Zinedine Zidane. Semifinalista da Euro 96, caiu nos pênaltis para a República Tcheca, mas foi campeã mundial em 1998 contra o Brasil e voltou à fase final da Euro 2000, nos Países Baixos. A decisão, uma das mais emocionantes da história do torneio, foi à segunda consecutiva a ser resolvida no hoje extinto gol de ouro. A morte súbita, como também ficou conhecida, foi abolida de vez em 2004, após a Euro realizada em Portugal.

#2 – Lemerre vs. Zoff

A França chegou a Euro com trajetória ascendente e toda a base campeã mundial, mas com Petit e Karembeu agora reservas. O treinador era Roger Lemerre, auxiliar técnico de Aimé Jacquet em 1998. A Itália não vinha entre as favoritas, mas empilhou quatro vitórias e despachou a anfitriã e sensação Holanda, nos pênaltis, na semifinal. O treinador era Dino Zoff, que a exemplo de Lemerre, não tinha – e também não faria – carreira sólida.

#3 – Opções para Lemerre

A França em seu 4-2-3-1 indefectível que girava em torno de Zidane. Dugarry e Djorkaeff, abertos, ofereciam posse de bola demais e velocidade de menos, o que era a missão de Henry, mais experiente que em 98 e titular na função de 9. Mas os franceses, também do fantástico quinteto defensivo Barthez-Thuram-Blanc-Desailly-Lizarazu, venceriam principalmente graças ao banco de reservas.

#4 – A Itália de Zoff

Dino Zoff assumiu após a eliminação na Copa de 1998 – para a França – com a missão de formar um time menos defensivo. Jogava com três zagueiros, alas que não avançavam, dois volantes e Fiore, meia pouco criativo e trabalhador. Mas soltou a equipe durante a final com Del Piero para um dueto raro com Totti junto de Delvecchio. Era a Squadra Azzurra entre o 3-4-1-2 e o 3-4-2-1, que poderia ser campeã se Del Piero, em jornada infeliz, tivesse feito uma das duas chances nítidas de gol que teve na etapa final.

#5 – Concorrência antiga

Zidane e Cannavaro disputam a bola em um dos vários controntos decisivos entre França e Itália

A rivalidade entre as duas finalistas estava ainda mais forte após o chatíssimo confronto das quartas de final da Copa de 98 – 0 a 0 e com vitória francesa nos pênaltis após erro do romanista Di Biagio. Seis anos depois, em Berlim, se reencontrariam para a Azzurra se livrar de vez do estigma das penalidades, fatais em 94 e 98. A França era um inimigo ainda mais íntimo porque, dos titulares, só Barthez e Lizarazu não atuavam ou já haviam atuado no Calcio. Zidane e Deschamps papavam títulos com a Juventus.

#6 – Italianos pragmáticos

O domínio do jogo foi quase todo francês, mas quando poderia ter sido da Itália em uma final dessa natureza? Difícil. Mas bem armada e com saídas fortes de Maldini por fora e Albertini por dentro, se encorpavam com Francesco Totti no auge. É ele que, com lindo calcanhar, inicia a jogada do gol de Delvecchio, servido por cruzamento do dedicado e juventino Pessotto. 1 a 0. Uma decisão com cenário que os italianos adoram.

#7 – Mexidas decisivas

Lemerre aciona o banco. Primeiro Wiltord (saiu Dugarry) para um jogo mais incisivo pela ponta esquerda. Depois Trezeguet (saiu Djorkaeff), melhor na bola alta, o que traz Henry para a ponta. Depois, no desespero, Robert Pirès (saiu Lizarazu) na lateral esquerda para ter mais força pelos lados. Aos 48min do segundo tempo, o lance capital: chutão ao alto, Trezeguet escora e a bola passa por cima do baixo Cannavaro. Wiltord, gelado, bate seco, marca e exige a prorrogação. Fosse Nesta ou Iuliano naquela bola, era quase certo que a Itália levaria vantagem.

#8 – Italianos aos cacos no tempo extra

A prorrogação foi um martírio para os italianos extenuados. Sem seus centroavantes – Vieri cortado antes e Inzaghi que se lesionou durante a Euro -, sem seus goleiros – Peruzzi, cortado como em 98, e Buffon, também machucado – mas ainda assim com Francesco Toldo, o melhor goleiro da Euro 2000. Com Maldini, Cannavaro e Albertini no sacrifício. Por uma bola no gol de ouro. Mas que é de Trezeguet.

#9 – David Trezeguet

O gol do título se inicia com os italianos em tentativa frustrada de se livrar da bola, que cai para Robert Pires. Ele arranca, deixa Cannavaro no chão e dá a Trezeguet, com 22 anos, a chance de marcar para dar a Euro aos franceses. A vendetta italiana viria na Copa do Mundo de 2006. Trezeguet foi o único a errar na disputa por pênaltis que a Azzurra venceu por 5 a 3 para ser tetra.

#10 – Zinedine Zidane

O top 10 acaba com, claro, Zinedine Zidane. Herói do primeiro título mundial dos Bleus, ele jogara demais contra a Espanha, nas quartas de final, e matou Portugal de Figo com o gol de ouro na semifinal. Sua classe, domínio de bola e ocupação de espaços aos 27 anos, no auge, são o retrato da perfeição de um dos maiores gênios da bola.

Zidane igualou o feito de Michel Platini e conquistou uma Eurocopa (Getty Images)

16 histórias para contar

9 de março de 2012 Deixe um comentário

Jogar uma Eurocopa já deve ser algo muito gratificante. Para alguns jogadores, que às vezes estão em seleções periféricas e que raramente chegam a torneios de grande visibilidade, pode-se considerar como o ponto mais alto de sua carreira. Mas o que dizer de um jogador que tem em sua carreira o recorde de atleta que mais atuou em UEFA Euro? Essa é a história de Lilian Thuram.

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Lilian Thuram é o jogador que mais vestiu a camisa da França

Ruddy Lilian Thuram-Ulien nasceu em Guadalupe, território francês que fica no Caribe, mas iniciou sua carreira futebolística na França mesmo. O Mônaco foi o clube que o revelou e que ajudou a projetá-lo para o mundo do futebol. Por lá, Thuram atuou por quase 200 partidas, tendo balançado as redes em 11 oportunidades.

Depois de dois vice-campeonatos nacionais com o time do Principado, o zagueiro/lateral-direito se transferiu para o Parma. Foi lá que sua carreira engrenou de vez! Os títulos mais valiosos pelo clube italiano foram as duas copas da Itália e a Copa da UEFA. Com todo esse sucesso, Thuram se transferiu para a Juventus em 2001, permanecendo lá até o Calciopoli, que culminou no rebaixamento da Vecchia Senhora em 2006. O francês deixou Turim com dois títulos da Série A e um vice da Champions League.

Até 2008, Thuram defendeu o Barcelona de Rijkaard, já decadente naquela época. Quando estava prestes a assinar com o Paris Saint-Germain, foi diagnosticado um problema no coração, que impediu a continuação de sua carreira.

Mas não estou aqui para falar da brilhante carreira de Thuram e sim de sua história nas disputas da Eurocopa. Seu começo nos Bleus foi em 1994 e dois anos depois ele já estava na Inglaterra para jogar sua primeira UEFA Euro.

Lilian Thuram era peça de confiança do técnico Aimé Jacquet e participou de todas as partidas da França edição de 1996 da Eurocopa. A campanha francesa no papel até que foi boa – semifinalista e invicta -, mas no campo, isso não foi representado muito bem. Três empates e duas vitórias, porém, os dois jogos em que saiu como vencedor marcaram um futebol insosso e lento do time francês. Dos três empates, dois culminaram em disputas de pênaltis. Contra a Holanda, veio à vitória, contra a República Tcheca, a sorte não sorriu para os Bleus, que foram eliminados.

Só em 1996, já colocávamos na conta de Thuram cinco jogos na Euro. E ele ainda tem história no torneio!

Thuram conquistou a Euro em 2000

Quatro anos depois, o defensor, na época, já campeão do mundo em 1998 – tendo feito dois gols na semifinal contra a Croácia, os seus únicos dois gols com a camisa da Seleção Francesa -, pôde ver seu nome no hall de grandes campeões franceses.

Podemos destacar duas curiosidades nesta edição da Euro, claro, envolvendo Thuram:

1 – A única derrota da França no torneio foi justo na partida em que o defensor não esteve em campo, no 3×2 para a Holanda;

2 – Em 96, Thuram, com cartão amarelo, não participou dos últimos minutos da semifinal contra a República Tcheca e o resultado já foi destacado acima. Na final de 2000, o jogador se viu na mesma situação, porém, Roger Lemerre, então técnico da Seleção, optou por deixá-lo em campo. O resultado disto tudo foi no histórico disparo de pé esquerdo de Trézeguet, que pegou Toldo no contrapé e deu o título a França no gol de ouro.

Coincidência ou não, o fato é que Thuram participou daquele grande time que ainda tinha Zinédine Zidane, Thierry Henry, Patrick Vieira, Didier Deschamps e Laurent Blanc. Eram mais cinco jogos pra sua lista, contabilizando dez!

Em 2004, a campanha francesa tinha tudo pra decolar. Les Bleus ainda tinham nomes como Zidane, Vieira, Henry, Trézeguet e é claro, Thuram, porém, havia uma pedra grega no caminho francês.

No início, a França mostrou enorme poder de reação, principalmente na estréia, quando virou pra cima da Inglaterra com dois gols de Zizou nos acréscimos da partida. Croácia e Suíça foram duas equipes que conseguiram igualar em gols com a França, porém, nenhuma das duas seleções conseguiu vencê-los – os croatas seguraram o empate, mas os suíços foram derrotados.

Só que nas quartas de final, a França foi bruscamente parada pela Grécia de Angelos Charisteas, autor do gol que eliminou Thuram e seus companheiros da Euro de 2004. O defensor conseguiu acrescentar a sua lista mais quatro jogos, somando catorze.

Capitão em 2008, Thuram participou do fracasso francês

Em 2008, Lilian Thuram participou de sua última Eurocopa, porém, ele não deve ter tido o final que esperava. O confuso time treinado por Raymond Domenech não passou da primeira fase e somou apenas um ponto. A França ainda perdeu para a Itália por 2×0 e foi humilhada pela Holanda, 4×1.

Thuram participou dos jogos contra Romênia e Holanda, e em ambos, foi o capitão da equipe. Aliás, no duelo contra os romenos, o defensor chegou à marca de 15 jogos, chegando ao recorde de maior número de jogos em Eurocopas.

Dias depois, Edwin van Der Sar viria igualar a marca do francês, porém, pra um goleiro, é mais “fácil”. Thuram encerrou sua jornada na Seleção da França com 142 jogos e dois gols, jogador que mais vestiu a camisa de seu país e realmente a honrou. Com muita técnica, força e vigor nas marcações, Thuram ficou marcado na história do futebol de seu país.

O preço do sucesso

1 de março de 2012 1 comentário

O Montpellier nunca foi um time grande. No máximo, médio. O MHSC tem algumas participações na primeira divisão francesa, já até obteve alguns resultados interessantes – principalmente na época de Valderrama -, mas na maioria das oportunidades na Ligue 1, lutou contra o rebaixamento.

Giroud, Belhanda e Utaka, três destaques do Montpellier, vibram com o gol

Nesta temporada, fugindo de todas as expectativas, o time comandado por René Girard está indo muito bem e lidera a primeira divisão do país. Alguns jogadores como Yanga-Mbiwa, Jamel Saihi, Younes Belhanda e Olivier Giroud despontam como grandes nomes do time, assim como os jovens Remi Cabella e Benjamin Stambouli, que vão recebendo muitas oportunidades na atual temporada. Jogadores mais rodados, como o brasileiro Victorino Hilton, Garry Bocaly, Souleymane Camara e John Utaka estão por lá para dar o toque de experiência necessário nos grandes times.

Porém, além dos ótimos resultados, o sucesso trás algumas conseqüências ruins. Olivier Giroud, artilheiro do Campeonato Francês e líder de assistências do Montpellier, já é alvo de muitos clubes. No final de 2011, o artilheiro da equipe recebeu uma proposta de oito milhões de euros do Newcastle, mas considerando baixa a oferta, o presidente Louis Nicollin decidiu rejeitá-la e ainda afirmou que “Giroud tem contrato até 2014 e vale pelo menos 40 milhões de euros”.

Porém, quando clubes maiores crescem os olhos pra cima do seu principal jogador, Nicollin acaba cedendo um pouco. No grande duelo diante do Paris Saint-Germain – confronto dos dois líderes que acabou empatado em 2×2 -, olheiros do Bayern e do Napoli estavam presentes no Parc des Princes para assistir a partida. Giroud não marcou gols, mas fez o cruzamento para o segundo gol, anotado por Utaka.

Louis Nicollin já criou raízes no Montpellier (Reuters)

Nicollin já admitiu recentemente que será difícil segurar o atacante, já que sua multa rescisória é relativamente baixa – beira os 15 milhões de euros – e seu bom futebol tem aparecido para mais gente. Não por acaso, Giroud substituiu Karim Benzema no duelo da Seleção Francesa contra a Alemanha, em Bremen. O atacante do Montpellier anotou um gol… Justamente no país do Bayern, e a França venceu por 2×1.

Resultado disto tudo: Os rumores de uma possível transferência para o clube bávaro aumentam. A conceituada revista Kicker publicou hoje que o Bayern prepara uma oferta de 16 milhões de euros para trazer Giroud.

É o preço do sucesso! Nicollin pode até achar que seu jogador vale 40, 50, 60 milhões de euros, mas com uma multa baixa, vai ser difícil segurá-lo. Giroud não vale toda a grana que o presidente do Montpellier acha que vale, mas vendê-lo pro Bayern pela tal oferta – lembrando que não é nada oficial – seria ótimo! Principalmente porque o MHSC investiu menos de cinco milhões em sua compra, seria um lucro e tanto.

Claro que muitas vezes não vale à pena vender seu craque, mas o Montpellier tem prazo de validade. Esse time não se manterá no topo do futebol francês por muito tempo. Dois, três, quatro anos talvez, mas o fato é que dificilmente Nicollin irá manter este bom time. Os clubes franceses não são fortes economicamente, vide os vários jogadores do país que se transferem para a Premier League.

Aliás, o presidente Nicollin, que está no comando do MHSC desde 1974, já teve alguns bons times em mãos, mas se desfez de quase todos. Mais recentemente, o time que tinha Tino Costa, Victor Hugo Montaño e Emir Spahic chegou a Europa League, tendo até brigado pelo título francês na temporada em que chegou ao torneio UEFA. Isso foi na temporada 2008/09! Faz pouco tempo, e hoje, esses caras que formavam a espinha dorsal do time, estão vagando por outros clubes.

Giroud começa a ganhar espaço nos Bleus

Além do mais, Giroud não vale toda a grana que Nicollin acha que vale – exageros à parte, o presidente do clube acha que ele vale muito dinheiro. O #17 do Montpellier é muito bom atacante, sabe fazer o pivô, tem boa técnica e o principal, sabe marcar gols. Mas sempre fica aquela pontinha de dúvida: será que é uma temporada atípica ou ele joga isso tudo mesmo?

Esquecendo toda a grana envolvida, todas as negociações, os termos, os contratos, enfim, deixando de lado tudo que envolva cifras e condições, será que vale à pena Giroud ir para o Bayern? É quase certo que chegará como reserva de Mário Gomez. O francês irá mesmo para substituir o reserva Olic, que deve deixar o clube bávaro. Pro time alemão é ótimo! O Bayern tem ótimos jogadores, mas não tem um elenco grande e sólido. Com a vinda de Giroud, o cacife ofensivo fica maior. Mas pro atacante, seria uma experiência nova: de grande nome do Montpellier, para reserva nos bávaros, porém, com uma possibilidade de crescimento na carreira maior do que no clube francês. É uma faca de dois gumes!

Vamos aguardar os próximos capítulos!

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