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Lisandro López precisa se reinventar

9 de maio de 2013
Lisandro faz temporada abaixo do esperado (Foto: Fred Tanneau/AFP-Getty Images)

Lisandro faz temporada abaixo do esperado
(Foto: Fred Tanneau/AFP-Getty Images)

O atacante do Lyon, Lisandro López, dispensa grandes apresentações e é, reconhecidamente, um jogador de muita qualidade. Mas, apesar de seus 10 gols marcados no Campeonato Francês, a impressão que o argentino passa nessa reta final de temporada é que necessita se reinventar na carreira.

O esquema tático que o técnico Rémi Garde adota é o 4-2-3-1 – variando para o 4-1-4-1 – e Lisandro é encaixado como um meia-atacante de lado de campo. O motivo disso é a insistência de Garde em tentar manter o argentino com Bafetimbi Gomis, artilheiro do elenco, no time titular. Como o Predador não é tão versátil sobra para Lisandro a dura tarefa de cumprir uma função que não exerce com maestria.

Porém, o desempenho do argentino como jogador de lado de campo tem sido muito ruim e a justificativa é lógica: ele não sabe desempenhar tal função no sistema tático do Lyon. Garde, vendo que essa maneira de jogar estava refletindo no restante da equipe, parou com a teimosia e começou a revezar Gomis com Lisandro na função de centroavante.

No último fim de semana, por exemplo, o argentino iniciou como titular na partida contra o Nancy, mas após pouco tocar na bola na etapa inicial, foi trocado por Gomis e o francês foi decisivo ao marcar dois dos três gols do Lyon.

Mal comparando, suas características táticas lembram as de Kléber “Gladiador”, atacante que defendeu o Dynamo de Kiev na Ucrânia e hoje veste a camisa do Grêmio. Não enxergo nos dois atletas aquele típico centroavante de área, trombador e empurrador de bola para as redes – como é ‘Bafé’ Gomis – assim como não os vejo cumprindo funções de lado de campo. Basicamente, Kléber e Lisandro são segundo-atacantes, são auxiliares do centroavante, não jogam dentro da área, mas não se afastam dela. Logo, o esquema ideal para ambos seria o 4-4-2 ou o 4-3-1-2 que os possibilitaria uma movimentação mais ampla e sem deixar a grande área vazia.

No caso de Lisandro, onde Rémi Garde não parece querer abrir mão do 4-2-3-1, o ideal seria se encaixar como o homem centralizado da linha de três que se posiciona atrás do centroavante. Porém, Clément Grenier vem despontando como um dos grandes jogadores do Lyon para as próximas temporadas. Desbanca-lo é uma missão árdua, pra não dizer impossível de ser concretizada.

A reinvenção de Lisandro pode passar por uma transferência. A Juventus já demonstrou interesse em seu futebol na metade da atual temporada, mas será que a Vecchia Senhora permanece com essa disposição em contratá-lo? Acredito que não.

O argentino ainda tem lenha para queimar no próprio Lyon, mas essa permanência só será efetivada – entenda-se jogando bem mesmo – se ele colocar a mão na própria consciência e notar o que está fazendo de errado e onde pode evoluir. A função que cumpre dentro de campo é muito específica e poucos times podem fazer com ela faça valer, mas Lisandro não é nenhum craque que possa obrigar técnicos e dirigentes a abrir mão de suas convicções para trazê-lo e montar um novo time.

Caso queira mesmo permanecer no Lyon, clube onde tem uma torcida que o adora, Lisandro López precisa sair da mesmice, trocar experiências até mesmo com os jovens jogadores do elenco e tentar se fixar no time titular da melhor maneira possível, onde não só contribua para o conjunto, mas cresça individualmente também. Essa deve ser a busca do argentino para se reinventar no Lyon.

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Um jogo com a cara do campeonato

13 de dezembro de 2012

Todo fim de semana estou de olho no Campeonato Francês e admito que o futebol do país não tem uma cara definida para mim. Afinal, como descrever o estilo de jogo de uma nação que possui um campeonato com dez campeões diferentes em vinte temporadas seguidas e que ainda contou com um time heptacampeão neste período? O “Francesão” é um torneio, de certa forma, imprevisível.

É justamente essa a cara que o principal jogo de dezembro na França nos transmite. Paris Saint-Germain e Olympique Lyonnais conseguiram, em um curto espaço de tempo, passar por momentos completamente opostos, o que torna o desafio do próximo domingo uma tarefa inglória de se prever o resultado.

O PSG passava por grave crise há duas semanas, com Carlo Ancelotti e Leonardo tendo seus cargos ameaçados. O italiano falou que faria “mudanças radicais” e de lá pra cá, foram três jogos, um novo esquema tático e 100% de aproveitamento. Enquanto o Lyon, que há pouco tempo era massacrado pelo Toulouse de Ben Yedder, conseguiu se recuperar e disparar na liderança. Porém, com o inesperado empate diante do vice-lanterna Nancy, a história mudou de figura e um tropeço contra a equipe da capital pode resultar em perda da liderança.

Ibra é o artilheiro isolado da Ligue 1

Ibra é o artilheiro isolado da Ligue 1

Para o confronto do domingo, o grande trunfo parisiense é Zlatan Ibrahimović. O sueco está impossível e já balançou as redes em 17 oportunidades. O que serve de alento para a torcida do PSG é que, o que era “Ibradependência” semanas atrás, começa a se tornar conjunto. Ancelotti adotou o 4-4-2 no melhor estilo britânico, com duas linhas de quatro e dois homens na frente, sendo um mais móvel. Essa formatação tática tem dado certo principalmente pela participação mais efetiva de Javier Pastore, Jérémy Ménez e Ezequiel Lavezzi.

El Flaco Pastore, caracterizado como um meia mais cerebral e de posicionamento fixado no centro, passou a jogar na beirada do campo e acordou pra vida. O argentino tem mostrado um futebol ainda não visto em terras francesas, com passes mais vistosos, ágeis e inteligentes. A imprensa francesa notou isso e tem elogiado demais o garoto.

Já Lavezzi e Ménez têm ganhado mais notoriedade pela movimentação. Ambos não se fixam em suas posições e flutuam bastante entre a beirada do campo e a grande área, não só confundindo as marcações adversárias, como auxiliando Ibrahimović. A citada dupla teve parcela considerável nas recentes vitórias.

Lá atrás, nem é preciso comentar muito. Thiago Silva tem sido o maestro e um dos poucos alheios as oscilações que o time tem enfrentado. Ao seu lado, vinha ganhando entrosamento com Alex, mas com a lesão do compatriota no duelo diante do Valenciennes, fica a dúvida do rendimento de Mamadou Sakho, que caiu demais do princípio de temporada pra cá. Nas laterais, Maxwell se fixou como um dos melhores da posição, deixando até a pergunta no ar: por que o PSG corre tanto atrás de outros laterais esquerdos?

Mas não custa reforçar: essa é a impressão do PSG dos últimos três jogos, porque anteriormente víamos muita dependência de Ibrahimović, enorme lentidão e pouca organização. Além disso, os jornais franceses destacavam toda hora algumas “guerras de egos” – supracitada em nosso podcast semanal – que podem resultar em transferências na janela de inverno.

Já o Lyon pode sim ser considerado uma das surpresas do campeonato. Tradição à parte, o clube presidido por Jean-Michel Aulas se enfraqueceu demais nos últimos anos e não conseguiu repor seus principais jogadores com o nível desejado. Estar na liderança com uma equipe formada por muitos pratas da casa é uma surpresa.

Malbranque e Gomis são os grandes nomes do Lyon na temporada

Malbranque e Gomis são os grandes nomes do Lyon na temporada

A cada rodada que passa, os nomes de Maxime Gonalons, Clément Grenier e Alexandre Lacezette se tornam mais conhecidos França afora, todos são crias do Lyon. Até mesmo o veterano Steed Malbranque – que ficou um ano parado -, outro formado no clube, soltou suas manguinhas e é um dos melhores jogadores do campeonato, sendo cogitado até para a seleção francesa. Além destes, Samuel Umtiti, Rachid Ghezzal e Yassine Benzia passam a ganhar espaço com Rémi Garde.

No ataque, a dependência de Lisandro Lopez não é mais tão explícita. O argentino passou algum tempo machucado e a estrela de Bafetimbi Gomis brilhou nesse período. O Predador tem 10 gols no Campeonato Francês – o dobro de tentos que Lisandro anotou -, sendo cinco entre novembro e dezembro.

Protegendo a meta, Remy Vercoutre fez valer toda a confiança imposta por Aulas e tem substituído Lloris a altura. Quem não tem valorizado a força dada pelo presidente é Yoann Gourcuff. O meia até tenta jogar, quando entra em campo colabora bastante, mas seu físico é muito frágil, tanto que só fez oito partidas na Ligue 1, conseguindo completar os 90 minutos apenas duas vezes – o máximo de minutos que jogou até ser substituído foi 74.

Aliás, as lesões tem sido a grande barreira do caminho de Rémi Garde. Além de Gourcuff, nomes úteis como Jimmy Briand e o já citado Clément Grenier também estão no departamento médico. Além disso, Lisandro e Lovren retornam aos poucos de contusão e talvez não atuem por muito tempo.

Esses problemas do Lyon tornam o duelo, de certa forma, mais interessante. Claro que seria melhor assistirmos dois times com forças máximas, mas o contraste das equipes no Parque dos Príncipes será um tanto quanto curioso: de um lado, o Paris Saint-Germain, clube milionário e que busca os jogadores mais caros do mundo a qualquer preço; do outro lado, o Lyon, clube multicampeão na última década, mas que enfraquecido, se vê na obrigação de colher o que plantou em sua horta. Esse é o jogo que deve traçar o futuro das equipes nas próximas semanas, mas o “Francesão” é tão imprevisível que este duelo pode não decidir nada.

*Imagens: Getty Images

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Laços diplomáticos

16 de novembro de 2012

Após conflitos no passado, sérvios e croatas buscam o entendimento no Lyon

A Iugoslávia apresentou ao mundo histórias de muitas lutas e intensas contradições. Territórios como a Eslovênia e a Croácia desejavam, de qualquer modo, conquistar suas independências, enquanto a Sérvia, coordenada por Slobodan Milošević, buscava uma Iugoslávia centralizada e nacionalista. A grande consequência disso tudo foram as várias guerras ocorridas no princípio dos anos 90.

Uma dessas guerras envolveu a independência da Croácia, que aconteceu em 1991, mesmo contra a vontade dos sérvios. Essa conquista do povo croata foi o fósforo acesso em um barril de pólvora que era a Iugoslávia. Os sérvios decidiram fundar a República Sérvia de Krajina – cidade croata – e foi dado o início a guerra.

A Sérvia, contando com o apoio das forças militares iugoslavas, conseguiu tomar boa parte do território da Croácia e forçou a população local a se refugiar em outras áreas. Pesquisas da época mostravam que a população sérvia, em terras croatas, era maior do que os próprios croatas. Reflexos da guerra.

Em 1992, a Croácia adotou novas estratégias de guerra e conseguiu se recuperar no combate. Com a derrota iminente, os sérvios se viram obrigados a aceitar o cessar fogo e passaram a conviver com a nova nação desmembrada da Iugoslávia, a Croácia.

A guerra foi há pouco tempo, mas o sentimento ainda vive nos povos dos respectivos países. Existem croatas que não falam com sérvios e vice-versa. Até mesmo politicamente esse contato entre as nações ainda é pequeno. Com a deposição de Milošević na última década, a aproximação entre croatas e sérvios começou a acontecer, mas sempre existe aquele receio.

Em uma terra mais distante, iniciou-se nos últimos meses uma tentativa de conciliação entre os países via futebol. O Olympique Lyonnais, que já tinha em seu elenco o croata Dejan Lovren, tirou do Paris Saint-Germain, o sérvio Milan Biševac. Com o desprestígio de Cris – na época, reserva e criticado publicamente pelo presidente Jean-Michel Aulas -, a tendência era que o técnico Rémi Garde escalasse a dupla como titular na defesa.

Estatisticamente, não dá para analisarmos de forma definitiva o resultado dessa aposta, afinal de contas, Lovren e Biševac só participaram de sete partidas – cinco pelo Campeonato Francês e uma de cada pela Copa da Liga e Liga Europa – juntos. Mesmo com o número escasso de atuações, a quantidade de gols sofridos preocupa: nove. Além disso, o Lyon conquistou somente três vitórias com os dois juntos. Só para tomar de exemplo, a dupla formada por Bakary Koné e Biševac venceu três dos cinco jogos que fizeram juntos, mas sofreram gols em todos os jogos.

O Lyon, com Koné e Lovren juntos, venceu todas as partidas, mas foram apenas três nesta temporada. Em contrapartida, esses dois têm mais longevidade no atual elenco. No último ano, os dois participaram de 11 partidas, com seis vitórias, dois empates e três derrotas. Porém, o time sofreu 12 gols.

Mas Garde deve continuar insistindo com a promissora dupla Lovren e Biševac. O croata é jovem e dotado de enorme potencial, já o sérvio carrega anos de experiência na Ligue 1 e polivalência na defesa. O único empecilho parece ser a condição física de Lovren, que sempre o atrapalhou na França. Biševac, que costumava receber muitos cartões amarelos, conseguiu controlar essa sina nas últimas temporadas.

Esse sucesso depende apenas do entrosamento dos dois dentro de campo. Lovren e Biševac são jogadores bem entendidos fora das quatro linhas e não carregam sentimentos nacionalistas para o Stade Gerland. Pelo que é noticiado na França, os dois jogadores se dão bem e são até amigos. Já é uma amostra que sérvios e croatas podem formar laços para o futuro, mostrando que sentimentos como xenofobia, nacionalismo exacerbado e ignorância são antiquados e que o futebol pode superar tudo isso.

*Crédito da imagem: OLWeb.fr

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