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Atitudes de uma grande torcida

7 de fevereiro de 2012 Deixe um comentário

Títulos são importantes. Mostram como o clube é forte e capaz de mostrar sua grandeza para os adversários. Mas tão importante – ou até mais importante – do que os títulos, é a sua torcida. Um clube não sobrevive com respeito sem sua torcida.

Empresários podem manter clubes, mas torcidas mantém glória, história, tradição e força!

A torcida do Schalke talvez seja um desses exemplos. Há mais de 50 anos os Azuis Reais não erguem a Salva de Prata e tem de se contentar com algumas copas nacionais e nos anos 90, a Copa UEFA, mais recentemente, uma semifinal de Champions League. Mesmo assim, o amor pelo clube não acaba, não à toa, vemos idosos e crianças na Veltins Arena, vestidos com a camisa do Schalke a cada jogo do time.

Falando na Veltins Arena, estádio moderno do clube azul real, você sabe quem idealizou este projeto? Não? Foi Rudi Assauer, então manager do Schalke. Foi uma ideia engenhosa: construir o primeira estádio da Alemanha de uso total de dinheiro privado, nada de dinheio público. E isso foi feito! 191 milhões de euros privados, tudo por conta do Schalke.

Rudi Assauer teve esta ideia quando esteve em sua segunda passagem como diretor do clube de Gelsenkirchen. Em 1981, Assauer, que já tinha tido uma passagem pelo Bremen, chegara ao Schalke não só como dirigente, mas também como treinador. Isso foi só em 81, já que de lá até 86, ele foi diretor esportivo e depois, demitido. Em 93, ele retornou para o clube e teria uma grande passagem, sendo um dos líderes dos grupos que ergueram duas copas alemãs e uma Copa Uefa.

Assauer foi o grande supervisor da construção da Veltins Arena, porém, o clube gastou muito dinheiro e acabou passando por uma pequena crise financeira. Em 2006, o Stumpen-Rudi (Rudi Charuto, não preciso explicar, né?) foi denunciado por ter informações secretas da crise financeira do Schalke e Rudi deixava o clube.

No final de janeiro deste ano, o diário alemão Bild publicou uma notícia dizendo que Assauer estava com Alzheimer. A torcida do Schalke decidiu homenagear o homem que ajudou a escrever um pedaço considerável da história do clube.

No duelo contra o Mainz, no último sábado, muitos cartazes desejando boa sorte a Rudi Assauer. Mas uma bandeira me chamou a atenção: era a imagem do ex-dirigente carregando o troféu da Copa UEFA nas costas, com o tradicional charuto na boca. A foto é histórica, mas a bandeira é marcante.

Confira abaixo a homenagem!

 

Aposta de risco… Dúvida cruel

25 de outubro de 2011 Deixe um comentário

Fahrmann sentindo dores após cometer o pênalti em Kouemaha (Firo)

A duas semanas atrás, o Schalke 04 era duramente derrotado em casa por 2×1 para o Kaiserslautern. O placar foi magro, mas o futebol apresentado pelos visitantes durante os 90 minutos (principalmente nos primeiros 45) sugeriram inclusive um placar mais elástico e vexatório para os mandantes.

Mas na primeira etapa veio o golpe fatal: após rápida arrancada, o atacante Schechter deixou Kouemaha de frente para o goleiro Fährmann. Após ser fintado pelo atacante adversário, o arqueiro azul real não teve outra escolha a não ser cometer o pênalti. Fährmann acabou sendo expulso e Tiffert converteu o penal. Mas enganou-se quem pensou que jogar o resto da partida com um homem à menos e com 1×0 contra era o pior dos prejuízos pro Schalke. Na dividida com Kouemaha, Fährmann acabou contundindo o joelho e só deverá voltar aos gramados em 2012.

Um golpe forte no Schalke, que teve durante um bom tempo Manuel Neuer defendendo sua meta e raramente perdendo uma oportunidade de estar em campo. Fährmann ainda não se iguala a Manu técnicamente, mas pelo menos não vinha deixando os torcedores azuis reais com saudades do ex-arqueiro. Suas atuações seguras garantiam isso.

Coube a Huub Stevens e sua diretoria agirem. Estava meio na cara que não seria feita uma aposta em um dos goleiros do elenco. Mathias Schöber é experiente e tudo mais, mas só teve sequencia de jogos em seus tempos de Hansa Rostock, e isso foi de 2001 até 2007. De 2007 até agora, Schöber fez apenas 4 jogos pelo Schalke. Será que valia à pena apostar num goleiro veterano sem ritmo algum? Creio eu que não.

Unnerstall estreou na Bundesliga na derrota pro Kaiserslautern (DPA)

E Lars Unnerstall? Parece ser uma aposta válida, porém, arriscada. Válida porque é um goleiro jovem e caso venha mostrar serviço, pode até vir a ser o futuro titular. Arriscada porque só tem 21 anos e antes de substituir Fahrmann no jogo contra o Kaiserslautern, nunca havia jogado uma partida oficial pelo Schalke, a não ser pelo time B.

Mas seguindo à risca do que todos os clubes fazem, o Schalke foi atrás de um outro goleiro e decidiu fazer uma aposta um tanto quanto arriscada: Timo Hildebrand.

Aos 32 anos, o ex-goleiro do Stuttgart está a quase um ano sem jogar desde que deixou o Sporting Lisboa e pode-se dizer que chega nas mesmas condições de Schöber: goleiro experiente mas a um bom tempo sem jogar.

A grande diferença de um para o outro é que técnicamente, Hildebrand é muito bom, não à toa ele têm o recorde de maior tempo sem sofrer gols na Bundesliga, 884 minutos, superando Oliver Kahn (nesta temporada, Neuer quase bateu seu recorde, tendo ficado 770 minutos).

Em seus tempos de Stuttgart, Hildebrand era considerado um dos melhores goleiros do mundo e disputava pau-à-pau com Oliver Kahn e Jens Lehmann a titularidade no gol da seleção alemã.

Hildebrand tinha uma carreira pronta pra decolar: recordes, títulos nacionais (foi capitão do Stuttgart campeão alemão de 06/07), passagens por seleções de base da Alemanha e disputa igualitária pela titularidade da seleção principal com feras do naipe de Kahn e Lehmann. Mas a sua carreira só ficou pronta pra decolar mesmo, pois houve falha na decolagem. Desde que deixou o Stuttgart, Hildebrand nunca mais foi o mesmo.

No Valencia, em 2007, não tinha a confiança dos treinadores e até quando ia bem, voltava ao banco de reservas. Em 2009, no Hoffenheim, reencontrou Ralf Rangnick, técnico que o lançou como profissional, mas as sucessivas lesões fizeram com que deixasse os azuis e brancos. No ano seguinte, Hildebrand se aventurou em Portugal, mas acabou fazendo apenas duas partidas oficiais pelo Sporting e ainda arranjou problemas com a torcida do time lisboeta. Não renovou seu contrato e foi embora.

Hildebrand e sua conhecida cabeleira loira nos treinos do Schalke (Getty Images)

O problema pro Schalke acaba se tornando mais sério, já que a última partida de Timo Hildebrand foi no dia 4 de novembro de 2010, quase um ano! Ao que tudo indica, o goleiro titular diante do Karlsruhe pela Copa da Alemanha será Unnerstall e se isso acontecer também no próximo fim de semana na Bundesliga, Hildebrand chegará a inacreditável marca de um ano sem jogar. E não foi culpa das lesões, foi do seu próprio declínio.

É por isso que classifico a aposta do Schalke como “aposta de risco”. Será que vale a pena apostar num goleiro decadente e que está quase um ano sem jogar? Eu não faria isso…

E pra colocar uma “dúvida cruel” na cabeça de Huub Stevens, o substituto imediato de Farhmann, Lars Unnerstall entrou bem e fez partidas convincentes. Aparentemente não sentiu o peso da camisa, dos jogos e nem da temida inexperiência. Tá certo, nos jogos que esteve em campo, Unnerstall não foi tão exigido. Apenas no jogo contra Kaiserslautern, onde os perigosos contra-ataques armados por Kouemaha, Schechter e Tiffert sempre incomodavam. Mas contra o AEK Larnaca e contra o Bayer Leverkusen, Unnerstall pouco trabalhou.

Mas se vale a aposta em Hildebrand, por que não perguntar o mesmo pra Unnerstall, por que não vale a aposta no jovem goleiro?

A comissão técnica do Schalke pode alegar a juventude do arqueiro, mas Leno, ter Stegen e Zieler são tão jovens quanto e são destaques da atual temporada da Bundesliga.

Se a questão for técnica, aí é outra história… O máximo que conheço de Unnerstall está reservado nos últimos três jogos do Schalke e em contra-partida, a comissão técnica o conhece bem melhor.

Mas agora levantando outra hipótese, tirando Hildebrand, Schöber e Unnerstall do contexto: em quem o Schalke deveria apostar como goleiro?

Sippel é respeitado pela torcida do Kaiserslautern (Reuters)

Eu defendo a ideia de que os Azuis Reais poderiam ir atrás de Tobias Sippel, goleiro reserva do Kaiserslautern. Desde que foi lançado no Lautern, Sippel tem mostrado enorme potencial, não à toa sempre está presente nas seleções de base da Alemanha. O seu problema está no condicionamento físico. Sippel sofre constantemente com as lesões. A última contusão lhe fez perder a posição de titular para Kevin Trapp, que devido as grandes atuações no final da última temporada, fez por merecer a titularidade.

Eu já disse que não apostaria em Hildebrand, devido a longa inatividade e o grave declínio na carreira, mas claro que existem os argumentos contrários e favoráveis a sua contratação, como a esperança de que ele possa voltar a agarrar como agarrava no Stuttgart. E Hildebrand pode sim fazer isso. Técnicamente, como já disse, ele é muito bom, mas sigo achando que não vale à pena arriscar desse jeito.

Mas agora a aposta já foi feita. Como disse acima, eu não apostaria em Hildebrand. Se a primeira impressão de Unnerstall for relativa com a realidade, apostaria no novato. Mas apostaria mesmo em Sippel. Achei uma aposta extremamente arriscada que o Schalke fez em Hildebrand, vide a desarrumação e momento de reconstrução que o time vive e creio eu que essa reconstrução não pode ser feita com um goleiro que está praticamente um ano sem jogar.

Hildebrand, Schöber ou Unnerstall? Huub Stevens terá de escolher (Reprodução: Bild.de)

‘Rangnickzação’ evoluída

30 de setembro de 2011 Deixe um comentário

O Schalke 04 “se livrou” de Ralf Rangnick. “Se livrou” está entre aspas, porque o termo mais adequado fosse a “amarelada” de Rangnick, que não aguentou a pressão e se mandou.

Isso fez bem ao Schalke. O ex-técnico do Hoffenheim cometeu vários equívocos durante sua época nos Azuis Reais, como insistir com Holtby de segundo volante, colocar Matip de zagueiro e afastar Raúl da área.

Porém, essa saída foi benígna até a página 2.

Huub Stevens retorna ao Schalke para recolocá-los nos trilhos (DPA)

Huub Stevens voltou ao Schalke, mas como diria Tite, “manteve a Rangnickzação” do time.

Stevens re-estreou nesta quinta-feira pelos Azuis Reais em um duelo pela Liga Europa, contra o Maccabi Haifa, mas escalou o time quase do mesmo jeito que era escalado por Rangnick. Raúl ainda era o meia central da linha de três meias do 4-2-3-1, enquanto o meia ofensivo, Lewis Holtby seguia como um segundo volante. O ponto positivo dos 11 iniciais de Stevens comparados a Rangnick é que Matip deixou a zaga e virou primeiro volante, enquanto o questionável Papadopoulos foi para a reserva.

Mesmo que na escalação o time era basicamente o mesmo, a postura era diferente.

Höger e Fuchs tinham liberdade para avançar como bem entendessem, não à toa, o austríaco anotou o primeiro gol do Schalke.

Só que essa foi a única evolução que notei, já que defensivamente, o Schalke não foi bem e esteve vacilante durante boa parte da peleja. Faltava entrosamento – Holtby e Matip era a nova dupla de volante, enquanto Höwedes e Metzelder voltavam a jogar juntos – e faltava atenção. Alguns dos erros cometidos pela defesa alemã não poderiam ser simplesmente atribuídos a falta de rodagem das duas duplas. Eram erros técnicos e de falta de atenção dos jogadores.

Aliás, voltando a falar dos laterais mais soltos, isso tinha um ponto positivo, que era ter mais alternativas e elementos surpresa no ataque, mas tinha um ponto negativo, que era a prisão dos dois volantes para a cobertura. Ter Holtby preso pra marcar sem poder encostar no ataque é um grande desperdício. O rapaz já não está adaptado ao novo posicionamento e agora querem que ele fique preso marcando sem que possa demonstrar sua técnica avançando ao ataque? É demais pra minha cabeça!

Outro detalhe: Raúl pode até ser um segundo atacante, mas ser o meia-central da linha de três não está dando certo. No jogo contra o Maccabi, o espanhol esteve nulo em campo. Não armou pros companheiros, não criou pra si, não fez nada. Isso é ruim também para os ponteiros Farfán e Draxler, que não tem um meia para acioná-los.

Talvez a mudança do esquema seja a melhor alternativa, pois Raúl não pode ficar tão longe da área e Huntelaar é o centro-avante do time e não pode ficar de fora.

Holtby ficou preso na marcação

Só que diferente de Rangnick, Huub Stevens mexeu muito bem no duelo contra o Maccabi Haifa. Ele tirou o perdido Matip e o preso Holtby para colocar Papadopoulos e Jurado. O grego ficaria mais na marcação, dando liberdade para o espanhol. E mais: Jurado ao menos tem alguma rodagem como segundo volante. Tá certo que faz uma partida boa em dez disputadas, mas essa experiência na posição de segundo volante já o coloca alguns degraus acima de Holtby.

Jurado entrou muito bem contra o Maccabi Haifa. Se movimentou no campo de ataque, avançou, criou alternativas e fez o que Schweinsteiger faz no Bayern: divide a armação com o meia-central. No caso do Schalke, Jurado fez tudo sozinho, porque Raúl era peça nula.

A vitória por 3×1 foi justa pro Schalke, que manteve seu bom volume de jogo e mesmo vacilando na defesa, acabou sendo a equipe mais eficiente e tendo a sorte de enfrentar um adversário fraco, que teve as chances, mas por deficiência técnica, acabou perdendo o jogo.

Mas é início de trabalho para Huub Stevens. Ele ainda tem tempo para perceber os defeitos supracitados e arrumar o time. O Schalke não tem um elenco maravilhoso, mas pode incomodar lá em cima na Bundesliga e quiçá na Liga Europa. Andou faltando um técnico que tivesse o time nas mãos. Se Stevens conseguir isso, será um grande passo para buscar um algo mais com o Schalke.

Huub Stevens começa bem, mas precisa rever os 11 iniciais

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