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Batalha III: Deu pena de Wolfgang Stark

27 de abril de 2011

Tamú junto, Wolfgang (AFP)

É difícil eu ter pena de alguém. Principalmente de árbitro. Não que eu ache que eles não mereçam isso, é por um motivo bem simples, porém idiota. É difícil eu gravar nome dos homens do apito.

Mas como não canso de dizer, sou fã da Bundesliga e acabo gravando mais nomes de árbitros, como o de Wolfgang Stark.

Com 42 anos, o árbitro da Baviera apita há treze anos na Bundesliga. Ele apitou 18 jogos na atual temporada, deu 5 cartões vermelhos diretos, 2 por duplo cartão amarelo e ainda distribuiu 48 cartões amarelos. Sua média no site da revista Kicker é de 3,19, nada mau, até porque a média do site é feita de modo decrescente.

Mas hoje ele teve o talvez maior desafio de sua carreira: apitar um Real Madrid x Barcelona, na semifinal da Champions League, terceiro jogo da série de quatro que estão sendo realizados este mês. Jogo cercado de farpas disparadas por todos os lados e Stark teria de controlar essa partida.

Mas após o término da partida de hoje, só se falou em Wolfgang Stark pra cá e pra lá. O jogo foi deixado de lado e o chororo veio a tona. O Real, se sentindo prejudicado, reclamou demais e até apelou para o famoso papo de torcedor – como aquele “contra dez é fácil” ou “eles sempre são ajudados”. O Barcelona, em vantagem no placar, preferiu ficar calado.

Perdido, Stark deixou isso acontecer (DPAD)

Mas o fato é que a arbitragem de Wolfgang Stark agradou poucos. Para mim, não foi horrorosa como muitos falaram. Disciplinarmente, ele manteve o mesmo ritmo dos jogos em que apita na Bundesliga – como a maioria dos árbitros alemães apitam -: Não marcam qualquer falta, não ficam distribuindo cartões à vera e o principal, porém, que lhe atrapalhou nessa partida, levam alguns lances no papo. Os árbitros alemães tem o costume de fazer aquele joguinho de “a primeira vai, a segunda é cartão”. Stark tentou levar o jogo assim, mas acabou deixando os jogadores na obrigação de pensar que podiam bater.

Na confusa e tensa etapa inicial, Stark se perdeu. Não soube conduzir o jogo no papo, estava inseguro, não confiava no que marcava e deixou o jogo duro estrapolar os limites. A impressão que os últimos 15 minutos do primeiro tempo deixaram é que o pau ia comer a qualquer momento. Após algumas rodinhas de confusão, Wolfgang Stark apitou pela última vez na primeira etapa. Alívio? Nada disso. Ainda deu tempo de uma confusão na saída pros vestiários e Pinto, goleiro reserva do Barcelona, acabou sendo expulso.

Disputa light!

Na etapa final, mais polêmica. Quando o Real Madrid estava melhor em campo, Pepe cometeu a burrice de dar uma solada criminosa em Dani Alves e foi corretamente expulso. Aliás, até agora não entendi como há gente que diz que é lance pra amarelo. Tá certo que devemos respeitar as opiniões contrárias, mas todos esses que disseram que foi exagero do árbitro, não apresentaram um argumento do porque de ser exagero. É medo de ser chamado de torcedor do Barcelona? É medo de disserem que tu pega no pé do lenhador Pepe? Solada com pé alto é lance de expulsão. Wolfgang Stark foi perfeito no lance!

Há quem diga que Stark só expulsou Pepe após pressão de todos do Barcelona. Ora, após a falta, o luso-brasileiro foi se esconder, enquanto jogadores dos dois times cercaram o árbitro alemão. Esse foi o motivo da “demora” da expulsão. Como se os árbitros não demorassem alguns segundos para expulsar jogadores…

Logo em seguida, Stark expulsou José Mourinho. Vi gente também dizendo que foi “injusta”. Mas calma lá! Alguém além do 4º árbitro ouviu o que o português disse? Não dá pra dizer que foi injusta…assim como não dá pra dizer que foi justa.

A impressão que muitos tinham era que após perder Pepe, o objetivo do Real Madrid não era fazer um gol ou então se resguardar, mas sim forçar uma expulsão no lado catalão. Durante algum tempo, foi essa a impressão que ficou, mas Wolfgang Stark não é um árbitro fraco como muitos passaram a dizer à partir de hoje. Teve pulso firme, não caiu durante algumas pressões contrárias e manteve-se firme durante o restante da peleja.

Após o jogo, tiroteio. Calma, não houveram tiros de verdade e sim tiros de palavras. Principalmente do lado do expulso Mourinho. Veja abaixo algumas pérolas do português:

Sim. Iremos pro Camp Nou com todo o orgulho, todo o respeito por nosso mundo, que é o futebol. Algumas vezes me dá um pouco de asco viver nesse mundo e ganhar minha vida nesse mundo, mas é nosso mundo. Vamos com todo orgulho, sem Pepe, que não fez nada, sem Sergio Ramos que não fez nada, sem o técnico no banco e com um resultado que é difícil virar

Se digo ao juiz e à Uefa o que penso e o que sinto, minha carreira acaba hoje. Como não posso dizer, só tem uma pergunta que um dia espero ter a resposta: por quê? Por quê? Estamos falando de uma equipe fantástica, digo isso várias vezes. Mas por que o Chelsea não pôde ir à final há três anos? Por que no ano passado a Inter teve que fazer um milagre? Por que este ano acabar com a eliminatória logo no primeiro jogo? Não sei se é a publicidade da Unicef, se são muitos simpáticos… Não sei, não entendo. É um time fantástico, mas tem muito poder. Os outros não têm possibilidade. O futebol é para se jogar de igual para igual, com regras para todos. Depois, ganha o melhor.
Ganhei duas Champions, as duas no campo. Com dois times que não eram o Barcelona. Josep Guardiola é um técnico fantástico, mas ganhou só uma Champions. E me daria vergonha ter vencido daquele jeito, com o escândalo do Stamford Bridge. Se ganhar a segunda agora, terá o escândalo do Santiago Bernabéu.

Mourinho foi expulso (Getty Images)

Chorou bonito o tal do Mourinho. Escondeu o fato de seu time não ter jogado absolutamente nada, de não ter tido nem 30% de posse de bola e de simplesmente esquecer de jogar, pois só marcou e não sabia o que fazer quando tinha a bola, além de jogar toda a responsabilidade de uma derrota em cima de Wolfgang Stark, esquecendo da estupidez que Pepe cometeu. Uma pena o melhor técnico do mundo ser tão chorão e não saber reconhecer a superioridade do time adversário e jogar a torcida – e a imprensa também – contra o árbitro.

Mas enfim, sobre o tema central, repito: Wolfgang Stark não foi tal mal quanto Mourinho e os madridistas estão querendo fazer parecer. Ele só se perdeu na primeira etapa, mas expulsou Pepe corretamente, distribuiu a maioria dos cartões corretamente. Mas como disse, o grande erro dele foi se perder no início e tentar levar o jogo na fala. Mas diferentemente dos jogadores, o árbitro fica marcado pelas más arbitragens. É difícil tu falar que “o fulano conduziu bem a partida” ou “que o fulano distribuiu bem os cartões”, mas é muito fácil ouvir falar que “o fulano deixou de marcar pênaltis” ou “que ele esqueceu os cartões no vestiário”.

O escândalo

Messi colocando o Barça com os pés na final (AFP)

José Mourinho falou tanto no “escândalo” que foi – pelo menos pra ele – a arbitragem de Wolfgang Stark, que entendo eu que ele se confundiu. O escândalo foi o que Messi fez.

Não foi uma atuação magistral, de encher os olhos, mas o pouco que Lionel Messi fez, destruiu o jogo.

No primeiro gol, ele estava marcado, escapou da marcação e teve velocidade pra se antecipar ao zagueiro e mandar para as redes. Destaque também para Afellay. Entrou no lugar de Pedro e fez o que o garoto das canteras não conseguiu: passar por Marcelo. O holandês passou pelo brasileiro e cruzou pra Messi marcar. Minutos depois, o argentino passou por quatro marcadores e deu um toquinho de pé direito, na saída de Casillas. Um gol de placa!

Se a atuação de Messi hoje tivesse sido mais constante, me arriscaria dizer que igualava/superava a de Ronaldinho em 2006, quando foi aplaudido de pé pela torcida do Real Madrid.

Bom histórico

A zaga remendada não tem comprometido

Essa história de “zaga remendada” tem dado certo pro Barcelona. Na partida de hoje, a zaga catalã era formada por Dani Alves e Piqué em suas posições originais – lateral direito e zagueiro, respectivamente -, o zagueiro Puyol na lateral esquerda e ora Mascherano, ora Busquets, ambos volantes, jogando de zagueiros.

Deu no que deu, o Barça venceu o Real Madrid por 2×0.

Na final da Uefa Champions League da temporada 2008/2009, a situação também era feia. Sem Daniel Alves, Rafa Márquez e Abidal, Guardiola teve de remendar sua zaga. Piqué foi o único que manteve sua posição, mas o zagueiro Puyol foi o lateral direito, o volante Yaya Touré foi zagueiro também – e hoje é quase um atacante no Manchester City – e Sylvinho até manteve sua posição original, mas havia jogado pouco a temporada inteira e entrou na lateral esquerda mesmo assim. Resultado: o Barcelona venceu o Manchester United por 2×0.

Além de bom treinador, Pep Guardiola é um bom costureiro!

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Ai, a arbitragem…

13 de novembro de 2010

Jogadores da Juve reclamam de pênalti mal marcado (La Presse)

Quem é que diz que só no Brasil é que a arbitragem atrapalha? Engano seu. Hoje em dois dos grandes campeonatos europeus, “os homens do apito” aprontaram das suas. Na Itália, o clássico Roma x Juventus teve um pênalti polêmico, que foi marcado no grito. Na Alemanha, em um jogo que não era o de maior destaque no sábado, um árbitro aniversariante do dia fez lambanças em número excessivo.

Totti converteu o polêmico penalti (La Presse)

Começamos na Itália, onde tivemos o clássico Juventus x Roma, no Olímpico de Turim. O jogo em si foi morno. A Juventus no tradicional 4-4-2, com Storari no gol, o garoto Sorensen na lateral direita, Bonucci e Chiellini no miolo de zaga e Grosso na esquerda; os volantes eram Felipe Melo e Aquilani, com o italiano saindo mais pro jogo; Pepe estava aberto na direita e Marchisio na esquerda; Quagliarella e Iaquinta formavam a dupla de ataque. Na Roma, um 4-3-1-2, com Júlio Sérgio no gol; Cassetti na lateral direita, Mexés e Burdisso no miolo e Riise na esquerda; De Rossi, Greco e Simplício formavam um trio de meias, que marcavam e atacavam. Menéz ficava mais à frente dos três homens, enquanto Vucinic e Totti ficavam no ataque. Os gols da partida saíram na primeira etapa. A Juve abriu o placar com Iaquinta. Aquilani deu uma caneta e cruzou para Iaquinta, de meia-bicicleta mandou para as redes. Me surpreendeu a passividade da marcação da Roma, que deixou Aquilani com muito espaço. O jogo seguia morno, até que veio à cena o árbitro Nicola Rizzoli. Falta para Roma. Totti foi para a bola, que desviou na mão de Pepe, que estava de costas, sem ver nada. Rizzoli não deu nada, mas ao ver os reclames exaltados de Totti, deu pênalti. Não foi pênalti e o pior foi a marcação no grito. Totti converteu. A etapa final foi meio morna, a Roma teve mais posse de bola, foi melhor, mas a Juve criava mais, porém, sem gols. A Juventus chega a 20 pontos, está na 4ª colocação, enquanto a Roma é a 6ª colocada, com 19 pontos.

Ainda no sábado, a Fiorentina (9º) bateu o Cesena (19º) por 1×0, gol de Gilardino.

Amanhã

Data Hora Resultado Local
14/11/2010 (Dom) 09h30 Lazio x Napoli Olímpico de Roma – Roma
14/11/2010 (Dom) 12h00 Palermo x Catania Renzo Barbera – Palermo
14/11/2010 (Dom) 12h00 Sampdoria x Chievo Luigi Ferraris – Gênova
14/11/2010 (Dom) 12h00 Udinese x Lecce Stadio Comunale Friuli – Údine
14/11/2010 (Dom) 12h00 Bari x Parma Stadio San Nicola – Bari
14/11/2010 (Dom) 12h00 Bologna x Brescia Renato Dall’Ara – Bolonha
14/11/2010 (Dom) 12h00 Cagliari x Genoa Stadio Comunale Sant´Elia – Cagliari
14/11/2010 (Dom) 17h45 Internazionale x Milan San Siro – Milão

 

"Handtelaar" (Team 2 Sport Photo)

Agora falamos da Alemanha, onde a juizada fez mais besteira. Não era nem no principal jogo do dia. O grande jogo do dia era St. Pauli x Leverkusen, mas o grande erro do dia foi no duelo entre Wolfsburg x Schalke. Um gol de mão e outros lances discutíveis marcaram a atuação de Wolfgang Stark.

"A regra é clara (embora não seja)" (Sky)

Eu falaria primeiramente do jogo do Leverkusen, mas os erros do árbitro Wolfgang Stark no jogo Wolfsburg x Schalke mudaram a minha atenção. O Wolfsburg, que jogava no 4-3-1-2. Benaglio era o goleiro; Pekarik na ala direita, Kjaer e Barzagli era a dupla de zaga, Schäfer era o lateral esquerdo; Josué ficava à frente da zaga, Hasebe na direita, Dejagah na esquerda e Diego na armação. Grafite de Dzeko formavam a dupla de ataque. Já o Schalke jogava no tradicional 4-4-2. Neuer no gol; Uchida na lateral direita, Höwedes, Metzelder era a dupla de zaga, Schmitz na lateral-esquerda; Jones e Rakitic eram os volantes; Farfán estava na esquerda, Edú na direita; Raúl e Huntelaar eram os atacantes. O Wolfsburg não teve trabalho para abrir 2×0. Grafite, de cabeça fez o primeiro, Edin Dzeko, chutando com um pé e a bola batendo no outro fez o segundo. O Schalke chegou a descontar com o brasileiro Edú, até que na etapa final veio o grande erro. Após chute de fora da área, a bola sobrou para Huntelaar, que dominou com o braço e mandou para as redes do Wolfsburg. Erro grosseiro do árbitro, que determinou o empate em 2×2. Fora isso, tivemos alguns lances discutíveis, como pênaltis não marcados (?!), a (correta) expulsão de Dejagah (carrinho por trás) e Steve McLaren aplaudindo ironicamente o árbitro em sua saída, com cartolas ao seu lado. Mas como disse o comentarista da ESPN, Gerd Wenzel, McLaren não é inocente. Ele tirou Diego e Grafite durante a partida para fechar o time. O Wolfsburg é o 12º com 14 pontos, enquanto o Schalke é o 16º com 10 pontos.

- No jogo mais importante do dia na Bundesliga, o Bayer Leverkusen derrotou o St. Pauli e assumiu a vice-liderança da Bundesliga. O St. Pauli jogou no esquema da moda, 4-2-3-1. Kessler no gol; Rothenbach na direita, Zambrano e Thoranbt no miolo de zaga, e Oczipka na esquerda. Daube e Lehmann eram os volantes; Bruns na direita, Asamoah na esquerda e Takyi no centro, enquanto Ebbers era o centro-avante.  O Leverkusen estava no mesmo esquema. Adler no gol; Schwaab na direita, Friedrich e Reinartz no miolo de zaga e Kadlec na esquerda; Vidal e Rolfes eram os volantes. Sam estava na direita, Barnetta na esquerda e Renato Augusto armava o time; Helmes era o centro-avante. O Leverkusen foi muito superior, graças a incopetência dos rivais. O St. Pauli errava muitos passes e dava chance ao Leverkusen. Na etapa final veio o gol. Após jogada confusa, o brasileiro Renato Augusto estufou as redes. O Leverkusen tem os mesmos 24 pontos do Mainz, mas nos critérios de desempate, leva vantagem e está na segunda colocação. O St. Pauli é o 13º com 13 pontos. Falei ácima do Mainz, o 05 foi derrotado pelo Hannover, 1×0.

Demais Resultados

13/11/2010 (Sáb) 12h30 Kaiserslautern 3 x 3 Stuttgart Fritz Walter Stadion – Kaiserslautern
13/11/2010 (Sáb) 12h30 Colônia 0 x 4 Borussia M’gladbach RheinEnergie Stadion – Colônia
13/11/2010 (Sáb) 12h30 Werder Bremen 0 x 0 Eintracht Frankfurt Weser Stadion – Bremen

Amanhã

Data Hora Resultado Local
14/11/2010 (Dom) 12h30 Hoffenheim x Freiburg Rhein Neckar Arena – Hoffenheim
14/11/2010 (Dom) 14h30 Bayern de Munique x Nuremberg Allianz Arena – Munique

 

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