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Não discuto

17 de setembro de 2010

*Ibrahimovic tem se envolvido em várias polêmicas de um tempo para cá, por isso, faço das palavras de Leonardo Bertozzi, no blog do Trivela como as minhas também. Leia abaixo o texto completo de “Ibrahimbecil”

Zlatan Ibrahimovic nunca será um personagem banal do futebol, pelo que é capaz de fazer dentro de campo e fora dele. Desde o Ajax, quando desenvolveu uma inimizade com Van der Vaart – a ponto de cometer uma entrada violenta no colega de time durante um amistoso entre Suécia e Holanda -, até o Barcelona e sua relação difícil com Pep Guardiola, passando pela Internazionale, onde conseguia ser ao mesmo tempo amado e odiado, a ponto de fazer gestos obscenos para a própria torcida.

Desde sua chegada ao Milan, no entanto, o sueco tem extrapolado o direito de ocupar as manchetes por diferentes motivos. E não só porque perdeu um pênalti na estreia contra o Cesena e se recuperou marcando os gols da vitória por 2 a 0 sobre o Auxerre.

Primeiro foi o episódio com o colega de time Strasser durante um treinamento. Ele acerta um chute no volante de Serra Leoa, em uma “brincadeira” de gosto duvidoso, deixando o companheiro com cara de poucos amigos. Neste caso, ainda podemos minimizar e tratar Ibra apenas como um “sem noção”.

O pior veio depois do jogo pela Liga dos Campeões, quando bateu boca com ninguém menos que Arrigo Sacchi durante o debate do canal Mediaset Premium. Falar em Sacchi é falar em um dos maiores técnicos de todos os tempos e de um dos maiores teóricos sobre o futebol. O homem que construiu um Milan inesquecível, bicampeão europeu. Alguém que qualquer rossonero deveria tratar com reverência.

Ibrahimovic aproveitou um comentário descontraído de Sacchi para desabafar sobre o fato de o ex-treinador ter alertado sobre os riscos que corria o Barcelona na época de sua contratação. E, então, extrapolou. Veja o vídeo.

Alguns momentos da discussão: o apresentador Alessio Conti, em conexão com San Siro, disse ao atacante: “Sacchi, brincando, disse que se você não tivesse o pé tamanho 47 não chegaria na bola do primeiro gol”. Ele rebateu: “É possível, mas Sacchi também parece ter inveja do que estou fazendo. Está falando demais, deveria falar menos nas TVs e nos jornais”. E nem o fato de explicarem que naquele momento ele estava sendo elogiado o convenceu: “Se quer alguma coisa, tem de vir falar comigo. (Sacchi) Também falou de mim no Barcelona, não apenas agora”.

Sacchi, incrédulo, respondeu: “Creio que posso expressar com correção e educação o que penso sem ofender as pessoas”. E Ibrahimovic insistiu: “Se você quer alguma coisa, venha falar comigo, não vá somente à TV”. “Eu não quero nada”, disse Sacchi. “E por que você fala demais?”, insistiu o sueco. “Digo o que penso”, retrucou Sacchi.

“Quando alguém fala demais, fala demais, e você é um desses”, atacou Ibra. “Você é negativo desde os tempos do Barcelona, para mim eram só críticas. Eu faço o meu trabalho, se você não gosta, não veja”. E depois que Sacchi respondeu pela última vez, dizendo “Você tem de aprender educação”, o jogador não disse mais nada e abandonou a posição de entrevista.

Na edição desta sexta da Gazzetta dello Sport, Sacchi fala sobre o tema:

“Creio que seja um direito de todos os cidadãos poder expressar de maneira educada as próprias opiniões e convicções. E ainda mais que seja uma obrigação para quem o faz como profissão. Se eu não dissesse o que penso, seria uma falta de respeito com quem me escuta e comigo mesmo. Lembro que não tenho nenhuma restrição com Ibrahimovic, aliás, na transmissão, eu havia acabado de dizer que ele tinha ido bem e que em Cesena, na ocasião da derrota dos rossoneri, não era ele quem tinha falhado. Mas quarta-feira à noite, no pós-jogo de Milan x Auxerre, Ibra na televisão se exaltou contra mim, equivocando-se nos modos e no tom. Justamente ele que joga no Milan, time ao qual sou ligado por afeto, amizades e lembranças.

Ibrahimovic errou o momento. Eu certamente não briguei com ele, e apenas me limitei a responder com muita tranquilidade que é meu direito expressar opiniões, lembrando que nunca o ofendi ou faltei com o respeito. Mas talvez Zlatan estivesse cansado depois da partida, ou então mal aconselhado. Talvez não soubesse do grande afeto e da grande estima com as quais me honram o presidente Berlusconi, o vice-presidente Galliani e a torcida rossonera em geral. Talvez ele tenha se ofendido porque no ano passado, quando jogava na Espanha, eu disse e escrevi que o Barcelona havia comprado o melhor solista do mundo no que diz respeito a potencial técnico e físico, mas que um solista dificilmente se insere em uma orquestra. Mas acrescentei que, se Guardiola conseguisse fazê-lo jogar mais com o time e para o time, nos tempos corretos, algo fundamental no futebol moderno, ele se tornaria o maior de todos.

As coisas, no entanto, não correram assim, e, questionado sobre o tema, expliquei que o jogador, mesmo dotado de um grande talento, nem sempre estava conectado com os companheiros e não aproveitava as sinergias. Esse é o motivo pelo qual muitas vezes era forte com os fracos e fraco com os fortes. Tudo isso sem nenhuma restrição com ele. Ao contrário: pelo bem que quero das pessoas em geral, do futebol e do Milan, espero que Allegri consiga melhorá-lo neste sentido, e então encontraremos um jogador menos discutido e ainda mais forte e decisivo. Sem qualquer rancor, desejo-lhe o melhor e convido-lhe a respeitar mais as opiniões técnicas, especialmente se manifestadas por alguém que, no futebol, alguma coisa fez.”

Jogadores que se acham acima do bem e do mal, como Ibrahimovic, são incapazes de ter autocrítica e aceitar diferentes opiniões, de modo que uma opinião pertinente como a de Sacchi é interpretada como perseguição. Porque para eles, nada, nem o clube que contrata, nem o torcedor que apoia, nem a imprensa que dá exposição, é mais importante que a própria vaidade. Gente assim costuma terminar como Narciso: afogado ao se apaixonar pelo próprio reflexo na água.

LEONARDO BERTOZZI – Colunista e blogueiro do Trivela, além de comentarista dos canais ESPN

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