Manchester United: O retrato da superioridade

Uma das novidades do blog para este fim de ano e também para 2011 são as novas colunas sobre o futebol internacional. A primeira coluna é de Gabriel Seixas, que falará sobre futebol inglês.

Park sendo novamente decisivo (Reuters)

A Premier League tem um novo líder. No duelo direto pelo primeiro lugar entre Manchester United e Arsenal nesta segunda-feira, os Red Devils foram superiores e derrotaram os Gunners por 1 a 0. Ainda que tenha um jogo a menos que os demais times, a campanha do United impressiona: em 16 jogos, são nove vitórias e sete empates.

Há 24 anos no comando do clube, Alex Ferguson e a sua atual série invicta na EPL é superior à atingida pelo seu antecessor, Ron Atkinson. Com dois pontos de vantagem para Arsenal e Manchester City e três para o Chelsea, seria blasfêmia dizer que algo já está definido, porém a boa fase do United não pode ser atribuída ao acaso.

Dos últimos 18 títulos nacionais disputados, os Diabos Vermelhos conquistaram nada menos do que onze. Contudo, a perda da última edição do torneio para o Chelsea parece ter aumentado a sede desta equipe por títulos. Mesmo sem um Rooney tão ativo – envolvido em escândalos e dividindo opiniões entre os torcedores -, o time ganhou novos protagonistas. Atualmente, o principal deles é Nani.

Apontado como o “novo Cristiano Ronaldo” logo quando foi contratado, em meados de 2007, o português tem se firmado como unanimidade. Além de liderar o ranking de assistências na Premier League (10), o meia tem feito exibições individuais brilhantes, credenciando-o como um dos melhores do mundo na atualidade. Não é à toa que o flanco direito de ataque tem sido a principal válvula de escape do United.

Indubitavelmente, Nani tem sido um verdadeiro tormento para os adversários. Por sinal, o setor de meio-campo tem sido um dos pilares do time de Ferguson. Carrick e Anderson fazem um papel exemplar na marcação e saem pro jogo com eficiência. O brasileiro parece finalmente recuperado da lesão que o tirou de boa parte da temporada passada, atuando como um box-to-box.

O coreano Park Ji-Sung é outra grata surpresa, marcando gols decisivos (como o de ontem sobre o Arsenal) e colecionando grandes atuações. Como se não bastasse, jogadores da classe de Giggs, Scholes e Fletcher também são excelente alternativas. Aliás, vale frisar que os dois primeiros jamais podem ser considerados reservas, mesmo porque são uma espécie de “lendas vivas” do clube e apenas me baseio nas últimas escalações da equipe.

O artilheiro do Manchester na temporada é Berbatov, que vive um momento inusitado: ao passo que é o artilheiro isolado da Premier League com 11 gols, ainda não balançou as redes pela Champions League. Falta regularidade para que o búlgaro finalmente faça jus à bagatela de mais de 30 milhões de libras (superior a R$ 80 milhões) investida pelo United em sua aquisição há duas temporadas.

A fase do companheiro Rooney é ainda pior. O pênalti perdido ontem apenas ilustra a fase negra pela qual o ‘Shrek’ atravessa. O escândalo sexual na seleção inglesa, o seu desempenho abaixo da crítica na Copa e a sua possível saída do clube àquela epoca parecem ter afetado não apenas o seu psicológico, mas também seu talento. Rooney ainda não balançou as redes nesta Premier League.

Preocupações à parte, o setor defensivo parece ser o único imune de críticas. Ferdinand e Vidic seguem exemplares na composição da dupla de zaga, tal como os laterais Rafael e Evra. O brasileiro, inclusive, tem suprido uma das principais deficiências da equipe desde a passagem do auge de Gary Neville. O francês dispensa comentários, deixando pra trás de uma vez por todas o fracasso com a França no Mundial.

Nem a eliminação para o West Ham na Copa da Liga é capaz de manchar a (quase) irretocável temporada do Manchester, classificado na Champions e líder isolado da EPL. A invencibilidade do time nas duas principais competições que disputa é fruto da competência de uma equipe que tem no conjunto o seu principal trunfo. Seria exagero dizer que o clássico contra o Chelsea, no próximo fim de semana em Stamford Bridge, pode consolidar de uma vez por todas a soberania dos Red Devils nesta época?

Texto de: Gabriel Seixas

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