Liga dos improváveis

É com muito prazer que venho escrever este post. Sou um dos grandes fãs da Bundesliga. Admito que é o campeonato que mais gosto. Pena ter acabado o primeiro turno. Mas bola pra frente. Ano que vem tem mais. Só que não possa terminar o ano e não fazer um balanço da competição.

Logo na primeira rodada, já tínhamos história para contar. Wolfsburg e Bayern abriram a competição com um bom jogo, 2×1 pros bávaros. Por terem aberto a competição, começo falando das duas equipes.

Dzeko é a grande estrela do Wolfsburg...mas pode deixar o barco (DPA)

Os Lobos fizeram um forte investimento. Trouxeram Kjaer, zagueiro que havia feito excelente temporada pelo Palermo, Friedrich, que fez bela Copa do Mundo e ainda Diego, talvés o melhor brasileiro que tenha atuado na Alemanha nesta década (se não for o melhor, está no Top 5), que estava na Juventus. Para o comando desses jogadores que se juntaram a Grafite, Dzeko e Benaglio, chegou o técnico campeão holandês, Steve McLaren. Mas o Wolfsburg não emplacou. Se arrastou nessa primeira temporada acumulando tropeços inexperados, vitórias escassas (4 vitórias) e inúmeros empates. No meio dessa temporada, a chance de Dzeko sair é maior. O Wolfsburg não emplaca e tem muitos grandes de olho no camisa 9.

Já o Bayern teve uma primeira metade de temporada irregular. A expectativa era de um time avassalador, que vinha de um vice-campeonato europeu e ainda títulos alemães na Bundesliga e na Pokal, mas nada disso aconteceu. Foram poucos investimentos. O Bayern teve de preocupar em segurar suas estrelas, que brilharam na Copa do Mundo do que trazer mais jogadores. Com o elenco não muito recheado, contusões de Ribéry, Robben, Olic, Klose e Van Bommel prejudicaram demais a equipe. O Bayern demorou para conseguir algumas vitórias importantes e para engrenar, só agora no finzinho de turno. Mário Gómez, que era praticamente carta fora do baralho, recuperou espaço hoje é titular indiscutívelmente. O brasileiro Breno também ganhou espaço e titularidade. Hoje o Bayern tem um time mais bem definido, sem precisar tanto de Robben.

Ainda na primeira rodada, tivemos dois resultados que se sucederam pelo resto do 1º turno. O Werder Bremen sendo goleado pelo Hoffenheim (4×1) e o Stuttgart caindo pro Mainz (2×0). Os Verdes seguiram com uma campanha abaixo da crítica, nada próxima a campanha que havia lhe rendido um 3º lugar na temporada anterior. Próximo de completar 12 anos no comando do Bremen, Thömas Schaaf se vê ameçado no cargo. Jogo após jogo o time tem acumulado vexames, como as goleadas sofridas contra o Schalke (4×0), Stuttgart (6×0) e Hannover (4×1) e derrotas inexperadas dentro de casa, como contra o Nüremberg (3×2) e Mainz (2×0). Na 14ª colocação, com 19 pontos, o Werder Bremen tem de preocupar com quem vence debaixo e não com o modo de chegar nas Ligas Européias.

Preferem um saco para esconder o rosto? (AP)

Já o Stuttgart é mais decepção que o Bremen. O time 5 vezes campeão alemão venceu só três partidas no primeiro turno e amarga a vice-lanterna da Bundesliga. Mais que decepção, vergonha acima de tudo. Com algumas derrotas, Christian Gross, o mesmo que pegou a equipe acabada na temporada passada e levou o Stuttgart a Liga Europa foi demitido e a maionese começou a desandar, acumulando poucas vitórias e muitos vexames. Bruno Labbadia assumiu a equipe e terá um duro trabalho: Tentar ajeitar o time com o que tem, porque o Stuttgart não tem tanta grana para reforçar a equipe.

Ainda na série “decepções”, vou falar de dois times que juntos tem 13 títulos alemães, mas que há muito tempo não conquistam nada. O Hamburgo (desde 82/83) e o Schalke (1958).  O HSV teve uma campanha muito irregular. Ora tropeçava, ora vencia… ora jogava bem, ora fazia partidas inúteis. O torcedor do HSV já não tem mais paciência com os jogadores e com o técnico Armin Veh, que literalmente, desde o título alemão com o Stuttgart, não consegue engrenar. Nistelrooy não tem decidindo como fazia no auge e dizem que Zé Roberto quer sair. O Hamburgo está na 9ª colocação, com 24 pontos, longe de tudo. Decepcionante, para um time que tem Nistelrooy, Zé Roberto, Trochowski, Elia, Westermann e outros jogadores que se encaixariam em outras equipes alemãs.

Já no Schalke o buraco foi mais fundo. Estava declarada uma guerra “jogadores-treinador”. Os atletas do Schalke não gostavam do modo que Félix Magath preparava a equipe e muitos o chamavam de ditador e coisas afins. A guerra estava declarada e sua queda era iminente. O time frequentava a zona de rebaixamento e Raúl, grande contratação, fazia poucos gols. Aos poucos, as coisas foram se acertando. O time começa a tropeçar menos, a se entender mais, a classificação para as oitavas-de-final da Champions League já veio, Raúl começou a marcar gols e os Mineiros já estão na 10ª colocação, com 6 vitórias e 22 pontos. O Schalke não chega a ser um candidato as vagas européias, mas se conseguir emendar uma série de vitórias, pode sonhar.

Ya Konan é a grande estrela do Hannover

Agora falarei das gratas surpresas que a Bundesliga apresentou. Uma das maiores é o Hannover. Na temporada passada, os vermelhos quase caíram, muito por causa de uma “depressão por Enke”, se reergueram e hoje voltam a lutar pelo título, coisa que não vem desde 1954, quando a competição nem se chamava Bundesliga. O Hannover tem apresentado bons valores dentro de campo, como o defensor Schulz, o volante Schmiedebach, além do costa marfinense, um dos melhores atacantes do primeiro turno, Ya Konan. O Hannover está na 4ª colocação, com 31 pontos, lutando para voltar a uma competição européia. Basta saber se terá fôlego.

Outra surpresa é o Freiburg, os Brasileiros de Breisgau tem um time praticamente inexpressivo na Alemanha, mas vem com bela campanha, na 6ª colocação, com 28 pontos. Assim como o Hannover, o Freiburg tem apresentado bons valores individuais, como o goleiro Baumann, o lateral Bastians, além do artilheiro Papiss Demba Cissé. É curioso ver o Freiburg lá em cima, será mais curioso se eles se manterem lá pelo resto da temporada.

Outra surpresa é o Eintracht Frankfurt, outra das equipes que só conquistou o Campeonato Alemão na era “pré Bundesliga”. Os comandados de Michael Skibbe jogam o já famoso “futebol pragmático”. Dificilmente você verá as Águias botando a bola no chão ao melhor estilo Barcelona, mas é completamente normal vê-los jogarem a bola na área, para que Gekas se vire. Ele pode não ser muito alto (1,79m), mas é brigador e parece ter voltado aos velhos tempos. Ele já foi artilheiro da Bundesliga, na temporada 06/07, com a camisa do Bochum marcando 20 gols, ele passou despercebido por times como Leverkusen, Portsmouth e Hertha Berlin e hoje lidera o ranking dos artilheiros com 14 gols e é o grande xodó da torcida.

Thömas Tuchel: O treinador-torcedor

Para completar a lista das surpresas, não podia ser outra equipe, o Mainz 05, que surpreendeu a tudo e a todos. Começando com nada mais, nada menos que sete vitórias consecutivas e quando esteve a um passo de fazer uma história ainda maior do que já tinha feito, caiu diante do Hamburgo. O time dava a impressão de que iria cair, mas nada disso. Foi só uma quedinha normal, nada que desbancasse os comandados de Thomas Tuchel. O treinador aliás, tem um relacionamento muito bom com a torcida, parecendo inclusive, um torcedor à beira do campo e não um treinador. Tuchel tem em suas mãos garotos bons de bola, como Schürrle, Holtby, Szalai e Allagui. Vejo muita gente torcendo pro Mainz chegar a Champions League, graças ao futebol interessante que a equipe apresenta. Admito: Seria legal ver o Mainz e sua torcida fanática na UCL, mas cabe destacar: Schürrle já está vendido ao Leverkusen e se a ótima campanha se manter, outros jogadores devem sair no fim da temporada.

Agora falamos de um time que não tem nenhum título nacional e sempre é conhecido por ser vice, mas que por estar brigando pelo título, não é considerado surpresa, que é o Bayer Leverkusen. Gostei muito de ver os jogos do Leverkusen. Sempre movimentados, com muitos gols, já que é um time que joga para frente. Seu trio de meias é de alta qualidade (Sam, Renato Augusto e Barnetta). Sam tem jogado muita bola. Mostrando ser muito habilidoso e ter uma finalização das mais precisas. A incerteza do setor ofensivo é o atacante. Helmes, Kiessling e Derdyiok são três bons atacantes, mas que volta e meia se contundem e nunca nenhum deles se firma totalmente. O que deixa os jogos do Leverkusen interessantes é a sua defesa. A equipe sofreu 25 gols. Jupp Heynckes terá tempo de acertar essa defesa para conquistar o título? Não sei. Tem bons nomes na defesa, mas podem surgir nomes melhores.

O renascimento do Dortmund (Witters)

Para fechar as análises, vamos pro líder, que é um time gigante, mas que não deixa de ser uma surpresa: o Borussia Dortmund. O BVB que chegou até a lutar contra o descenso temporadas atrás, tem mostrado ser a equipe mais equilibrada dessa Bundesliga. Tem um grande goleiro, Weidenfeller, uma defesa sólida (Piszczek [Owomoyela], Subotic, Hummels e Schmelzer), tem um volante pensador (Sahin) e um trio de botar respeito na armação (Kagawa, Götze e Grosskreutz), fora o artilheiro Barrios. É um time que apresentou um futebol rápido, vistoso e gostoso de se ver. Foi realmente a melhor equipe do 1º turno, não é à toa que Jurgen Klopp e seus comandados estão na liderança, com dez pontos de vantagem pro vice-líder. É um verdadeiro renascimento do Dortmund. É uma equipe gigante, mas que desde que conquistou a Bundesliga no início do século, declinou muito, hoje tem um time de respeito.

Seleção do Primeiro Turno (Seleção baseada nos jogadores que mais apareceram nas seleções de rodada da revista Kicker e do site da Bundesliga)

Neuer (Schalke); Lahm (Bayern), Hummels (Borussia Dortmund), Fuchs (Mainz) e Schmelzer (Borussia Dortmund); Vidal (Bayer Leverkusen), Sahin (Borussia Dortmund), Kagawa (Borussia Dortmund) e Holtby (Mainz); Ya Konan (Hannover) e Gekas (Frankfurt)

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