Substituto do Kahn?

Kraft teve atuação de gala (AFP)

No dia 17 de maio de 2008, o Bayern de Munich goleava o Hertha Berlin – 4×1 – em jogo que marcava a despedida de um dos grandes goleiros da história, Oliver Kahn – embora há quem ache que ele foi frangueiro, só por falhar na final da Copa de 2002, grande tolo quem fala isso.

Desde lá, o Bayern de Munich anda penando para trazer um substituto. A primeira aposta era Michael Rensing, cria do clube desde de sua juventude. Na base, ele tinha boas atuações e quando substituia Kahn, mostrava ter tudo para ser seu sucessor. O experiente goleiro pendurou as luvas e Rensing tomou a titularidade do gol bávaro, mas as fracas atuações lhe fizeram esquentar o banco pro veterano Hans-Jörg Butt.

Cambiasso parou em Kraft (DPA)

Butt, que já havia defendido clubes como Hamburgo e Leverkusen, começou a era Van Gaal como titular e teve seus méritos, tanto que ele foi chamado pra disputar a última Copa do Mundo. Só que Butt começou a achar que jogava mais do que realmente joga, se desentendeu com Van Gaal, que então decidiu lançar o novato Thomas Kraft, de 22 anos.

Nunca houve uma grande badalação sobre ele. Kraft chegou a defender as seleções alemãs Sub 16 e 17, mas não tinha a pompa de Rensing.

As poucas partidas que tinha visto de Kraft, tinham me deixado uma boa impressão e hoje ele mostrou que pode sim, ser o tão aguardado substituto de Oliver Kahn.

Todos sabem que a Alemanha costuma revelar grandes goleiros. É só assistir a Bundesliga e notar a quantidade de bons goleiros que há na competição, por isso até, poucos nomes de goleiros eram circulados em torno do Bayern, já que os times alemães tem costume de revelar goleiros e não de ir atrás dos próprios – o único nome que circulou com mais força, foi o de Manuel Neuer.

No duelo de hoje, que reeditava a final da última Champions League, entre Inter e Bayern, Kraft foi – pelo menos pra mim – o homem do jogo. Fez quase todos os tipos de defesa. Das mais fáceis, que iam em cima dele, das mais complicadas, que iam em seu contrapé. A defesa mais impressionante foi numa finalização de Samuel Eto’o. O camaronês recebeu de Lúcio, girou sobre a marcação e finalizou de canhota, no canto esquerdo do goleiro, mas ele foi buscar.

O Bayern teve uma atuação impecável, mas isso não impediu Kraft de brilhar. Mas é bom esperar. Como cheguei a dizer acima, “quando Rensing substituia Kahn, deixava ótima impressão”, Kraft pode se tornar um “novo Rensing”, assim como pode se tornar o “herdeiro de Kahn”. O jovem de 22 anos parece ter virado peça de confiança de Louis Van Gaal, que parece descartar Butt. Se Kraft repetir as atuações seguintes como a que teve nesta quarta-feira, terá um futuro brilhante. E é bom mesmo que ele se firme. Tá certo que tem muita gente que se interessa pelo “futebol milionário, pelos altos investimentos”, e admito que eu gosto também do impacto que essas grandes contratações causam, mas acho mais legal os garotos vindos da base, porque esses sim devem ter um sentimento por jogar pelo clube que o criou.

Ribéry esteve bem marcado (AFP)

Agora falando sobre o jogo, partida agradável.

O Bayern entrou no seu 4-2-3-1, com Schweinsteiger dessa vez jogando de volante – dessa vez é força de expressão, nas últimas rodadas ele tem jogando assim. Por Schweini ser um jogador um tanto quanto ofensivo, Pranjic foi deslocado pra lateral, pra Luíz Gustavo, jogador mais defensivo, jogar como volante. A Inter entrava com um esquema diferente. Era um 4-3-2-1, que ora variava para um 4-4-1-1, mas honestamente, não gostei desse esquema, eram vários jogadores de mesma característica no mesmo time – me refiro a Cambiasso, Stankovic e Thiago Motta, volantes de boa chegada ao ataque.

Na etapa inicial, a Inter começou melhor, com mais posse de bola e tentando atacar, mas logo caiu na forte marcação alemã. O Bayern começava a trocar passes e envolver o time italiano. O jogo começava a ficar na medida pro time bávaro. Havia uma clara diferença na marcação italiana. Quando Franck Ribéry pegava a bola na esquerda, Zanetti encostava e marcava forte, já quando Robben pegava na direita, Cambiasso não chegava…muito menos Chivu. O holandês tinha espaço pra jogar. No fim do primeiro tempo, o Bayern botou o pé no freio e deu mais campo a Inter e no lado direito, com as subidas de Maicon, os Nerazzurris encontravam uma saída. Aliás, como o lado esquerdo da Inter é abandonado, é só bola no Maicon pelo outro lado. Van Gaal deu uma corrigida na marcação, ao tirar ainda na etapa inicial – não ficou claro se foi tático ou por lesão – Danijel Pranjic e colocar Breno, assim, o brasileiro jogaria na zaga pelo lado esquerdo e Holger Badstuber fez a lateral esquerda.

Gómez fez o que pra ele, foi o gol mais importante de sua carreira na UCL (DPAD)

Eis que veio a etapa final, onde só deu Bayern. O time alemão trocava passes como se estivesse jogando na Alianz Arena, confiante e no ataque. Até que não é de se surpreender. Quem acompanha as estatísticas da Bundesliga, sabe que o Bayern costuma ter muita posse de bola. A Inter ficava acuada, sem saída de jogo e Eto’o ficava correndo feito uma barata tonta atrás da bola. A tônica da marcação sobre Ribéry e Robben permanecia, mas quando o bom zagueiro Ranocchia se contundiu e teve de deixar o campo pra entrada do discutível Kharja, a coisa melhorou pro time alemão. Chivu teve de jogar na zaga e Zanetti foi pra lateral esquerda, assim, a marcação em Ribéry foi afrouxada e Zanetti não tinha fôlego e perna pra alcançar a corrida de Robben. O problema pior foi que Leonardo não mexeu mais, seguia com seu conservador sistema de jogo. Tá certo que as opções no banco eram escassas, mas pelo menos o Pandev poderia ter entrado. Esse conservadorismo italiano – no caso, “conservadorismo brasileiro” – fez com que o Bayern pudesse seguir mandando no jogo e criando oportunidades. Nos últimos 15 minutos, a Inter foi pro abafa. Muitos cruzamentos pra grande área e mais defesas de Kraft. Assistindo ao jogo, comentei com alguns amigos faltando uns cinco minutos pro fim do jogo: “O Bayern quer mesmo é uma bola limpa pro Robben armar um contra-ataque. Não é pro Ribéry, não é pro Müller, nem pro Gómez, é pro Robben mesmo”. Resultado: O holandês recebeu uma bola na direita, fez sua jogada tradicional – cortou da direita pra dentro – e soltou um potente chute de esquerda, Júlio César caiu esquisitamente e largou nos pés de Mário Gómez, que na pequena área não perdoou. 1×0 justo pelo que foi o jogo.

A Inter ficou presa no conservadorismo de Leonardo e o Bayern se aproveitou disso, mandou no jogo e vai pra Alianz Arena com tudo pra se garantir nas quartas de final. Dois pontos a se tocar: Os três times italianos que estão nas oitavas de final da Champions League perderam em casa. Caso fosse fazer um saldo de gols, seria 3 negativos, pois só a Roma fez gols – dois -, mesmo tomando três, enquanto Milan e Inter tomaram mais um. O último ponto é só pra me gabar. Quem me segue no twitter, viu que ontem escrevi que o Bayern venceria por 1×0, hehe.

REAÇÕES

Mas estou tranquilo em vista do retorno. Será difícil, mas podemos vencer. Hoje tivemos seis ocasiões de gol, algumas clamorosas. Talvez no início estávamos muito atrás. Mas nos últimos 15 minutos do primeiro tempo e por todo o segundo jogamos de igual para igual. Quando cedemos chances de gol, foi pela bravura do Bayern

Leonardo, técnico da Internazionale

Sempre estive convicto de Thomas Kraft. Mostrou as suas qualidades, os seus grandes reflexos junto à trave. Permaneceu sempre muito calmo durante o jogo e isso foi importante para nós

Louis Van Gaal, técnico do Bayern

Jogo chaaaaaato

No outro jogo do dia, partida sem graça entre Marseille e Manchester.

A primeira etapa foi muito chata, com pouquíssimas chances de gol. O United começou pressionando, mas perdeu o ritmo. Os donos da casa não conseguiam se impor, mesmo jogando no Vélodrome, enquanto os ingleses eram lentos. Na etapa final, o Marseille até pressionou, mas logo perdeu o domínio do jogo e nesse jogo de perde e ganha, 0x0 e pelo menos pra mim, partida aberta no Old Trafford.

Quem sai perdendo é o Marseille. O time francês tinha como grande trunfo o jogo de ida no Vélodrome – muita gente prefere jogar a primeira fora, eu prefiro que seja em casa, pois aí pode-se fazer o resultado e ir tranquilo pra casa do visitante -, mas não soube se impor e ficou no zero. O Manchester fica com o favoritismo, embora eu não descarte o Olympique da briga.

REAÇÕES

Este tipo de resultado pode ser perigoso se você der um gol em casa. Mas é simples, porque se você vencer você passa

Alex Ferguson, técnico do Manchester United

Talvez o Manchester United possa ser considerado favorito. Não é um mau resultado para nós, mas é um bom resultado para eles.

Didier Deschamps, técnico do Olympique de Marseille

Só pra fechar: E os mandantes, hein? Só o Arsenal venceu em casa, no resto, foram três empates e quatro vitórias dos visitantes. Assim não dá!

Uma resposta em “Substituto do Kahn?

  1. Pingback: Os “Substitutos do Kahn” em rodadas opostas « Futebol Europeu Online

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s