Derby della Madonnina: Os ‘vira-casaca’

Dando sequencia ao “Esquenta pros Clássicos”, o destaque de agora serão os vira-casaca.
Todo clássico que se preze tem de ter jogadores que viram a casaca, que vão de um rival pro outro como se fossem de uma calçada para a outra na estrada. Agora vamos aos ‘vira-casaca’ do Derby della Madonnina.
  • GIUSEPPE MEAZZA

Giuseppe Meazza

Começamos com um exemplo clássico: Giuseppe Meazza. O jogador que nasceu em 1910 e morreu em 1979 é um dos grandes símbolos da Internazionale, tanto até que dá nome ao estádio Nerazzuri, porém, após 13 anos na Inter, mudou-se para o Milan.

Giuseppe Meazza começou a jogar na Inter no ano de 1927, com 17 anos, fez 398 jogos e anotou 245 gols, mas sua principal característica eram seus dribles e fintas. Ele costumava provocar demais os goleiros adversários, principalmente quando ambos estavam frente a frente, onde Meazza chamava o arqueiro para sua direção e dava o bote, o driblando e completando pro gol aberto. Meazza foi um dos grandes símbolos da Inter em sua época gloriosa.

Porém, Meazza ficou magoado por ter sido renegado na temporada 1939/1940, só por ter tido um problema circulatório nos pés. Para se vingar, ele assinou com o Milan e por lá jogou de 1940 até 1942 no Milan, mas não conseguiu títulos. Fez somente 37 jogos e 9 gols, porém, fez um tento Rossonero no derby de 1941, quando a partida acabou 2×2.

Ele foi, digamos, perdoado, pois após passagens fracassadas por outras equipes, Meazza voltou a Inter para comandar as categorias de base do clube e nada mais, nada menos que Sandro Mazzola passou por suas mãos.

  • GIORGIO GHEZZI

Giorgio Ghezzi chamou a atenção da Inter após passagens por Cesenatico, Rimini e Modena. Pelo time Nerazzuri, Ghezzi fez 186 jogos e conquistou dois títulos italianos. Para fechar, ganhou um apelido. Por ser um goleiro corajoso e ousado, passou a ser chamado de kamikaze.

Após passagem pelo Genoa, Ghezzi se transferiu pro Milan em 1959. No time Rossonero, o goleiro atuou por 123 vezes, ganhou uma Copa dos Campeões e mais um Campeonato Italiano. Em 1965, Ghezzi encerrou sua carreira de jogador profissional ainda no Milan.

  • CHRISTIAN VIERI

Christian Vieri em seus tempos de Inter

Agora trago exemplos mais atuais. Começamos com Christian “Bobo” Vieri. Ele jogou por 17 clubes em sua carreira inteira e depois de jogar por oito clubes, chegou a Internazionale em 1999, aliás, esse foi o clube em que ele passou mais tempo. Não foi à toa que ele ficou por tanto tempo, Vieri foi muito ídolo lá. Em 144 jogos, foram 103 gols. A torcida Nerazzuri o adorava, mas em 2005 a história mudou um pouco.

Christian Vieri se transferiu pro Milan e logo em seu primeiro Derby della Madonnina no lado contrário, foi recebido com sonoros apitos e vaias da torcida que antes o idolatrava. Mas Vieri fracassou em sua passagem pelo clube Rossonero. Foram só oito jogos e um gol marcado. E ainda saída pela porta dos fundos no meio da temporada para o Mônaco.

  • ANDREA PIRLO

Outro exemplo clássico é Andrea Pirlo. Ele foi revelado pelo Brescia e em 1998 foi contratado pela Inter. Em sua primeira passagem, na temporada 1998/99, Pirlo fez 18 jogos mas não anotou nenhum tento. Então ele foi emprestado a Reggina, voltou ao time Nerazzuri, mas fez só quatro jogos e nenhum gol e foi emprestado ao Brescia. Então ele foi vendido ao Milan em 2001.

O resto da história a gente conhece. Já são 281 jogos e 32 gols com a camisa rubro-negra. Ele é um dos líderes e capitães da equipe. Porém, desde 2006, Pirlo coleciona lesões e não consegue manter sua regularidade, mas não deixa de ser ídolo no Milan.

  • CLARENCE SEEDORF

No Milan, Seedorf conquistou títulos

O holandês vive a mesma história de Pirlo. Após jogar por Ajax, Sampdoria e Real Madrid, Seedorf foi contratado pela Inter. De 1999 até 2002, foram 64 jogos e somente 8 gols, porém, dois desses oito gols são memoráveis. Num clássico contra a Juventus, o jogo acabou 2×2 e o holandês fez duas pinturas para a Inter (relembre abaixo os gols de Seedorf nessa partida). Mesmo assim, sua passagem foi abaixo das espectativas e em 2002 ele foi trocado por Francesco Coco e lá ia o holandês pro Milan!

Assim como Pirlo, Seedorf está escrevendo seu nome na história do Milan. Já são mais de 270 jogos e 42 gols e por lá ganhou prêmios individuais, como o de melhor meio campista da Champions League 06/07 e títulos pelo clube Rossonero, como uma Coppa Italia, duas Champions League, um Mundial de Clubes e Campeonato Italiano.

  • ROBERTO BAGGIO

Baggio no Milan

À princípio, Baggio nem entraria nessa lista, até porque não fez nada de outro mundo em nenhum dos dois clubes, mas como ele arranjou confusão com técnicos nos dois times, decidi destacar.

No Milan ele até que foi bem. Foram 51 jogos e 12 gols, mas em 1996, ele já fora preterido por Arrigo Sacchi na disputa da Eurocopa. Curiosamente, Sacchi viria a ser seu treinador no Milan meses mais tarde e lá passou a ser banco também. Depois de sair do Rossonero, Baggio rodou um pouco e foi parar na Inter. Lá teve uma passagem apagada. 41 jogos e 9 gols, além de várias lesões, que ocasionaram um problema com o técnico Marcelo Lippi, que chegou a dizer que Baggio ficava de fora dos jogos porque não queria jogar e não porque estava lesionado.

  • HERNÁN CRESPO

O argentino teve boas passagens tanto no Milan quanto na Inter.

Na primeira passagem dele pela Inter, uma lesão que o deixou fora por 4 meses lhe atrapalhou, por isso foram jogados somente 18 jogos e com 7 gols, mas em sua nova passagem, foram 61 jogos e 21 gols, sendo que muitas vezes ele vinha do banco para resolver jogos enrolados.

No Milan foi só uma passagem, mas que também foi marcante. Na temporada 2004/05 ele veio por empréstimo do Chelsea e ajudou o time na campanha do vice-campeonato europeu, com 11 gols em 26 jogos.

  • RONALDO

RRRRRRRRRonaldo pro Milan

Esse é outro clássico exemplo. Ronaldo não queria sair do Barcelona, mas pela ganância de seus empresários, que queriam que o então presidente blaugrana, Josep Lluis Nuñez aumentasse o salário do Fenônemo, nada feito e Ronaldo deixava o Barça. A Inter pagou a multa rescisória e o garoto ia para Milão. Lá ele se estabeleceu como um craque. Foram 99 jogos e 59 gols, um título da Copa da Uefa, um prêmio de Melhor do Mundo da FIFA, chuteira de ouro de 97, bola de ouro da France Football e outros prêmios individuais conquistados em sua época de Inter.

Na Inter, Ronaldo conviveu com as lesões. Primeiro, na temporada 99/00 ele estorou o joelho em duelo contra o Lecce e ficou cinco meses parado. A segunda e mais grave, em abril de 2000 contra a Lazio, ele viu seu joelho sair do lugar em um drible  e nova lesão. Os oito meses parados se tornaram 15.

No Milan, Ronaldo não teve uma grande passagem. Lá ele descobriu ter hipotireiodismo – que muita gente achou que ele descobriu isso recentemente, já aqui no Brasil – e após 20 jogos e 9 gols, sua carreira no Milan acabou num jogo contra o Livorno, quando se lesionou na queda de uma disputa no alto.

  • ZLATAN IBRAHIMOVIC

Ibra Rossonero

Agora o exemplo mais recente, Zlatan Ibrahimovic.

Ele chegou na Inter por vaidade mesmo. A Juventus foi rebaixada e para não ter que jogar a Série B, preferiu ir para a rival da Vecchia Senhora, a Inter. Foram três temporadas, onde Ibracadabra fez 88 jogos e 57 gols, nada mal. Porém, a idolatria da torcida Nerazzuri e o tetra-campeonato italiano não era suficiente para o sueco, que quis novos ares, ares mais “Champions” no Barcelona.

Após passagem frustrada no Barça e ainda ver seu ex-time, que antes não tinha condições de ganhar a Champions League vencer essa mesma competição, Ibrahimovic voltou a Milão nessa temporada, dessa vez para vestir a camisa do Milan, clube com o qual negociou na época em que trocou Juve por Inter. Já foram 14 gols em 25 jogos, mas ele ficará de fora do Derby dessa rodada. No jogo contra o Bari, ele estupidamente deu um soco no adversário, foi expulso e suspenso por dois jogos – eram três, mas a pena foi reduzida para dois.

Enfim, deu para conhecer um pouquinho dos vira-casaca do Derby della Madonnina e perceber também que não são somente jogadores que mudam de lado, mas também jogadores que fazem relativa história nos dois lados.
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