Para diminuir o vexame

Me sinto só, me sinto só... (Reuters)

Há um mês atrás, todos sabíamos que Louis van Gaal estava ameaçado no cargo de treinador do Bayern de Munich. Há uma semana atrás, sabiámos que ele sairia no fim da temporada e que Jupp Heynckes – atual técnico do Bayer Leverkusen – comandaria a equipe bávara na próxima temporada. Mas um novo capítulo fez a crise no Bayern explodir de vez.

Após o empate contra o Nüremberg, em clássico bávaro, o presidente Uli Hoeness, o co-presidente, Karl-Heinz Rumenigge e o vice-presidente Karl Hopfner decidiram por se apressar e demitir agora o técnico holandês. Os motivos não precisam ser muito bem detalhados: uma temporada vexatória!

O time entrava na atual temporada como atual campeão alemão e vice-campeão europeu, mas o que se viu atualmente foi apenas sombra do que se viu em 2009/2010. O Bayern começou mal, com Ribéry e Robben contundidos, desfalcando a equipe em vários momentos. A instabilidade no ataque era outro ponto a se preocupar. Olic, destaque na temporada anterior, estava no estaleiro, aliás, está lá até hoje. O croata jogou somente 6 vezes na temporada, contabilizando um total 281 minutos jogados na Bundesliga. A defesa, que já não era lá essas coisas na temporada anterior, não passava por um bom momento. Van Buyten e Demichelis também estavam machucados, ninguém convencia na lateral-esquerda e apenas Phillip Lahm era peça confiável na direita. Resultado: largada ruim e o Bayern chegou a frequentar a parte debaixo da tabela de classificação da Bundesliga.

Com o tempo, as coisas foram se ajeitando e van Gaal ia acertando seu time. Pranjic virava o lateral esquerdo titular, Demichelis ia embora, a dupla Robbéry estava de volta, Luís Gustavo vinha para substituir van Bommel que ia para o Milan e Mário Gómez estava voltando aos bons tempos. Porém, o técnico holandês cometeu erros graves.

Butt foi um dos pivôs da demissão de van Gaal

O primeiro erro pode não parecer tão grave assim para nós, mas para a diretoria do Bayern foi. Em janeiro, van Gaal decidiu de uma hora para a outra tirar o experiente Jörg Butt do gol e apostar no jovem goleiro Thömas Kraft. Uli Hoeness e seus amiguinhos não gostaram. O segundo e mais flagrante erro foi mexer demais na defesa. Tirando Lahm – titular incontestável da lateral-direita -, as outras três posições de defesa eram indefinidas. Van Buyten, Breno, Badstuber, Tymoshchuk e até Luís Gustavo se revezavam na dupla de zagueiros. Na lateral-esquerda, Danijel Pranjic, Badstuber e Luís Gustavo jogavam por lá. Erro grave! A defesa nunca se entrosou e foi o grande ponto fraco nas derrocadas que viriam a acontecer.

O Bayern passou a perder jogos importantes na Bundesliga – como as derrotas para Dortmund e Hannover – e está fora da briga pelo título. Hoje, não iria nem para a Champions League. O maior vexame certamente foi na Liga dos Campeões. Com a vantagem de 1×0 diante da atual campeã européia, Inter, o Bayern jogou um primeiro tempo no jogo da volta primoroso, venceu por 2×1. Mas perdeu a chance de fazer mais e acabou levando a virada na etapa final e caiu fora. Ali começava a se esgotar a paciência da diretoria.

Robben foi expulso contra o Nüremberg (AFP)

A equipe até se recuperou bem e ultrapassou o Hannover na tabela de classificação, mas isso foi temporário. Nessa última spieltag, o Bayern empatou com o Nüremberg e viu o rival verde e vermelho bater a forte equipe do Mainz, retomando assim a 3ª colocação e deixaria o time bávaro fora da UCL. Fim da paciência: van Gaal demitido.

Andries Jonker, um dos assistentes de van Gaal, vai comandar a equipe até o término da temporada, mas o vexame não será apagado. O título do post até seria: “Para evitar o vexame ou diminuí-lo?”, mas repensei e percebi, a temporada bávara já é um vexame. Jogos ruins, professor pardal no banco, crises internas e eliminações ridículas já marcaram essa temporada. Basta ao pobre Jonker tentar salvar a temporada colocando o Bayern na Champions League. O time bávaro está somente um ponto atrás do Hannover, time que está ocupando a última vaga para a competição.

Andries Jonker e sua saga para classificar o Bayern para a Champions

A demissão é discutivel. Claro! Eu citei vários exemplos de erros de van Gaal, mas demiti-lo agora pode decretar o vexame na temporada. São cinco jogos e nessas partidas, o inexperiente Andries Jonker terá de se virar e colocar o time na Champions League de qualquer jeito, pois é o que resta na temporada. O que seria o ideal: Tentar conquistar a vaga com van Gaal ou com Jonker? Se tentasse com o treinador que sairia no fim da temporada, uma eventual eliminação limparia a barra da diretoria e todo peso ia cair em cima de van Gaal, agora que eles tentarão com Jonker, uma não classificação vai pesar em cima da diretoria, além, é claro, dos jogadores.

(Para constar, Jonker foi assistente técnico no Volendam da Holanda de 1997 até 1999 e presenciou a queda do time da primeira para a segunda divisão. Em 99/00, ele treinou o mesmo Volendam. Em 2002/2003, foi assistente de van Gaal no Barcelona. De 2004 até 2007, treinou o MVV Mastricht, da segunda divisão holandesa. Em 06/07, foi auxiliar no Willem II e de 2007 até 2009, treinou esse mesmo time. Desde 2009, Jonker era assistente técnico de van Gaal)

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