Batalha IV: De volta ao palco da primeira consagração

O inesquecível gol de Koeman

No dia 20 de maio de 1992, o Barcelona foi até o Estádio Wembley enfrentar a Sampdoria. “Jogo comum”, era simplesmente a final da última Copa dos Campeões com esse nome – que como vocês devem saber, é até hoje Champions League. O mítico estádio que recebeu diversos jogos marcantes para o English Team e também para alguns clubes ingleses, teve grande representatividade no coração dos barcelonistas.

Hristo Stoichkov e Michael Laudrup estavam de um lado, Roberto Mancini e Toninho Cerezo do outro. Jogo tenso, nervoso e duradouro também. Após o tempo normal zerado em gols, tivemos um na prorrogação: aos 21 minutos do tempo extra, Ronald Koeman, em cobrança de falta, mandou Gianluca Pagliuca buscar a bola lá dentro.

Esse gol ficou marcado na memória dos torcedores do Barcelona. Mas não é à toa. Foi o tento que deu ao Barça o primeiro título europeu da história do clube. E o primeiro é difícil esquecer e pequenos detalhes sempre serão guardados.

Um grande detalhe que certamente ficou guardado é o fato do jogo ter sido em Wembley e quando o Barcelona chegou as semifinais da Champions League dessa atual temporada, é difícil imaginar que um torcedor mais saudosista não tenha se lembrado da final realizado no antigo Wembley e no fato de poder ver seu time jogar “de novo” lá. Não custa lembrar que o antigo Wembley foi fechado em 2000 e demolido em 2003. Desde 2007, há um novo Wembley, também localizado na cidade de Wembley, na região de Grande Londres.

Se na época, a vaga para a final foi conquistada com “menos emoção” devido ao regulamento, – a fase final era disputada entre oito times divididos em dois grupos de quatro equipes e os primeiros colocados iam para a final – o direito de jogar a final no novo Wembley teve uma emoção extra. O Barcelona eliminou simplesmente seu maior rival, o Real Madrid, fechando a “Batalha IV”, onde as duas equipes se enfrentaram num intervalo de menos de 20 dias.

O jogo…

Carvalho bateu um bocado...só levou um amarelinho (Getty Images)

No duelo de hoje, não dá para dizer que o Barcelona foi surpreendido, mas talvez não esperasse o Real Madrid jogando daquele jeito.

O time antes formado por três volantes e sem nenhum centro avante fixo, hoje teve só Xabi Alonso e Lass na cabeça de área e Higuain como homem de referência, além da volta de Kaká ao time titular. Os Merengues não tiveram uma marcação tão forte quanto dos jogos anteriores, até porque bateram muito, – o Real Madrid cometeu 31 faltas! – e se Franck De Bleeckere não fosse bonzinho ou pressionado, o time da capital acabaria com jogadores à menos. Aliás,  um terço das faltas cometidas pelo Real Madrid foram em cima de Messi. Lio sofreu 11 faltas!

O árbitro belga pode ter sido bonzinho, porque das 31 faltas cometidas pelo Real, Lass Diarra cometeu 8 e Xabi Alonso 5. Ambos saíram só com o cartão amarelo. Pressionado, porque De Bleeckere foi quem apitou Barça x Inter nas semifinais da temporada passada e expulsou injustamente Thiago Motta, jogador do então time de José Mourinho, atual técnico do Real Madrid.

Mas pelo menos o Real tentou jogar bola. Cristiano Ronaldo e Dí María, que antes pareciam mais marcadores pelo lado do campo, hoje decidiram incomodar a defesa catalã. Marcelo, antes preso na lateral esquerda, teve liberdade para avançar mais – tanto que fez um gol. Mas ao se expor contra o Barcelona, deve-se pagar um preço e esse preço foi deixar o time da Cataluña jogar. Xavi e Iniesta tiveram mais campo para trabalhar a bola e Lionel Messi, sem uma marcação individual, como era a de Pepe, pôde “desfilar” com a bola nos pés.

Pedro abriu o placar (Reuters)

Ah, falei tanto da arbitragem, que me esqueci de um dos momentos capitais da partida. No início da etapa final, quando o marcador da partida estava zerada, Higuaín abriu o placar, mas antes, Cristiano Ronaldo foi derrubado e na queda, derrubou Mascherano. Bom, pelo jeito, o árbitro só viu o português derrubando o argentino. Mas depende do que o árbitro interpretou. Se pra ele, Ronaldo não sofreu falta, ele anulou corretamente o gol, já que atrapalhou a corrida do marcador direto de Higuaín, mas se ele interpretou que o português sofreu a falta, ele errou. Eu daria gol! Logo em seguida, Iniesta encontrou Pedrito entre os zagueiros e o garoto abriu o placar. Aliás, o camisa 17 estava no lado de Marcelo e Carvalho, justamente onde sempre surgia um jogador azul grená livre, mas que nem sempre esse “um” recebia a pelota. Quando Pedro recebeu, fez o gol.

Um banho de água fria no Real Madrid, que após conseguir marcar um gol e vê-lo ser anulado, sofre um gol que lhe obrigaria a fazer três gols no Barcelona. A última vez que isso aconteceu com o time catalão na Champions League e no Camp Nou foi na temporada 08/09, quando o Shakhtar derrotou o time da casa por 3×2.

"Cala boca, Messi!" (AFP)

Mas é o cúmulo o Real Madrid achar que foi eliminado pela arbitragem. Um time que comete 31 faltas em um só jogo – não custa reforçar que há jogos que tem no total, menos de 31 faltas – não pode ficar achando que o “árbitro nos roubou e eles sempre são ajudados”. Isso é choro de perdedor! Um time gigante como o Real Madrid tem de admitir que se na ida não fosse tão defensivista e que se seu teimoso técnico não deixasse no banco jogadores como Kaká, Higuaín, Adebayor e Benzema, todos homens de frente – tá certo que os três primeiros jogaram hoje e não fizeram nada demais – e colocando o zagueiro Pepe no meio, somado a dois volantes, talvez o jogo de ida não tivesse sido desastroso na série.

O Barcelona irá conhecer o novo Wembley e tem méritos totais. Jogou mais nos dois jogos e se veio a ser beneficiado pela arbitragem, não chegou a ser mais beneficiado que o Real Madrid. Mas saindo do assunto dos dois jogos, fica claro que o Barça é o time que todos querem ver na final. Sendo campeão é outra história, mas (quase) todos querem ver os melhores na final!

Só pra constar, botei o “quase” na última frase, porque como vocês já devem estar cansados de ouvir, sou fanático pela Bundesliga e gostaria muito que o “Milagre de Old Trafford” colocasse o Schalke na final.

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