Pior temporada brasileira na Alemanha

Marcante foto do bêbado Zé Roberto nos tempos de Schalke

Jogadores brasileiros e futebol alemão sempre se entenderam bem. Lúcio, Zé Roberto, Jorginho, Paulo Sérgio e Amoroso são só alguns exemplos de jogadores do nosso país que conseguiram se dar bem no país do chucrute. Mas essa temporada tem sido uma das piores dos jogadores brasileiros em campos alemães.

No campeão Borussia Dortmund, tinhamos dois brasileiros, que curiosamente, por terem jogado pouco, podemos dizer que foram bem. Felipe Santana era reserva direto da dupla de zaga Hummels e Subotic. Jogava no lugar de qualquer um dos dois e sempre se saiu bem e mesmo no banco, era peça de confiança de Jurgen Klopp. Já Dedé era mais uma peça simbólica da equipe. Desde 1998 na equipe aurinegra, o brasileiro é idolatrado pela torcida, mesmo jogando simbólicos 14 minutos nessa temporada.

Mas tirando os dois citados acima, é difícil lembrar de algum brasileiro que tenha feito uma temporada semelhante a de Diego nos tempos do Bremen, por exemplo. Aliás, o meia brasileiro foi a grande contratação do Wolfsburg para essa temporada e foi bem abaixo das expectativas, assim como todo o time do Wolfsburg. Diego oscilou muito, arranjou muitos problemas e não foi o que se imaginava. Não acho que a temporada dele tenha sido ruim. Nos últimos jogos, dá para ver ele com vontade, correndo e dando sangue pelo time que corre o risco de cair para a segundona, mas se formos traçar duas linhas para formar uma opinião: a linha da expectativa e a linha do que realmente jogou, certamente seria dito que ele foi mal.

"O quê? Tu tá falando que fomos mal?"

Mas nem tudo é desastre. Há quem se salve. No Bayer Leverkusen, Renato Augusto foi muito bem, não à toa chegou a seleção, aliás, jogando numa posição que pouca gente imaginaria ele jogando: aberto pela direita – até por isso o (absurdo) espanto de alguns jornalistas, que criticavam Mano Menezes por escalar Renato aberto na direita. O camisa 10 saiu do Brasil deixando a todos a esperança de ser um grande meia armador, aquele cidadão que joga centralizado pensando e criando o jogo, mas nessa temporada pelo Leverkusen, ele mostrou muita versatilidade e jogava tanto pela direita quanto pelo centro.

Nas estatísticas, Renato Augusto tem em suas 26 aparições – 25 iniciando como titular – 7 gols marcados e 2 assistências. Durante a Bundesliga inteira, o brasileiro finalizou 42 vezes e tem 75% de aproveitamento nos passes. Assim, Renato se tornou um dos grandes jogadores do Leverkusen nessa temporada e podemos dizer até que foi o melhor brasileiro da Bundesliga.

O outro brasileiro que quero destacar é naturalizado belga ainda por cima: Igor de Camargo. O ex-jogador do Standard de Liège entrou numa barca furada, a barca do Borussia Monchengladbach, – que até ontem era virtual rebaixado, mas em ascensão, pode se salvar – mas junto com Reus, ele tem se destacado. Igor, que conviveu muito com as lesões, anotou 7 gols e deu uma assistência nos 18 jogos que participou. Não são números de outro mundo… mas para quem joga no time que esteve boa parte da temporada na lanterna, tá ótimo!

Ainda há Cacau, que mesmo ficando boa parte da temporada contundido, foi bem e ajudou a livrar o descenso do Stuttgart, e o jovem Roberto Firmino, que tem um grande futuro pela frente e esses seis meses no Hoffenheim foram de adaptação. Sen falar de Pedro Geromel, grande surpresa do Colônia.

Geromel ao lado do "homê" do time

Mas olhando pelo lado ruim, não são as mil maravilhas termos como destaques brasileiros, jogadores que foram, digamos, “coadjuvantes” em seus times. Firmino, como eu disse, está se adaptando. Cacau, que seria a grande estrela do Sttutgart, se lesionou muito e Kuzmanovic tomou o trono de líder. Igor é coadjuvante de Reus, enquanto Geromel é coadjuvante do time de Podolski. Renato Augusto é o que mais se aproxima de estrela do time, mas o Leverkusen não teve um graaaaaaande destaque nessa temporada, como Kroos foi na última temporada. O conjunto que foi muito bem!

Mas de resto…. só lamentação!

Breno, “zagueiro promissor, será um grande beque brasileiro”. Pois é, uma negação no Bayern desde que chegou. Falhas atrás de falhas e vai depender do novo técnico, Jupp Heynckes – ou de Uli Hoeness (Van Gaal que o diga) – sua permanecência no time bávaro.

No Hamburgo, Zé Roberto até tem números interessantes – como 9 assistências e 81% dos passes completados -, mas caiu no marasmo que é o misterioso time do HSV. Não custa lembrar que o Hamburgo tem jogadores como Westermann, Jansen, Elia, Petric e van Nistelrooy, mas ficou apenas no meio da tabela da Bundesliga, apresentando um futebolzinho medíocre.

Mas acabei escrevendo este post graças ao site do diário alemão Bild, que fez uma lista com os piores negócios da temporada na Bundesliga. Acompanhando a lista que tem quase 30 jogadores, percebi a constante presença de brasileiros, Tá certo! A maioria dos brasileiros citados são desconhecidos e sabe-se lá como foram parar no futebol alemão, mas por serem brasileiros, por serem também do “país do futebol bonito, da malemolência, da habilidade”, sempre há uma expectativa quanto ao seu rendimento.

Mas vamos aos brasileiros da lista do Bild:

Samuel entre os contestados Thomas Schaaf (esquerda) e Klaus Allofs (direita)

Samuel (Werder Bremen) – Os Verdes contrataram muito mal nessa temporada e Samuel é só mais um nessa lista. Wesley foi a contratação mais decente do time nessa temporada, mas Samuel não. O ex-defensor do São Paulo estava sem clube e nem chegou a jogar no Bremen. Deve ser dispensado.

Luíz Gustavo (Bayern) – Vindo do Hoffenheim, Luíz Gustavo chegou para substituir van Bommel na proteção da zaga, porém, mau chegou a jogar de volante e mudou constantemente de posição – ora era zagueiro, ora lateral, ora volante. Decepcionou muito!

Danilo Avelar (Schalke) – Após boa passagem pelo futebol ucraniano, Danilo veio para tentar resolver os problemas defensivos do Schalke, mas só jogou duas vezes e deve voltar pro Karpaty.

Anderson (Borussia Monchengladbach) – Anderson foi só mais um em um grupo de péssimos zagueiros, que é o Gladbach, time que só não tem a pior defesa da Bundesliga porque o St. Pauli fez o favor de tomar 8 do Bayern. Os Potros sofreram 64 gols e os Piratas 66.

Andrézinho (Colônia) – Andrézinho veio gratuitamente do futebol português, mas só jogou oito vezes e quando jogava, cometia graves erros de posicionamento.

Agora veja os outros jogadores da lista. Aqueles que mais me chamaram a atenção, deixei um comentário do lado.

Arnautovic (Werder Bremen) – Grande esperança do futebol austríaco. Brilhou no Twente, pouco jogou na Inter e só atrapalhou no Bremen. Foram só dois gols e alguns escândalos extra-campo.

Avdic (Werder Bremen)
Annan (Schalke)
Plestan (Schalke)
Deac (Schalke)

Karimi (Schalke) – O iraniano, que já jogou no Bayern e que recentemente foi dispensado de um clube de seu país por não ter respeitado o Ramadã, foi uma aposta duvidosa de Magath para substituir o negociado Raktic. Karimi só jogou uma partida na Bundesliga!

Kjaer muito mal no Wolfsburg

Kjaer (Wolfsburg) – Essa pra mim foi a grande decepção da temporada. Na época do Palermo, Kjaer mostrava muita técnica e bom posicionamento, sendo especulado em clubes como Manchester e Internazionale, mas os 12 milhões de euros gastos pelo Wolfsburg foram jogados fora. Graças a falta de concorrência, Kjaer jogou muitos jogos, sempre indo mal.

Mbokani (Wolfsburg) – O congolês que surgiu bem no Standard Liège já havia decepcionado no Mônaco e veio pro Wolfsburg pra substituir Dzeko. Pois é, até agora ele não marcou nenhum gol e Félix Magath nem tem utilizado o jogador.

Orozco (Wolfsburg)

Asamoah (St. Pauli) – Histórico jogador do Schalke, Asamoah foi uma verdadeira decepção no St. Pauli. Demorou muito para entrar em forma e na hora crucial da temporada, ele se apequenou e o seu time foi rebaixado.

Camoranesi (Stuttgart) – Vexame com “V” maiúsculo. Camoranesi veio de graça da Juve, não chegou a fazer dez jogos, conseguiu ser expulso uma vez e em janeiro foi dispensado pelo Stuttgart.

Degen (Stuttgart)
Audel (Stuttgart)

Babel (Hoffenheim) – O holandês veio para substituir Demba Ba e a única coisa boa a se destacar é que ele mostrou vontade. Mas só vontade não adianta e seu futebol foi abaixo da média.

Beasley (Hannover)
Giannoulis (Colônia)
Ionita (Colônia)
Jorgensen (Leverkusen)
Kampl (Leverkusen)
Okotie (Nüremberg)

Anúncios

2 respostas em “Pior temporada brasileira na Alemanha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s