A final da nova geração de treinadores

A nova geração de 'pofexores'

A final da Europa League, que será disputada amanhã, em Dublin, não representa apenas um jogo entre dois times portugueses, ou entre Davi e Golias, – já que o Porto é um gigante europeu, enquanto o Braga é um time pequeno – mas representa também o auge de uma provável nova era no futebol português: a era dos técnicos!

O técnico do Porto, André Villas-Boas tem somente 33 anos e esse é somente o segundo time que comanda, enquanto Domingos Paciência, comandante do Braga tem 42 anos e já está em sua 3ª experiência como treinador. Os dois novatos são um dos grandes responsáveis pelo sucesso de suas equipes, com seus novos pensamentos e novos estilos de jogo.

Mas os grandes clubes portugueses sempre se notabilizaram por trazerem técnicos de fora para treiná-los. Para servir de exemplo, o técnico que comandou o Porto em seu primeiro título como clube profissional, foi o francês Adolphe Cassaigne, que ficou quase vinte anos no cargo de treinador do clube. O primeiro treinador português do Porto – primeiro que não foi interino – foi Carlos Nunes, na temporada 1947/48 e o primeiro técnico português a conquistar um título pelos Dragões foi José Maria Pedroto, na temporada 1967/68.

Mas não custa lembrar que eram portugueses os técnicos do Porto nas temporadas em que conquistaram a Europa. Na temporada 1986/87, Artur Jorge era o comandante, enquanto mais recentemente, na temporada 2003/04, José Mourinho treinava o time do Porto.

Ainda em Portugal, podemos citar outros exemplos, como Béla Guttman, húngaro que foi bicampeão europeu no comando do Benfica. É mania, ou vício. Difícil de perder. Basta ver o Sporting, que está em uma grave crise e recentemente teve uma eleição para presidente e cada um deles prometia um técnico diferente e todos de fora de Portugal.

Mas olhando a história de André-Villas Boas e Domingos Paciência, percebemos que o roteiro de ambos estão coincidindo

Villas-Boas: novo Mourinho... ou novo Bobby Robson? Ou simplesmente "Villas-Boas"?

André Villas-Boas morava no mesmo prédio do histórico técnico Bobby Robson, que na época treinava o Porto. O garoto, na época com 17 anos, era maluco pelo game Championship Manager, que é um jogo onde você administra um clube e assim, Villas-Boas treinava seus times e sempre enchia Robson com maneiras de escalar o Porto. Em 1994, o ídolo de André Villas-Boas era justamente… Domingos Paciência, atacante do Porto, então, ele vivia enchendo a paciência de Robson, mostrando vários modos de escalar o time com Domingos Paciência de titular. Villas-Boas encomodou tanto, que o treinador o ajudou a conseguir o certificado de treinador.

Villas-Boas conseguiu trabalhar nas categorias de base do Porto, mas logo foi parar nas Ilhas Virgens, sendo coordenador técnico e mais tarde, treinador da seleção local. Por indicação de Bobby Robson, José Mourinho aceitou colocar Villas-Boas em sua comissão técnica, na época, no Porto. André era um olheiro. Viajava para acompanhar os adversários e passava as informações para Mourinho. Ambos seguiram juntos para o Chelsea e mais tarde a Inter, mas no meio do caminho, André Villas-Boas decidiu trocar o time que conquistaria a Europa pela Académica, lanterna do Campeonato Português. Ao que tudo indica, deve ter havido uma briga entre André e Mourinho, já que o atual técnico do Porto não gosta muito do rótulo de “novo Mourinho”.

André Villas-Boas chegou ao Porto no dia 2 de junho de 2010. Chegou também cercado de desconfianças. O Porto, que almejava voltar ao trono de campeão português, preferiu apostar num garoto inexperiente, ao invés de um “macaco velho”.

Esquema Tático do Porto

Villas-Boas armou o Porto durante a temporada inteira no 4-3-3. Hélton no gol, Fucile na direita e Álvaro Pereira na esquerda são os laterais, que sobem de forma alternada, mas eficiente. Otamendi e Rolando formam uma vigorosa dupla de zaga. No meio campo, posicionamente básico. Fernando fica plantado na frente da zaga e sai pro jogo com os tradicionais toques de lado. João Moutinho arma o jogo pela esquerda, enquanto Guarín, pela direita, marca bem, mas tem como grande característica a forte chegada ao ataque e apresentando um potente chute de fora da área. No ataque, Hulk joga aberto pela direita e Varela pela esquerda e por terem características diferentes, acabam se completando. O brasileiro é canhoto, por isso usa muitas vezes o artifício de cortar pro pé bom, e tendo mais ângulo, finaliza. Já o português procura mais a linha de fundo, sempre arranjando cruzamentos para o centro-avante Falcão, que sabe trabalhar fora da área e sabe também transformar uma bola ruim em gol. Não à toa é o artilheiro da Europa League.

Esse é o Porto, que comandado por um treinador novo, com uma visão jovial do que é o futebol, conseguiu já o título invicto do Campeonato Português, segunda vez na história que isso acontece e não foi por acaso. Mostrando o equilíbrio do time, basta ver os números do time no campeonato nacional: o Porto teve a melhor defesa, tendo sofrido somente 16 gols, mas teve o melhor ataque, anotando 73 gols e ainda tendo o artilheiro da competição, Hulk com 23 gols.

Ídolo do Porto, Paciência pode frustrar seus fãs

Domingos Paciência, mesmo sendo treinador do Braga, é ídolo da torcida do Porto. Isso porque ele fez 263 jogos com a camisa portista e anotou 106 gols. Sua carreira como treinador se iniciou lá. Paciência começou treinando os times de base e posteriormente o time B do Porto, até se aventurar no União de Leiria, onde na temporada 2006/07, levou o time até a 7ª colocação. 7ª colocação foi também o feito que Domingos Paciência conseguiu no comando da Acadêmica, posição histórica pro clube.

Mais um fato curioso entre os dois treinadores é que quem assumiu a Acadêmica na temporada seguinte – mesmo não sendo logo na sequência de Paciência – foi André Villas-Boas.

Até que na temporada 2009/10, Domingos Paciência chegava ao Braga para substituir Jorge Jesus e logo em sua primeira temporada, levou o pequeno time do norte de Portugal ao inédito 2º lugar no Campeonato Português.

Na atual temporada, o Braga conseguiu eliminar os calejados Celtic e Sevilla nas fases prévias da Champions League e entrar na fase de grupos da competição. Por um pouquinho o time português não aparecia nos mata-matas do torneio, acabou ficando com a Europa League e chegando a essa final histórica.

Domingos Paciência não têm um time fixo. Sempre varia o time, dependendo do jogo, mas tem sim suas peças de confiança, como o goleiro Artur, que barrou o (supervalorizado) atual goleiro do Flamengo, Felipe, e sua forte zaga, que geralmente é formada por Miguel Garcia, Paulão, Rodríguez e Sílvio. Aliás, o pessoal do Porto levantou uma bola com a qual eu concordo: “Se o Braga sair na frente, ficará difícil reverter”. E é verdade! Os tradicionais Benfica e Liverpool que o digam.

Domingos Paciência vs André Villas-Boas

Em todas as fases da Europa League que o Braga jogou, a classificação veio da forma básica. Contra o Lech, eles perderam na ida por 1×0, fizeram 2×0 na volta; contra o Liverpool, 1×0 em casa e 0x0 no Anfield; contra o Dynamo, 1×1 na Ucrânia e 0x0 na volta; e contra o Benfica, derrota por 2×1 fora de casa e 1×0 em casa. Ou seja, é um time que trabalha com o resultado e sabendo de suas limitações, joga no limite, faz o resultado e se resguarda para ver no que dá!

Esse é somente mais um fator que transforma Braga vs Porto em um (provável) grande jogo. É sempre legal ver uma nova geração no futebol. Ora vemos novas gerações de torcedores, de jogadores, de estádios, de organizações e agora de treinadores. No Brasil tem surgido alguns novos treinadores, mas como entendo eu que essa posição seja muito ingrata, – pois só agrada quem vence a curto prazo – seus trabalhos acabam sendo diminuídos, mas Portugal tem conseguido uma nova safra de comandantes. Será muito bom pro povo português se esses novos treinadores possam além de render frutos aos clubes portugueses, possam também render frutos a Seleção de Portugal, que anda meio mal das pernas e como os clubes, tem feito sucesso com treinadores estrangeiros.

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