O Brasil e as finais de Champions League

Nós brasileiros temos a fama de sermos os criadores ou aperfeiçoadores do futebol – já que o esporte veio da Inglaterra pra cá – e mais do que isso, temos a fama de jogarmos o melhor futebol, o mais bonito e vistoso e sempre exportamos muitas estrelas para o futebol europeu.
 
Por isso, o Europa Football dá seqüencia ao aquecimento para a final da Champions League que será disputada entre Barcelona x Manchester United com uma pequena histórinha dos brasileiros nas finais da Copa da Europa e futuramente, da Champions League.
 

Essa camisa foi dada a Julinho em 1996

Não demorou muito para termos um brasileiro em uma final de Copa dos Campeões. Logo na segunda edição do torneio, na temporada 1956/57, a Fiorentina chegava a final para enfrentar o Real Madrid e um dos atletas da Viola era Julinho Botelho. O já falecido ponta-direita chegou no clube italiano em 1955 e logo se tornou ídolo da torcida.

Uma das histórias mais famosas de Julinho Botelho na Fiorentina se passou quando ele precisou ficar preso no banheiro de um trem durante a viagem inteira, só para evitar o assédio dos fãs.

Na final que foi disputada no Santiago Bernabéu, a Fiorentina de Julinho nada pôde fazer e caiu pro Real Madrid, 2×0, com gols de Dí Stéfano e Francisco Gento.

Três temporadas se passaram e o Real Madrid novamente era finalista, desta vez com um brasileiro em campo: Darcy Silveira dos Santos, ou simplesmente “Canário“.

Ele não é tão conhecido no Brasil. Em 1955, chegou à final do Campeonato Carioca com o América, mas em 1959 se transferiu pro Real Madrid. O sucesso de Canário foi tanto, que ele se naturalizou espanhol, porém, nunca vestiu a camisa da Fúria. Ele chegou sim jogar com a Amarelinha, mas a concorrência era braba, simplesmente Garrincha.

Canário fez mais sucesso no Zaragoza, onde ao lado de Santos, Marcelino, Villa e Lapestra formou o grupo Los Cinco Magníficos, responsáveis por grandes campanhas do clube.

Na final de 1960, Canário atuara como titular na goleada aplicada no Eintracht Frankfurt. No 7×2 dos espanhóis, Dí Stéfano anotara três gols, enquanto Ferenc Puskas faria mais quatro.

Evaristo de Macedo foi ídolo de Real e Barça

Na temporada seguinte, Benfica e Barcelona chegavam à final do torneio. Diferentemente do que se vê atualmente, os Encarnados tinham um time formado somente por jogadores portugueses. Por eliminação, o brasileiro estava no Barcelona, e esse nosso conterrâneo é o histórico Evaristo de Macedo.

Evaristo foi ídolo tanto do Barcelona quanto do Real Madrid. Em sua época na Cataluña, ele fez 114 jogos e anotou 78 gols, além de conquistar dois campeonatos espanhóis e duas copas da Uefa.

Na partida realizada no Wankdorf Stadium, – é o mesmo estádio do Milagre de Berna, a final de Copa do Mundo onde a desacreditada Alemanha bateu a toda poderosa Hungria – deu Benfica, 3×2 e Evaristo não balançou as redes.

Na final de 1963, tivemos o primeiro gol brasileiro em finais de Champions League. O Milan, que tinha Dino Sani e Altafini – o Mazzola – havia vencido o Benfica por 2×1 e Mazzola, que era naturalizado italiano, fez os dois gols do título do Milan.

Mazzola deixaria o Milan em 1965 com números impressionantes: 120 gols em 205 jogos.

A final de 1964 reuniu no Ernst-Happel Stadion, Internazionale e Real Madrid, a final de 1965 reuniu no San Siro a mesma Inter e o Benfica e a final de 1972 tinha a Inter de novo, mas dessa vez contra o Ajax. Nas três oportunidades, o time italiano tinha Jair da Costa.

Jair iniciou sua carreira na Portuguesa e no ano de 1962 chegava a Seleção Brasileira. O brasileiro foi à Copa do Mundo daquele ano, mas na sua posição, jogava Garrincha, que acabou com aquela Copa. Mesmo assim, Jair chamou a atenção de Milan e Inter. Os Rossoneros avaliaram o jogador e por causa de sua frágil forma física, decidiram não contratá-lo. A Inter pensou melhor e não se arrependeu. Com Jair da Costa, os Nerazzuri conquistaram quatro títulos italianos e duas Copa dos Campeões.

Se no jogo contra o Real, Jair não fez nenhum gol na vitória por 3×1, no duelo contra o Benfica, o gol do título foi dele. Porém, na final de 1972, a Internazionale sucumbiu a Cruijff, que fez dois gols e deu o título ao Ajax.

José Altafini, o Mazzola, que já havia sido o primeiro brasileiro a balançar as redes em uma final da Copa dos Campeões, participou de mais uma final em 1973, dessa vez com a Juventus, mas teve o mesmo destino de Jair da Costa e caiu pro Ajax, 1×0.

Falcão, o "Rei de Roma" não conquistou a Copa dos Campeões

Já faziam mais de dez anos que não tínhamos presença brasileira em uma final da Copa dos Campeões e quando eles voltaram, vieram em dose dupla. Em 1984, a Roma, de Falcão e Toninho Cerezo chegava à final diante do Liverpool.

Cerezo havia sido comprado pela Roma em 1983, por 10 milhões de euros, maior negócio brasileiro da época e junto com Falcão, o “Rei de Roma”, conquistaram a Copa da Itália, mas acabaram perdendo a final nos pênaltis – 4×2 pro Liverpool.

Cerezo voltaria a perder mais uma final em 1992, desta vez vestindo a camisa da Sampdoria. Derrota por 1×0 pro Barcelona.

Em 1987, o Porto batia o Bayern por 2×1 e era pela primeira vez em sua história, campeão europeu. Os Dragões tinham convocados pro jogo três brasileiros e o mais conhecido nem atuou. Walter Casagrande ficou esquentando banco. Quem iniciou jogando foi Celso. Admito que não consegui encontrar grandes informações sobre ele, só sei que ele levou um cartão amarelo neste jogo.

O outro brasileiro foi Juary. Ele que já havia jogado em clubes como Santos e Internazionale, estava lá esquentando um dos bancos do Ernst-Happel Stadion, quando entrou no intervalo. A peleja estava empatada em 1×1, até Juary fazer o gol do título portista, aos 36 minutos.

Mozer engrossou a lista de brasileiros derrotados nas finais de Copa dos Campeões

No ano seguinte, outro time português chegava à final e foi o Benfica, que tinha Mozer, Elzo e Chiquinho Carlos como titulares, além de Wando, que entrou no decorrer da partida contra o PSV.

Mozer era titular absoluto da equipe e ídolo da torcida encarnada. Deixou a equipe com 11 gols em 79 jogos. O mesmo Mozer voltaria a uma final em 1991, com o Olympique de Marseille, perdendo a final pro Estrela Vermelha.

Já Elzo jogou em clubes como Atlético Mineiro e Internacional, além de disputar a Copa de 86. No Benfica, ele fez um gol em 38 jogos. Wando e Chiquinho Carlos são desconhecidos. O primeiro fez sua carreira no futebol português, enquanto o segundo, não encontrei informações.

Sobre a partida, ela acabou em 0x0 e o PSV venceu nos pênaltis, 6×5.

Em 1990, o Benfica voltaria a uma final de Copa dos Campeões… novamente para perder, desta vez pro Milan, 1×0. Desta vez, os brasileiros presentes eram – e são até hoje – bem conhecidos.

Na zaga, encontrávamos Ricardo Gomes e Aldair. O primeiro chegou a fazer 100 jogos pelo Benfica, tendo anotado 30 gols, já o segundo jogou somente uma temporada, justamente a que chegou a final da Copa dos Campeões e fez 33 jogos e marcou 6 gols. O outro jogador é o meio campista Valdo, que assim como Ricardo Gomes, chegou a marca de 100 jogos pelo clube português.

Em 1994 foi a vez do baixinho Romário chegar a uma final de Champions League. O seu Barcelona chegava a final no Olímpico de Athenas com pinta de que poderia vencer o Milan, mas foi facilmente derrotado por 4×0.

Roberto Carlos conquistou três Champions League pelo Real Madrid

Quatro anos depois, um brasileiro voltava a conquistar a Champions League após 11 anos. Roberto Carlos vestia a camisa do Real Madrid na Liga de 1998, quando os Merengues venceram a Juventus por 1×0. Essa foi a primeira de três Ligas que o camisa 3 conquistou. Em 99/00 – vitória sobre o Valencia – e 01/02 – vitória sobre o Leverkusen – vieram mais dois canecos.

Sávio, que ficou no banco contra a Juve, entrou na etapa final no jogo contra o Valencia, no título de 2000.

Em 2001, o Bayern chegava a final contra o Valencia com dois brasileiros: o lendário Élber e Paulo Sérgio. O primeiro, que fez 108 gols em 190 aparições pelo clube bávaro saiu no tempo extra, já o segundo entrou no tempo extra e ainda desperdiçou um pênalti na disputa de penais. Sorte que esse erro não custou o título do Bayern.

Além de Roberto Carlos, na temporada 01/02, Flávio Conceição também foi campeão pelo Real Madrid. Ele entrou no meio do segundo tempo. Do lado do perdedor, no Leverkusen, Lúcio não só jogou como fez um gol, mas perdeu o caneco.

O zagueiro brasileiro veio a ser ‘recompensado’ na última temporada, pela Inter, quando seu time, que ainda tinha Maicon e Júlio César bateu o Bayern por 2×0.

Dida foi decisivo em 2002

Na final italiana da temporada seguinte, a Juventus perdeu o título graças ao inspirado Dida, que catou os pênaltis pro Milan na disputa de penais e deu ao título ao time Rossonero. Serginho e Roque Jr, que saíram do banco, também participaram da conquista.

Os brasileiros voltaram a ter grande atuação na temporada 2003/04, quando o Porto bateu o Mônaco por 3×0. O naturalizado português Deco e Carlos Alberto fizeram pros portugueses dois dos três gols do segundo título europeu do Porto. Derlei, que viria a se naturalizar português futuramente, também disputou o jogo.

A histórica final de 2005 teve final trágico pros brasileiros, que estavam no Milan. Dida, Kaká, Cafú e Serginho viram seu time abrir 3×0, ceder o empate e perder nos pênaltis pro Liverpool. Esses mesmos quatro jogadores foram de certa forma ‘recompensados’, com o título em 2007 sobre o próprio Liverpool.

Esse foi o gol mais importante da carreira de Belletti

No ano seguinte, o Barcelona, que tinha Ronaldinho, Eto’o, Deco e Giuly, teve um protagonista um tanto quanto improvável: Belletti. O brasileiro que esteve para ser dispensado do clube, fez o gol da virada catalã sobre o Arsenal, o gol do título. Esse foi o momento mais marcante da carreira de Belletti! No lado inglês, estava Gilberto Silva.

Dois anos depois, Belletti chegava a outra final, dessa vez pelo Chelsea, mas nos pênaltis, os Blues perdiam pro Manchester United, de Anderson. O mesmo Anderson estaria na final na temporada seguinte, mas viu seu time perder pro Barcelona, que tinha em campo Sylvinho, que pouco tinha jogado na temporada, mas por emergência teve de jogar.

No próximo sábado, teremos mais brasileiros escrevendo sua história nas finais de Champions League. Daniel Alves, que esteve suspenso em 2009, poderá jogar pelo Barça. Anderson pode estar em sua 3ª final de Champions, enquanto Rafael e Fábio, caso joguem, estrearão em finais de Champions League.

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4 respostas em “O Brasil e as finais de Champions League

  1. Muito bom o post! No livro “Estrela Solitária” de Ruy castro, que conta a história de vida de Garrincha, tem uma breve passagem sobre o Julinho Botelho na qual dizia que os italianos, encantados com seu futebol, queriam o ponta-direita com a camisa azzurra. Tentaram até inventar uma história de levantar o passado dele para ver se tinha origens italianas e se o sobrenome não era, na verdade, Boteglio. Não precisa dizer que eles não conseguiram né? Mesmo assim ele é um deus em Florença por tudo que fez na Fiorentina. Abraço!

  2. Fala John, sei que a pergunta nem foi pra mim, mas como estou passando rápido….. O Barça já conquistou a Copa da UEFA sim. E foi mais de uma vez, mais de duas também. Não me recordo de cabeça, sem consultar nada, quantas foram. um abraço!

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