Um clássico e vários problemas

A temporada alemã foi oficialmente aberta no último sábado. Schalke 04 e Borussia Dortmund disputaram na Veltins Arena em Gelsenkirchen o título da Supercopa da Alemanha. O vencedor foi o time dono da casa. Após 0x0 no tempo normal, a estrela do jovem goleiro Fährmann, que já brilhara ativamente durante os 90 minutos de bola rolando, brilhou ainda mais na disputa de penalidades, dando o título ao Schalke.

Assistindo ao jogo, foram vistos por este blogueiro alguns problemas nas duas equipes. Aliás, não podemos dizer que são novos problemas. Essas deficiências nos 11 iniciais de Schalke e Borussia são visíveis desde a temporada anterior.

Começamos com os atuais campeões da Bundesliga e vice da Supercopa, o Borussia Dortmund. Assim como na vitoriosa temporada 2010/11, os aurinegros controlam o jogo com extrema facilidade, mas gostam de perder uma montoeira de gols. Tá certo que ontem Fährmann estava em dia inspirado, mas muitas de suas defesas foram feitas em chutes que foram em cima de seu corpo.

Fährmann foi muito bem... mas os atacantes "ajudaram" (Getty Images)

Também não dá pra dizer que Lucas Barrios fez uma falta monstruosa pro BVB. Quem acompanhou a última temporada alemã, sabe que o paraguaio gostava de perder uns golzinhos também.

O Dortmund precisa mesmo é calibrar as finalizações. Segundo o site da Bundesliga, o BVB finalizou 24 vezes, contra somente 9 do Schalke. É muita coisa! Aliás, é até muito ruim dar mais de vinte chutes e não anotar nenhum gol.

Pra corrigir esse problema, além de muito treinamento pros garotos Götze, Kagawa – que é mais um passador do que um finalizador – e Grosskreutz, o BVB precisa de um reserva melhor para Barrios. Tá certo que Lewandowski é jovem e tem muito a evoluir, mas ele não inspira muita confiança. É aquele típico centro-avante alto, que se atrapalha com a bola, tem certa técnica e adora perder um gol.

Já o grande problema do Schalke está na coletividade. A zaga não se acerta, o meio campo é, digamos, “insonso” e por consequência, o ataque nem participa do jogo.

Na partida de ontem, tivemos muitos lances que a zaga azul real se posicionava mal, e até mesmo no mano-a-mano com o rival, tomava atitudes erradas.

Holtby participou pouco do jogo

No meio campo, o grande problema está na enorme variação de esquemas, que acaba deixando os jogadores um tanto quanto confusos e pouco participativos. No início, o Schalke estava no 4-2-3-1 (com Matip e Holtby; Baumjohann, Raúl e Draxler), mas houve horas que partia para um 4-1-3-2 (com Matip; Baumjohann, Holtby e Draxler). Aliás, Raúl atuou boa parte do jogo na linha de meio campo, chegando a fazer o Schalke jogar num 4-1-4-1, com o espanhol na mesma linha de Baumjohann, Holtby e Draxler.

Claramente faltava um armador para o Schalke. Pela direita, Baumjohann apanhou bastante e deu sequência a poucas jogadas. Já pela esquerda, Draxler pouco tocou na bola e não ajudou Füchs que apoiava por seu setor. Jurado entrou na etapa final, mas o problema permaneceu. Faltava aparecer mais o garoto Lewis Holtby para armar o jogo, mas aí vem o problema do esquema. O novo camisa 10 azul real estava jogando praticamente de volante, então suas chegadas ao ataque não eram tão constantes e eram mais pra auxiliar do que pra armar.

Aliás, essa é uma mania de botar um meia como segundo volante é característica do técnico Ralf Rangnick. Jurado fez essa função na temporada passada, mas o espanhol pelo menos participava constantemente do jogo ofensivo. Holtby não fez isso e não sei se ele sabe fazer isso. O melhor esquema para contar com o garoto em campo seria um 4-3-1-2 (4-1-2-1-2), pois aí sim ele teria campo pra trafegar e armar o jogo.

Se Barrios não fez tanta falta assim pro Borussia Dortmund, o mesmo não posso dizer de Farfán. É claro que o paraguaio é mais jogador que o peruano, mas o meio campista azul real era o motorzinho do time. Era Farfán quem conduzia o time pro ataque, sendo sempre o homem que imprimia velocidade a equipe. O peruano disputaria a Copa América, mas lesionado ficou de fora.

O alento pras duas equipes é que mesmo nessa listinha de problemas, podemos tirar alguns pontos positivos.

Löwe substituiu muito bem Marcel Schmelzer (Getty Images)

No Borussia Dortmund, começo com os bons substitutos que o time arranjou. O desconhecido Chris Löwe, que jogava no Chemnitzer, da terceira divisão alemã, desde a Liga Total Cup na última semana, substituiu muito bem o lesionado lateral-esquerdo Marcel Schmelzer. Me chama a atenção em Löwe sua vigorosidade, tanto na defesa quanto no ataque. O problema é ele ser reserva de Schmelzer, que na última temporada atuou em todos os jogos do Dortmund.

Artilheiro do último Campeonato Belga, Ivan Perisic aparece como uma boa aposta do Borussia Dortmund. Habilidoso, veloz e de bom chute. Essas foram as impressões que tive do meia-atacante croata.

Ilkay Gundogan, outro contratado, veio com a dura missão de substituir Nuri Sahin e se depender só do jogo de ontem, vai ter êxito nesse desafio. Organizou bem o meio campo borussiano e suas subidas ao ataque não eram em vão, todos os seus avanços resultavam em alguma possibilidade boa de gol.

Agora, Fährmann que se cuide: virão centenas de comparações com Neuer (Dpa)

No Schalke, a “única” coisa boa foi Ralf Fährmann. Substituto de Manuel Neuer, o goleiro de 22 anos começou no Schalke melhor do que Manu no Bayern. Enquanto Fährmann segurou o 0x0 no tempo normal e catou pênaltis decisivos nas disputas de penais, dando o tíulo da Supercopa pro Schalke, Neuer é hostilizado pelos Ultras do Bayern e tem falhado nos amistosos do time bávaro.

Desde o início, achava uma boa opção o jovem Fährmann. Se o Frankfurt foi rebaixado na última temporada, não foi por culpa dele, que assumiu a titularidade na reta final da temporada e conseguiu se destacar.

Só um acréscimo sobre Fährmann: ele adora catar um pênalti contra o Borussia Dortmund. Na última rodada da temporada 2010/11, ele pegou dois pênaltis, um cobrado por Barrios e outro cobrado por Dede. Aliás, sobre o pênalti do brasileiro, ele tinha obrigação moral de deixar a bola entrar, pois era o último jogo de Dede com a camisa do BVB e o Frankfurt já estava praticamente rebaixado (falou o borussiano que vos tecla).

Mas se por acaso Jurgen Klopp e Ralf Rangnick vierem a ler esse post, fica a dica pra eles do que corrigir até o dia 5, quando o Dortmund abre a Bundesliga diante do Hamburgo e o dia 6, quando o Schalke pega o Stuttgart.

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