Está (quase) tudo errado

Já são três jogos oficiais, dois pela Bundesliga e um pela DFB Pokal e o Bayer Leverkusen segue longe de convencer. São duas derrotas e uma única vitória e Robin Dutt mostra certa dificuldade para fazer o time conseguir um padrão de jogo e consequentemente os resultados.

Se no comando de Jupp Heynckes, o problema estava na fragilidade defensiva, o Leverkusen de Dutt mostra problemas muito maiores, a começar pelo próprio treinador.

Nada de vitória com Ballack em campo... (Getty Images)

Até que ponto Robin Dutt está disposto a manter Ballack no time? O camisa 13 parece em outra ligação se comparado aos seus companheiros. Dispersivo, lento e pouco participativo. Esse tem sido Ballack, que tem jogado somente com o nome.

No duelo contra o Werder Bremen, pela segunda rodada do Campeonato Alemão, considerei que Ballack prejudicou bastante o Leverkusen. O capitão do time jogava do jeito que queria, não no sentido de mandar no jogo e sim de se posicionar do jeito que melhor entendia. Lars Bender ficou sobrecarregado na marcação. Ficou com a responsabilidade de cobrir os laterais, brecar as ações do meias do Bremen, além de organizar a saída de jogo do Leverkusen. Tudo isso porque Ballack fez pouco caso com a marcação.

Em alguns momentos da peleja, a impressão que tive era que o segundo volante era Renato Augusto. Um desperdício e tanto!

Robin Dutt precisa se impor e mostrar que Ballack não manda no Leverkusen. Vidal foi embora, mas ainda há Rolfes, o antigo capitão. O camisa 6 tem mais liderança que Ballack, além de ser um volante de grande qualidade. A impressão que tenho é que o camisa 13 deveria se tornar uma peça de pouca utilização. Ballack está em fim de carreira, não só pela idade, mas pela forma física também. Ele deveria ser utilizado nos últimos minutos das partidas, principalmente para reter a bola e passar experiência aos demais jogadores.

Aliás, o site alemão, Bild, destacou que “foi só Ballack sair que o Leverkusen fez o gol”. Está sendo rotina isso aí…

Pode parecer que o problema citado está em Ballack e não em Dutt, mas para mim, as pessoas tem medo do camisa 13, pois sabem como ele é temperamental. Numa escala de liderança, o técnico tem de estar acima do jogador.

O que fazer? (Getty Images)

O outro problema que enxergo em Dutt é o modo como é previsível em suas mexidas. No mesmo jogo contra o Bremen, ele em nenhum momento mexeu no esquema de jogo. Manteve o 4-2-3-1, que claramente não estava funcionando no citado jogo. Ele fez o feijão com arroz, trocando seis por meia dúzia.

Sorte dele que o tcheco Kadlec o salvou com o gol no fim do jogo. Naquela hora, o Leverkusen já havia desistido de criar jogadas, pois estava vendo que não estava no seu dia e partiu para a “empurrança”.

Aliás, citei acima o 4-2-3-1 e não sei se esse é o esquema certo para o Leverkusen com os três meias que Dutt tem utilizado – Sam, Renato Augusto e Schürrle. Sam e Renato tem como características a constante movimentação e troca de posições. Coisa que poucas vezes foi vista no duelo contra o Bremen. Ambos ficaram presos e encaixotados na marcação adversária, que nem era tão forte assim. Estava claro que se a dupla supracitada começasse com a constante movimentação, desarmaria a defesa do Bremen.

Além dessa movimentação, a presença ofensiva dos volantes e laterais seriam necessários para a quebra da marcação do Werder Bremen, mas nada disso aconteceu. No caso dos volantes, como foi citado antes, Ballack se tornou peça nula e Bender tinha de se preocupar com a marcação. Já no caso do laterais, Castro e Kadlec pouco subiram, algo surpreendente, pois ambos tem características bem ofensivas.

Outro ponto que quebrava essa movimentação do trio de meias do Leverkusen era a presença de Schürrle. Não! Não estou questionando a titularidade do garoto e sim o seu posicionamento. O novo 9 do Leverkusen não pode jogar tão longe da área. Schürrle é um jogador veloz e técnico, porém, de poucos toques na bola. Ou seja, tem que receber a bola pra resolver o lance, seja finalizando em gol ou dando uma assistência.

Jogando aberto pela esquerda, a movimentação do trio de meias é quebrada e Schürrle fica longe do gol. Não que ele não possa jogar por outras faixas do gramado, mas ele mostrou ontem que fica meio sem chão quando sai do lado esquerdo. O ideal é que Schürrle atuasse como segundo atacante ou até como centro-avante.

Kiessling não agradou no jogo de ontem (Getty Images)

Aí chego a outro ponto importante: o “homem-gol” do Leverkusen. Derdiyok e Kiessling são muito instáveis.

O suíço é quem tem ficado com a titularidade na maioria dos jogos, mas ainda não passa aquela confiança necessária. Basta lembrar da partida de ontem contra o Bremen, onde entrou na etapa final. Já estávamos no fim da partida e Derdiyok carrega a bola com muito espaço e treme na frente de Wiese, perdendo o gol que mataria a partida.

Já Kiessling está em decadência. Não parece mais aquele garoto que surgiu bem no Nüremberg e começou voando no Leverkusen. Na partida de ontem por exemplo, Kiessling não foi expulso porque Robin Dutt o tirou do jogo, pois com cartão amarelo, não cansou de cometer faltas. Nesse mesmo jogo, poderiamos eximir Kiessling de qualquer culpa, pois só recebeu uma bola redonda no jogo inteiro, mas não muda o fato que tenha feito uma centena de faltas e tenha matado centenas de jogadas do Leverkusen, pois saia da área e o jogador que retinha a bola não tinha a referência na frente.

Num time dos sonhos, colocaria Schürrle como homem mais avançado e deixaria um trio de meias atrás dele, formado por Renato Augusto, Sam e Barnetta ou até Castro. Além de entrosados, esses três se deslocam constantemente.

Ah, faltou falar da instablidade da defesa do Leverkusen. Seis gols sofridos em três jogos. Não é novidade se tratando do Leverkusen e Dutt sabe desse problema. Deve saber também que se o Werder Bremen apertasse mais, venceria o jogo.

Schürrle distante da área é um dos problemas do Leverkusen

Antes que me perguntem, já respondo: assisti a Leverkusen x Bremen e notei centenas de problemas no time das aspirinas, até por isso me motivei a fazer esse post.

Robin Dutt tem de abrir os olhos. O Leverkusen estará na fase de grupos da Uefa Champions League e ele não tem um time definido ainda. Dutt precisa rever conceitos como a atual formação, Schürrle distante da área, Sam e Renato Augusto presos, laterais mais presos ainda, Rolfes no banco e Ballack querendo mandar no time.

É muito trabalho para Robin Dutt!

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