O novo brilho berlinense

Ofuscado pelo sucesso do Hertha Berlin, o Union tenta alçar novos vôo no futebol alemão

Os dois times mais conhecidos da capital da Alemanha, Berlin, são o Union e o Hertha. Só que o segundo time citado acaba sendo muito mais conhecido. A Velha Senhora já tem conquistas nacionais, tem o Olympiastadion, um dos estádios mais fascinantes da Europa e volta e meia aparece em competições da Uefa.

O pobre Union não tem nenhum título de grande porte, apenas alguns vice-campeonatos. Talvez os mais aclamados, o vice-campeonato alemão de 1923, quando ainda se chamava SC Union Oberschöneweide e a Bundesliga ainda era dividida em campeonatos da Alemanha Ocidental e Oriental. Depois disso, o grande feito foi um vice-campeonato da Copa da Alemanha em 2001, quando já se chamava Union Berlin – a equipe é chama assim de 1966.

De lá pra cá, o Union não tem nem conseguido chegar na primeira divisão da Bundesliga, chegando a ficar afundado nas divisões menores da Alemanha. Em 2007, Uwe Neuhaus assumiu o comando técnico da equipe e o Union progrediu. Saiu da Regionalliga – 4ª divisão alemã – chegando na 3ª divisão no ano seguinte e novamente subindo para a segundona da Alemanha em 09/10. Desde então, o Union tem tentado beliscar uma vaguinha na Bundesliga, mas vem conseguindo apenas resultados intermediários.

Sílvio começa bem a temporada pelo Union Berlin

Mas para a temporada 2011/12, o Union Berlin foi buscar uma solução brasileira para conseguir finalmente o tão esperado acesso: Sílvio Carlos de Oliveira, ou apenas Sílvio.

O atacante brasileiro de 26 anos é cria do Santos, mas nem chegou a jogar lá e logo foi se aventurar nos campos da Suíça. Sílvio se transferiu para o FC Wil da segunda divisão do país. Seu sucesso no centenário clube suíço lhe renderam uma transferência para o FC Zurich, um dos gigantes do país. Sílvio acabou voltando ao Wil e mais tarde viria a jogar em dois clubes que lhe renderam maior sucesso: Lugano e Lausanne.

Na sua temporada no Lugano, Sílvio bateu na trave. O time perdeu a vaga na primeira divisão apenas na repescagem. O atacante brasileiro saiu com o interessante número de 15 gols em 28 jogos. No ano seguinte, ele viria a fazer o mesmo número de jogos, mas um gol à mais pela camisa do Lausanne e por conseguinte, o acesso à primeira divisão.

Para a temporada 2011/12, Sílvio encarou um novo desafio em um país diferente: tentar mais um acesso, desta com o Union Berlin na Alemanha.

Mal chegou no país do chucrute, Sílvio já causou barulho. Já são 9 jogos com a camisa do Union Berlin e quatro gols marcados. Um desses gols foi escolhido como o gol do mês de setembro do programa Sportschau da emissora alemã ARD. No caso, o gol escolhido é das duas primeiras divisões da Bundesliga e Sílvio venceu Perisic do Borussia Dortmund e Pizarro do Bremen.

Sílvio Carlos de Oliveira nasceu no dia 1 de fevereiro de 1985. Ele mede 1,83 de altura e pesa 79kg. Sílvio já atuou no Santos aqui no Brasil e atuou em quatro clubes suíços: FC Wil, FC Zurich, FC Lausanne e FC Lugano. Atualmente, defende o Union Berlin

Você já joga desde 2005 no futebol europeu, então, quais são as grandes diferenças notadas do futebol suíço e alemão comparadas ao futebol brasileiro?

Tem muita diferença. No Brasil, os jogadores são melhores tecnicamente, mesmo levando em conta que os europeus melhoraram muito nesse aspecto. Então, eles tentam compensar essa falta de qualidade individual trabalhando mais a força física e a tática também.

Muitos brasileiros se dão mal no exterior por não ter aquela consciência defensiva. Mas você, Sílvio, ajuda a marcar quando é necessário ou prefere só atacar?

Eu acho que a parte defensiva também faz parte da vida de um atacante. Aqui na Europa temos que ajudar na marcação também, ainda mais porque jogo como segundo atacante, aí meu trabalho defensivo se torna tão importante quanto o ofensivo. É mais desgastante, mas se estou bem fisicamente, posso ajudar na defesa também.

Você teve uma boa passagem pelo FC Wil da Suíça, mas desde que chegasse lá, o time nunca voltou a primeira divisão. Qual era o sentimento dos torcedores na época?

O FC Wil é um time de tradição na Suíça e sempre fizeram parte da primeira divisão, até passarem dirigentes mal-intencionados que deixaram o clube em uma situação financeira difícil. Mesmo assim, conseguimos bons resultados e por duas oportunidades terminamos em 3º lugar, quase conseguindo o acesso, além de termos chegado a uma semifinal da Copa da Suíça. Mas o FC Wil precisa investir muito, principalmente em um novo estádio, para assim poder alegrar os torcedores e conseguir o acesso.

Sílvio em seus tempos de Lausanne

Suas temporadas pelo Lausanne e pelo Lugano te deram bastante visibilidade. Pelo Lugano, o time bateu na trave e quase subiu, já pelo Lausanne o time conseguiu o acesso. Como era o ambiente nas vésperas do acesso e da repescagem do Lugano contra o Bellinzona?

O Lugano é um time que sempre está brigando pelo acesso e sempre investem bastante para subir. Quando cheguei na equipe, estava ciente de que não havia outra opção a não ser jogar pelo acesso. Lideramos o campeonato por quase todas as rodadas, mas no final, talvez por falta de atenção ou por pensar que o campeonato já estava ganho, acabamos perdendo um confronto direto, sendo assim, tivemos de jogar uma repescagem contra o Bellinzona, fazendo o derby local. Por serem times da mesma região, o ambiente era bem agradável, mas com uma derrota e um empate caímos fora. Porém, estávamos cientes de que perdemos o campeonato para nós mesmos. Isso já não aconteceu no Lausanne, onde com um ambiente também bom, fizemos um grande campeonato, subimos e ainda participamos da Liga Europa. Foi um ótimo ano porque Lausanne é uma grande cidade.

Suas passagens de destaque na Suíça foram por clubes da segunda divisão, mesmo assim, chegasse a jogar no FC Zurich, um dos grandes clubes do país. Como foi sua passagem por lá? E a pressão por títulos? É diferente da pressão pelo acesso ou se equivale?

Tive uma passagem pelo FC Zurich e acho que é muito melhor receber pressão por títulos do que pressão pelo acesso. Mas quando cheguei no Zurich, o time vinha de uma sequencia boa de títulos, porém, cheguei no momento errado. Fui contratado no meio da temporada, onde vários dos jogadores revelados pelo clube acabaram saindo e outros atletas que vieram não tinham a mesma qualidade técnica dos que saíram. Precisariamos de tempo para nos adaptar ao estilo de jogo do time, mas não tive esse tempo e acabei sendo emprestado.

Vi alguns lances seus por vídeos e percebi que mesmo sendo um atacante, tens muito recurso. Já pensasse em jogar no meio-campo? E algum técnico já chegou a cogitar essa possibilidade contigo?

Mesmo sendo segundo atacante, já atuei no Union Berlin como meio-campista. Mas prefiro mesmo atuar como segundo atacante, que é a posição onde posso ajudar mais meu time.

Você está a pouco tempo no Union, mas já deu pra reparar se o seu time fica mesmo na sombra do Hertha?

O Union vem crescendo de uns tempos pra cá, mas o Hertha é um time gigante mesmo, assim como seus torcedores, que sempre comparecem no estádio. Mas o Union Berlin faz um trabalho sério e muito profissional e não demorará para brilhar no futebol alemão.

Como os torcedores do Union se sentem ao verem que seu time nunca conseguiu subir para a primeira divisão alemã? Eles depositam muita confiança no atual elenco para conseguir o acesso?

Depositam sim, muita confiança porque é o grande sonho deles ver o Union na Bundesliga. Temos um grupo muito bom e com o apoio da torcida, espero ajudar o Union a conquistar este grande objetivo.

Como a mídia trata o Union Berlin? Trata como se fosse só “mais um time” ou entendem que a presença de dois times de Berlin na primeira divisão faria o futebol da cidade crescer?

A imprensa trata muito bem o Union Berlin e também a 2.Bundesliga. O campeonato sempre está na mídia! Tenho certeza que eles esperam ver dois times da capital na primeira divisão. Seria ótimo para o futebol da cidade.

Na última temporada da 2.Bundesliga, Nils Petersen foi o artilheiro e acabou se transferindo para o Bayern de Munich. Você já tem 4 gols e ainda olhando o exemplo da temporada passada, te faz sonhar com a artilharia do campeonato e alçar vôos altos como os de Petersen?

Sim. Como atacante, quero sempre marcar gols, mas o importante é que o time apresente um bom futebol e que fique no topo da tabela, aí sim as oportunidades irão aparecer. É normal que queiramos melhorar, mas procuro não pensar muito no futuro, quero me concentrar primeiramente no Union Berlin para depois ver as portas que irão se abrir.

Uwe Neuhaus tem sido o rei do acesso no Union. Agora tenta o grande acesso, que é o pra primeira divisão

O técnico Uwe Neuhaus está há um bom tempo no Union Berlin e tem conseguido resultados satisfatórios. Como Neuhaus trabalha? E qual sua postura? Por seu tempo de clube, ele age como “ser intocável” ou age calmamente?

Para mim, Neuhaus é um grande treinador. Ele é calmo e sabe como montar uma equipe, além de conhecer muito bem os jogadores que tem em mãos. Já está há muito tempo no comando da equipe e tem feito um belo trabalho.

Dos nove jogos que tu participasse, em cinco acabasse sendo substituído. Tens algum problema físico ou é opção de Neuhaus? E isso te incomoda, seja o problema físico ou a alteração técnica?

Eu estava com um problema nas costas que me incomodava bastante. Assim eu não podia dar o máximo nos noventa minutos e acabava sempre pedindo alteração, até porque um atleta melhor fisicamente pode decidir a partida.

Nas equipes que tu atuasse, algum diretor e até presidente já chegou a interferir no comando técnico da equipe?

Isso já aconteceu no Lugano. Tínhamos um presidente renomado na Itália e ele resolveu intervir quando o time passava por um momento ruim. A sua experiência fez com que saíssemos daquela incômoda situação.

Pra fechar essa entrevista: a impressão que você tinha do futebol europeu quando estava no Brasil segue sendo a mesma de agora que você está no velho continente?

Quando eu estava no Brasil, acabava escutando muito do futebol europeu e quando vim pra cá, acabei percebendo que era ainda maior do que eu imaginava. Os torcedores são muito fanáticos e a qualidade de vida e do futebol são extraordinários. Tirando o frio, é muito bom jogar futebol por aqui.

Só uma sessão de abraços: primeiro, obviamente, para o atacante Sílvio, que disponibilizou um pedaço de seu tempo para responder essas perguntas, um muito obrigado e um forte abraço pro atacante.

Segundo para Jonas Sousa da FPA (Fairplay Agency GmbH), empresa que agencia a carreira de Sílvio. Um forte abraço para Jonas, que tornou essa entrevista possível.

Até à próxima e dentro do possível, trago novos entrevistados!

2 respostas em “O novo brilho berlinense

  1. bom dia ouvintes sou de niterói , mas olha aqui ; foi justo o rebaixamento do hertha berlim para serie b do futebol alemão temporada 2012 / 2013 após a expulsão do autor do gol anis ben hatira e a arbitragem foi muiyto ruim , mas chiquinho , me ajuda , é zeeeeeeeeeeeero !! por isso otto rehhagel não é mais o técnico do time

  2. Pingback: Quinze nomes conhecidos da 2.Bundesliga « Futebol Europeu Online

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s