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Nossa derrota, nossa alegria

23 de novembro de 2011

Bordeaux campeão nacional... com forcinha parisiense?

Um termo tem entrado cada vez mais no vocabulário do torcedor brasileiro: “entrega de resultados”. Não há muito o que explicar sobre esse caso, a não ser o fato de um time abdicar da vitória para prejudicar uma outra equipe, geralmente um rival ou uma equipe que já foi “sacana” com seu time um dia. Com provas ou não – na maioria das vezes, somente “achismo” define o caso -, essa história já virou rotina das retas finais de Campeonato Brasileiro.

Engana-se quem pensa que somente aqui no nosso país que acontece este tipo de coisa. Aliás, na Europa, com muito mais dinheiro rolando do que aqui, essas “entregas” talvez aconteçam até com mais frequencia do que o imaginado.

Em Le Classique essa história já rolou e dá confusão até hoje. Não só pelo resultado final, como também pelas declarações de atletas envolvidos na partida.

Decidi ir fundo na temporada 1998/99, onde isso exatamente aconteceu.

PSG: O FIEL DA BALANÇA

A 32ª rodada da temporada 1998/99 o Campeonato Francês foi a grande divisora de águas para as equipes que pretendiam buscar o título nacional. O Olympique de Marseille, então líder da competição, iria para o Parc des Princes enfrentar seu grande rival, o Paris Saint-Germain, que fazia temporada decepcionante, ocupando a 10ª colocação. Enquanto isso, o Bordeaux, vice-líder da competição, jogaria fora de casa diante do 7º colocado, Lens.

Era uma rodada crítica, onde tudo poderia acontecer. Era perfeitamente normal o Bordeaux tropeçar diante do Lens no Félix Bollaert, assim como o PSG poderia muito bem derrotar o rival Marseille. Porém, a derrota não estava nos planos nem dos Girondins, nem do OM. Isso poderia significar a perda do título.

As duas partidas aconteciam simultâneamente e no andamento da rodada, o Marseille ficara na ponta da competição. Com 5 minutos no Félix Bolaert, Ivan abria o placar pro Bordeaux, mas via os donos da casa empatar menos de dez minutos depois, com Daniel Moreira. No Parc des Princes, quem mexia no placar pela primeira vez era o Marseille, com Maurice.

Em Paris, o placar não se mexia, somente em Lens, onde até o intervalo, Nyarko virava para os donos da casa e Ivan empatava pros visitantes.

PSG e OM abriu fronteiras em 1999

As quatro equipes foram para o vestiário sabendo que o Olympique de Marseille ia disparando na liderança da competição. O OM chegava aos 68 pontos e via o Bordeaux com apenas 64.

Na etapa complementar, PSG e Bordeaux partiram para cima de seus adversários com a ideia de estragar a festa do Olympique de Marseille. Mas pareceu que a dupla combinou, pois os gols saíram em momentos próximos em cada uma das partidas.

No Félix Bollaert, Sylvain Wiltord, aos 37 minutos, recolocava o Bordeaux em vantagem com um canudo do meio da rua. Dois minutos depois, Marco Simone tabelou com Mickaël Madar e mandou para as redes, empatando o jogo no Parc des Princes. Menos de cinco minutos depois, o atacante Bruno Rodríguez vencia o goleiro Porato na corrida e com a trave aberta mandava pra dentro. Após levar a virada, o Marseille ainda viu o Bordeaux fazer o quarto gol com Micoud, no finalzinho da partida.

Prejuízo gigantesco para o Marseille, que perdia o clássico e a liderança. O Bordeaux chegava a 66 pontos e o OM ficava um ponto abaixo.

Na rodada seguinte, Marseille e Bordeaux venciam Auxerre e Lyon – respectivamente – pelo mesmo resultado, 1×0, e na última rodada, os Girondins dependiam apenas de uma vitória para ficar com o troféu mais cobiçado do futebol francês.

Quis o destino que na última rodada o Olympique de Marseille dependesse do Paris Saint-Germain para ser campeão. Isso porque na rodada derradeira da Ligue 1, o Bordeaux iria até o Parc des Princes pegar o PSG, enquanto o Marseille iria até o Stade de la Beaujoire-Louis Fonteneau pegar o Nantes. Para erguer o caneco, o OM precisaria vencer e torcer para que o PSG arrancasse pelo menos um empate do Bordeaux.

Obviamente os torcedores do Marseille ficaram com os dois pés atrás. O PSG seria capaz de derrotar o Bordeaux e dar o título para o grande rival?

O fato é que o Paris Saint-Germain engrossou a partida para o Bordeaux. Se na primeira etapa os Girondins venceram por 1×0, na etapa final os donos da casa decidiram mostrar que não queriam entregar o jogo e chegaram a deixar a partida empatada em 2×2. Quando nos aproximávamos dos acréscimos e o 2×2 de PSG x Bordeaux, somados com o 1×0 do Marseille em cima do Nantes davam o título pro OM, Pascal Feindouno, que havia entrado no decorrer da partida e não havia feito nenhum gol na temporada, desencantou e fez o gol do título do Bordeaux.

Wiltord foi o grande nome do Bordeaux em 1999

A perda do título gerou revolta nos lados de Marseille. O técnico Rolland Courbois não mediu palavras para acusar a entrega do time parisiense. Jogadores como Luccin e Dugarry também tiveram a sensação de que o PSG não fez grande força para derrotar o Bordeaux. Aqueles que adoram uma teoria da conspiração, dizem que Philippe Bergeroo, técnico do PSG na época, orientou seu time para que não fizesse muita força, já que quando jogador, atuou por 7 anos no Bordeaux e seria uma espécie premiação para o time onde jogou. Quem viu o jogo com menos paixão e mais lúcidez, percebeu que as mexidas de Bergeroo foram para vencer o jogo. Tirando a entrada de Llacer no lugar de Worns, que foi por contusão, as demais alterações visavam a vitória. Os atacantes Leroy e Adaílton entraram no lugar do meio campista Okocha e do lateral-direito Algerino, respectivamente.

Só que a primeira declaração bombástica do caso veio a acontecer mais de dez anos depois. Francis Llacer, defensor do Paris Saint-Germain naquela partida e que entrou no decorrer do jogo, disse em entrevista no mês de maio deste ano que “entrou sem muita vontade e que não era só ele.” Segundo Llacer, “a preparação pro jogo já não foi das melhores e o time entrou desmotivado em campo”.

É claro que as declarações de Llacer são polêmicas e bem esclarecedoras para quem adora uma teoria da conspiração, mas aqueles que querem olhar pro lado bom até o limite extremo – que é meu caso -, sabe que o time do Bordeaux era muito superior as demais equipes do torneio. A equipe não só era melhor como tinha um diferencial, Sylvain Wiltord, artilheiro daquela edição da Ligue 1, com 22 gols.

100% HONESTOS

O Paris Saint-Germain já “tirou” um título do Olympique de Marseille de forma meio desonesta com o acontecimento citado acima. Mas o time parisiense já complicou a vida do seu grande rival de forma honesta.

Isso aconteceu na temporada 1986/87, quando a dupla que disputou o título em 99 também disputava o título da então temporada. Antes do começo da 37ª rodada, a penúltima do torneio, o Bordeaux liderava a competição com 51 pontos, enquanto o Marseille vinha logo abaixo com 49 pontos. Só que naquela rodada, teríamos Le Classique e o Paris Saint-Germain fez a festa de seus torcedores e os do Bordeaux também ao vencer por 2×0. Somado a isso, veio a vitória do Girondins pra cima do Saint Etienne.

Com 53 pontos, o Bordeaux abria quatro pra cima do Marseille tendo apenas um jogo para disputar. Foi a primeira vez que o PSG atrapalhou a caminhada do Olympique para um possível título.

No decorrer da história, tivemos outras vitórias parisienses que deram uma leve complicada na vida do Marseille, mas poucas se comparam a essa.

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Fiquem atentos, porque amanhã trarei o histórico de Marseille e Paris Saint-Germain em copas nacionais. Fiquem de olho!

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