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Grupo da morte? Discordo

2 de dezembro de 2011

Toda vez que chegamos no dia de um sorteio para os grupos de uma grande competição, sempre fica aquela expectativa de ver um “grupo da morte”. A expectativa é tanta, que a gente às vezes enxerga um grupo forte e logo já vamos chamando de “grupo da morte”. Na maioria das vezes o grupo só tem uns times de destaque e só, não é um grupo da morte. Pelo menos pra mim, foi o que aconteceu nesta sexta-feira, após o sorteio dos grupos da Uefa Euro 2012.

O grupo B do torneio será formado pelo segundo e terceiro colocado da última Copa do Mundo, respectivamente, Holanda e Alemanha. Além de ter seleções de certo renome, como Dinamarca e Portugal, nomes constantes em Eurocopa.

Logo após a confirmação do grupo, vários comentários surgiram como “temos o grupo da morte” ou “este é o grupo que queríamos ver”. Mas honestamente, discordo da afirmação de que o grupo B da Eurocopa é o “grupo da morte”.

Joachim Löw, Morten OIsen, Paulo Bento e Bert Van Marwijk: técnicos do grupo B (Sports File)

Primeiro de tudo: a Alemanha está acima das três seleções. A Nationalelf não tem uma grande solidez defensiva, porém, o ataque compensa. Podolski, Müller, Özil e Klose formam um quarteto letal. Isso que Jögi Löw tem a disposição no banco jogadores como Götze, Reus e Mário Gomez. Nas eliminatórias, a Alemanha fez dez jogos e venceu todos, tendo marcado 34 gols e sofrido 7. A seleção não só é favorita no grupo como é favorita ao título.

A segunda força do grupo é a Holanda. Atuais vice-campeões mundiais, a Laranja pode não apresentar um futebol vistoso como outrora, mas tem um time muito consistente. O grande pecado do time fica na falta de um homem decisivo. Sneijder acaba sendo mais um “coadjuvante decisivo”. Não é o cara que põe a bola na rede, mas é aquele que sempre deixa os companheiros em condições de fazer o gol. Robben vive machucado e desde que voltou nesta temporada, tem produzido pouco. Van Persie, grande nome holandês do momento, não traduz na seleção o que produz no Arsenal, vide a última Copa do Mundo, onde marcou somente um gol.

A terceira força do grupo fica dividida entre Portugal e Dinamarca. Muito se falou após o sorteio do grupo B que “os dinamarqueses eram a primeira seleção eliminada do torneio”, não por ser mais fraca que alemães e holandeses, mas por serem mais fracos até que os portugueses, claramente colocando a seleção de Portugal no mesmo patamar das duas citadas anteriormente. Não custa lembrar que no grupo H das eliminatórias para a Euro, Dinamarca e Portugal caíram na mesma chave e os dinamarqueses terminaram na primeira colocação, mandando o time lusitano para a repescagem. Claro que a Dinamarca já viveu anos melhores, mas colocá-la abaixo de Portugal é no mínimo desatualização.

O início dos anos 2000 – entenda-se “era Scolari” – foram ótimos para a seleção portuguesa, que conseguiu grandes feitos, como um vice-campeonato europeu e um quarto lugar mundial, mas o time envelheceu, Felipão se foi e o time está se reformulando de forma lenta. Paulo Bento já se envolveu em algumas confusões com alguns jogadores mais experientes e tenta remontar Portugal do jeito que dá, mas o futebol apresentado não agrada tanto assim…

Não é “grupo da morte”. Diria eu que é o “grupo da atenção”. Alemanha e Holanda são as melhores seleções do grupo e estão alguns patamares – ou vários patamares – acima de Portugal e Dinamarca. Mas é aquela história: são seleções perigosas. A atenção definirá os jogos. O time mais ligado levará os três pontos.

DEMAIS GRUPOS

O grupo A com certeza é o mais fraco de todos. Ele será composto por Polônia, República Tcheca, Grécia e Rússia.

Franciszek Smuda, Fernando Santos, Dick Advocaat e Michal Bilek são os treinadores do grupo A (Getty Images)

Quem agradece são os russos, que mesmo não tendo mais aquele brilhantismo de 2008, são os favoritos da chave. O time chegou na Euro vencendo o grupo B e possuem jogadores mais rodados e técnicos, pontos que lhes coloca na lista de favoritos do grupo.

Tchecos e poloneses deverão brigar pela segunda vaga. A República Tcheca já teve times muito melhores do que o atual comandado por Michal Bílek, mas pelo menos este atual time tem experiência, algo que pode ser um ponto pra lá de positivo em um grupo desses. Já os poloneses tem o fator casa, já que terão sua torcida à favor. Não adianta dizer que não adianta de nada, pois se houver uma ligação entre elenco e torcida, adiantará sim.

Gregos correm por fora, mas é aquela história, eles já não mostraram brilhantismo algum em 2004, quando conquistaram o torneio, imagina agora que o time está envelhecido e o futebol no país está quebrado…

Do grupo B já falei, agora chegamos ao grupo C, onde quem se deu bem foi a Espanha, que terá Itália, Irlanda e Croácia como adversários. Os espanhóis são francos favoritos e só uma tragédia os tirará da fase de mata-mata.

A segunda força é a reformulada Itália de Cesare Prandelli. Mas não adiantam apenas os resultados satisfatórios, o time dentro de campo ainda não tem uma grande solidez. Por isso, tudo pode acontecer quando se pega uma Irlanda, por exemplo. Os irlandeses são experientes e “cascudos”. Serão adversários complicados.

O duelo entre Itália e Irlanda marcará o reencontro da Azzurra com Giovanni Trapattoni, experiente técnico italiano e que treinou a seleção italiana de 2000 à 2004.

A Croácia corre por fora e não deve ser excluída. Os croatas tem jogadores de boa qualidade, como Srna, Modric e Olic. Se o conjunto – e a condição física – ajudar, o time pode ser uma das zebras do torneio. Não duvido disso!

O grupo D também é cascudo, ele é formado por França, Inglaterra, Suécia e um dos países sede, Ucrânia.

Enquanto a França sente falta de Zizou, ele coloca a Irlanda no Grupo B (Sports File)

Franceses e ingleses são os favoritos, mas a fase de ambos não ajuda. Les Bleus terminaram 2011 invictos, porém, jogando mal. Laurent Blanc tem testado muita gente e não encontrou uma base firme. Sem falar do fato da França ainda sentir falta de um Zidane. Não precisa exatamente de alguém que jogue como Zizou – como se fosse fácil encontrar outro -, mas precisa sim de um protagonista, de alguém que ponha a bola debaixo do braço e chame o jogo. Falta isso pra França. Já no English Team falta um melhor ambiente interno. Na copa passada tivemos o famoso caso de John Terry e Wayne Bridge. Desta vez, temos as várias trocas de capitão e a suspensão de Wayne Rooney. Somado a isso, Fábio Capello ainda não tem um time bem definido. Assim como na França, dá pra sentir que falta um “algo mais”.

A Suécia pode ser encarada como uma Dinamarca: já foi melhor, mas não pode ser desprezada. A diferença de suecos para dinamarqueses está em Ibrahimovic, esse é o homem que pode decidir para a Suécia, embora ele sofra do mesmo mal de Van Persie, o mal de dar uma sumida nas grandes competições.

A Ucrânia reserva todas as suas expectativas em cima da dupla Andriy Shevchenko e Andriy Voronin. A dupla é experiente, mas são as opções que eles tem. São matadores, o problema fica no resto do time. Não adianta ter dois bons jogadores de frente e os outros 9 jogadores não forem de boa qualidade. Para isso, o técnico Oleh Blokhin torce para que os milhares de torcedores que irão aos estádios ucranianos torcer por sua seleção, façam com que esses jogadores “melhorem”.

Confira a tabela da Eurocopa

One comment

  1. Texto ótimo. Reflete e resume bem oque será a fase de grupos, porém você errou ao dizer que a Rússia foi as repescagens, quando não foi. De resto acredito que Ucrânia pode surpreender, pois conta com uma boa geração de jogadores como Aliyev, Sheva, Voronin, etc. Aliados a alguns jovens que vem demonstrando muita qualidade como Konyaplianka, Yarmolenko e Koval. Abração.



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