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Tradição alemã de 54 anos

4 de março de 2012

Desde o final da temporada 1957/58, uma coisa é tradição na Alemanha: o Schalke não será mais campeão alemão. O ano em que a Seleção Brasileira conquistava sua primeira Copa do Mundo também ficou marcado como o último ano em que os Azuis Reais conquistavam o Campeonato Alemão.

De lá pra cá, muitas decepções! A lembrança mais dolorosa de todas foi na temporada 2006/07, quando o Schalke, líder da Bundesliga, foi até Dortmund enfrentar seu maior rival, em jogo válido pela penúltima rodada da competição. Se os Azuis Reais vencessem o derby e a dupla Stuttgart e Werder Bremen, rivais na luta pelo título, perdessem, seriam campeões em cima dos maiores desafetos no futebol. Só que os vários torcedores do Schalke que promoveram uma invasão no Westafalenstadion viram seu time perder por 2×0 e posteriormente, perder o título, ganho na última rodada pelo Stuttgart.

Effenberg participou do lendário "4 minuten im mai"

Ah, não podemos esquecer da temporada 2000/01, quando a torcida do Schalke invadiu o gramado do Parkstadion ao término da vitória sobre o Unterhaching na última rodada da Bundesliga, isso sem a partida do Bayern se encerrar. Eles perdiam pro Hamburgo por 1×0. Resultado: no último minuto, Patrik Andersson fez o gol de empate e que dava o título ao time bávaro, selando assim, um dos maiores micos da história do futebol alemão. Aliás, pro Schalke, mico, pro Bayern, “4 Minuten im Mai”, uma história épica!

Na atual temporada, a história parecia que iria mudar. O Schalke trocou de técnico ainda no início da temporada. Ralf Rangnick decidiu sair, e Huub Stevens retornou – ele era o técnico em 2001 – ao cargo nos Azuis Reais. Tudo parecia ir muito bem! Stevens colocava praticamente o mesmo time de seu antecessor, porém, com uma grande virtude: ele sabia fazer as alterações corretas!

O Schalke vinha fazendo uma temporada impecável! Lutava pelo título alemão e estava muito bem na UEFA Europa League. Só que o “encanto” parece ter acabado.

Após contundente vitória sobre o Wolfsburg, os Azuis Reais bateram de frente com o problemático Bayern de Munich, porém, em um jogo que foram dominados durante 90 minutos, veio a derrota por 2×0. Normal? Nem tanto se lembrarmos que dias antes deste duelo, o Schalke penou para eliminar o Viktoria Plsen da UEL. Em que pese a garra tcheca, o time alemão teve o jogo em mãos, mas com uma soberba do tamanho de seu jejum de títulos da Bundesliga, cedeu o empate. Se não fosse o cansaço e os jogadores a menos – o Plsen teve um atleta expulso e um contundido quando já havia trocado três – do time adversário, dificilmente faria o resultado favorável no tempo extra.

A prova fatal de que não se tratavam de meros “jogos complicados”, veio neste fim de semana. O Schalke foi derrotado na Floresta Negra pelo Freiburg, então lanterna do Alemão, por 2×1. Os jornais alemães já classificam esse mau momento azul real como “crise”. Eu não chegaria a tanto, mas também não pegaria leve.

Stevens está perdido no comando do Schalke (Reuters)

Pra mim, este Schalke parou de “enganar”. Huub Stevens tem tomado decisões duvidosas durante sua passagem. Para alguns, essas eternas mexidas no time titular são normais, pra mim, demonstram a dúvida que ele tem em quem escalar. A começar pela zaga. Stevens não sabe quem é seu lateral-direito. Uchida ganha algumas oportunidades, mas quase sempre é queimado no intervalo. O capitão Höwedes, sabe-se lá porque, ganha várias oportunidades na posição, tendo jogado mal em 90% das vezes. Marco Höger, jogador que mais se deu bem na lateral, só joga lá quando Stevens precisa, porque só o coloca no meio campo.

Na defesa, faltam opções confiáveis. O mesmo Höwedes não joga na zaga, quando poderia ser muito útil por lá. Metzelder, que daria um toque de experiência ao time, vive contundido. Joel Matip é muito instável e Papadopoulos é mediano – é decisivo nas subidas ao ataque, mas gosta de abrir a caixa de ferramentas na defesa.

No meio-campo, Stevens usa o instável Matip na cabeça-de-área, porém, não tem idéia de quem ocupar nas demais posições. Holtby e Jurado podem jogar ao lado do camaronês, mas ambos são muito irregulares. Höger também joga lá, mas como foi dito acima, ele se dá melhor na lateral. Na faixa direita, joga Farfán. Mesmo eu achando que ele não joga tudo que se fala, o peruano é importante pro time azul real e cumpre bem sua função na faixa direita. Mas na esquerda? Quem joga? Draxler? Obasi?

No ataque é inquestionável, jogam Raúl – esse mais recuado, quase como um armador – e Huntelaar, mas para substituí-los, Stevens parece confiar mais no mediano – estou sendo bonzinho – Ciprian Marica do que no jovem Teemus Pukki, que nas oportunidades que recebeu, foi muito bem.

Nesse tapinha de pé direito, Ribéry fez um dos gols do Bayern (Reuters)

Vamos falar a verdade: Huub Stevens não faz essas mexidas achando que a rodagem no elenco faz bem, ele simplesmente não tem idéia de quem jogar! São essas dúvidas que vão minando o Schalke da luta pelo título. Os Azuis Reais só venceram o Gladbach dos três times que estão acima, mesmo assim, no 2º turno tomou uma porrada dos Potros. O Schalke perdeu as duas partidas pro Bayern e saiu derrotado do Signal Iduna Park no duelo contra o Dortmund.

Ao que pese o reajuste do Freiburg com Christian Streich – o time tem mais conjunto sem Cissé -, a partida do sábado parece ter selado o destino do Schalke na Bundesliga. 11 pontos atrás do líder Dortmund, com problemas pra vencer jogos grandes e com um técnico que não tem idéia do que está fazendo, os Azuis Reais passam a se preocupar com a manutenção da vaga na Champions League!

TÓPICOS DA RODADA

>O Borussia Dortmund bateu o Mainz por 2×1 e disparou na liderança, com 7 pontos de vantagem pro Bayern. Foi a oitava vitória seguida do BVB, feito inédito na história do clube na Bundesliga;

>O Bayern perdeu mais uma, 2×0 diante do Leverkusen. Robin Dutt, outrora chamado por mim de medroso, foi muito corajoso neste duelo, ao deslocar Castro para a lateral-direita e jogar com dois centro-avantes na etapa final;

>Müller, que já havia discutido com Holger Badstuber nos vestiários, após o duelo contra o Basel na Champions League, bateu boca com Jêrome Boateng no meio da primeira etapa no jogo de ontem;

>Essa foi mais uma prova de que é hipocrisia jogar a culpa do mau momento bávaro na ausência de Schweinsteiger. O Bayern jogou novembro e dezembro sem ele e foi muito bem. Não custa reforçar que Schweini voltou jogando mal. Foram poucos jogos, é verdade, mas estava em péssima forma técnica. Esse time do Bayern é rachado! Já era desde os tempos de van Gaal e agora com esta má fase, só ficou mais escancarado ainda;

>O Hamburgo pegou uma síndrome contrária a do rival regional, Werder Bremen. Os Verdes são leões em casa e gatinhos mansos fora. O HSV é o inverso e reforçou isto nesta rodada. Derrota por 4×0 diante do Stuttgart e já são cinco jogos sem vencer em casa. O Hamburgo sofreu 14 gols em 5 jogos jogando na Nordbank-Arena;

>Em compensação, o HSV não perde fora desde setembro;

>Segundo jogo seguido sem Herrmann, segundo tropeço. Incrível como o Gladbach sente falta dele! Os Potros ficam sem velocidade alguma. A derrota foi diante do Nüremberg;

>Pobre é Lucien Favre, que além de ter pouquíssimas opções no banco, ainda vê Reus, Arango e Hanke atuando de forma ridícula;

>O Kaiserslautern ficou no 0x0 com o Wolfsburg e chegou ao 14º jogo sem vitórias! O time ocupa a lanterna e Marco Kurz começa a ter seu emprego ameaçado;

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