Contos da Euro – A Terra do Espetáculo: Gdansk e Poznan

Os dias vão passando e a Eurocopa vai se aproximando! Com isso, aproveito para fazer uma pequena abertura para os locais onde serão realizados os jogos do torneio. Começamos com duas cidades de um dos países sede, Gdansk e Poznan, ambas da Polônia.

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A Polônia, uma das sedes da Eurocopa 2012, tem mais de 38 milhões de habitantes em uma área de 312.679 km², está no coração geográfico da Europa e terá o prazer de receber jogos da UEFA Euro em quatro cidades.

Duas destas cidades são Gdansk e Poznan. Conheça abaixo um pouco da história das duas cidades.

Sem ousar, mas sem temer, Gdansk receberá os espanhóis na Euro (Reuters)

Começamos por Gdansk, que logo de cara me chamou a atenção por seu lema, que é um tanto quanto interessante: “Nem ousada, nem timidamente”. Parece que alguns técnicos por aí adotam também este lema…

Gdansk é uma cidade pequena em tamanho – 262 km² – e em população – pouco mais de 450 mil habitantes -, porém, de grande importância histórica. Napoleão chegou a dizer que Gdansk era “a chave para tudo”. Durante a II Guerra Mundial, a cidade foi invadida pelas tropas de Hitler. Porém, desde 1945, carrega a bandeira da Polônia.

Gdansk é o principal porto marítimo polonês, localiza-se no delta do rio Motlawa, próximo ao foz do rio Vitsula. Até por isso, durante um bom tempo, as trocas comerciais marítimas agitaram a economia da cidade. Junto com a cidade de Gdynia e a vila termal Sopot, formam uma área metropolitana que se estende por 25km ao longo da costa do Báltico.

Atualmente, a principal fonte de economia da cidade é o turismo. As galerias de arte e as cafeterias chamam a atenção das pessoas, que se locomovem de outras regiões para conhecê-las. Durante o verão, o que mais chama a atenção dos turistas são as praias – sim, faz calor na aparentemente congelada Polônia – bálticas.

Talvez a pessoa mais conhecida que seja oriunda de Gdansk seja simplesmente Gabriel Daniel Fahrenheit, inventor do termômetro de mercúrio. Lech Wałęsa – e torcedor ferrenho do time local, que será destacado abaixo -, ex-presidente polonês é outro filho da região.

Agora que você já tem uma pequena noção da representação histórica e cultural de Gdansk, vou falar um pouco de um tema que tem mais a ver com o blog, o futebol.

Os times da cidade sempre estiveram vários degraus abaixo dos clubes de grande calibre da Polônia – entenda-se, times das cidades de Varsóvia, Chorzow e Lviv – e apenas uma vez essa história foi um pouco diferente. O Lechia Gdansk conquistou na temporada 1982/83 a Copa da Polônia e meses depois, a Supercopa.

Desde 2008, o Lechia tem frequentado a primeira divisão polonesa – isso quando havia disputado a sexta divisão em 2001, por causa de problemas financeiros -, porém, vem fazendo campanhas medianas, que acabando deixando o torcedor mais preocupado em fazer contas para livrar o time do rebaixamento do que secando rivais da parte de cima da tabela.

Se um grande time não surgiu em Gdansk, o mesmo não pode ser dito de jogadores de futebol. Andrzej Szarmach anotou 32 gols em 61 participações pela Polônia e participou da Copa de 74, onde o time que ainda tinha Lato, terminou na terceira colocação.

Jogando em seu país, Szarmach atuou no Arka Gdynia – ironicamente, grande rival do time da cidade de Szarmach, o Lechia Gdansk -, Gornik Zabrze e no Stal Mielec. Depois, ele fez carreira na França, tendo tido mais destaque no Auxerre, onde fez quase 150 jogos e anotou 94 gols. O centro-avante também teve passagens de destaque  pelo Guingamp e Clermont.

Gdansk também conta com medalhistas olímpicos. Zygmunt Chychła foi ouro no boxe em 1952, enquanto Adam Korol conquistou a medalha dourada no remo em 2008.

PGE ARENA GDANSK

O atraso na construção parece ter valido a pena (Jerzy Pinkas)

O estádio da região está situado no bairro de Letnica, em Gdansk e esteve pronto no mês de julho de 2011 – a neve atrasou um pouco a inauguração do estádio, que era prevista para janeiro de 2011. 364 milhões de reais foram investidas na construção da Arena Gdansk, que levou dois anos e meio para ter sua obra concluída e além do campo de futebol, tem um hotel e uma pista de patinação. O lado exterior do estádio tem 45 mil m² e tem uma composição de 18 mil placas douradas. Estas placas lembram o âmbar, que é uma resina fóssil, encontrada em grandes quantidades em Gdansk.

A Arena Gdansk será a casa da seleção atual campeã europeia e mundial, a Espanha. A Fúria de Vicente del Bosque, pegará a Itália no dia 10 de junho, a Irlanda no dia 14 e a Croácia no dia 18, todos em Gdansk. O último jogo na cidade poderá ser da seleção local. Será o confronto das quartas-de-final que envolverá o vencedor do Grupo B e o segundo colocado do Grupo A. Neste Grupo A encontra-se a seleção polonesa, que obviamente, se terminar na segunda colocação, jogará en Gdansk.

Outra história curiosa envolvendo a Seleção da Polônia e a PGE Arena Gdansk é que o primeiro jogo do selecionado neste estádio foi contra a Alemanha, justo as duas que lutavam pelo território na II Guerra Mundial.

Esta é a cidade de Gdansk, cidade das praias, do Lechia Gdansk, cidade também que será palco das incansáveis troca de passes da Seleção da Espanha.

PGE Arena Gdansk brilhará algumas vezes na Euro (Reuters)

Agora chegamos a Poznan, cidade que só o nome já dá um orgulho em quem lá reside. Se formos traduzir “Poznan”, veremos que a tradução será “aquele que é reconhecido”. E suas feiras regionais dão este reconhecimento. São estas feiras que chamam os turistas e fazem a economia local rodar.

A cidade de Poznan também teve diversas mudanças através da história até ser o que é atualmente. A cidade já foi destruída pelo Império Romano no século XI, já foram invadidos por suecos, prussianos, russos e germânicos entre os séculos XVII e XIX, mas só durante a Primeira Guerra Mundial conseguiu se estabelecer na Polônia com o Tratado de Versalhes.

O Stary Browar é um shopping center famoso em Poznan (Reuters)

Poznan é uma cidade que tem adotado a industrialização desde o século XIX e por isso é bem evoluída nos dias atuais. Mesmo sendo a quinta cidade em tamanho, é a segunda maior econômia da Polônia, atrás apenas de Varsóvia.

Um ponto que chama a atenção na cidade é que mesmo com o ecletismo esportivo, o futebol tem seu destaque com o Lech Poznan, um dos grandes clubes do país. O clube já conquistou a liga nacional por seis oportunidades e a copa cinco vezes.

O Lech passou a ser conhecido no país por causa de seu ataque “ABC”, formado por Aniola, Bialas e Czapczyk. Só que a grande época do clube veio nos anos 80, quando foram conquistados três campeonatos e duas copas. O último título veio em 2010, quando o time tinha Robert Lewandowski, atualmente no Borussia Dortmund.

Mais recentemente, o Lech Poznan surpreendeu a Europa inteira ao dar trabalho para Manchester City e Juventus na UEFA Europa League. O desempenho mais assustador foi no duelo contra a Vecchia Senhora na Itália, quando houve o empate por 4×4 e Artjoms Rudnevs anotou os quatro gols dos poloneses.

Mas o Lech Poznan deixou um legado para os torcedores: “A Poznan”. Essa comemoração consistia nos pulos dos torcedores, abraçados, mas de costas para o gramado, indo de lá para cá nas arquibancadas. A manifestação que virou moda na Polônia, se espalhou pela Europa.

ESTÁDIO MUNICIPAL DE POZNAN

Digamos que este estádio tem história para contar. Antes das construções das arenas para a Eurocopa, este era o maior estádio da Polônia.

Em jogos UEFA, o Municipal terá capacidade para 40 mil pessoas, mas assim como acontece em boa parte da Europa, esse número deve ser maior nos jogos locais, já que algumas das torcidas do velho continente costumam se posicionar atrás do gol, de pé, pulando, cantando, enfim, sem usar as cadeiras.

O estádio também conta com uma enorme estátua de bronze, com 400kg. Ela serve para ajudar os visitantes com deficiência visual a terem uma ideia de como é a forma do estádio e de todas as suas peculiaridades.

Cerca de R$295 milhões foram investidos na remodelação do tradicional estádio da cidade de Poznan.

Outro ponto positivo do estádio está no fato de estar localizado nas proximidades do aeroporto de Poznan, fazendo com que os times, sejam clubes ou seleções, evitem grandes deslocamentos caso optem por uma chegada em cima da hora.

O Estádio Municipal, que existe desde 1980, é o sexto “lar” do Lech Poznan, que mesmo sendo um grande time da Polônia, não tem o costume de se fixar em um estádio. Quem sabe com as modernizações do Municipal, eles se fixem por lá.

Só que a história e tradição do Municipal acabaram, de certa forma, sucumbindo as novas arenas da Polônia. Poznan receberá apenas três jogos na primeira fase: Irlanda x Croácia no dia 10 de junho, Itália x Croácia no dia 14 e Itália x Irlanda no dia 18.

Estas foram Gdansk e Poznan, duas das sedes da UEFA Euro 2012. Até a próxima!

"Escondido" em meio as arenas, o Municipal de Poznan receberá a tradicional Itália (UEFA)

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