Não pode agarrar

"Barça com ajuda", diz o Gazzetta dello Sport

Há alguns dias atrás, um lance chamou a atenção do Brasil inteiro – colocaria Mundo, mas pra mim ficou nítido que debateram a jogada mais aqui do que no resto do planeta -, o pênalti de Alessandro Nesta em Sergio Busquets no duelo de volta das quartas-de-final da UEFA Champions League, entre Barcelona x Milan. No caso, houve uma cobrança de escanteio na grande área, Busquets foi segurado por Nesta e o árbitro assinalou pênalti. Messi cobrou e deu seqüencia a vitória catalã por 3×1.

Debate à parte, uma coisa pôde ser notada daquele dia em diante: todo e qualquer agarrão na grande área virou falta e/ou pênalti, não só para analistas e torcedores, mas também pros homens do apito. Obviamente, esses lances estão causando polêmica mundo afora.

Tornou-se rotineiro ver o árbitro alertar os atletas sobre os puxões e agarrões, mas também virou normal ver um corneteiro falar: “Pra quê avisar? Vai e marca o pênalti!”. Desta “tese” eu discordo totalmente. Ao mesmo tempo em que o defensor do time A derruba o atacante do time B, há um jogador do time B que está puxando um adversário. Ou seja, existem faltas de ataque e de defesa num mesmo lance. Não adianta o árbitro simplesmente escolher um lado e marcar, ele estará prejudicando alguém do mesmo jeito. Sem falar da dificuldade humana de notar todos os puxões. Então o bom é nem marcar nada, no fundo é o melhor a se fazer.

Mas também não sou daqueles que acha que os jogadores podem se matar na área e quem fizer o gol que saia feliz. Se for algo acintoso, o árbitro tem de marcar, não tem jeito. E esse não foi o caso do lance de Nesta em Busquets. O puxão só se “consumou” quando Puyol colocou seu corpo na frente do zagueiro italiano, impedindo sua movimentação.

A questão é: como chegar a uma solução dos problemas de levantamentos na área? Pode apostar que marcar tudo não vai adiantar. O caso citado acima de ter faltas pros dois lados em todos os lances vai gerar reclamação sempre. Ou será que alguém acha que o time com um pênalti contra si ficará satisfeito ao saber que um de seus jogadores também foi puxado na grande área? Óbvio que não! E eu acredito que mesmo marcando todo e qualquer tipo de puxão esse “estilo de jogo” não será extinto. Os jogadores continuarão se agarrando nas bolas aéreas, não tem jeito.

Sem o auxílio necessário, os árbitros ficam expostos aos erros primários

Para mim, deve existir uma espécie de orientação aos árbitros, seja ela da FIFA ou das confederações ao quais os árbitros pertencem. Assim como no caso dos goleiros que se adiantam em pênaltis, tem de haver certa tolerância, não pode sair por aí achando que tudo é irregular, assim como não deve liberar geral. Repito o que foi escrito anteriormente, o puxão acintoso tem sim de ser marcado, mas todos não, porque são vários que existem na área e para todos os lados.

O problema é, parece que os grandes executivos do futebol não estão interessados em melhorar a arbitragem. Sou a favor da tecnologia no esporte, mas também sou favorável a uma qualificação dos juízes, principalmente porque para mim, a tecnologia deve ser usada em poucos lances – se a bola entrou, por exemplo -, já que boa parte das ações do jogo necessita da intervenção humana imediata.

O tal auxiliar que se posiciona no lado da trave poderia ajudar o árbitro nesses lances, só que ninguém sabe a função daquele ser humano. Poucas vezes os vi agindo em partidas de futebol, seja assinalando um pênalti, um impedimento ou qualquer tipo de irregularidade. São meros espectadores!

Mas são lances complicados. Os homens do apito precisam ter pulso firme e saberem a hora que devem ou não anotar a infração. Não são todos os lances que a falta deve ser marcada, também não se deve ignorar tudo. O critério é que tem importância! O grande problema é que o meu critério não é o seu critério, ou seja, vale tudo para uns, não vale nada para outros.

Esse é só um dos vários defeitos da arbitragem mundial. Por isso, acredito eu, que antes do auxílio tecnológico, os árbitros têm de ser aperfeiçoados na questão técnica para evitar erros primários – como impedimentos, por exemplo – e interpretativos – embora as interpretações mudem de pessoa para pessoa, no futebol, existem várias ocasiões em que o entendimento da jogada seja unânime -, aí sim eles poderiam receber o apoio de computadores e câmeras.

Admito que peguei um mero assunto para puxar um tema mais amplo, mas eu realmente não gosto de ver um juiz estragando uma partida de futebol, principalmente nestes puxa-puxa dos escanteios, onde o juiz geralmente fecha os olhos e escolhe um lado para anotar a infração. Pode soar estranho para você, mas para mim, no caso supracitado, marcar tudo é burrice e não marcar nada tem um ponto de inteligência.

Uma resposta em “Não pode agarrar

  1. “O problema é, parece que os grandes executivos do futebol não estão interessados em melhorar a arbitragem. Sou a favor da tecnologia no esporte, mas também sou favorável a uma qualificação dos juízes, principalmente porque para mim, a tecnologia deve ser usada em poucos lances – se a bola entrou, por exemplo -, já que boa parte das ações do jogo necessita da intervenção humana imediata.”

    – falou tudo eduardo! eu ainda acrescentaria: simulação dentro da área? EXPULSO!

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