A redenção de Diego

Líder em assistências na UEL, Diego conquista a Europa League (Getty Images)

O meio-campista Diego era o grande nome do Werder Bremen na temporada 2008/09. Maestro em campo, o brasileiro foi o principal condutor do time alemão em direção a final da antiga UEFA Cup, hoje, UEFA Europa League.

Suspenso, Diego não pôde disputar a decisão realizada em Istanbul. Jogando sem o astro da companhia, o Bremen sucumbiu à esquadra brasileira do Shakhtar Donetsk na prorrogação. O gosto da derrota ficou ainda mais amargo porque dias depois, Diego se despedira em direção de Turim, onde jogaria – e fracassaria – na Juventus.

Mas o vice-campeonato não foi bem digerido, já que durante muito tempo foi falado no tal “se”. SE o Diego tivesse jogado… SE o Diego não estivesse suspenso… Se isso, se aquilo, mas no geral, todos imaginavam que com o brasileiro em campo a história teria sido diferente, já que ele era o artilheiro do Werder Bremen na competição com seis gols.

Entendo que a revelação do Santos não tenha se abalado com todos esses acontecimentos aglomerados. Diego era jogador de nível internacional e tinha tudo para brilhar no calcio, mas não deu certo e voltou para a Alemanha e defender o Wolfsburg, onde mesmo tendo boas atuações – isso é por minha conta, não acho que tenha fracassado por completo – pôs tudo a perder com uma briga com Félix Magath na última rodada da Bundesliga de 2011.

O Mago não queria ter Diego no elenco dos Lobos e o brasileiro foi parar na Espanha, mais especificamente no Atlético de Madrid. Sem os investimentos astronômicos do rival da cidade, Real Madrid, o Atleti conseguiu remodelar seu time. Miranda, Arda Turan, Courtois e Falcão García se juntaram a Diego na nova empreitada.

Diego anotou o gol que confirmou o título do Atlético

O prêmio veio nesta quarta-feira, com a conquista da UEFA Europa League em Bucareste. O grande jogador da partida foi o Mr. Europa League, Falcão García, autor de dois gols, mas Diego também foi peça importante ao anotar o terceiro gol, o que sacramentou a conquista. Na comemoração, o brasileiro se ajoelhou e foi às lágrimas. Certamente, as lembranças e expectativas de 2009 vieram a sua mente, mas que só na Espanha ele pôde realizar. Foi sua redenção, sem dúvida alguma!

Não estou dizendo que ele voltará à seleção, que será um grande craque e concorrerá a Bola de Ouro no fim do ano, mas Diego conseguiu, com três anos de atraso, saber o que é jogar e conquistar uma Liga Europa – ou Copa da UEFA. Foi um peso tirado de suas costas e ele teve méritos com suas sete assistências pra gols, líder no quesito no torneio europeu.

Jogando em um time de ambições menores, Diego pôde voltar a apresentar um futebol convincente. A falta de obrigação em ser o astro do time – cargo dado a Falcão García – “libertou” a técnica e habilidade presa em seus tempos de Juventus e Wolfsburg – dois clubes com grandes metas e apostando alto em Diego.

A consolidação da temporada do brasileiro pode ser concluída no próximo fim de semana com uma vaga na próxima UEFA Champions League. Emprestado pelos Lobos até 2014 ao Atlético de Madrid, Diego teria a maior competição interclubes do mundo para mostrar que pode ser decisivo e tendo a batuta em mãos, orquestrando a sinfonia colchonera.

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