Final em boas mãos

Buffon e Casillas são dois símbolos de suas seleções

Você já ouviu a expressão “um bom time começa com um bom goleiro”? Claro que já. Talvez esse seja um dos grandes diferenciais da final da UEFA Euro 2012: os arqueiros Iker Casillas e Gianluigi Buffon estão no hall de melhores goleiros das últimas décadas, quiçá de todos os tempos. Eles são espetaculares!

Tanto o italiano, quanto o espanhol, talvez sejam as únicas peças incontestáveis do grande público das duas equipes. Uns dizem que a Espanha tem um jogo chato, devagar e sonolento, outros já preferem apelar ao velho clichê e afirmar que a Itália atua só na retranca. Porém, se você perguntar o que os mesmos pensam sobre Buffon e Casillas, a opinião será unânime: ótimos goleiros.

No Real Madrid desde 1990, Iker Casillas, de 31 anos, poderá levantar seu terceiro troféu consecutivo pela Espanha. O goleiro foi capitão dos elencos campeões da Eurocopa de 2008 e da Copa do Mundo de 2010 e agora pode se tornar o primeiro a emendar a trinca de títulos, nunca antes conquistada por uma seleção. Caso vença a Euro neste domingo, Casillas chegará ao seu 16º título desde o seu início no time C do Real Madrid, em 1998.

Porém, o goleiro espanhol reencontrará na final a única seleção capaz de atingir com precisão sua meta em toda competição. Nos cinco jogos da Espanha nesta UEFA Euro, Iker Casillas foi vencido apenas por Antonio Di Natale, no jogo de estréia da Fúria, diante da Itália. Na ocasião, o espanhol havia contado com a sorte – e a incompetência – de Balotelli não ter convertido uma chance claríssima que teve na etapa final. O Super Mario deu lugar ao atacante da Udinese, que ao receber belo passe de Andrea Pirlo, fez a Espanha sofrer seu único gol na competição.

Iker Casillas, que defende sua seleção em Euros desde 2000, é sinônimo de segurança a defesa espanhola. Embora seu time pouco ceda a bola aos adversários, quando é necessário, o goleiro madridista está lá fazendo sua parte. Mesmo sendo baixo para um goleiro – 1,82 m -, Casillas demonstra, debaixo dos três paus, enorme agilidade, envergadura e inteligência nas saídas da meta. É um dos grandes pilares de Del Bosque.

A Itália não fica para trás e também conta com sua muralha na meta: Gianluigi Buffon. Após muito tempo, Gigi conseguiu ter, pela Juventus, uma série consistente de jogos na última temporada. De 2009 até 2011, o goleiro italiano não chegou nem a marca de trinta partidas no Campeonato Italiano – em duas dessas temporadas, nem a 25 atuações – e sofria com incontáveis lesões. Atualmente, Buffon ainda sente um problema físico ou outro, mas conseguiu emendar na última temporada 35 partidas pela Série A.

Mesmo mais velho, Buffon, caso conquiste a Euro 2012, será campeão pela 11ª vez na carreira. Obviamente, esse número menor de títulos comparado a Casillas se deve ao equilíbrio maior que existe na Itália em relação com a Espanha e também ao polêmico Calciopoli, que retirou dois títulos nacionais da Juventus. Porém, o escândalo citado anteriormente marcou a carreira de Buffon. Ao ver a Vecchia Senhora ser rebaixada a segunda divisão e o constante assédio de outras equipes do Velho Continente, ele preferiu ficar na Juventus e demonstrou enorme carinho com o clube e o torcida que o adotou em 2001.

Na Seleção Italiana, Buffon também possui um enorme currículo, que perdura desde 1996, quando ao lado de atletas como Pagliuca, Panucci, Nesta e Cannavaro, disputou as Olimpíadas de Atlanta. Desde então, o goleiro participou de quatro copas e três euros – contando com a atual.

A grande conquista de Buffon pela Azzurra na sua carreira foi em 2006, quando ergueu a Copa do Mundo. Naquela ocasião, o futebol italiano passava por maus agouros, como atualmente, com um enorme escândalo de apostas atormentando a vida de clubes e jogadores. Teremos um desfecho semelhante?

Se depender só de Buffon, sim! O goleiro foi muito importante no torneio, inclusive na semifinal diante da Alemanha, onde segurou o ímpeto adversário com o placar zerado e ainda evitou uma reação na etapa final, já com a vantagem no marcador, fazendo defesa magistral em cobrança de falta de Marco Reus.

Ainda assim, Gigi saiu irritado de campo. Alguns brincaram e traçando um paralelo com as polêmicas apostas da Itália, falando que, contra a Alemanha, ele apostara em 2×0 e não 2×1, porém, olhando mais friamente, Buffon não gostou nada do sufoco passado por sua seleção nos momentos finais, quando poderia ter matado o jogo caso caprichassem mais nas finalizações.

Engana-se quem pensa que por terem arqueiros de alto nível, Espanha e Itália não possuem atletas bons de bola. Ainda teremos o prazer de ver o confronto de Pirlo contra Xavi, além de Iniesta e Balotelli. Todos estes também estarão cercados de bons coadjuvantes, como David Silva, Xabi Alonso e Fàbregas no lado espanhol, Montolivo, Cassano e Chielini na Itália. Ou seja, não será um jogo meramente baseado nos espetaculares arqueiros.

De goleiros, as duas seleções estão muito bem servidas e sem preocupações. Buffon e Casillas são dois dos melhores de nossa geração e é um prazer imenso vê-los atuar por seus países com um brilhantismo tão grande quanto o de seus clubes. Só um sairá como campeão, mas nenhum sairá derrotado.

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