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Verde mas maduro

27 de julho de 2012

Aubameyang foi decisivo na estreia de Gabão nos Jogos Olímpicos

Jogos Olímpicos e dois dias de folga são coisas que combinam demais, principalmente quando se tem dez canais transmitindo o evento e um controle remoto com pilhas novas em mãos. Bastava apenas deitar no sofá e aproveitar o forte frio catarinense para curtir o maior evento esportivo do planeta.

As atenções estavam voltadas para o futebol, não só por ser o único esporte em atividade, mas por ser uma ótima oportunidade de ver caras conhecidas defendendo suas seleções e também novos rostos que serão memorizados brevemente por seus feitos futuros.

No início da tarde, minha visão estava voltada para duas partidas: Emirados Árabes x Uruguai, realizado em Manchester, e Suíça x Gabão, jogo que estava sendo disputado em Newcastle.

Entre as atrevidas jogadas de Ismail Matar, as vaias a Suárez e as firulas de Cavani, colocava na partida do St. James Park, muito por curiosidade em ver como os suíços se sairiam sem Shaqiri e Xhaka, mas também para acompanhar o desempenho de Pierre-Emerick Aubameyang.

Quando uruguaios e emiratenses se dirigiram aos vestiários do Old Trafford, corro minha visão para a outra peleja, que ainda estava em andamento. No momento em que coloquei no canal, Gabão ensaiava uma pressão para cima dos suíços, que venciam pelo placar mínimo.

Admito que esperava ver lucidez no Gabão apenas em Aubameyang. A seleção africana ainda chegou a Londres com dois desfalques de última hora – Ecuele Manga e Ebanega, que não foram liberados por seus clubes -, tornando, então, qualquer análise positiva quase nula. Porém, o camisa 10 gabonês, Levy Madinda, me chamou a atenção. Meia muito ativo em campo, algumas vezes afoito na hora do passe final, mas sempre objetivo.

Mas voltando a falar de Aubameyang, decidi adotar uma frase clichê usada na definição de artilheiros para descrever sua atuação na primeira etapa. Após uma finalização em que mandou por cima da meta, logo disse: “ele perde uma, mas não perderá duas”.

Poucos minutos depois, após bela enfiada de bola, Aubameyang ficou na frente do goleiro Diego Benaglio. O gabonês perdeu o ângulo e finalizou em cima do suíço. Não pestanejei e soltei: “ele perde duas, mas três não!”. E não é que estava certo (risos)? Nos segundos finais da primeira etapa, Aubameyang foi lançado entre os zagueiros e deu um leve tapa na saída de Benaglio, dando números finais ao jogo.

O 1×1 foi de extrema importância para Gabão, que chegou a Londres sem grandes perspectivas e logo de cara arrumou um ponto contra uma equipe, teoricamente, mais forte. De quebra, Pierre-Emerick Aubameyang vai provando que vive o melhor momento de sua carreira. Se Gabão pensa em manter a tradição africana de conquistar uma medalha no futebol masculino desde 1996, o seu principal jogador precisará manter o alto nível de suas atuações.

Aubameyang é o atual ídolo de Les Verts

Aubame – apelido homenageando seu pai, que se chamava Aubame-Eyang e com a cidadania francesa, precisou mudar para Aubameyang – fez 16 gols em 36 jogos pelo Saint-Étienne na última temporada do Campeonato Francês, batendo o recorde de gols de Gomis, que marcou 16 em 35 pelejas. Ainda assim, em termos de aproveitamento, segue atrás do brasileiro Alex Dias – que por incrível que pareça, é ídolo do ASSE -, que fez 15 gols em 27 jogos.

O gabonês é cria do Milan, mas nunca jogou na Itália, então, o clube italiano passou a emprestá-lo para diversos clubes franceses. Dijon, Lille e Monaco foram os seus destinos e se somarmos os seus tentos por todos eles, o atacante fez 14 gols. Sua última temporada foi, de longe, a mais consistente.

Quando Aubameyang se tornou um Vért, muitos torceram o nariz, pois na época do acerto entre clube-atleta, ele estava mais para “eterna promessa” do que solução dos problemas do ASSE. Mas todos – inclusive eu – caíram do cavalo, com o rosto direto na lama. Aubame foi o melhor jogador do time e um dos destaques do campeonato, além do mais, ele fez primorosa Copa Africana de Nações por seu país, mostrando que pode ser uma bandeira africana no futebol também.

Aubame tem um cabelo “estilo Neymar” e poderia ter uma marra do tamanho do mundo pelo simples motivo de ter sido revelado pelo Milan – embora o fato de seu pai ter sido olheiro do clube mude um pouco a história -, mas segue fazendo seu trabalho, mostrando sua habilidade e o faro de gol que anda tão apurado quanto o de um lobo faminto.

Para a temporada que está chegando, o Saint-Étienne vai se reforçando e mantendo a base que finalmente fez uma campanha honrosa na Ligue 1, mas o número 7 seguirá pertencendo a Aubameyang, que terá uma enorme oportunidade para mostrar que mesmo sendo um ídolo Verde, está amadurecido para chegar a grandes feitos em sua carreira.

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