Quem poderá lhes defender?

Dá pra notar bem quem ficou feliz com a transferência

A torcida do Lyon deu adeus a Hugo Lloris. Após quatro anos, mais de 200 jogos e dois títulos, o goleiro foi vendido ao Tottenham Hotspur no último dia da janela de transferências. A negociação foi arrastada e cheia de idas e vindas, por fim, o presidente Jean-Michel Aulas decidiu vendê-lo por um valor próximo a 10 milhões de libras.

Lloris chegou em 2008 ao Lyon e mesmo com, na época, 21 anos, já carregava um peso imenso em suas costas. O goleiro era uma das grandes revelações do Nice e já possuía passagens pela seleção principal da França. Sua missão era substituir Grégory Coupet, atleta que fez mais de 500 jogos pelo Lyon e que se transferiu para o Atlético de Madrid.

Mesmo não conquistando nem metade de títulos que seu antecessor conquistou com a mesma camisa, Lloris se tornou um símbolo do Lyon atual: discreto, mas sempre eficiente. Atuando no time de Rhône-Alpes, ele participou das conquistas da Copa da França e da Supercopa em 2012, foi o titular na melhor participação do time em uma Champions League – semifinalista em 2009/2010 – e ainda se firmou na Seleção Francesa, se tornando capitão dos Bleus.

Hugo Lloris deixa o Lyon como ídolo

Lloris deixa a França, respeitado no mundo inteiro. É um goleiro quase perfeito, com agilidade, bom posicionamento e reflexos pra lá de apurados. Seu único defeito – e que pode lhe atrapalhar bastante na Inglaterra – é a bola aérea, onde demonstra alguma dificuldade nas saídas da meta. Ainda assim, é um grande goleiro e deverá evoluir demais no Tottenham.

Mas deixando Lloris de lado, o que será do Lyon sem seu titular? Jean-Michel Aulas deposita suas fichas no experiente Rémy Vercoutre, de 32 anos. Atuando no clube desde 2002, o goleiro participou de pouco mais de 40 jogos do Lyon e é reserva desde os tempos de Coupet. Sua temporada mais ativa foi em 2007/2008 – temporada anterior a chegada de Lloris -, onde participou de 26 jogos. É pouco e, se tratando de goleiro, é muito preocupante, já que não é segredo pra ninguém que arqueiros precisam de ritmo de jogo.

Não sei até onde Aulas quer levar essa história, mas ele deveria aproveitar o fato da janela na França fechar apenas no início de setembro para procurar um novo goleiro. Logo em sua “estréia”, Vercoutre falhou em um dos dois gols do Valenciennes e não houve quem não ficasse preocupado com a possibilidade dessa história se repetir mais vezes durante a temporada.

Goleiro bom não falta na França. No próprio Valenciennes, adversário do último sábado, havia Nicolas Penneteau, que mesmo tendo a mesma idade de Vercoutre, poderia quebrar um galho. Por que, então, não ir atrás de Benoît Costil ou de Guillermo Ochoa, goleiros bons, mas que não almejam grandes conquistas nos clubes onde estão? Ou então, por que não apostar na “mística brasileira” e trazer Macedo Novaes, goleiro do Bastia, eleito o melhor da posição na última temporada da Ligue 2?

O sonho de consumo do Lyon é Stéphane Ruffier, goleiro do rival Saint-Étienne. Os verdes já disseram, meses atrás, que não venderiam o atleta, isso com Lloris ainda negociando sua saída do Lyon, agora, com ele fora, talvez a investida seja mais forte. Ainda assim, acredito que o negócio não seja concretizado.

“O goleiro mais talentoso de sua geração”

Eu, particularmente, se pudesse fazer uma aposta, seria em Pierrick Cros, do Sochaux. Parece estranho haver a indicação de um goleiro que atua num time que nas últimas cinco temporadas, terminou quatro vezes nas últimas dez posições da tabela e que iniciou essa nova edição de Campeonato Francês zerado em pontos nas primeiras quatro rodadas, mas Cros lembraria, de forma distante, a contratação de Lloris.

O goleiro do Sochaux tem 21 anos, assim como o capitão da França tinha na época da transferência, seus times não eram protagonistas no país e ambos tiveram passagens pelas seleções de base da França. Currículos semelhantes, mas não deixaria de ser uma aposta arriscada.

Francis Smerecki, treinador das seleções inferiores da França, já disse que “Cros é o goleiro mais talentoso de sua geração” e eu apenas sigo com o que foi dito e o ‘indico’ ao Lyon. Venhamos e convenhamos, um jovem caracterizado como “talentoso” é uma aposta bem mais interessante do que um experiente sem ritmo de jogo.

Créditos das imagens: Le Progres e Presse Sports

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