Benzema é uma sombra

Benzema está enfrentando uma seca de gols na França (Getty Images)

Se levantarmos dez nomes dos melhores atacantes do planeta, com certeza colocaremos Karim Benzema nesta lista. Obviamente, ele acaba sendo um dos principais jogadores da França, senão o mais destacado. O atacante do Real Madrid tem carregado esse peso ao lado do meia do Bayern, Franck Ribéry. Mas, aparentemente, essa carga tem atrapalhado o jogador merengue.

O último gol de Benzema com a camisa azul da França foi em junho deste ano, contra a Estônia. De lá pra cá, foram oito jogos, entre amistosos, Eurocopa e Eliminatórias para a Copa do Mundo, e nenhum tento anotado. Esses números acabam se tornando mais assustadores se levarmos em conta que o último gol do atacante em partidas oficiais pela França foi em setembro de 2011, contra a Albânia em disputa válida pelas Eliminatórias para a Eurocopa.

Se durante o torneio europeu a desculpa acabou sendo o esquema do então técnico Laurent Blanc, que acabava o deixando isolado no ataque, agora, com Didier Deschamps, essa justificativa não pode ser usada. O novo técnico Bleu já lhe deu alguns companheiros para o setor, como o também centro avante Olivier Giroud e segundo atacante Jérémy Ménez.

A França precisa de Benzema se pelo menos almeja retornar ao caminho vitorioso trilhado no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, até porque Deschamps não conta com outro atleta do nível do madridista para a posição. Giroud é uma pequena incógnita e só o tempo que levará a se adaptar ao Arsenal dirá do que será capaz. Gomis não é e nunca será a solução para uma questão de tal representatividade.

Enquanto isso, fora do time, André-Pierre Gignac começa a repetir no Marseille as atuações que fizeram Raymond Domenech levá-lo para a Copa do Mundo de 2010, quando ainda defendia o Toulouse. Gignac tem sido o principal jogador do OM nesse princípio de temporada, com cinco gols em oito jogos no Campeonato Francês.

Há quem diga que sua ausência na seleção se deve ao desentendimento que teve com Deschamps, ainda no Marseille, após uma partida da UEFA Champions League, no final de 2011, mas esse problema é coisa do passado, já que voltou a figurar entre os titulares do time na citada temporada, após a confusão.

A boa fase de Gignac não pode ser considerada uma ameaça a Benzema, que só ficará de fora da seleção se Deschamps tiver algum tipo de ataque cerebral que afete sua capacidade de analisar futebol com o mínimo de propriedade, mas não é exagero imaginar que o atacante do Real Madrid amargue um banco de reservas.

O que estamos vendo nas recentes atuações de Benzema pela seleção francesa é apenas uma sombra do que é realmente capaz. Ele faz quase tudo certo, os domínios, os passes, os posicionamentos, mas vem pecando no ponto fundamental de sua função: a finalização. É só outro atacante começar a marcar gols que o madridista perde seu espaço.

Presença nas convocações desde 2006, Benzema já tem 53 atuações pela seleção principal da França, mas fez apenas 15 gols, ou seja, um gol a cada 318 minutos – três partidas e um tempo. Visando os torneios de seleções, que são de tiro curto, esse tempo sem balançar as redes prejudica demais, como vimos na última Eurocopa. Esses números ficam mais preocupantes principalmente se traçarmos um paralelo com a grande referência da posição nos últimos anos: Thierry Henry. O jogador do New York Red Bulls fez 51 gols em 123 partidas, um gol a cada duas partidas e quase um tempo.

Aos 24 anos, idade de Benzema, Henry já tinha 11 gols em 32 jogos pela seleção francesa, com um espaçamento de tempo entre os gols parecido, um tento a cada quase três jogos completos. A diferença fundamental era que Henry já havia ganhado uma Copa do Mundo – para defender Benzema, ele ficou de fora, injustamente, da edição de 2010 – e uma Eurocopa, acumulando cinco gols nas duas competições.

E que não venham com papo de “pressão exacerbada”. Mesmo aos 24 anos, Benzema se acostumou a enfrentar momentos que poucos teriam a coragem de encarar. O atacante ajudou o Lyon a se manter no topo do futebol francês por sete anos e hoje é titular de um dos grandes times da Europa. Ser o líder da seleção de seu país é mera consequência do que tem apresentado em Madrid.

Nesta semana, a França irá reencontrar a Espanha, algoz na Eurocopa disputada na Ucrânia e na Polônia. Mais do que nunca, uma atuação decente de Benzema será necessária, ainda mais com o panorama que espero do jogo. A posse de bola, a pressão, as chances de gols… Tudo será espanhol. Os franceses vão se preocupar em defender demais e atacar uma vez ou outra. E é aí que se inicia o papel do protagonista deste post. Provavelmente, ele receberá poucas bolas e terá de aproveitar as que vierem mandando para dentro.

E esse recado vale para as demais partidas da seleção francesa. Benzema precisa acordar e começar a marcar gols, caso contrário, a seca de títulos continuará afetando o país. A carga não pode ser depositada somente em Ribéry, ela tem de ser dividida e enquanto algumas brigas de egos insistem em atrapalhar o ambiente do time, o tranquilo Benzema deverá assumir a bronca, coisa que não anda acontecendo.

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