TOP 7: Os quinze campeões

Assistindo a uma reportagem do programa “Loucos Por Futebol” da ESPN Brasil, tive minha curiosidade atiçada. A matéria em questão fala do seleto grupo de cinco técnicos brasileiros que conquistaram o Brasileirão, a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes. Decidi, então, vasculhar as fichas com os técnicos europeus que também venceram torneios nacionais, continentais e mundiais.

O que para nós é um grupo pequeno, no Velho Continente é uma singela lista composta por quinze treinadores. Aproveitando a proximidade da disputa do Mundial de Clubes da FIFA, trago essa lista em um Top 7 – que terá uma “faixa bônus” – dividido em duas partes. Hoje, trago os primeiros treinadores que venceram campeonatos nacionais, Liga dos Campeões e Mundial Interclubes:

7) Miguel Muñoz – Real Madrid

Miguel Muñoz foi o primeiro europeu "campeão de tudo"

Miguel Muñoz foi o primeiro europeu “campeão de tudo”

Técnico do Real Madrid por catorze anos, Miguel Muñoz teve longa carreira como técnico, mas só ergueu troféus na capital espanhola. Logo de cara, seu primeiro título foi a Liga dos Campeões de 1960, onde teve campanha praticamente perfeita – com apenas uma derrota – e com Puskás e Di Stéfano decidindo a final contra o Eintracht Frankfurt. No mesmo ano, o Real Madrid se sagrou campeão da primeira edição do Mundial Interclubes ao derrotar o Peñarol – 0x0 na ida e 5×1 na volta.

Ainda em 1960/61, o Real Madrid de Muñoz venceu a Liga Espanhola e criou uma longa hegemonia que durou até a temporada 1964/65. Após essa quina de títulos, o treinador conseguiu vencer mais quatro edições do torneio nacional.

6) Nereo Rocco – Milan

Rocco (direita) iniciou a série de conquistas europeias do Milan

Rocco (direita) iniciou a série de conquistas europeias do Milan

Assim como Muñoz, Nereo Rocco passou por diversas equipes, mas suas conquistas vieram com uma única equipe, o Milan. Foi em sua primeira passagem pelo clube rossonero que venceu o Campeonato Italiano na temporada 1961/62. No ano seguinte, os italianos fizeram excelente campanha na Liga dos Campeões e venceram o Benfica na final, com dois gols de Altafini. Sem Rocco no comando técnico, o Milan parou no brilhante Santos dos anos 60 no Mundial Interclubes.

Em 1967, ele voltou para conquistar mais títulos em Milão. Logo em sua temporada de retorno, ergueu a taça do Campeonato Italiano. No ano seguinte, veio o bi da Liga dos Campeões, com o tradicional drama italiano, mas com a forra na final: goleada por 4×1, com três gols de Pierino Prati.

Desta vez, o Milan contou com Nereo Rocco no Mundial Interclubes e a história foi escrita de forma diferente. Na ida, contra os argentinos do Estudiantes, categórica vitória por 3×0. Na volta, na Bombonera, os italianos foram para o intervalo perdendo por 2×1. O placar foi mantido, mas se não fossem as expulsões de Manera e Suárez na etapa final, o título talvez não ficasse com o Milan.

5) Ernst Happel – Feyenoord

Happel quase repetiu a trinca de títulos pelo Hamburgo

Happel quase repetiu a trinca de títulos pelo Hamburgo

Um trecho de um post desses é muito pouco para valorizar a gloriosa carreira de Ernst Happel, um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol. Mas para não deixar esse espaço em branco na matéria, vou falar de sua passagem pelo Feyenoord. Happel chegou ao clube de Rotterdam com a fama de ter feito boas campanhas pelo ADO Den Haag. E as conquistas foram se sucedendo: na temporada 1968/69, veio o título do Campeonato Holandês, em 1969/70, veio o título da Liga dos Campeões sobre o Celtic e mais tarde, título mundial, também sobre o Estudiantes.

Anos mais tarde, Happel quase repetiu o feito pelo Hamburgo. No comando do austríaco, o HSV conquistou dois títulos do Campeonato Alemão e mais a Liga dos Campeões de 1982/83. Porém, se não fosse o Grêmio de Renato Gaúcho, Happel repetiria a trinca de títulos.

4) Ştefan Kovács – Ajax

Kovács ganhou praticamente tudo pelo Ajax

Kovács ganhou praticamente tudo pelo Ajax

Assim como Ernst Happel, o romeno Ştefan Kovács conseguiu todas essas conquistas por uma equipe holandesa, o Ajax. Antes disso, ele havia erguido as taças de campeão romeno e da Copa da Romênia com o Steaua Bucareste.

Kovács ficou três anos em Amsterdã e ganhou quase tudo que disputou, a começar pelo Campeonato Holandês de 1971/72, com uma campanha de 30 vitórias em 34 jogos. No mesmo ano, veio a copa holandesa e a maior conquista, a Liga dos Campeões, que veio de forma invicta. Na decisão disputada contra a Inter, o Ajax venceu por 2×0, com dois gols de Cruijff. No Mundial Interclubes, a equipe holandesa permaneceu com a sina europeia – só quebrada anteriormente por Santos e Peñarol – de segurar o resultado na América do Sul e fazer a festa na Europa. Foi 1×1 com o Independiente na Argentina e 3×0 na Holanda.

Antes de trocar o Ajax pela seleção francesa, Kovács venceu mais um Campeonato Holandês, a Supercopa Europeia e outra Liga dos Campeões. O Ajax abdicou da disputa do Mundial Interclubes de 1973 e o Velho Continente foi representado pela Juventus, vice-campeã europeia.

3) Giovanni Trapattoni – Juventus

Trapattoni segue com sua carreira até hoje

Trapattoni segue com sua carreira até hoje

Sim, o atual técnico da seleção irlandesa já se aventurava como técnico no princípio dos anos 70. Giovanni Trapattoni se aposentou em 1972 e dois anos depois já era treinador do Milan. Não deu muito certo por lá e foi parar na Juventus em 1975. Podemos dizer que ali começou pra valer sua carreira como técnico. Em sua segunda temporada em Turim, veio o título italiano, com um ponto de vantagem para o Torino. Essa foi a primeira de sete conquistas do campeonato nacional, sendo seis pela Juve.

Curiosamente, o título europeu veio quase dez anos depois de seu “batismo” como treinador. Foi na temporada 1984/85, quando Trap contou com a maestria de Michel Platini, autor de sete gols durante o torneio – artilheiro ao lado do sueco Nilsson, do Göteborg -, anotando um na final contra o Liverpool. No final do ano, em Tokyo, a Juventus “suou sangue” para conquistar o Mundial. Após 2×2 no tempo normal contra o Argentinos Juniors, o caneco veio na disputa por pênaltis.

Trapattoni ainda conquistou títulos nacionais por Internazionale, Bayern, Benfica e Red Bull Salzburg, mas a Liga dos Campeões foi um feito único de sua interminável carreira como técnico – lembrando que, como jogador, ganhou o torneio duas vezes pelo Milan.

2) Arrigo Sacchi – Milan

Arrigo Sacchi conseguiu ser bicampeão europeu e mundial

Arrigo Sacchi conseguiu ser bicampeão europeu e mundial

O próximo italiano da lista é Arrigo Sacchi. O histórico técnico do Milan conseguiu um feito para poucos: ele conquistou mais títulos continentais e mundiais do que nacionais. Seu único título italiano foi na temporada 1987/88, ao encerrar a Série A com 45 pontos, três de vantagem para o Napoli.

Nos anos seguintes, Sacchi e o Milan ergueram seus troféus internacionais. Em 1988/89, os Rossoneros conquistaram a Europa de forma invicta. Um dos pontos altos da campanha de Rijkaard, Gullit, van Basten e companhia foi a goleada por 5×0 no Real Madrid na fase semifinal. Essa trajetória foi coroada com o título diante do Steaua. No final do ano, os italianos passaram sufoco para bater os colombianos do Atlético Nacional. A vitória veio na prorrogação, gol de Alberigo Evani.

Na temporada seguinte, o Milan retornou a final da Liga dos Campeões, dessa vez, carregando duas derrotas no caminho. Os holandeses decidiram de novo e com gol de Rijkaard, os Rossoneros bateram o Benfica na decisão. O mesmo Rijkaard foi decisivo na decisão de Tokyo, anotando dois gols na partida que valeu o título mundial diante do Olímpia.

1) Louis van Gaal – Ajax

Julgando a foto, a comemoração do título europeu de van Gaal foi longa

Julgando a foto, a comemoração do título europeu de van Gaal foi longa

Reclame do que quiser de Louis van Gaal, só não diga que não é vencedor. Após alguns anos como assistente técnico para adquirir experiência, o holandês assumiu o Ajax em 1991 para iniciar sua série de conquistas. Em 1993/94, veio o primeiro título holandês – sendo que já havia ganhado a Copa UEFA anos antes – de van Gaal.

Na temporada seguinte, o Ajax emendou o bicampeonato nacional, sendo esse invicto, com 27 vitórias, sete empates e mais de cem gols. O prêmio maior veio mais tarde, com o título, também invicto, da UEFA Champions League. Na decisão diante do Milan, vitória pelo placar mínimo, gol de Kluivert. No final do ano, o time holandês passou trabalho com o Grêmio de Luiz Felipe Scolari, mas conquistou o mundial na disputa de pênaltis. Louis van Gaal ainda têm títulos nacionais por Barcelona, AZ Alkmaar e Bayern.

*Antes de me xingarem por botar “treinador A” antes ou depois do “treinador B”, só quero dizer que essa lista é cronológica;

 *Crédito das imagens: Getty Images

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