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Europeus e a Copa das Confederações: 1997 – Tchecos param na dupla “Rô-Rô”

12 de abril de 2013
Em 1997, a Copa do Rei Fahd passou a se chamar Copa das Confederações

Em 1997, a Copa do Rei Fahd passou a se chamar Copa das Confederações

Chegamos a 1997, ano da terceira edição da Copa das Confederações, primeira com esse nome, com a chancela FIFA e também com participantes de todas as confederações, além de ser a segunda com a inclusão de um representante europeu.

A diferença entre 1995 e 1997 é que o país do Velho Continente que foi à Arábia Saudita para a disputa da Copa das Confederações não havia sido a campeã do continente. A Alemanha, que conquistou a Eurocopa do ano anterior, recusou-se a disputar o torneio realizado em dezembro de 1997 e a vaga caiu no colo da República Tcheca, vice-campeã europeia.

Confira abaixo mais um especial sobre a Copa das Confederações, dessa vez, refazendo o caminho dos tchecos na edição de 1997:

A EDIÇÃO

Apesar da mudança do nome da competição, a Copa das Confederações seguiu alguns moldes das duas edições anteriores, como a Arábia Saudita como país-sede e o estádio King Fahd II como palco de todas as partidas.

Porém, com a chancela FIFA, o torneio ganhou contorno democrático e representantes de todas as confederações obtiveram espaço na Copa das Confederações. Além das participações do país sede e dos campeões de América do Sul, Central/Caribe, Ásia, África e Europa, os países campeões do mundo e da Oceania ganharam vagas no torneio, que passou de seis para oito times.

Com esse acréscimo, o formato da competição foi alterado e essas seleções se dividiram em dois grupos de quatro países. Diferentemente da edição anterior onde os vencedores de cada chave – de três times – se cruzaram na final, em 1997 tivemos duas semifinais com o cruzamento dos dois vencedores de cada grupo.

A República Tcheca, como foi dito anteriormente, chegou ao torneio sem ter sido campeã de seu continente e diferente do que foi visto com a Dinamarca na edição anterior, o técnico Dušan Uhrin pôde levar a base que havia disputado a Eurocopa 1996. 11 jogadores foram convocados para as duas competições, incluindo Karel Rada, Jiří Němec, Radek Bejbl, Pavel Kuka e os lendários Karel Poborský e Pavel Nedvěd, todos eles participantes da final diante da Alemanha no ano anterior.

Além dos tchecos, outras cinco seleções estrearam em 1997 na Copa das Confederações. Por motivos óbvios, a Austrália, campeã da Oceania, e o Brasil, campeão mundial em 1994, eram dois deles, afinal, foi a primeira vez que o citado continente e o vencedor da Copa tinham direito de disputar o torneio. O quadro de calouros foi completado por Emirados Árabes Unidos, vice-campeões asiáticos – a campeã Arábia Saudita entrou como país sede –, a África do Sul, campeã da CAN 1996, e o Uruguai, vencedor da Copa América de 1995.

A Arábia Saudita, país sede em todas as edições, e o México, terceiro colocado dois anos antes, eram os veteranos da Copa das Confederações 1997.

CLASSIFICAÇÃO

Nedved foi um dos remanescentes da Euro 96 (Foto: Getty Images)

Nedved foi um dos remanescentes da Euro 96
(Foto: Getty Images)

A República Tcheca caiu em um grupo que lhe rendia alguns cuidados, pois bateria de frente com os campeões da América e da África. Além de tchecos, uruguaios e sul-africanos, a seleção emiratense fechava o grupo de estreantes na Copa das Confederações.

A estreia europeia já seria marcada por um confronto direto com a África do Sul. O duelo ganhou novo cenário quando o Uruguai, horas antes, derrotara os Emirados Árabes por 2×0 e já abria vantagem na chave. O vencedor do seguinte jogo também tomaria o mesmo caminho e deixaria o oponente direto pela vaga em desvantagem logo na rodada inicial.

Os tchecos até tentaram fazer sua parte e foram para o intervalo com o placar vantajoso, 2×1, com dois gols de Vladimir Šmicer. Porém, a República Tcheca, já com Poborský, que começou no banco, em campo sofreu o empate aos 41 minutos da etapa final em um chute de rara precisão de Helman Mkhalele. A finalização da entrada da área foi no ângulo e indefensável para Srniček.

Teoricamente, o empate diante da seleção sul-africana colocaria a República Tcheca contra as cordas no jogo frente o Uruguai, mas aconteceu algo inimaginável na outra partida da chave. Com um gol no comecinho da partida de Hassan Mubarak, os Emirados Árabes derrotaram a África do Sul. Essa foi a primeira vitória em um torneio FIFA dos EAU. O resultado deu uma aliviada nos tchecos que ainda assim foram batidos pelos uruguaios em uma jornada infeliz de todo setor defensivo europeu. Nicolas Olivera e Marcelo Zalayeta anotaram os gols sul-americanos na vitória por 2×1. Siegl descontou.

Na rodada seguinte bastaria uma vitória tcheca sobre a seleção emiratense por uma diferença de gols superior a uma hipotética vitória da África do Sul sobre o Uruguai para confirmar a classificação. Apesar de estar atrás na tabela, essa missão não foi das mais difíceis. Na saída para o intervalo, o marcador já apontava 4×0 para a República Tcheca, sendo dois gols de Nedvěd. Na etapa complementar, Šmicer, que já havia balançado as redes no primeiro tempo, fez mais dois e fechou a conta em 6×1 para os tchecos, que ainda contaram com uma ajuda uruguaia na vitória sobre os sul-africanos por 4×3, e confirmaram a vaga na fase semifinal da Copa das Confederações.

O ADVERSÁRIO

Para chegar à inédita final, a República Tcheca teria a difícil missão de passar pela seleção brasileira de Zagallo. Apesar de contar com apenas sete remanescentes do tetracampeonato de 1994, o Brasil possuía uma dupla de ataque capaz de fazer inveja a qualquer equipe do planeta: Romário e Ronaldo, a dupla “Rô-Rô”. Além disso, o Velho Lobo levou Rivaldo para a Arábia Saudita. Na época, o meia-atacante, com 25 anos, começava a se fixar na seleção.

Na fase de grupos, o Brasil não passou por grandes apuros e se classificou invicto. Na estreia diante dos mandantes da competição, vitória por 3×0 com dois gols de Romário. Frente à Austrália, Zagallo optou por poupar alguns jogadores e se contentou com o empate sem gols. A vaga para a semifinal foi garantida após uma vitória sobre o México por 3×2, novamente com Romário balançando as redes.

Apesar de contar com alguns nomes de destaque internacional, quem chamou a atenção nos duelos da fase de grupos da competição foi o então jovem Denílson, de 20 anos e que ainda defendia o São Paulo. Ele participou dos três duelos do Brasil na competição e teve excelentes atuações.

AS DECISÕES

Smicer foi o principal nome tcheco na Copa das Confederações (Foto: Getty Images)

Smicer foi o principal nome tcheco na Copa das Confederações
(Foto: Getty Images)

Se enfrentar a única seleção tetracampeã do mundo na época e que tinha a disposição, atacantes como Ronaldo e Romário já seria um árduo trabalho para a República Tcheca, rever os gols sofridos na fase de grupos tornaria a situação ainda mais delicada para a seleção europeia. Apesar de possuir o melhor ataque da competição com nove gols, os tchecos tinham a defesa mais vazada entre os semifinalistas, tendo sofrido cinco tentos, a maioria deles em erros primários dos defensores.

Essas falhas continuaram a acontecer no confronto diante dos brasileiros e a derrota se tornou inevitável. Erros de posicionamento e técnicos foram a tônica da defesa que se viu a mercê da explosiva dupla Ronaldo e Romário. No triunfo canarinho por 2×0, os dois atacantes balançaram as redes uma vez cada e conduziram o Brasil para a decisão da Copa das Confederações, onde seriam campeões frente à Austrália.

Na disputa do terceiro lugar, bastou a satisfação de revidar a derrota da fase de grupos diante do Uruguai e confirmar a boa participação na competição. A vitória foi pelo placar mínimo, com gol de Edvard Lasota, aproveitando a única falha do goleiro Claudio Flores que evitara uma derrota mais elástica.

Apesar de morrer na praia, a Copa das Confederações serviu para mostrar Vladimir Šmicer para o mundo do futebol. O atleta, na época defendendo o Lens, foi o vice-artilheiro do torneio com cinco gols, ficando atrás apenas de Romário, além disso, ficou em terceiro lugar na luta pela Bola de Ouro do torneio.

>> Confira como foi a passagem da Dinamarca pela edição de 1995:

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