Lyon e o “Fantasma de Bordeaux”

Lacazette e Grenier caçam fantasmas no Lyon

Lacazette e Grenier caçam fantasmas no Lyon

O mais otimista dos torcedores do Lyon não apostaria que seu time lutaria pelo título francês na temporada 2012/13. Os motivos estavam mais do que claros: orçamento baixo, desmanche do elenco e reformulação com jovens da base. Os resultados poderiam até vir, mas em temporadas seguintes.

Porém, a equipe comandada por Remi Garde surpreendeu e chegou a ficar oito rodadas na liderança do Campeonato Francês. Com Steed Malbranque e Bafétimbi Gomis brilhando e com jovens como Samuel Umtiti, Clément Grenier e Gueida Fofana despontando, estava ficando claro que o adversário direto do Paris Saint-Germain na luta pelo título nacional seria o Lyon e não o extremamente pragmático Marseille de Elie Baup.

O panorama mudou em 2013. O OL acumulou atuações ruins, sem ritmo e sem inspiração alguma, somando apenas 18 dos 39 pontos disputados no ano – o PSG somou 29 e o Marseille 20. Parte das atuações ruins pode ser depositada em Gomis, que parou de marcar gols e foi parar na reserva, e Malbranque, que começou a sentir o peso da falta da pré-temporada. O resultado disso tudo foi o afastamento do líder PSG, a ultrapassagem do Marseille e a perigosa aproximação de Saint-Étienne, Nice e Lille. Os Vérts, por exemplo, chegaram a ultrapassar o Lyon na 31ª rodada, jogando o OL para fora da zona de classificação da Liga dos Campeões, local onde estava hospedado desde a 2ª rodada. No último fim de semana, o Lyon retornou para as três primeiras colocações.

Os motivos disso tudo? Imaturidade do elenco, do técnico, escassez de jogadores, enfim, a história já retratou diversos exemplos semelhantes de times que atingem o topo com relativa pressa e começam a cair lentamente. Além disso, já surgem os burburinhos de problemas de relacionamento, outro fato recorrente nessas situações.

A vitória sobre o Toulouse no último fim de semana – primeira após três derrotas consecutivas – trouxe tranquilidade para o Estádio Gerland e deixou a sempre presente torcida mais confiante do potencial de sua equipe. Mas ainda há um temor: o fantasma do Bordeaux 2009/10.

Os Girondins eram os atuais campeões nacionais e, diferentemente do Lyon, entraram na Ligue 1 como favoritos ao título, o sétimo de sua história e segundo bicampeonato – o primeiro foi em 1983/84-1984/85. O ano de 2009 provou que este sonho não era impossível e o Bordeaux encerrou a primeira parte da temporada liderando o campeonato com oito pontos de vantagem para o vice-líder Marseille e como vencedor de sua chave na Liga dos Campeões, superando os poderosos Bayern e Juventus, além do inexpressivo Maccabi Tel-Aviv.

Laurent Blanc tinha o elenco em mãos e com Yoann Gourcuff e Marouane Chamakh em grandes momentos, o bicampeonato se tornava questão de tempo. Mas nesse mesmo momento da temporada em que o Lyon começa a tropeçar em suas próprias pernas na Ligue 1, o Bordeaux viu o sonho do bicampeonato ser jogado no lixo.

Na 28ª rodada, o empate sem gols com o Monaco jogou o Bordeaux para a segunda colocação e tirou a liderança de vez do time de Blanc, posição que ocupou por impressionantes 21 rodadas. Pior do que perder a ponta da tabela era ver que dois pontos o separavam do Lyon, sexto colocado.

Tropeço para o Lens iniciou o calvário do Bordeaux

Tropeço para o Lens iniciou o calvário do Bordeaux

Com um abril tenebroso, marcado pela eliminação nas quartas-de-final da Liga dos Campeões – justamente para o Lyon – e pela soma de um mísero ponto nos 18 disputados no Campeonato Francês, o Bordeaux se viu entre as cordas nas quatro rodadas decisivas de maio. Apesar de não perder os três primeiros duelos, a derrota diante do Lens na última rodada e a vitória do Montpellier sobre o PSG no Parque dos Príncipes proporcionou ao Bordeaux o duro gosto do nada. Nada de título, nada de Liga dos Campeões, nada de Liga Europa, nada de nada.

Laurent Blanc, que viria assumir a seleção francesa meses depois, largou os Girondins na mão de Jean Tigana aos pedaços, sem Gourcuff, sem Chamakh, sem torneios internacionais… Sem chão! Situação que permanece até hoje.

O objetivo maior de Remi Garde não é apenas recolocar o Lyon na Liga dos Campeões da Europa para reequilibrar as finanças e fazer com que o clube tenha mais capacidade de lutar pelo título nacional, mas também evitar que aconteça com seu time o que está acontecendo com o Bordeaux. Desde 2010, o tradicional clube está agonizando na Ligue 1, vivendo de lampejos e torcendo para que Francis Gillot consiga espremer o máximo de suor de um elenco enxuto, carente de talentos e que conta com a “sobra da sobra” do time campeão francês de 2008/09.

O elenco atual do Lyon não é vencedor, longe disso, mas o baque de ficar o campeonato todo sonhando com o título e ficar até sem a vaga na Liga Europa pode ser mais profundo em um grupo jovem como é o do OL do que foi em um minimamente vencedor, como era o do Bordeaux.

*Imagens: Getty Images

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