Final tática

Os alemães invadirão o Wembley (Franck Fife - AFP/Getty Images)

Os alemães invadirão o Wembley
(Franck Fife – AFP/Getty Images)

O Bayern de Munique marcou 29 gols em 12 jogos na Uefa Champions League, média de 2,41 por partida; o Borussia Dortmund fez 23, com a mesma quantidade de atuações, média de 1,91. Como se não fosse o bastante, os bávaros finalizaram 188 vezes e os aurinegros 162. Esses times são nada mais, nada menos que o 1º e o 3º melhores ataques e finalizadores do torneio, respectivamente.

Para quem não conhece os dois times, a final deste sábado indica um jogo aberto, com chances para os dois lados e muitos gols. Sinto em dizer que não será bem isso que acontecerá.

Borussia Dortmund e Bayern se conhecessem muito bem e seus jogos recentes estão sendo qualquer coisa, menos abertos. Tirando a decisão da DFB Pokal de 2012 em que o BvB enfiou 5×2 nos bávaros, os confrontos recentes estão sendo de alto nível tático, técnico, mas de poucos gols.

A briga tática tem sido tão ferrenha que jogos recentes estão provocando confusões dentro e fora de campo. São times equilibrados, apesar da diferença da folha salarial e da quantidade de jogadores dentro dos elencos de cada time.

ARMAS DO DORTMUND

720436_Borussia_DortmundSem Mário Götze (lesionado?), o técnico Jürgen Klopp não deve inventar e entrará com Kevin Grosskreutz. Essa alteração provocaria o deslocamento de Marco Reus para a faixa central com o polivalente camisa 19 ocupando o lado esquerdo. O Borussia Dortmund perde em qualidade técnica, mas ganha em fôlego no meio campo e em um ponto extremamente citado para essa final: força tática.

Grosskreutz pode não ser um primor técnico, mas pode se tornar uma das peças chave nesse duelo. Nas temporadas do bicampeonato alemão sua dobradinha com Marcel Schmelzer dava muito certo. O lateral-esquerdo aparecia bem no ataque para cruzar e finalizar, sabendo que Grosskreutz seguraria as pontas na defesa, além deste ser um grande auxiliador na recomposição e ainda chegar com eficiência no ataque.

O lado esquerdo de defesa do Dortmund deverá estar atento em boa parte do jogo, pois é justamente nesse local que o Bayern concentra sua movimentação. Thomas Müller, que foi deslocado para o centro com a lesão de Toni Kroos, cai por esse lado junto com o centroavante Mario Mandžukić, que sempre deixa a área desocupada para os meio-campistas caírem por ali.

Além disso, o Bayern conta com a presença de Arjen Robben que começou a temporada em baixa e só retomou espaço nessa reta final de temporada. Sua jogada manjada, porém, complicada de marcar de abrir pra canhota e bater colocado é o que exigirá mais da dupla Grosskreutz e Schmelzer.

No lado oposto também há uma dupla de enorme respeito: Piszczek e Kuba. O primeiro é, para mim, o melhor lateral-direito do planeta, acima até do rival Philipp Lahm e tem como grande arma a subida veloz ao ataque e o bom cruzamento. Isso influencia quando se tem no lado oposto um lateral muito ofensivo como Alaba. Kuba me agrada muito por saber ditar o ritmo do time. Quando é preciso correr, corre, quando é preciso cadenciar, cadencia. Ele é um dos pontos de equilíbrio do time e isso deve ser destacado.

Mesmo com esses pontos positivos, o peso deve cair sobre a dupla Lewandowski e Reus. Indiscutivelmente os dois estão entrosados e tem estilos de jogo que se encaixam. O polonês tem presença de área, mas sai dela também para tabelas rápidas. Nessas saídas, Reus pode ser um dos que ocupará o espaço vazio para finalizar.

O banco de reservas é o ponto de desequilíbrio entre os dois times. A única opção que pode mudar o jogo favorecendo ao Dortmund é Nuri Şahin. Sua entrada geralmente é no lugar de um dos três meias e formar um tripé na faixa cerebral do time com Bender na proteção e o turco ao lado de Gündoğan na armação. Esse sistema foi pouco utilizado, mas é uma das escassas, senão única alternativa que Klopp poderá utilizar durante o jogo caso o resultado não lhe agrade.

BAYERN E A POSSE SUFOCANTE

720437_FC_Bayern_MunchenApesar do equilíbrio, o Bayern leva ligeiro favoritismo nesta decisão. Jupp Heynckes, além de contar com um elenco mais rodado, armou a equipe de uma forma tão boa que as ausências de Kroos e Badstuber não estão sendo sentidas. O belga van Buyten e o alemão Boateng se revezam na função deixada por Badstuber e não estão comprometendo, enquanto Kroos deu lugar ao holandês Robben que voltou a boa fase.

A posse de bola bávara talvez seja o grande ponto favorável do time. Diferente do Barcelona, o controle do Bayern é mais forte, pressiona muito e sufoca o adversário, fazendo com que a posse de bola não se torne algo soberbo, mas imponente, obrigando o oponente a se defender.

Parte dessa posse sufocante é mérito do meio-campo extremamente técnico. Bastian Schweinsteiger, Javi Martínez, Arjen Robben, Thomas Müller e Franck Ribéry compõem a faixa de defesa e criação, demonstrando características de toque de bola, cadência, mas avanço diagonal e pressão do adversário.

Outro fator que traz vantagem ao Bayern é a supracitada movimentação dos homens de frente. Como já comentei em outras oportunidades, o deslocamento de Mandžukić da grande área nunca é em vão. Ele abre espaços para companheiros do meio-campo e nunca deixa a área desguarnecida. É complicado neutralizar esse tipo de jogada, pois proporciona uma intensa movimentação de jogadores de características diferentes.

Essa troca é diferente do que ocorre no Borussia Dortmund. Nos aurinegros, Lewandowski deixa a área para fazer tabelas curtas e rápidas, enquanto Mandžukić participa da armação de jogadas no Bayern.

Como se não fosse o bastante, Jupp Heynckes ainda conta com um poderoso banco de reservas. Shaqiri, Gomez, Pizarro e Luiz Gustavo são apenas algumas das opções que o veterano técnico terá à disposição entre os suplentes.

Para resumir toda ladainha escrita nos últimos parágrafos, basta dizer que todas as características citadas estão nas pranchetas de Heynckes e Klopp, assim como já estão mentalizadas nas cabeças dos jogadores envolvidos na decisão. Eles se conhecem muito e parte da rivalidade recente vem dessa ciência.

Temos tudo para acompanhar um grande jogo, mas muito, muito mesmo, marcado pelo estudo, pelo conhecimento e pela tática.

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