Borussia Dortmund e o Echte Liebe

Mesmo derrotado, Dortmund foi recebido pela torcida

Mesmo derrotado, Dortmund foi recebido pela torcida

A internet banda larga foi mesmo um marco em minha vida. Acostumado a acessar a “grande rede de computadores” apenas nos fins de semana e após as 14 horas, ter acesso durante todo o dia e em qualquer horário era um avanço e tanto.

Lembro-me bem que nos primeiros dias de internet banda larga em minha casa, eu deveria ter 11 ou 12 anos, meu pai acessava todos os sites de notícia. Ele queria ver como era, quais a diferenças com um jornal de papel, que conteúdos eram oferecidos e tudo mais. Tudo isso com uma velocidade impensável nos saudosos anos da internet discada.

Um dos portais acessados foi o Terra e algo nos chamou a atenção: eles transmitiam futebol. Eu, que estava ao lado de meu pai e fascinado com aquela velocidade de acesso, fui atentado por ele e lá fomos assistir a um pedaço do jogo de futebol pela internet. Campeonato Português, Alemão… Não me recordo, só sei que não imaginava que um site fosse capaz de transmitir futebol. Mas assistimos àquela partida por pouco tempo, meu pai queria conhecer mais o que tinha em mãos, porém eu já tinha um ponto de acesso quando finalmente pudesse entrar na internet.

No dia seguinte fiz isso e tive a sorte de acessar o Portal Terra no momento que acontecia uma transmissão do Campeonato Alemão. Foi naquela época que comecei a gostar do futebol germânico e passei a aprofundar essa afeição pelo país. O jogo em questão daquele dia nem me lembro, mas sei que o Borussia Dortmund estava em campo. Olhei as cores amarelas e pretas, a torcida cantando sem parar e associei ao Criciúma, clube da região – talvez seja daí meu gosto pelo BvB.

A partir daquele dia, virei borussiano. E eu nem tinha aquela velha hipocrisia de tentar impor leis não escritas no esporte, como a de “não pode torcer por times de fora” e babaquices do gênero. Naquela época, não diferenciava futebol europeu do futebol nacional. Tinha consciência de que eram equipes estrangeiras e que serei um sortudo se conseguir ir até a Alemanha acompanhar o Dortmund ‘in loco’, mas era tudo “futebol”, não havia diferença entre o jogado nos modernos estádios europeus e no que participava no modesto campinho de meu bairro.

Coisas de criança, sabe? Queria ver o jogo, a bola rolando, o técnico gesticulando, o cartão amarelo que provoca um misto de sensações nos dois times, o carrinho, o drible, o gol e a torcida vibrando, não importava o país onde isso estivesse ocorrendo. A cada dia que passa, percebo que essa essência está morrendo. Não é “futebol” se não existir uma característica para completar o sentido – e aí surge o ‘pachequismo’ e o ‘complexismo’.

Mas, tentando carregar a essência comigo, passei a acompanhar o Borussia Dortmund sempre que possível. Acessava o Portal Terra todos os dias pra ver se estava passando um jogo do time e era diariamente mesmo, não tinha noção de quais dias jogavam futebol na Alemanha, afinal, a primeira partida que acompanhei foi em uma sexta-feira, coisa não habitual no Brasil.

Acabei não pegando uma época muito boa do time. Uma das coisas que mais me recordo era do centroavante do Dortmund. Era um argentino que fisicamente lembrava o compatriota Hernán Barcos do Grêmio: alto, magro, cabelos compridos e com rabo de cavalo. Seu nome era Diego Klimowicz. Talvez ele esteja em minha memória por ter sido o primeiro centroavante que vi no Dortmund, porque sua passagem por lá foi fraquinha, com apenas seis gols em quase 40 atuações.

Além de Klimowicz, lembro-me de Nelson Haedo Valdez, atacante paraguaio muito voluntarioso, de Florian Kringe, Robert Kovac, Antonio Rukavina e, é claro, da dupla brasileira, Dedê e Tinga. Era impossível assistir a um jogo internacional naquela época e não querer saber se havia ou não um brasileiro em algum dos times.

No videogame, tentava aprofundar meus conhecimentos sobre o clube. Querendo ou não, o mundo virtual dos playstations da vida serve para conhecermos uniformes, jogadores pouco utilizados, estádios e bobagens afins. Descobri que Evanílson chegou a vestir a camisa aurinegra, assim como a dupla tcheca Rosicky e Koller e o brasileiro Ewerthon, autor do gol do título alemão em 2002.

Mas na época que passei a acompanhar o time, vê-lo em uma final da Liga dos Campeões da Europa era inimaginável. O time contratava, contratava e contratava, mas não saia do lugar, ficava no meio da tabela, isso quando não ficava na parte debaixo.

A maior glória daquele momento acabou sendo uma vitória sobre o Schalke em 2008, na penúltima rodada do Campeonato Alemão, que fez com que os Azuis Reais, então líderes da competição, amargassem mais alguns anos na fila. Era muito pouco, ou melhor, não era nada.

Até que veio um tal de Jürgen Klopp e mudou tudo. O time cresceu, não só em tamanho, mas em mentalidade e em gana de superar os obstáculos e mostrar que nem sempre é preciso ter dinheiro para ter ambição e vencer. Foi essa mentalidade que fez com que esse jovem rapaz acreditasse que esse time chegaria ao local onde somente os grandes são capazes de chegar, apesar da irrealidade que era pensar nisso em 2007.

Bateu um sentimento de grandeza ver esse time chegar à decisão do maior campeonato da Europa. Eu, que vi tantos jogadores comuns vestirem a camisa do Dortmund, tantos atletas maltratarem a vista dos torcedores com passes errados de dois metros, sinto orgulho de ter visto a evolução, de ter visto Owomoyela ser sucedido por Piszczek, Kringe por Gündoğan, Zidan – que era meu jogador predileto – por Götze e Reus, e principalmente, ver Lewandowski no lugar de Klimowicz, o primeiro centroavante do Borussia Dortmund que vi jogar.

Guardarei as lembranças dos jogos recentes para sempre em minha memória, principalmente das partidas de volta contra Málaga e Real Madrid, quando saí de casa antes da partida acabar e passei o drama de descobrir o resultado apenas pelo celular enquanto seguia para a faculdade.

Se não ficou claro, sim, me considero um torcedor borussiano. É estranho gostar de um time que está a quilômetros de distância de mim? É, mas já criei uma ligação, aquele tipo de sentimento que se cria quando é jovem, aquela ligação que o faz gostar de desenhos animados ou brinquedos da infância quando você já está com cabelos brancos e andador, entupido de remédios para seguir vivo.

Apesar da derrota de sábado na final da Liga dos Campeões, senti orgulho do time, mesmo estando longe. A sensação que os torcedores que foram a Londres sentiram foi a mesma que senti. Perdendo ou ganhando, estávamos vestindo a camisa certa, torcendo pela equipe certa. Brigaram até o final, buscaram o empate, evitaram gols impossíveis, fizeram por merecer a honra de disputar uma decisão como àquela, mas perderam, faz parte do jogo, alguém sairia triste naquele dia.

Podem me chamar de ‘modinha’ ou coisas assim, não darei bola. Sei que esses existem, mas não me considero um. O tempo acompanhando o Borussia Dortmund já fez com que essa paixonite pelo clube se tornasse em algo maior, em um “verdadeiro amor”, como diz o lema do clube.

4 respostas em “Borussia Dortmund e o Echte Liebe

  1. Já eu sou modinha, mesmo. rs
    Comecei a acompanhar a BuLi em 2010, por causa das atuações da seleção alemã na Copa do Mundo daquele ano. Pensei; uau! algo está acontecendo na Alemanha. Foi um alívio encontrar algo que não fosse Barcelona, Espanha e tudo o que a imprensa ficava (fica) impondo. Já aquela altura estava cansada de tiki-taka… bem, não importa!
    Então eis que encontro o Dortmund! Me apaixonei de cara. Aquele jogo dinâmico, físico e técnico, bonito de se ver, me encantou. Com o Dortmund não há tédio. É sensacional! Possui todos os elementos para encantar: História, torcida, títulos, talentos dentro e fora de campo.
    Fico feliz por ter visto Sahin e Gotze, Kagawa e Lewa. Gotze e Reus + Lewa. De ter visto Piszczek e Hummels em forma, sem contusões. Aliás, nesta temporada o time sentiu fisicamente e muito. Resultado do esforço de um elenco pequeno que vem jogando intensamente nos últimos 3 anos.
    Pena que muitos devem ter descoberto o Dortmund agora, que além dos problemas físicos, ficou meio deprimido com a saída do Gotze e, possivelmente, do Lewa e… Me corta o coração vê-los ir. Mas tenho certeza que Zorc, Waltze e klopp vão buscar os jogadores certos. Além disso, o genial Klopp vai trazer outros meninos da base e montar outra equipe de encher os olhos e conquistar os corações de toda gente.
    Estou mega curiosa para saber o que eles vão aprontar.
    O Dortmund vai continuar forte!
    Na BuLi descobri também os simpáticos Mainz e Monchengladbach. Os técnicos desses dois times são incríveis também. Espero que eles se saiam bem na próxima temporada.
    E o que dizer dos torcedores alemães? Aprendi muito com eles. Eu passei a ser uma torcedora melhor do meu time de coração de desde sempre e para todo o sempre. Virei sócia-torcedora, passei a ir ao estádio e a consumir os produtos. Se os torcedores não fossem tao maltratados aqui no Brasil eu estaria muito mais presente na vida do meu time.
    Gosto muito do seu blog. Comente sempre sobre o futebol alemão. Foi ele que me trouxe até aqui quando comecei a acompanhar a BuLi, sou torcedora modinha…rs

  2. Meu comentário tá meio atrasado, é verdade, mas eu também comecei acompanhar o Borussia Dortmund por volta de 2007, vendo a Bundesliga no Esporte Interativo. Também gostei demais da combinação amarelo-preto, apesar de torcer para o Palmeiras, que não tem nada a ver com as cores. Meu jogador favorito de Frei. Lembro de uma derrota para o Bayern por 5×0, na temporada 07-08, uma semana antes da decisão da Copa contra o próprio Bayern. Naquele jogo, o Borussia tomava um pau e mesmo assim tinha uns 50 malucos pulando e cantando e aquilo foi muito marcante.

    E também fico muito feliz com essa mudança que o clube passou, tanto no elenco, como na filosofia de jogo, quanto na política de contratações e formação de jogadores.
    Também fiquei extremamente orgulhoso com a campanha na Champions. Fazer um jogo duro, e ser melhor durante todo o primeiro, contra esse time mostro do Bayern é incrível. Assim como ver o time ser uma das 10 marcas mais valiosas do futebol, após quase falir em 2005.

    Vamos, BVB!!!!!!!!!!

  3. # Borussia eu já tinha uma lembrança que venceu um clube brasileiro no Mundial de 97. É um clube que chamou minha atenção ao despachar a modinha CR7…rsrsrsrs Daí pra frente fui pesquisar, e muito se deve a Watzke e sua política ‘Echte Liebe’, e Jurgen Klopp que montou um esquema ótimo. Depois do Palmeiras, virei apaixonado pelo Ballspiel Verein Borussia e.v Dortmund

  4. Sempre me atualizo da BuLi 13/14, no globoesporte.com onde temos muiiita coisa sobre o futebol Alemão e o Borussia Dortmund. Recentemente chegaram Aubameyang, atacante, muito veloz comparado a Usein Bolt. Mkhitaryan, meia-armador que vai ser um novo Götze. E um zagueiro Grego que vem do W.Bremen, Nikolas.
    Comentem lá também!!!! Borussiaaaaaaaaaaaaaaaa

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