Com quem Gervais Martel está se metendo?

Gervais Martel transformou o Lens de time de segunda divisão em campeão francês

Gervais Martel transformou o Lens de time de segunda divisão em campeão francês

Falar de Gervais Martel é falar de RC Lens. Presidente do clube entre 1988 e 2012, o empresário tirou o time das posições inferiores do futebol nacional e levou a glória máxima em 1998 ao conquistar o Campeonato Francês. Ainda com Martel como mandachuva, a equipe do norte chegou a semifinal da Copa da Uefa de 1999/00.

Sem a mesma força do final dos anos 90 e princípio dos 2000, o Lens voltou a frequentar a zona de rebaixamento do Campeonato Francês na última década e os problemas financeiros começaram a assolar o clube. Já são duas temporadas consecutivas na segunda divisão do país, coisa que não acontecia desde 1989/90 e 1990/91. Em 2012, não deu outra, Gervais Martel deu lugar a Luc Dayan na presidência do clube.

Um ano depois, o empresário sentiu saudade e conseguiu retornar para o norte, mas, dessa vez, trouxe um “amigo” consigo. Dono da Baghlan Group FZCO, empresa que trabalha com o transporte e na exploração de gás e petróleo no Azerbaijão, Hafiz Mammadov comprou o Lens junto com Martel.

Na França, muitos passaram a questionar quem era esse azeri que tomou conta do clube do norte. Uma pergunta ainda mais pertinente é por que Gervais Martel, um dirigente tão bem visto no país, se envolveria com um magnata? Seria Mammadov mais um milionário excêntrico que brinca de Football Manager na vida real? A princípio, não é exatamente isso que descreve o azeri. Seus interesses políticos parecem estar acima das vontades do RC Lens.

Sobre sua índole, uma das denúncias mais graves dá conta do envolvimento com o governo de Ilham Aliyev, presidente do Azerbaijão desde 2003. A Associação Pró-Armênio (país que tem conflito histórico com os azeris e possui boas relações com a França) afirma que Mammadov está diretamente ligado à dinastia Aliyev e que sua entrada no futebol francês é uma infiltração no país. O grupo destaca que as verdadeiras ambições do empresário são políticas e não esportivas e ainda chama o presidente azeri de “ditador”, alertando sobre essa relação governo-empresário.

Não custa reforçar que associações de defesa dos direitos humanos denunciam constantemente o Azerbaijão, que sofre com eventos de repressão, detenção de jornalistas de forma ilegal e suspeitas de manipulação das eleições. Em 2012, Ilham Aliyev ganhou o “troféu” de campeão mundial da corrupção e saber que Mammadov tem ligações com esse tipo de governo é, no mínimo, preocupante para os lensois.

Hafiz Mammadov estaria interessado em qualquer coisa, menos em futebol

Hafiz Mammadov estaria interessado em qualquer coisa, menos em futebol

Por enquanto, sabe-se pouco do acordo entre Lens e Baghlan Group FZCO, mas a imprensa azeri especula que haja um investimento inicial de 25 milhões, porém, não dá para afirmar qual o potencial desse investimento. Apesar do baixo valor de investimento, a imprensa azeri fala que o Lens se tornará mais forte que o AS Monaco de Dmitry Rybolovlev.

Mesmo com pouco conhecimento em torno do acordo, existem especulações sobre quais seriam as intenções do empresário e alguns pontos são, de certa forma, pitorescos. Fala-se muito que uma das ideias de Mammadov (que é membro da Federação Azeri de Futebol) é fortalecer o esporte no país e, em consequência, tornar a nação forte politicamente e mais bem vista na Europa. Uma de suas ideias e trazer jogadores azeris para os mais modernos centros de treinamento do Velho Continente para melhorar a qualidade do futebol no país.

Vale ressaltar que o RC Lens, em 2002, inaugurou La Gaillette, um dos centros de formação de atletas mais bem vistos da Europa. De lá saíram Serge Aurier, Raphaël Varane e Geoffrey Kondogbia, por exemplo.

Se você achou bizarro trazer azeris para treinar no Lens (interesses pessoais na federação nacional acima dos interesses do clube), saiba que alguns veículos de imprensa falam que o Félix Bollaert, um dos estádios mais fantásticos da França, pode ser enfeitado com bandeiras do Azerbaijão (!!!). Sem mais, amigos.

O que se sabe até agora envolve os ainda tímidos investimentos. O Lens trouxe jogadores interessantes como Danijel Ljuboja, Ahmed Kantari e Alphonse Areola, mas os dois primeiros vieram por estarem sem clube e o segundo, por ser uma aposta do futuro do Paris Saint-Germain, chegou por empréstimo.

A maior mudança é no banco de reservas, sem dúvida alguma. Antoine Kombouaré, ex-técnico do PSG, foi contratado. Éric Sikora, último comandante do time, alimentava a expectativa de permanecer no clube, mas voltou a treinar a equipe reserva.

Será a segunda vez que Kombouaré embarcará em um projeto milionário. Da outra vez estava no clube parisiense quando a Qatar Sports Investiments (QSI) chegou a capital, mas durou apenas seis meses. Desta vez, ele parece ser homem de confiança de Gervais Martel e tem tudo para fazer um bom trabalho no norte.

O grande ponto de interrogação é até onde irá esse vínculo com os azeris. O Lens tem tradição e conta com torcedores apaixonados, se envolver com um milionário que tem seu nome envolvido com um governo corrupto e ditador pode manchar o clube e mexer com os brios do torcedor. O ídolo Martel pode ser apenas uma “cortina de fumaça” para as artimanhas de Mammadov.

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