Vitória de Blanc

Blanc se aproveitou do vacilo de Gillot para erguer o caneco

Blanc se aproveitou do vacilo de Gillot para erguer o caneco

Conquistar supercopas nacionais não tem grande valor histórico, essa é a verdade. Normalmente é um único jogo, aquele que abre a temporada e normalmente em campo neutro. A função desse torneio é muito mais coroar o início de um novo ano no futebol do país do que premiar o melhor time.

Por isso mesmo que o Paris Saint-Germain não deve fazer grande festa pelo título da Supercopa Francesa, assim como o Bordeaux não tem muito do que lamentar por não ter mais um troféu em sua galeria. Porém, esse 2×1 para os parisienses não deixou de ser um aprendizado para os comandantes das duas equipes.

Francis Gillot, só para variar, armou bem o Bordeaux e soube controlar o PSG na marcação. Além disso, promoveu uma inversão bem interessante no meio campo: Ludovic Obraniak, acostumado a ser o meia central na linha de três armadores, atuou mais pela direita, com Jaroslav Plašil cumprindo função pelo centro.

Essa mudança só comprovou o quanto Mariano evoluiu na França. Sem um apoiador firme na marcação, o brasileiro fez ótima partida na defesa, cedendo poucos espaços aos parisienses e aparecendo com a já conhecida precisão no ataque.

No restante da partida, Gillot cometeu um erro fatal, que foi o de recuar o time cedo demais. O Bordeaux perdeu várias chances e poderia ter feito mais dois ou três gols se não fosse sua inoperância ofensiva, causada pela ausência de um centroavante de confiança. Dos 20 minutos do segundo tempo em diante, desmotivados pelos gols perdidos, os girondinos recuaram suas linhas e avançavam com poucos homens, dando a deixa para Laurent Blanc se tornar um dos grandes caras da partida.

O técnico do PSG começou com Thiago Motta na cabeça de área, algo que eu já havia previsto quando foi contratado, mas, observando que o Bordeaux abdicara do ataque e que o ítalo-brasileiro ficaria sem função, Blanc o sacou do time para colocar Marco Verratti. O PSG ganhou dinamismo, precisão e incisão nos passes, tornando seu jogo menos previsível.

Junto com o italiano vieram os jovens Kingsley Coman e Hervin Ongenda nos lugares de Javier Pastore e Ezequiel Lavezzi. Os moleques promoveram uma insana correria que a dupla argentina não foi capaz de produzir e Ongenda, inclusive, anotou o primeiro gol parisiense.

Ainda assim, esse título do Paris Saint-Germain não mudará a cotação do dólar. Nem tudo está pronto na capital, assim como nem tudo está errado na terra dos vinhos. O PSG segue com seu vício do toque de bola infértil e sem armador, enquanto o Bordeaux permanece precisando, urgentemente, de um bom centroavante. Mas essa partida realizada no Gabão serviu para mostrar aos técnicos, o que podem ou não fazer para seus times conquistarem resultados satisfatórios na temporada.

LUCAS

Apesar de decisivo, Lucas ainda mostra dificuldades em mostrar seu jogo

Apesar de decisivo, Lucas ainda mostra dificuldades em mostrar seu jogo

Senti-me obrigado a abrir alguns parágrafos para falar de Lucas e de como segue com alguns vícios ruins desde que chegou ao PSG. O brasileiro não consegue sequer entrar na área, quiçá finalizar. Suas tradicionais arrancadas em direção à linha de fundo são raras, lembro-me de apenas uma, no início do segundo tempo, no jogo de hoje. O normal para Lucas é pegar a bola na direita e trazer para dentro. Consigo vem o ponteiro que o marca, um volante e, vez ou outra, mais um cabeça-de-área, tornando-se presa fácil para a marcação.

Esse parágrafo acima pode resumir o primeiro tempo de Lucas e talvez todos os seis meses de sua passagem por Paris.

A etapa final foi diferente, mas ainda abaixo do esperado. O brasileiro jogou mais para o time, parou de abusar das jogadas individuais e procurou fazer o “feijão com arroz”. Ainda assim foi decisivo ao roubar a bola que originou o gol de Ongenda e cobrar a falta do gol do título, anotado por Alex.

Esse jogo de hoje me fez questionar a real capacidade de Lucas em exercer a função de meia pela direita em um 4-4-2. O brasileiro fica sem espaço para correr e seu último toque na bola quase sempre é longe da área. Um 4-2-3-1 parece ser o sistema tático perfeito para ele, pois assim tem com quem trabalhar a bola, já que o personagem central desta trinca de meias tem de se aproximar dos pontas para criar jogadas.

Vale essa reflexão para Laurent Blanc. Largar todo o lado direito nas costas de Lucas não parece ser a melhor medida para fazer o verdadeiro futebol do garoto brotar em terras parisienses.

Imagens: PSG (Site Oficial)

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