Não culpem o sistema

O problema de Pastore não é o sistema tático (Foto: Icon Sport)

O problema de Pastore não é o sistema tático
(Foto: Icon Sport)

Há quem invente mil e uma razões para o baixo rendimento de Javier Pastore com a camisa do Paris Saint-Germain. A milésima segunda e mais nova justificativa para a sonolência do meia é o sistema tático dos atuais campeões franceses. Para muitos, o argentino é mal escalado.

Será?

Originalmente, Pastore é meia-articulador, aquele famoso “10” que joga pelo centro, sempre botando a bola debaixo do braço e armando as principais jogadas de ataque do time. Porém, na temporada passada, o argentino foi deslocado para os flancos pelo então técnico do PSG, Carlo Ancelotti. Na fase pré-Lucas, Pastore jogou pela direita (época em que mais rendeu no clube); pós-Lucas ele partiu para a esquerda. Com Laurent Blanc, os parisienses têm jogado no 4-3-3 e o argentino retornou ao centro, mas não como armador e sim como um dos membros do tripé de meias do time.

Para muitos, o que Ancelotti fez e o que Blanc apronta agora não está certo. Essas medidas afastam Pastore do ataque, o que torna sua posição em campo equivocada. Mas será que já passou pela cabeça que foi a inoperância do próprio argentino que faz com que os técnicos o coloquem em uma posição que não seja a sua original?

Pastore já está há dois anos em Paris e em um ano e meio atuou centralizado, seja no 4-2-3-1 ou no famoso sistema “árvore de natal” de Ancelotti, o 4-3-2-1. Jogando assim, o argentino era ainda mais sonolento. Ele tinha tanta liberdade para flutuar entre ataque e defesa que se perdia no meio do caminho e nem sabia o que fazer, tornando-se presa fácil para qualquer adversário.

Seu deslocamento para a ponta foi para o bem do time. Como ele era (e é até hoje) um dos poucos passadores do elenco, não seria bom coloca-lo no banco de reservas, porém, seus constantes erros e cochilos eram fatais pelo centro. Na lateral ele encontrou mais espaços para jogar e fez ótimo mês de dezembro, quando, atuando pela direita, realizou ótima dobradinha com o não menos contestável Jallet.

              PSG - III  PSG - I

PSG - II

 

Pastore está longe de ser mal escalado. Pelos flancos pode haver até uma discussão, mas ajudando Matuidi e Thiago Motta na distribuição de jogo é inaceitável levantar tal hipótese. O argentino tem espaço e liberdade para avançar e grudar nos atacantes, mas prefere a sonolência da sua zona de conforto.

Não me venham com papo de “longe do gol” porque isso não existe no futebol atual, o futebol da movimentação, das constantes mudanças de posição e do jogo aglutinado. Pastore, da posição que tem sido escalado por Blanc, tem a obrigação de se aproximar do ataque e ele tem espaço territorial pra isso.

Hoje não dá para culpar sua inadaptação do futebol francês, como foi consenso em sua primeira temporada na França. É quase unânime que Javier Pastore não passa de um flop, de mais um jogador que promete demais e não rende o esperado. E a culpa não está nem perto de ser do sistema tático.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s