É a vez de Gignac

Foto: Reprodução - Marcando há sete jogos consecutivos, André-Pierre Gignac pede passagem na seleção

Foto: Reprodução – Marcando há sete jogos consecutivos, André-Pierre Gignac pede passagem na seleção

Didier Deschamps tem dois problemas para resolver na seleção francesa nos meses que antecedem a Copa do Mundo: a dupla de zaga e o centroavante. O primeiro problema está mais próximo de ser resolvido. Depois de testar várias duplas, DD parece ter encontrado o duo ideal com Raphaël Varane e Mamadou Sakho, apesar da juventude de ambos (terão 21 e 24 anos na Copa, respectivamente).

No ataque, a história tem outro cenário. Karim Benzema é titular, mas não convence. O atleta do Real Madrid passou mais de um ano (15 jogos) sem marcar pela seleção em qualquer tipo de jogo. Em partidas oficiais, Benzema ficou dois anos (12 jogos) sem balançar as redes pela França. Com isso, vêm as intensas críticas de imprensa e torcida (muitas delas relacionadas à ascendência argelina do jogador) e a perda da posição, em alguns jogos, para atletas como Olivier Giroud e Loïc Remy. Ambos, porém, também não conseguiram se fixar na posição e Deschamps sempre acaba voltando com o madridista.

Até a estreia na Copa do Mundo, no dia 15 de junho no Beira-Rio em Porto Alegre, contra Honduras, a França disputará quatro amistosos, sendo três desses (Noruega, Paraguai e Jamaica) provavelmente com o elenco que virá ao Brasil para o Mundial, já que serão nas semanas que antecedem a Copa.

Então, o amistoso do dia 5 de março, contra a Holanda, ganha uma importância singular para quem ainda almeja entrar no grupo de atletas convocados para a Copa do Mundo.

Foto: Reprodução - Gignac vive excelente momento no Marseille

Foto: Icon Sport – Gignac vive excelente momento no Marseille

Para este jogo, entendo ser de sumária importância que Deschamps abra os olhos… ou melhor, arregale os olhos para André-Pierre Gignac, do Olympique de Marseille. O centroavante marcou nos últimos sete jogos do OM e já acumula 15 gols na temporada (nove no Campeonato Francês, quatro na Copa da França e dois na Copa da Liga), faltando três para igualar o número de gols que teve em toda temporada 2012/13.

Apesar dos chamativos números, Gignac só participou de uma partida com Didier Deschamps, ainda assim, atuando por apenas meia-hora contra a Geórgia. É verdade também que, num primeiro momento, falou-se muito que a não aparição do atacante nas convocações se deu por causa de entreveros que teve com Deschamps quando este ainda treinava o Marseille, mas, após várias e várias entrevistas, ficou esclarecido que aquele episódio já fora superado por ambos.

Logo, não existem motivos plausíveis para que Gignac fique de fora da seleção francesa, nem mesmo o temperamento do atacante. Vale lembrar que Samir Nasri e Patrice Evra, que são muito mais explosivos, estiveram nas últimas convocações de DD, sendo que o último citado é titular absoluto e capitão do time.

A mim é nítido que não se trata de apenas “uma boa fase” de Gignac. Acredito que “fase” mesmo foram suas duas primeiras temporadas no Marseille, quando acumulou nove gols em dois anos. Hoje, quando se fala de Gignac, se fala em um atacante de 28 anos que atingiu o ápice da carreira.

O “9” do Marseille não é só um empurrador de bola nas redes, ele tem recurso. Apesar de forte fisicamente, Gignac tem explosão e se movimenta de forma muito inteligente nos arredores da grande área. Com a bola no pé é ágil e articula as jogadas com muita velocidade.

Sobre a movimentação, um ponto interessante que ele faz em quase todos os jogos e poucos times conseguem anular: Gignac vem muito pro canto esquerdo de ataque, muitas vezes até pra lateral. Quando tem a bola controlada, carrega até o bico da grande área e busca ângulo pra finalização de pé direito. É uma jogada clássica e eficaz do atacante.

Aproveitando essa movimentação, o técnico interino (?) do Marseille, José Anigo, já chegou a escala-lo na ponta-esquerda, tendo o tunisiano Saber Khalifa como centroavante. Esta é uma alternativa válida até para Deschamps aproveitar no decorrer dos jogos em que Mathieu Valbuena ou Franck Ribéry não consigam exercer os seus estilos.

Enfim, elenquei alguns motivos que tornam obrigatória um imediato teste com Gignac no amistoso contra a Holanda. Não falo de teste de um tempo ou poucos minutos. Falo de um jogo inteiro, ao lado do time considerado titular. O auge que vive, os recursos técnicos que tem apresentado e a necessidade da seleção francesa em encontrar opções confiáveis no ataque faz com que seja um crime o desperdício de tal potencial.

Ganso francês

Foto: MAXPPP - Assim como Ganso, Gourcuff recebe o clamor da mídia para voltar a seleção

Foto: MAXPPP – Assim como Ganso, Gourcuff recebe o clamor da mídia para voltar a seleção

Uma situação que enche o saco de muita gente aqui no Brasil são as atuações do meio-campista Paulo Henrique Ganso, do São Paulo. Qualquer lampejo de bom futebol já rende assunto a semana inteira no noticiário esportivo e, por consequência, surge o papo de “Ganso seleção”.

A França também tem seu Ganso. Falo de Yoann Gourcuff, do Lyon. O meia, que já foi chamado de “novo Zidane”, faz boa temporada, isso não discuto, mas cogita-lo na seleção, como fez, por exemplo, a France Football, é, por enquanto, muito precipitado.

A boa temporada de Gourcuff é em cima das próprias limitações físicas que têm. Ele fez 22 jogos dos 34 do Lyon. Em apenas 50% dos jogos atuou por 90 minutos, sem falar de cinco partidas em que saiu do banco. Além disso, dos 12 jogos ausentes, 11 foram motivados por lesões.

Na temporada, ele tem cinco gols e seis assistências, números razoáveis, podemos considerar assim. No Campeonato Francês, a estatística impressiona: somente 13 jogos, mas três tentos anotados e cinco passes para gol, isso em menos de 850 minutos em campo.

Números bons? Claro! Como disse acima: para isso, não há discussão alguma.

Mas quere-lo na seleção é forçar a barra. É querer, na marra, que ele seja o que sempre prometeu e poucas vezes cumpriu. No fundo, quem quer Gourcuff na seleção é viúva de Zidane.

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