A megalomania brasileira do Rennes 2000/2001

Luís Fabiano (centro) e Lucas (esq.) estão no ranking das maiores contratações da história do clube | Foto: SportPierre Minier / Icon Sport

Luís Fabiano (centro) e Lucas (esq.) estão no ranking das maiores contratações da história do clube | Foto: SportPierre Minier / Icon Sport

De Jairzinho a Juninho Pernambucano, passando ainda por Paulo César Caju e Raí, a história de jogadores brasileiros no futebol francês é longa e bem-sucedida. Clubes como Paris Saint-Germain e Olympique Lyonnais, por exemplo, possuem vastas e positivas histórias com atletas de sangue verde e amarelo.

Olhando para esse histórico, daria para dizer que a receita do sucesso é injetar dinheiro no Brasil, certo? Bom, na temporada 2000/2001, o Rennes seguiu este conselho e se deu muito mal.

Abastecido financeiramente pela venda de Shabani Nonda ao Monaco por € 20 milhões e pelo milionário François-Pinault, que assumiu a presidência do clube em 1998, o clube decidiu ir às compras. Das cinco maiores contratações da história do clube bretão, estão dois brasileiros, que juntos somaram € 28 milhões, mas apenas seis gols.

Luís Fabiano e Lucas Severino chegaram ao Rennes em 2000/2001. O primeiro era uma revelação da Ponte Preta, comprado por € 7 milhões, enquanto o segundo era estrela no Atlético Paranaense, jogador da seleção olímpica em 2000. A negociação de Lucas foi a maior da história do clube, que investiu € 21 milhões no atleta – que estava acertado com o Marseille, até os bretões dobrarem a proposta. Nenhum dos dois chegou perto de vingar.

O Fabuloso atuou sete vezes em 2000/2001, antes de ser emprestado ao São Paulo, e mais quatro vezes na temporada seguinte. Não marcou nenhum gol e voltou para o Tricolor Paulista, desta vez, em definitivo. Anos depois, quando despontava como um dos principais atacantes da Europa, na época em que defendia o Sevilla, muitos na Bretanha se perguntavam o que aconteceu para que ele não tivesse dado certo por lá…

FOTO 2: Luís Fabiano deixou o Rennes sem marcar um gol sequer | Foto: Divulgação

FOTO 2: Luís Fabiano deixou o Rennes sem marcar um gol sequer | Foto: Divulgação

Já Lucas se tornou o símbolo do fracasso em grandes negociações. O brasileiro chegou à França bem gabaritado, sendo elogiado por Raí e comparado a Ronaldo pelo presidente da Internazionale, Massimo Moratti. Ele foi apresentado junto do argentino Lucas Turdó, contratado também por uma singela bagatela de € 12 milhões – e se tornou outro grande flop.

Mesmo sem aguentar o fardo do valor investido, o Rennes teve paciência de sobra com Lucas, que foi titular durante duas temporadas e marcou apenas sete gols. Depois de fracassados empréstimos a Corinthians e Cruzeiro, retornou ao clube, jogou algumas partidas e foi vendido ao futebol japonês, sacramentando uma grande decepção para a torcida. Hoje, não é nada anormal encontrar o nome dele nas listas de grandes flops da história do Campeonato Francês.

Lucas é tido como o maior flop da história do Rennes | Foto: Divulgação

Lucas é tido como o maior flop da história do Rennes | Foto: Divulgação

Vânder e César

Naquela mesma temporada, o Rennes trouxe outros dois brasileiros, que não eram tão conhecidos assim do grande público. Além de Luís Fabiano, os Rouge et noir trouxeram da Ponte Preta o meio-campista Vânder, na época, com 26 anos. Atrapalhado por uma série de lesões, entrou em campo apenas 18 vezes em duas temporadas, sem ter marcado um único gol. Chegou a ser emprestado ao Cruzeiro em 2002, mas depois rodou por clubes de médio porte no Brasil, até se aposentar em 2010.

Caso semelhante viveu César. Zagueiro formado na Portuguesa, chegou a seleção no fim dos anos 90 e logo se transferiu ao PSG, onde teve poucas oportunidades. Aproveitando a “onda brasileira”, o Rennes decidiu investir € 5 milhões em sua contratação. Eis outro negócio fracassado.

Logo na estreia, diante do Lyon, um empate em 2×2 no Gerland, César foi expulso no fim da partida por acúmulo de cartões. Duas rodadas depois, se redimiu, ao marcar um gol no empate em 1×1 diante do Monaco. Porém, o prestígio com o técnico Christian Gourcuff durou somente uma temporada. No ano seguinte, atuou na primeira metade do campeonato, até voltar ao Brasil e começar a rodar. Pelo Rennes, foram 37 jogos, dois gols, seis cartões amarelos e um vermelho.

O alto investimento em brasileiros não trouxe grandes resultados ao Rennes. Irregular durante toda a temporada, os bretões precisaram se contentar com um 6º lugar, com 50 pontos, com uma vaga na extinta Copa Intertoto. Para piorar, na última rodada, chegaram a abrir 3×1 no Lyon, que já era o vice-campeão, e cederam a virada em casa. A derrota, somada com a vitória do Sedan sobre o Auxerre, fez com que perdessem a vaga na Copa Uefa.

Rennes 2000/2001: um time que ficou lembrado pela “onda brasileira” | Foto: Divulgação

Rennes 2000/2001: um time que ficou lembrado pela “onda brasileira” | Foto: Divulgação

Sem samba na Bretanha

Mas engana-se quem pensa que a temporada 2000/2001 foi exceção na relação Rennes e brasileiros. Se há um clube francês que não se dá bem com atletas tupiniquins, certamente é o Rennes.

Ao longo da história, o clube bretão teve o atacante Emerson Sheik (na época conhecido como Emerson Passos), o zagueiro Adaílton, o volante Dudu Cearense (ambos campeões mundiais sub-20 em 2003) e até Baltazar (o conhecido “Artilheiro de Deus”) em seus elencos e nenhum deixou saudades.

Atualmente, quem está lá é Pedro Henrique, que alterna entre o time titular e reserva desde que chegou na temporada 2014/2015. Já são 79 jogos, com oito gols e oito assistências. Seria ele capaz de mudar esse cenário?

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