Edinson Cavani: besta ou bestial?

Os números de Edinson Cavani na temporada 2016/2017 são absurdamente assombrosos. São 29 gols em 29 partidas. Fatalmente, El Pistolero baterá o desempenho de 2014/2015 pelo Paris Saint-Germain, onde balançou as redes 31 vezes em 53 oportunidades. Tal estatística já o coloca como segundo maior goleador da história do clube, com 112 gols.

É possível reclamar de um atacante com números tão bons como os de Cavani? Dá para encontrar defeitos em quem vem marcando gols jogo sim, jogo com certeza? Pois então, existem críticos do uruguaio e com argumentos bastante convincentes.

Cavani é creditado como um jogador que participa pouco das ações durante a partida, tendo atuação mais efetiva apenas nas fases decisivas do gramado. Esse dado é ilustrado pelo Opta Jean, durante o primeiro tempo do empate por 1×1, diante do Monaco, pela 23ª rodada da Ligue 1. Enquanto Falcao García, atleta de mesma função, participou relativamente bastante da construção do jogo , o uruguaio apenas tocou na bola nas proximidades da grande área.

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Gráfico mostra a esquerda a participação de Cavani e, a direita, Falcao García, no 1º tempo de PSG 1×1 Monaco | Foto: Opta Jean

E esse dado não é isolado. Cavani, de fato, tem pouca participação em outras fases do jogo. Até o momento, ele deu apenas uma assistência durante toda a temporada. O detalhe é que esse passe para gol foi em uma partida da Liga dos Campeões, o que faz com que seja o único jogador das cinco grandes ligas com no mínimo 12 gols que ainda não tenha dado uma assistência – número do Opta Jean.

Já segundo o WhoScored, o uruguaio tem média de 0.5 passes chave por jogo, uma das mais baixas da equipe. Cavani também tem média baixa de dribles certos e também de passes concluídos – não chega a 13 passes por jogo.

Apesar dos gols, Cavani tenta superar a pouca efetividade em outras ações do jogo | Foto: Team Pics/PSG 

Apesar dos gols, Cavani tenta superar a pouca efetividade em outras ações do jogo | Foto: Team Pics/PSG

Enquanto isso, El Pistolero tem a maior média de finalizações certas da Ligue 1, com 3.6 por jogo, a mais alta ao lado do italiano Mario Balotelli, do Nice. É um dado que registra a capacidade de criar situações de gol, mas que, ao mesmo tempo, demonstra como é um jogador de participação “limitada” dentro do jogo.

Cavani também é fruto de uma equipe que não consegue render com Unai Emery. Por mais que seja o time com maior média de posse de bola entre os 20 do Campeonato Francês, o PSG vem apresentando dificuldades em diversas partidas, principalmente após a virada do ano. Um dos defeitos mais visíveis é a demora em marcar seus gols. Nas vitórias contra Lille e Dijon, por exemplo, o Paris marcou os tentos decisivos nos últimos 20 minutos de jogo.

Não bastasse a dificuldade em marcar gols nas últimas rodadas, a equipe da capital vem se notabilizando como “cruzador de bolas”. A média, segundo o Who Scored, é de 23 por jogo e isso é refletido no desempenho do próprio Cavani. De todos os 23 gols na Ligue 1, 11 partiram de cruzamentos.

 No raio-x dos gols, Cavani se destaca com muitos tentos de pé direito | Foto: Team Pics/PSG 


No raio-x dos gols, Cavani se destaca com muitos tentos de pé direito | Foto: Team Pics/PSG

Enquanto a bola estiver entrando, certamente isso não será encarado como um grande problema. Cavani está decidindo e é isso que importa para torcida do PSG. Unai Emery, entretanto, precisa pensar em uma nova maneira de explorar outros recursos do uruguaio. O Paris era acostumado a ter um tal de Zlatan Ibrahimovic, que possuía uma capacidade de criação de situações e abertura de espaços bastante interessante, sendo um articulador de jogo e finalizador em uma mesma jogada. O sueco nunca foi apenas um empurrador de bolas para as redes e sempre entregou um bom número de assistências ao time – 37 em quatro temporadas.

O futebol atual exige que haja essa participação em todas as fases da partida e Cavani peca nisso. Tem sido o “empurrador de bolas para as redes”, como citei no parágrafo acima. Claro, tem sido o goleador que muitos times querem – só na Ligue 1, fez mais gols que seis equipes – mas pode ser preciso um “algo mais” para que o PSG consiga dar o passo adiante em nível interacional. Esse impasse faz com que surja a dúvida: Cavani, besta ou bestial? 

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