Elas por ela

Corinne Diacre assume a seleção feminina da França | Foto: Divulgação/Clermont

Corinne Diacre é uma legítima desbravadora na França. Zagueira de larga carreira no país, inclusive com mais de dez anos de serviços prestados a seleção nacional, ela decidiu ir além, enfrentou a resistência e os preconceitos machistas, tornou-se assistente, treinadora e assumiu o Clermont, time da segunda divisão, tornando-se a primeira mulher a treinar uma equipe masculina no país.

Curiosamente, Corinne assumiu a equipe da região de Auvergne em 2014, exatamente após o fracasso de uma negociação do clube com outra treinadora. A portuguesa Helena Costa chegou a ser apresentada como comandante do time, mas, subitamente, renunciou ao posto alegando problemas particulares – versão que não bateu com a do presidente Claude Michy e a empresária Sonia Souid, que intermediou a transferência.

A passagem pelo Clermont, que muitos consideravam apenas uma jogada de marketing, foi encerrada surpreendentemente nesta semana. Só que diferentemente do que aconteceu no caso de Helena, Corinne deixou o clube por uma ótima causa: após três anos, com 50 vitórias, 39 empates e 44 derrotas, ela foi contratada pela Federação Francesa de Futebol (FFF) e assumirá a seleção feminina.

Neste meio tempo, Corinne fez história no Clermont, não apenas por ter sido a primeira mulher a dar a cara a tapa na França e no machista mundo do futebol, mas por ter obtido reconhecimento na função. Logo na primeira temporada, em 2014/15, evitou o rebaixamento da equipe – o que era cotado desde o começo da competição – terminando em 12º, com 49 pontos. Na temporada seguinte, chegou a sonhar com o acesso, terminando em 7º lugar, a sete pontos da zona de classificação, isso tendo o menor orçamento entre os 20 times.

O resultado final disso tudo foi o reconhecimento vindo da conceituada revista France Football, que a escolheu como melhor técnico de 2015 na segunda divisão francesa.

Mais até do que os méritos táticos e técnicos, a grande revolução de Corinne foi internamente. Mesmo enfrentando preconceitos e até mesmo estranhezas, baseou sua rotina na confiança do grupo de atletas. Rígida com seus conceitos e formas de trabalho, conquistou o apreço do elenco e o respeito da comunidade futebolística, fazendo com que obtivesse know-how a ponto de assumir a seleção, com contrato de quatro anos.

No Clermont, Corinne conquistou a confiança dos atletas | Foto: Divulgação/Clermont

Desafio nas Bleues

Na seleção francesa, Corinne substituirá Olivier Echouafni, que não durou sequer um ano no comando da equipe. Após substituir Phillipe Bergeroo depois dos Jogos Olímpicos, não conseguiu bons resultados e as duras críticas depois da decepcionante campanha na Eurocopa pesaram para a mudança.

Na história, Corinne será apenas a segunda mulher a treinar as Bleues. Antes dela, Élisabeth Loisel ficou dez anos no posto e revolucionou o futebol feminino do país, classificando a seleção para a Copa do Mundo de 2003, primeira do time.

Já Corinne tem um Mundial em casa pela frente, em 2019. Como herança, desempenhos decepcionantes nos Jogos Olímpicos e na Eurocopa, onde as Bleues caíram em nas quartas-de-final nos dois torneios.

Tudo isso contrasta com o cenário dos clubes, onde a França chegou a ter dois times fazendo a final da Liga dos Campeões, com o Lyon vencendo o PSG nos pênaltis – OL, aliás, ganhou quatro das oito edições da competição. Além disso, das 18 jogadoras escolhidas para o time ideal da temporada 2016/17 do torneio, sete eram francesas.

Ou seja, apesar dos resultados ruins, Corinne Diacre não encontra terra arrasada. Longe disso, até. Com uma base formada por atletas do Lyon e do PSG, tem tudo para desempenhar ótimo papel e fazer com que a seleção tenha desempenho tão exitoso quanto dos clubes.

Estreia

Dois amistosos em setembro marcam a estreia de Corinne Diacre | Foto: Divulgação/Clermont

E a estreia de Corinne já será breve. Estão marcados dois amistosos para setembro: em Caen, enfrenta Chile, e em Calais pega a Espanha, nos dias 15 e 18, respectivamente.

Mais de Corinne Diacre

Para quem quiser conhecer mais do trabalho e da história da nova treinadora da seleção feminina da França, o colega de Le Podcast du Foot, Filipe Papini comentou sobre a trajetória da profissional em dezembro de 2015 no blog C’Est le Foot:

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