Ben Yedder: a carta na manga

Destaque no Sevilla, Ben Yedder pede passagem na seleção | Foto: AFP

Wissam Ben Yedder é mais um dos tantos talentos inegáveis que a Ligue 1 mostrou ao mundo nos últimos anos. Habilidoso, atrevido e goleador, o atacante de 27 anos passou seis temporadas escondido no Toulouse, onde sempre foi a referência ofensiva e conseguiu o status de maior goleador da história do clube, com 71 gols em 174 partidas.

Na segunda temporada pelo Sevilla (mais um dos tantos atletas garimpados por Monchi), já possui média interessante de gols: em 50 aparições, balançou as redes 25 vezes – uma vez a cada duas partidas.

O curioso disso tudo, porém, é o fato de nunca ter sido lembrado uma vez sequer pelos técnicos que passaram pela seleção francesa. Difícil crer que haja uma explicação técnica para que um atleta que tenha entregue ao menos 15 gols em quatro temporadas seguidas em um time de segundo escalão (e mantido o pique na Espanha) não seja convocado.

Seu nome, ao menos, já ecoa nos veículos de imprensa da França. Na convocação para as partidas contra Bulgária e Bielorrússia, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, o técnico Didier Deschamps foi questionado sobre a ausência de Ben Yedder, já que começou a temporada metendo hat-trick na Liga dos Campeões e parecia ser uma escolha lógica. DD resumiu dizendo que há muita concorrência.

Encaixe no time

Ok, ele não tem a badalação de outros homens de frente, como Antoine Griezmann e Kyllian Mbappé, tampouco é peça de confiança, como Olivier Giroud, mas o atacante do Sevilla possui características associativas que dariam acréscimo interessante aos Bleus.

Pedra bruta do futsal (ficou até os 18 anos na modalidade e chegou até a jogar pela seleção francesa), Ben Yedder soube assimilar e adaptar as características das quadras nos campos. Trouxe consigo a habilidade, o drible em espaços curtos e criar jogadas de associação, capazes de abrir espaços.

O sevillista tem estilo que casa tanto com Griezmann, jogador igualmente móvel e inteligente, quanto com Giroud, que poderia se aproveitar dos desmarques de Ben Yedder para engordar suas estatísticas de gols.

Disciplina

Ben Yedder jogou apenas pela seleção de base | Foto: L’Equipe

Se o excelente desempenho e a capacidade de unir características com os demais homens de frente não é razão para convencer Deschamps, só resta crer que ele carregue algum tipo de desconfiança com Ben Yedder em função de um episódio de indisciplina no passado.

Em 2012, pela seleção de base, foi punido junto de outros atletas (Griezmann era um deles) por fugir da concentração para ir a uma festa. Na época do fato, foi suspenso por um ano pelo Comitê Disciplinar da Federação Francesa de Futebol.

O episódio, porém, parece ter ficado para trás e pouco se ouviu de polêmicas envolvendo o atleta. O caso mais chamativo desde então foi envolvendo o técnico Dominique Arribagé. Apesar de a guerra nunca ter sido declarada, era nítido o mal-estar entre treinador e jogador.

O impasse foi solucionado quando Arribagé foi demitido pelos maus resultados e o “paizão” Pascal Dupraz recuperou o bom futebol de Ben Yedder.

Para acrescentar ao currículo de bom moço do sevillista, sempre que questionado sobre a falta de convocações, nunca polemizou. Já chegou até a dizer que atletas de clubes maiores encontram mais facilidades para chegar à seleção (o que não é nenhuma mentira) mas nunca atacou Deschamps ou a federação.

Tampouco tentou se vitimar por ter origens tunisianas. Apesar de a seleção da Tunísia querê-lo no time de qualquer jeito, Ben Yedder já foi claro ao dizer que vai seguir trabalhando até ser lembrado pelos Bleus.

Visando 2018 e a busca por mais opções, que possam fornecer novos horizontes ao time, Deschamps deveria pensar com carinho no atleta do Sevilla, analisar sua evolução e colocá-lo no radar. Será que ele se lembra de 2014? Griezmann surgiu antes da Copa, foi chamado, correspondeu e está no time até hoje.

Ben Yedder pode ser outro caso igual. Não é um foguete de festa junina, que sobe, faz barulho e logo some. Ele é realidade e qualidade e pode ser a carta na manga para brilhar na Copa da Rússia.

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