Da glória ao ostracismo

Foto: Reprodução - O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O Alavés fez história ao chegar na decisão da Copa da Uefa

Quando relacionamos times espanhóis com finais de copas europeias, logo nos lembramos de Real Madrid e Barcelona, além do Atlético de Madrid, que ganhou a Liga Europa em duas oportunidades nos últimos anos. O que muitos esquecem é que, certa vez, o pequenino Deportivo Alavés, da província de Álava, chegou a uma final internacional com uma campanha heroica.

Fundado em 1921, o citado clube espanhol nunca havia obtido grandes feitos até a chegada do técnico José Manuel Esnal, o Mané, em 1997. Com ele no comando, o Alavés começou a saga que teve início na segunda divisão e parou com um vice-campeonato continental.

O acesso

O Alavés teve campanha praticamente impecável na segunda divisão espanhola na temporada 1997/98, na qual foi campeão. Em 42 partidas, foram conquistados 82 pontos, sendo o time que mais venceu (24 vezes) e o que menos sofreu gols (25).

Mas o que marcou não foi o acesso, mas sim o início do que seria caracterizado como “copeirismo” do time de Mané. O Alavés foi semifinalista da Copa do Rei, e também contando com uma boa dose de heroísmo.

O drama começou já nas fases iniciais. Contra o desconhecido Aurrerá de Vitoria, o Alavés precisou reverter o 1-0 sofrido na ida para seguir na competição. Venceu por 2-0 na volta e prosseguiu para enfrentar o Real Oviedo, no qual despachou com uma magra vitória por 1-0 na ida e 0-0 na volta.

Na etapa seguinte, mais dificuldades. Diante do Compostela, clube de primeira divisão na época, o Alavés venceu por 1-0 em casa e segurou o 2-2 na volta para se qualificar.

Na fase de oitavas-de-final, o adversário era o poderoso Real Madrid, futuro campeão europeu. No jogo de ida, no Estádio de Mendizorroza, em Álave, com gol de Manuel Serrano, o Alavés bateu o adversário da capital pelo marcador mínimo. Na volta, sufoco em Madrid. Riesco fez 1-0 para os visitantes, mas Roberto Carlos e Šuker viraram o jogo. O tento do atacante croata saiu aos 10 minutos da etapa final e o Alavés se segurou por 35 minutos para conseguir a classificação.

Na fase seguinte, o Alavés passou sem grandes dificuldades pelo Deportivo La Coruña, também time da elite, aplicando 3-1 em casa no jogo de ida e segurando o placar zerado na volta.

Na semifinal veio a queda diante do Mallorca. Com duas derrotas (2-1 na ida e 1-0 na volta), o Alavés deu adeus ao sonho de conquistar a Copa do Rei (que seria vencida pelo Barcelona naquele ano).

Caminho na elite

Em seu ano de retorno à elite do futebol espanhol após mais de 40 anos, o Alavés conseguiu a permanência na primeira divisão apenas na última partida. Antes do início da 38ª rodada, o Glorioso somava 37 pontos, ocupava a 17ª colocação e não possuía chances de queda, mas poderia ficar no playoff contra o descenso. Os adversários diretos eram Villarreal, com 35 pontos, e Extremadura, com 38. Curiosamente, os dois concorrentes se enfrentariam na rodada derradeira.

A fórmula do Alavés era simples: vencer a Real Sociedad e torcer pelo tropeço do Extremadura. Uma derrota o deixaria no playoff, já que os 17º e 18º colocados disputariam esta fase.

Tudo começou tranquilo para o Glorioso e acabou com emoção. Ao término do primeiro tempo dos dois jogos, o Alavés vencia por 2-0 e o Extremadura perdia pelo marcador mínimo. Antes dos 20 minutos da etapa complementar, a Real Sociedad conseguiu descontar com Javier de Pedro e trouxe emoção para a partida.

Aos 36 minutos, David Albelda marcou para o Submarino Amarelo, abrindo 2-0 e, aparentemente definindo a parada. Porém, em menos de cinco minutos, Iván Gabrich marcou dois gols, empatou a partida para o Extremadura, deixando o Alavés com atenção nos dois jogos.

Por fim, os placares permaneceram intactos e, com uma boa dose de sorte, o Glorioso permaneceu na elite espanhola.

Grandes resultados

Na temporada seguinte, tudo mudou. Já com nomes de destaque como Javier Moreno, Hermes Desio e o veterano Julio Salinas, o Alavés fez campanha impecável, ocupando a 6ª colocação ao término do Campeonato Espanhol, obtendo 61 pontos. O desempenho lhe rendeu uma vaga na Copa da Uefa do ano seguinte.

Na temporada do 6º lugar, resultados importantes ficaram marcados para o time, entre estes, 2-0 sobre o Valencia no Mestalla, 2-1 de virada sobre o Barcelona, 2-0 no Atlético de Madrid e 1-0 no Real Madrid.

Saga europeia

Para começar a rotina de mochileiro pelo Velho Continente, o Alavés precisou dar uma modificada no elenco. Entre os reforços estavam o uruguaio Iván Alonso, vindo do River Plate do Uruguai, Jordi Cruyff, contratado junto ao Manchester United, Juan Epitié, atacante de Guiné Equatorial que veio da base do Real Madrid, Mario Rosas, cria do Barcelona, e Ivan Tomić, que veio da Roma.

Em contrapartida, Mané perdeu duas peças importantes para a temporada: o atacante Meho Kodro, autor de cinco gols na temporada anterior, foi para o Maccabi Tel-Aviv (onde encerrou a carreira), e o volante Ángel Morales, que retornou de empréstimo ao Espanyol.

Autor de sete gols na campanha do Campeonato Espanhol, o atacante Javi Moreno foi mantido no clube, diferente do artilheiro do time, Julio Salinas, que balançou as redes oito vezes. O atacante, que disputou as Copa de 1986, 1990 e 1994, tinha 38 anos e pendurou as chuteiras em 2000.

Foto: Reprodução - O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Foto: Reprodução – O veterano Julio Salinas ajudou o Alavés a chegar na Copa da Uefa

Mortal fora de casa

Reza a lenda do bom time copero, que para se sair bem em competições mata-mata, seu time precisa saber jogar fora de casa, principalmente pelo temido gol como visitante. O Alavés cumpriu com maestria este quesito.

Nas primeiras fases, o Glorioso sofreu em jogos em casa e precisou sair da Espanha para conseguir avançar. Logo na estreia, empatou sem gols com o Gaziantepspor no estádio de Mendizorroza, mas buscou a vaga na Turquia com uma surpreendente vitória por 4-3, quando esteve duas vezes atrás no marcador.

Já nesta fase, os reforços começaram a aparecer. Na partida fora de casa, Iván Alonso e, principalmente, Tomić foram os responsáveis pela imponente vitória do Alavés.

Nas duas fases seguintes, o Glorioso enfrentou adversários noruegueses e, em ambos os casos, fez o resultado no país nórdico. Contra o Lillestrøm, vitória por 3-1 na ida e a manutenção do empate em 2-2 na Espanha. Diante do Rosenborg veio o maior susto, afinal, o empate em 1-1 no Mendizorroza causava dores de cabeça. Mas o 3-1 na volta foi construído com imensa tranquilidade e qualificou o Alavés para as oitavas-de-final da Copa da Uefa, um feito inimaginável para um clube que estava na segunda divisão dois anos antes.

Primeiro gigante

Foto: Reprodução - Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Foto: Reprodução – Os espanhóis fizeram história ao eliminar a Inter em Milão

Nas oitavas-de-final, o Alavés viu o primeiro gigante pela frente: a Internazionale. Invicto e mais tradicional internacionalmente, o time italiano era franco favorito. Sem sentir a pressão de jogar a primeira partida na Espanha e de sair atrás no marcador, a Inter virou para 3-1 sem suar.

Mas, na raça, o Glorioso buscou o empate diante do gigante italiano. Óscar Téllez cobrando falta e Iván Alonso de cabeça deram o placar igualitário à partida. Não era essa a vez que o Alavés conseguiria sua primeira vitória internacional jogando em casa, mas o resultado não era tão ruim quanto se desenhou durante a partida.

Cirúrgico, o Alavés precisou de duas estocadas no final do jogo para eliminar a Inter no Giuseppe Meazza. Na primeira, aos 33 minutos da etapa complementar, Jordi Cruyff acertou um potente chute de canhota e abriu o placar. Cinco minutos depois, Tomić usou do mesmo artifício de Cruyff para marcar o tento que sacramentou a histórica classificação na Itália.

 

Consolidação em casa

Apesar de estarem invictos jogando em casa, o fato de não terem vencido no Mendizorroza incomodava parte da torcida que ainda não vira de perto o time triunfar. Nas quartas-de-final, esse sonho tinha grandes chances de ser realizado de uma forma ou de outra, afinal de contas, o adversário seria o também espanhol Rayo Vallecano.

Aliás, essa fase foi dominada por times da Península Ibérica. Além da partida espanhola citada no parágrafo acima, Barcelona e Celta de Vigo se confrontaram, sem falar do Porto, que enfrentou o Liverpool.

Mas voltando a falar do Alavés, o time de Mané finalmente agradou a torcida e conseguiu uma grande vitória sobre o Rayo já no jogo de ida, 3-0. A partida de volta se tornou mera formalidade e o Glorioso se deu ao luxo de perder a primeira na competição: 2-1.

Em estado de graça, o Alavés permaneceu com o mesmo pique e atropelou o Kaiserslautern na semifinal. Com 5-1 na Espanha e 4-1 na Alemanha, os espanhóis passaram por cima e confirmaram a inimaginável vaga na final da Copa da Uefa.

O triunfo sobre o Kaiserslautern não foi um triunfo qualquer, já que o time alemão era um dos que estava no bolo de candidatos ao título em seu país. Na semana da partida de ida, o Campeonato Alemão tinha completadas 27 rodadas e a diferença do líder Bayern pro Kaiserslautern, 6º colocado, era de apenas três pontos.

A situação que o Alavés vivia na Espanha era muito diferente. Era o 8º colocado com 40 pontos, estava 19 atrás do Real Madrid, então líder do torneio, e sonhava apenas com a vaga na Copa da Uefa.

O adversário

Foto: Reprodução - O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Foto: Reprodução – O Liverpool de Owen poderia erguer o segundo troféu em uma semana

Na decisão, o pequenino Deportivo Alavés teria pela frente um time de enorme história e de respeito inigualável: o Liverpool. Naquela época, os Reds eram detentores de 18 títulos do Campeonato Inglês, seis da Copa da Inglaterra, seis da Copa da Liga Inglesa, além de quatro da Liga dos Campeões e dois da Copa da Uefa.

O novo título europeu não seria apenas uma nova conquista para o time de Gérard Houllier, mas também a chance de erguer o segundo troféu em menos de uma semana. No dia 12 de maio de 2001, o Liverpool venceu o Arsenal no Millenium Stadium por 2-1 e foi campeão da Copa da Inglaterra. Aquele jogo foi marcante porque os Reds perdiam até os 38 minutos da etapa final, quando Michael Owen apareceu e virou a partida com dois gols em cinco minutos.

Além disso, em fevereiro daquele ano, o Liverpool havia derrotado o Birmingham City pela final da Copa da Liga Inglesa, também no Millenium Stadium. Ou seja, na final do dia 15 de maio, em Dortmund, o time da terra dos Beatles poderia erguer o terceiro troféu da temporada.

Na Copa da Uefa, o Liverpool teve campanha praticamente impecável. Foram 12 jogos, com sete vitórias, quatro empates e somente uma derrota. Além disso, 14 gols foram marcados e sua defesa foi vazada apenas cinco vezes.

A decisão

Foto: Reprodução - Um gol contra decidiu a final de 2001

Foto: Reprodução – Um gol contra decidiu a final de 2001

O Liverpool entrou no gramado do Westfalenstadion, em Dortmund, no 4-4-2 habitual, contando com o retorno do escocês Gary McAllister, que havia ficado de fora da decisão da Copa da Inglaterra. Já o Alavés entrou no cauteloso 5-4-1, apenas com Javi Moreno no ataque. O uruguaio Iván Alonso, um dos grandes nomes da campanha, começou no banco.

Talvez nervoso com a situação atípica em que se encontrava, o Glorioso sentiu o peso da decisão. Com 15 minutos já olhava o placar com dois gols de vantagem para o adversário inglês. Markus Babbel e Steven Gerrard marcaram para o Liverpool em erros do time espanhol.

Mané se viu obrigado a mexer rapidamente. Aos 22 minutos, chamou Alonso e sacou um de seus defensores: o norueguês Dan Eggen. A mexida surtiu efeito imediato e três minutos após entrar, o uruguaio descontou, aproveitando cruzamento de Cosmin Contra, que também fez ótimas aparições na temporada.

Porém, outro erro de passe no meio-campo resultou em um pênalti a favor do Liverpool antes do término do primeiro tempo. Os aproveitadores do erro foram Dietmar Hamann e Michael Owen. O alemão lançou o inglês, que driblou o goleiro Herrera e foi derrubado na sequência. McAllister converteu a cobrança e levou o 3-1 para os vestiários.

Além da entrada do brasileiro Magno no intervalo, a conversa de Mané com os jogadores surtiu grande efeito nos jogadores do Alavés, que buscaram o resultado rapidamente. Javi Moreno, que havia ficado de fora do jogo de volta das quartas-de-final e das duas partidas da semifinal, fez dois gols em três minutos e deixou tudo igual. O primeiro tento foi de cabeça, aproveitando nova jogada de Contra. Já o segundo gol foi cobrando falta por baixo da barreira.

Os dois gols lhe deixaram com seis na competição, empatado no topo do ranking de artilheiros com outros três jogadores: Drulić (Estrela Vermelha), Kuzba (Lausanne) e Nikolaidis (AEK Atenas).

Porém, não era apenas Mané que poderia fazer mexidas úteis. Houllier também agiu e tirou Robbie Fowler do banco de reservas aos 20 minutos. Menos de dez minutos depois, o atacante recebeu de McAllister, limpou a marcação e finalizou no cantinho esquerdo de Herrera, recolocando o Liverpool em vantagem.

Valente, o Alavés foi buscar o empate aos 44 minutos com uma cabeçada de Jordi Cruyff. O filho de Johan pode não ter chegado nem perto do que o pai fez, mas foi de fundamental importância para a campanha espanhola naquele ano. Ele foi o autor de quatro gols, incluindo o que abriu o placar na histórica vitória sobre a Inter nas oitavas-de-final.

O gol em Dortmund forçou a prorrogação, na época, com o temido Gol de Ouro.

No tempo extra, o Alavés foi sentindo o cansaço aos poucos. Sem poder de recuperação com 11, os espanhóis se viram em prejuízo ainda maior quando o brasileiro Magno entrou de forma violenta em Babbel, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Sem pernas e com 10, o Alavés cedeu à pressão do Liverpool. Faltando cinco minutos para acabar o jogo, Smicer, que entrara no começo do segundo tempo, ia passando fácil por Antonio Karmona. Sem opção, o capitão espanhol puxou o adversário e cometeu falta no bico da grande área. Por já ter amarelo, também foi expulso.

Na cobrança de falta, o pior aconteceu. McAllister cobrou fechado e o zagueiro Delfí Geli, com o intuito de afastar a bola, se antecipou ao goleiro e jogou contra a própria meta. A desolação foi total. Depois de ficar atrás no marcador em duas oportunidades e buscar o empate em ambas às vezes, o Alavés sucumbia no final da prorrogação. Foi o encerramento de um sonho.

Foto: Reprodução - A derrota foi dolorosa para o Alavés

Foto: Reprodução – A derrota foi dolorosa para o Alavés

Futuro sombrio

Depois de ir longe na Copa da Uefa, o Alavés sofreu perdas importantes. O Milan veio buscar Cosmin Contra e Javi Moreno, enquanto Ivan Tomić retornou a Roma. Apesar das perdas significativas, o time de Mané seguiu forte e terminou na 7ª colocação na temporada seguinte, retornando a Copa da Uefa na temporada 2002/03.

Porém, de 2003 em diante, o Alavés sofreu uma vertiginosa queda. Já na Copa da Uefa não foi longe, parando logo na segunda fase diante do Besiktas. No Campeonato Espanhol a campanha foi horrível e, na penúltima colocação, foi rebaixado para a segunda divisão. Além disso, Mané havia deixado o cargo de técnico após derrota para o Valencia na 31ª rodada. Na ocasião, o Alavés já ocupava a penúltima colocação e aquele foi o nono tropeço consecutivo, sendo que, desses nove jogos, o Glorioso não havia marcado gols em seis partidas.

Na temporada seguinte, com Pepe Mel no comando, o Alavés ficou em 4º na segunda divisão e não subiu e ainda parou na semifinal da Copa do Rei. Na temporada 2004/05, com Chuchi Cos como técnico, o acesso finalmente veio, mas a festa durou pouco e o Glorioso ficou apenas uma temporada na elite (2005/06).

Desde então não voltou mais. E nem tem passado perto disso. Depois de duas temporadas em que se salvou na bacia das almas, a queda para a terceira divisão veio em 2009. O Alavés voltou para a segunda divisão apenas nesta temporada, mas novamente briga contra o descenso. Após algumas rodadas na lanterna, o time ganhou fôlego e ocupa a 19ª colocação com 33 pontos. Tal posicionamento ainda lhe rebaixa, mas a distância pro primeiro time fora da zona de descenso (Hércules) é de apenas um ponto.

Uma pena que em pouco mais de dez anos, um time que surpreendeu toda Europa esteja sofrendo de tal maneira. É apenas sombra do que era em 2001.

Enquanto novos dias de sol não chegam para o Alavés, recorde como foi a decisão de 2001:

Dia 7 está aí! Faça sua escolha!

Diriam os mais ufanistas que no domingo, 7 de outubro, será realizada a “festa da democracia”. Outros já diriam que é uma chata obrigação, que atormenta a cada dois anos. O povo vai às urnas, pressionará uma meia dúzia de botões e escolherá quem irá representá-lo na prefeitura nos próximos quatro anos. Enquanto isso, na Europa, outro tipo de eleição, que não é obrigatória, mas que pelo menos não incomoda ninguém, irá acontecer.

Essa eleição não envolve compra de votos, placas de vereadores, adesivos de prefeito e muito menos, carros de som com grudentas músicas de candidatos. Para falar a verdade, não existem perdedores nessa eleição, somente vencedores, que somos nós, admiradores do bom futebol e dos grandes clássicos do velho continente.

Poucas vezes teremos a oportunidade de ver tantas rivalidades sendo afloradas no mesmo dia e nós teremos a condição de escolher qual assistir. Dependendo dos recursos que você tiver em mãos – televisão, computador, tablet, celular -, poderá acompanhar mais de um ao mesmo tempo. Mas se você é da moda antiga e gosta de assistir apenas uma partida, confira nos parágrafos abaixo, motivos para escolher pelo menos um dos clássicos que teremos no próximo dia 7 de outubro:

Novo embate: Messi x Cristiano Ronaldo

A Espanha vai parar para acompanhar o primeiro grande jogo entre Real Madrid e Barcelona no Campeonato Espanhol – lembrando que as duas equipes já se enfrentaram pela Supercopa. Mesmo levando em conta que “clássico é clássico e vice-versa”, podemos afirmar que o time catalão é favorito neste duelo.

Com seis vitórias nos primeiros seis jogos da temporada, o Barcelona tem o melhor ataque do Campeonato Espanhol com 17 gols. Embora tenha 100% de aproveitamento, o time de Tito Vilanova passou sufoco nas partidas contra Osasuna, Valencia, Granada e Sevilla na liga. Além disso, as atuações blaugranas na UEFA Champions League não foram das melhores, com uma vitória de virada diante do Spartak Moscou e outro triunfo, esse por 2×0, diante do Benfica.

Vilanova tem alguns problemas para a partida de domingo. Primeiro no meio-campo, com o brasileiro naturalizado espanhol, Thiago Alcântara, que lesionou o joelho e deverá ficar um bom tempo fora de combate. Já o outro problema está na defesa, onde Puyol e Piqué estão contundidos, fazendo com que a zaga seja formada por Mascherano e Song, dois volantes. Porém, esses problemas são totalmente contornáveis se compararmos com os que andam acontecendo nos lados de Madrid.

Depois da “tristeza” de Cristiano Ronaldo e da indefinição do futuro de Kaká, eis que surge a notícia de que, na partida contra o La Coruña, o defensor Sérgio Ramos jogou com a camisa 10, de Özil, debaixo do seu uniforme para dar apoio ao alemão, que havia sido substituído por José Mourinho. No momento, fala-se mais do clima tenso entre jogador e técnico do que do grande clássico.

Além disso, o Real Madrid está numa preocupante 6ª colocação, com 10 pontos. Uma eventual derrota para o Barcelona o deixaria onze pontos atrás do rival e tornaria a conquista do título quase impossível, mesmo se tratando de início de temporada. Para tentar evitar essa cena, Mourinho talvez lance a campo o brasileiro Kaká, que teve boa atuação diante do Ajax e pode figurar entre os titulares.

Cafézinho pra assistir ao jogo?

De um lado, uma Inter de nova cara, agora treinada por Andrea Stramaccioni, do outro, um Milan enfraquecido e que ocupa a parte debaixo da tabela do Campeonato Italiano. Essa será a formatação do Derby della Madonnina.

A Inter vem conquistando bons resultados e com seus 12 pontos, sonha com um tropeço da líder Juventus para poder encostar no topo da tabela. A característica do time de Stramaccioni está no encaixe que a Inter faz com o adversário, tentando fazer com que seu esquema anule o do oponente, opção que, por enquanto, tem dado certo.

Uma das novidades do clássico deverá ser Rodrigo Palacio. O atacante argentino estava lesionado, mas já voltou a treinar com o grupo na segunda-feira e até foi poupado no confronto da Liga Europa, contra o Neftçi, visando o clássico.

Wesley Sneijder tinha tudo para disputar o clássico, mas o holandês está lesionado e ficará fazendo tratamento, se ausentando da partida

Se a Inter sonha em encostar nos líderes, o Milan pretende sair da parte inferior da classificação. Os Rossoneros conquistaram apenas 7 pontos e no momento, ocupam a 11ª colocação. Além disso, na UEFA Champions League, os comandados de Massimo Allegri, mesmo invictos, ‘penaram’ para derrotar o Zenit no último meio de semana.

O brasileiro Alexandre Pato voltou a treinar e pode ser escalado no domingo. O tempo que ele aguentará, só Deus sabe. Façam suas apostas!

A partida do domingo também deverá marcar o reencontro de Pazzini e Cassano com seus ex-clubes. O primeiro era interista, enquanto o segundo defendia o time milanista, hoje, atuam nos lados contrários. Não se surpreendam caso um dos dois decida a peleja.

O clima esquentou entre Fournier e Ravanelli em 1998

Historicamente, talvez seja um exagero chamar o duelo Marseille x PSG como o maior clássico da França, mas nos últimos anos, é sim o grande confronto do país. Partidas marcantes, finais de campeonato, confusões… É isso que podemos esperar no próximo domingo.

O clássico promete porque o Marseille teve seu intenso ritmo quebrado na última rodada, enquanto o PSG vai se afirmando como grande favorito ao título. Quem vencer termina a rodada no ponto mais alto da tabela de classificação.

Antes do confronto contra o Valenciennes, na 7ª rodada, o Marseille tinha 100% de aproveitamento, seis vitórias em seis jogos. Nunca em sua história havia conseguido tal feito. Porém, o jogo diante do VAFC proporcionou uma dura queda, com uma goleada por 4×1.

Fica a dúvida do quão pesado será o valor desse tropeço. Na última temporada, o OM ficou invicto de novembro/2010 até fevereiro/2011, mas após perder o primeiro jogo, ficou até maio sem vencer. O elenco atual é praticamente o mesmo da temporada anterior e cabe ao novo técnico, Élie Baup fazer um trabalho psicológico melhor do que foi feito por Didier Deschamps.

Já o Paris Saint-Germain é uma das três equipes invictas na Ligue 1 – Lorient e Bordeaux são as outras duas – e já acumula cinco vitórias seguidas. Como ponto positivo da vitória sobre o Sochaux, por 2×0, foi participação discreta de Ibrahimovic. E onde há positividade nisso? Simples. Ficou provado, ao menos parcialmente, de que a dependência do sueco não é tão grande assim.

Para este clássico do primeiro turno, fica a lembrança do jogo da última temporada, onde o Marseille recebeu o novo milionário e badalado PSG e nem tomou conhecimento, ao vencer por 3×0, com show de Loic Rémy. Será que a história irá se repetir?

Fener e Besiktas mostra bem como é quente o futebol turco

Além das empolgantes torcidas, parte da minha admiração pelo futebol turco vem destes clássicos. Neste domingo, teremos mais um Fenerbahçe x Beşiktaş, o 333º encontro das duas equipes em toda a história. O Fenerbahçe é da parte asiática da cidade de Instanbul, enquanto o Beşiktaş fica na parte europeia da cidade, ou seja, ainda há uma questão cultural que envolve o clássico.

No confronto do próximo domingo, as duas equipes visam se aproximar do topo da tabela. Embora ocupem posições intermediárias – o Fenerbahçe é 6º e o Beşiktaş é 10º -, a distância de ambos para o líder, Galatasaray, é curta e para um início de temporada, completamente reversível.

Porém, o clima nos lados do Fener não é dos melhores. Com um elenco estelar – para o nível do Campeonato Turco -, o técnico Aykut Kocaman conseguiu arrumar confusão com um dos jogadores mais antigos do elenco: Alex. O brasileiro foi afastado e os indícios dão conta de ciúmes do comandante, que também jogou no clube e hoje vê Alex batendo seus recordes.

Além desse problema interno, o Fenerbahçe tenta se livrar da sina dos empates. Em seis jogos pelo Campeonato Turco, foram três partidas com placares iguais, sendo dois zerados. Para completar a sina ruim, o time de Kocaman vem de uma derrota para o Kasimpaşa, 2×0, completando dois jogos sem vitória no torneio nacional.

A primeira reação do time após essa polêmica foi boa e veio à vitória sobre o Borussia Mönchengladbach, na Alemanha, pela UEFA Europa League. O brasileiro Cristian Baroni, que chegou a dizer que estava triste com a saída do amigo Alex, fez dois gols na partida contra os germânicos.

Nos lados do Beşiktaş, as coisas andam mais tranquilas, mesmo com a decepcionante 10ª colocação. Ainda assim, começam a pesar as críticas em cima do técnico Samet Aybaba, que acostumado a treinar times menores na Turquia, agora terá de se virar com um elenco mais ‘cascudo’.

O Beşiktaş vem de duas derrotas seguidas, uma para o Gaziantepspor, que ‘namora’ com a zona de rebaixamento, e outra jogando em casa, diante do Sivasspor, em um confronto direto. Fatalmente, o time de Aybaba ocuparia a atual posição do então adversário – 4º lugar – se vencesse aquele jogo.

A outra missão do Beşiktaş será quebrar a série de nove jogos sem vencer o Fenerbahçe como visitante. O último triunfo foi na final da Copa da Turquia de 2006, 3×2 na prorrogação, no estádio İzmir Atatürk – a última vitória no Şükrü Saracoğlu foi em 2005. Desde então, foram três empates e seis derrotas, sendo duas vitórias seguidas nos últimos duelos.

Spartak x CSKA na luta para desbancar o bicampeão (e mal colocado) Zenit

Também teremos clássico na Rússia neste dia 7: Spartak x CSKA, o derby moscovita que movimentará a 11ª rodada do Campeonato Russo.

O Spartak, time da classe trabalhadora na origem soviética do clássico, visa encostar no próprio CSKA com uma vitória. A equipe de Unai Emery ocupa a 4ª colocação com 19 pontos e caso vença a partida, empata em pontos com a equipe rival, que no momento, se posiciona em 2º.

No Campeonato Russo, o Spartak vem de uma sequência de três jogos invictos, contabilizando um empate e duas vitórias. A principal aposta da equipe é o nigeriano Emmanuel Emenike, autor de quatro gols no campeonato. Além disso, o atacante deixou duas vezes sua marca na derrota diante do Celtic na Champions League.

A grande ausência será Rômulo. O brasileiro já estava se fixando no meio-campo do time ao lado de Källström e do compatriota Rafael Carioca. O ex-jogador do Vasco se lesionou e ficará alguns meses no estaleiro, fazendo com que o holandês De Zeeuw assuma a titularidade.

Já o CSKA, time dos militares na origem do clássico, chega com uma pequena dor de cabeça. Após seis vitórias seguidas, o time do experiente Leonid Slutsky foi derrotado em outro clássico moscovita, contra o Dínamo e acabou perdendo a liderança do campeonato para o Anzhi de Samuel Eto’o.

Por não disputar nenhuma competição europeia, o CSKA acabou investindo pouco para esta temporada, por isso o time é basicamente o mesmo de anos anteriores, com o acréscimo de muitos garotos. Um deles é o nigeriano Ahmed Musa, de 19 anos e que já tem três gols na temporada. Georgi Schennikov e Ravil Netfulin, ambos abaixo dos 22 anos, também estão recebendo suas oportunidades no time principal.

Embora esses garotos tenham seus papeis de destaque, o protagonismo do time ainda está a cargo dos ‘experientes’ Dzagoev e Honda, de 22 e 26 anos, respectivamente. A dupla anotou 7 dos 16 gols marcados pela equipe no Campeonato Russo.

O Porto em festa, o Sporting em crise. Promessa de clássico nervoso em Portugal

Domingo também é dia de clássico português, com certeza! O Porto, atual campeão de Portugal, irá enfrentar o Sporting Lisboa, clube que está em uma fila de dez anos sem conquistas do principal campeonato do país.

Os dois times vivem momentos opostos no torneio. Os Dragões dividem a ponta com o Benfica, ambos com 11 pontos e invictos, enquanto os Leões ocupam a indigesta 8ª colocação com seis pontos e apenas uma vitória.

Além de não ter sido batido em terras nacionais, o Porto chega com o moral alto, pois no complicado duelo diante do Paris Saint-Germain, pela UEFA Champions League, a equipe de Vítor Pereira venceu por 1×0 e manteve os 100% no torneio.

Outro ponto a se destacar deste confronto diante do time francês é que o Porto saiu com seus jogadores ilesos do embate. Embora fosse uma partida difícil e que exigisse demais dos atletas, nenhum saiu lesionado, propiciando ao técnico Vítor Pereira, as melhores escolhas para o clássico.

Já o Sporting vive situação dramática. O técnico Ricardo Sá Pinto, de tão pressionado, acabou sendo demitido às vésperas da partida. O treino desta sexta já foi cancelado e Oceano, treinador do time B do Sporting, comandará a equipe no clássico do domingo.

O fato de ter somente uma vitória no campeonato está incomodando tanto, que o presidente do clube, Godinho Lopes, pediu desculpas a todos os torcedores após a humilhante derrota por 3×0 diante do Videoton da Hungria. Além deste tropeço, o Sporting já havia empatado com o Basel em sua estreia na UEFA Europa League.

Caso consiga quebrar a série negativa na competição, o Sporting irá se igualar ao Porto no histórico do clássico com 77 vitórias cada.

Standard e Anderlecht é um dos grandes clássicos belgas

Clássico dos opostos em Portugal… Clássico dos opostos na Bélgica.

O Standard Liège, terceiro maior campeão do país, vem de quatro derrotas consecutivas no Campeonato Belga e no momento, ocupa a 12ª colocação com dez pontos, quatro a mais que o Waasland-Beveren, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. Enquanto isso, o Anderlecht, principal equipe e maior campeão da Bélgica, está uma posição atrás do líder Club Brugge, com dois pontos de desvantagem.

Assim como outros clássicos mencionados, existem fortes marcas culturais. O Anderlecht, da capital Bruxelas, é considerado o time dos burgueses, enquanto o Standard seria o proletariado. Também seguindo exemplo de Real Madrid x Barcelona, o encontro entre Anderlecht x Standard é chamado de “O Clássico”.

Mesmo com esse peso dado ao confronto, o valor histórico dos roxos acaba pesando mais, por isso, lideram o confronto com 83 vitórias contra 54 do Standard. Além disso, já são quatro jogos de invencibilidade do Anderlecht, contabilizando três vitórias, um empate, dez gols marcados e somente um sofrido. O último triunfo do time de Liège foi em maio de 2011, pelos playoffs do Campeonato Belga, 2×1.

Para o confronto do próximo domingo, o técnico Ron Jans depositará suas esperanças em uma dupla estrangeira: no uruguaio Ignacio González e no nigeriano Imoh Ezekiel. 9 dos 18 gols marcados pelo Standard no Campeonato Belga foram da dupla.

Em contrapartida, o Anderlecht é uma das três equipes invictas do torneio, porém, uma das que mais empatou, quatro vezes. Fica o alento de o time vir de duas vitórias seguidas, com Mbokani, artilheiro da equipe, começando a decolar, marcando três dos seis gols marcados nos últimos jogos. O atacante congolês já balançou as redes seis vezes e é o vice-goleador do campeonato, se tornando assim, a grande esperança de gols do Anderlecht.

TOP 7: Previsões pro futebol europeu em 2012

2011 vem chegando ao fim e chegou a hora do blog dar um ponto final neste longo – teve 365 dias como todos os outros – e cansativo ano com as previsões dos anos seguintes. Atenção para o Pai Dinah e suas previsões!

– Goleada da Bundesliga

Seis empates sem gols em 289 jogos. Preciso dizer mais?

– Badalados, esquecidos e adorados

A Premier League será o campeonato nacional mais badalado de todos. Seja pelos estádios sempre lotados ou pelos times fortes e milionários, a Liga Inglesa vai ser o torneio que mais vai atrair fãs. Porém, os grandes destaques dos times serão os estrangeiros, sejam eles vindos de outros países da Europa ou de outro continente. Mesmo assim, os poucos jogadores ingleses restantes nos times poderosos da Inglaterra serão os mais populares entre os torcedores.

– Três times só de especulação

Hoje, com vários veículos de comunicação no mundo – jornais impressos, televisos, online, etc. -, a vontade de tomar à frente e dar a notícia em primeira mão se torna obrigação, por isso, especulações saírão de todos os lugares possíveis. Os jornalistas não são bobos e miram logo os times mais ricos. Milionários como Paris Saint-Germain, Manchester City, Chelsea e Real Madrid poderão formar até três times se contratarem 60% dos jogadores que serão especulados.

– Só se faz de morto

O Barcelona irá perder sim! Mas não será pra times do alto escalão europeu. O time de Guardiola perderá pra equipes medianas da liga espanhola. Mas isso será só pra se fazer de morto e dar o “pulo do gato” na hora decisiva, diante das grandes forças do futebol europeu.

– Arenas alemãs lotadas

Com toda modernidade possível, mas com o respeito a tradição dos torcedores mais fanáticos, os estádios e arenas dos times alemães estarão lotadas durante o 2º turno inteiro da Bundesliga. Só pra constar, não faltará cerveja pra ninguém nos jogos.

– Desfecho do Campeonato Espanhol

Minha bola de cristal não deu grandes detalhes, mas o título espanhol ficará entre Real Madrid e Barcelona, assim como o artilheiro da competição sairá de um dos dois times.

– “O Lyon não é mais o mesmo…”

Admito que acho engraçado o clichê de alguns comentáristas esportivos. Eu, que comento para a web rádio Futebol Plus, admito que também uso de alguns desses para poder concluir meus pensamentos. Vindo dos outros, não me irrito, apenas acho engraçado. O time que mais sofrerá com esses clichês será o Olympique Lyonnais. Você se cansará de ouvir que “o Lyon não é mais o mesmo desde a saída de Juninho Pernambucano”. Sempre lembrando que desde que o eterno camisa 8 lyonês deixou o clube, o Lyon não faltou a nenhuma edição da Liga dos Campeões, tendo sido semifinalista em uma delas.

Um bom final de ano e um início melhor ainda! Até a próxima!

Obs: Antes que reclamem, essas previsões são baseadas na pesquisa dos alunos da “Universidade de Astrologia, Previsão, Visionarismo, Profecias e Estatísticas Obviedade da Silva”