Müller ou Robben: Eis a questão

Em má fase, Robben e Müller não conseguem render juntos (Reuters)

Eu estava pronto para escrever um texto sobre determinado assunto neste momento, mas a classificação do Bayern para a semifinal da DFB Pokal – Copa da Alemanha – me forçou a mudar totalmente estes planos.

Uma das mudanças, inclusive, era o título. Este post se chamaria “Müller, o queridinho da Baviera“. Eu destacaria o seu péssimo momento no Bayern, somadas as críticas do ex-bávaro Mario Basler, que pegou no pé de Robben. Só pra não ficar confuso, só queria demonstrar que mesmo jogando mal, Müller tinha sua pele aliviada ao ver outros companheiros sendo criticados e ele não.

Acontece que esta tarde, o Bayern meteu 2×0 no Stuttgart pela copa alemã e Müller foi muito bem, tendo participado dos dois gols bávaros. Detalhe: o camisa 25 do Bayern foi escalado de forma diferente por Jupp Heynckes. Com Kroos de volta a linha de armadores no lugar de Robben, Müller foi deslocado para a direita, posição do holandês.

Não é de hoje que é sabido que a revelação da Copa do Mundo de 2010 rende muito mais jogando pelo flanco direito, porém, ele “quebrava um galho” pelo centro. Só que nesta temporada, nem isso ele tem conseguido fazer.

Robben, que ficou um bocado de tempo contundido, voltou, mas jogando mal. Marcando poucos gols e raramente sendo decisivo. As críticas de Basler não me surpreenderam nem um pouco. Não sei se o holandês estava “jogando com o nome”, talvez Heynckes, sabendo de seu potencial, estivesse esperando o momento em que ele voltasse a apresentar o futebol de sua primeira temporada na Alemanha, mas isso estava demorando demais pra acontecer. Uma atitude tinha de ser tomada!

O mesmo servia pra Müller, que jogando um futebolzinho sem-vergonha, se mantinha como titular do Bayern, sobrecarregando jogadores como Kroos e Ribéry.

Heynckes tem a bomba em mão, não pode deixá-la explodir (Reuters)

Jupp Heynckes ainda tentou um jeito de encaixar todo mundo no mesmo time ao colocar Kroos e Schweinsteiger como volantes, mas a fórmula que está dando certo na Seleção Alemã, não deu resultados no clube bávaro. O jogo do Bayern depende demais das presenças ofensivas de Kroos e Schweini, com os dois de volantes, isso fica impossível, já que um dos dois precisa ficar e proteger a defesa. Como isto ficava acontecendo constantemente, o jogo ficava sobrecarregado em Müller, Robben e Ribéry, sendo que os dois primeiros estão em má fase e o terceiro é uma granada prestes a explodir.

Na partida de hoje contra o Stuttgart, Heynckes tomou uma nova atitude. Robben ficou no banco – um dia após as críticas de Basler -, com Müller jogando aberto na direita e o Bayern jogou muito bem. Mesmo com Schweinsteiger tendo permanecido cerca de 20 minutos em campo – o #31 do Bayern se lesionou… de novo – Kroos esteve em uma grande jornada, contando com o auxílio de Alaba, que substituiu Schweini.

Thomas Müller, jogando aberto na direita, foi decisivo e bem mais participativo que o normal. O #25 do Bayern precisa de espaço pra correr, já que normalmente busca as jogadas diagonais, além de ser aquele tipo de jogador que se tem espaço, consegue driblar. Sem espaço, só toca. Diferente de Robben, que sabe driblar curto e não precisa ter grande liberdade pra finalizar. São estilos diferentes, mas que mesmo assim se encaixam na meia direita.

Hoje foi o dia da decisão: Jupp Heynckes, se ainda acha que o Bayern pode voltar a erguer a Salva de Prata e a “orelhuda” mais cobiçada da Europa, precisa se decidir: Robben ou Müller. Eles até cabem juntos no mesmo time, mas isto tem prejudicado a grande ação ofensiva do time, que é a chegada de trás de Kroos e Schweinsteiger. Robben no time titular significa Müller jogando centralizado, que significa Kroos de volante e finalmente, significa Bayern jogando mal.

A bola está com Heynckes! Insista no erro – que, repito, pode até dar certo, mas não parece que dará – ou faça o simples e conquiste as vitórias com bom futebol!

Engraçado… lamentável

Dois fatos marcaram o futebol na Europa Central.

Na Alemanha, Manuel Neuer fez o seu provável último jogo com a camisa do Schalke e foi campeão da DFB Pokal, após meter 5×0 no Duisburg. Na festa de comemoração, o Schalke foi as ruas e Neuer estava lá, cumprimentando os torcedores, até que do nada, surge uma mão e lhe dá um tapa. Como não surgiu uma grande reação do arqueiro alemão, posso dizer que foi engraçado.

O outro fato é lamentável. O Rapid Wiena perdia o derby da cidade pro Austria Wiena, 2×0, até que os Ultras – como diriam aqueles, a “torcida organizada deles” – se irritaram e invadiram o campo. Tocaram o terror, me pareceu que tentaram atacar a torcida adversária, abordaram os jogadores, – que inteligentemente foram se direcionando aos vestiários logo após a invasão dos Ultras – mas o cordão militar de 400 policiais agiu, avançou e encurralou os marginais. Como eu twittei: “Ultras: Uma raça que tem que acabar!”

O jogo foi suspenso e no fim do jogo, os técnicos lamentaram muito o ocorrido.

Simplesmente lamentável e vergonhoso pro futebol austríaco!

Schalke salvando sua honra

Ao invés de gastar minhas palavras sobre a final da DFB Pokal, coloco abaixo uma música para descrever o que representa esse título ao Schalke 04, que meteu 5×0 no Duisburg.

A música da cantora KT Tunstall se chama “Saving my face”, que traduzindo, se chama “Salvando minha honra”. Assim já dá para ter uma noção do que quero falar.

O refrão da música fala: “Estou sem sorte alguma. Sem fé. Eu daria tudo apenas por um sabor. Mas tudo está aqui, tudo fora de lugar. Perdendo minha memória e salvando minha honra (…)”.

Isso meio que descreve a história dos últimos anos do Schalke. Os Azuis Reais perderam alguns títulos de forma ridícula, estão em uma fila de mais de 50 anos, tiveram uma temporada ruim e como diz o refrão, “parecem estar perdendo sua memória”, mas com a histórica vaga para as semifinais da Champions League e agora com o título da DFB Pokal, eles “salvaram sua honra”, pelo menos nessa temporada.